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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Portugal, 07 de fevereiro de 2015.

Aspecto do Palácio, do Castelo de Évora Monte
        O dia de hoje foi tão bom quanto um dia de viagem pode ser. Saímos cedo e fomos rodar pelo Alentejo, a região onde estamos, ao sul do país. Desde Évora até Elvas, visitando também Évora Monte e Estremoz. Passamos sempre por estradas secundárias, com a paisagem ondulada alternando entre olivares e sobreiros, a árvore que produz a cortiça. De repente surgia uma pequena cidade branca, quase todas com séculos de histórias para contar, algumas muradas e com um castelo sobressaindo em sua parte mais alta. Um belo dia de sol dava cor a todo este visual. Visitar lugares que não conhecemos é sempre legal, quando a viagem envolve ser transportado a outros tempos, vira um privilégio.
 
Casinhas, dentro do Castelo
em Évora Monte
     Em Évora Monte subimos até o Castelo. Muito interessante, eu li que nesta área existem indícios de ocupação deste a pré-história. O Castelo parece que foi construído inicialmente pelos romanos, passou a ser ocupado pelos mouros e por volta do século XII tomado pelo que hoje é Portugal. Acho que vale a pena explicar que o Castelo não é apenas o palácio. Castelo é toda a área murada, que envolve o palácio, onde o Rei vive, e várias outras pequenas construções que servem de morada para todos aqueles que são necessários para atender a corte e tocar a vida do palácio. São inúmeras casinhas, de diferentes tamanhos. Pois então, nos Castelos que temos visitado aqui, estas casinhas seguem servindo de moradia. São pequenas, baixas, imagino que a maioria desconfortáveis, mas é muito interessante ver que são ainda habitadas, deixando estes locais históricos como que “vivos”.
Feira de Estremoz, aos sábados pela manhã.
  Em Estremóz começamos por ir à feira que acontece lá aos sábados pela manhã. Mistura alimentos e antiguidades. Uma boa variedade de produtos, mas o que chamou atenção foram os queijos locais. Provamos alguns, mas a vontade é comprar quilos e colocar na bagagem. Sei que vou sentir saudades deles na hora de colocar uma mesa quando chegar em casa.
       Mas ganhei mesmo meu dia foi quando chegamos ao Castelo de Estremóz. O Palácio foi reformado por D. Diniz para sua esposa, Isabel de Aragão, também conhecida como a Rainha Santa. Isabel de Aragão é uma daquelas santas que foi canonizada pelo povo antes que a Igreja o fizesse. Era muito generosa e muitos milagres lhe são atribuídos. No mais famoso, diz-se que ela estava distribuindo pães, envoltos pelo seu vestido, aos pobres, atividade que desagradava ao Rei, seu esposo. Quando ele a encontra lhe pergunta o que ela tinha no vestido, em tom de leve reprimenda. Ela responde que eram rosas, ao que ele fala: Rosas em Janeiro? Ela diz que sim e solta a barra de seu vestido. Rosas caem no chão. 
Eu com Dona Isabel de Aragão, em Estremoz.

     Dizem que a partir daí ele passa a ter mais respeito por sua esposa. Existem outros milagres atribuídos a ela. Mas talvez o maior deles tenha sido selar a paz entre D. Diniz e seu filho, D. Alfonso IV, que estavam na iminência de uma guerra. D. Alfonso IV é pai de D. Pedro I, que quando enviuvou se juntou com Inês de Castro. Após dez anos vivendo juntos, D. Alfonso manda decapitar Inês, sua nora bastarda, por não concordar com a provável oficialização deste matrimonio. D Pedro quase enlouquece sabendo que sua amada foi decapitada pelo seu pai. 
      Como uma forma de honrar o nome dela, D. Pedro I afirma que casou-se com Inês meses antes dela morrer, o que é confirmado por um Padre. Por isto que em Os Lusíadas, dela escreveu Camões: “Aquela que depois de morta se fez Rainha”. O dito popular derivado desta história e destes versos é: “Agora é tarde, Inês é morta
      Para quem se interessar, existe um ótimo livro intitulado Mensagens de Inês de Castro, escrito pelo Caio Ramacciotti e com mensagens de Inês de Castro psicografadas por Chico Xavier. Vale a leitura, eu já li duas vezes. Falando em Chico Xavier, existe uma linda história de quando Isabel de Aragão apareceu numa noite para ele pedindo ajuda na sua tarefa de repartir pão com os necessitados. Mas esta eu não vou contar aqui. Fica a dica!
Ana, pelas ruelas de Elvas
       Viram porque disse que ganhei meu dia ao visitar Estremóz? Até o quarto onde a Rainha Santa faleceu e 300 anos depois foi transformado em Capela nós visitamos.
      E seguimos para Elvas. Tombada pela Unesco, em 2012, como Patrimônio Histórico Mundial, é uma cidade de fato impressionante. De novo visitamos seu castelo, e andamos pelas suas ruazinhas estreitas, entre suas casas brancas. Um luxo. Almoçamos em Elvas, compramos algumas coisinhas locais e visitamos algumas partes dos seus muros e dois dos vários Fortes que lá existem. Faltou tempo para ver mais. Já era fim de tarde e resolvemos voltar para Évora, onde rolou um vinho com queijo no quarto mesmo e fomos dormir. Só para constar: vinho com queijo aqui é uma opção modesta. No quarto, comprados em feira, é mais barato que um cachorro quente com coca-cola...
     E este foi o dia, ou o que deu para contar dele. Amanhã vamos para Marvão, mais ao centro do país. 
Pousada luxuosa, no palácio que D. Diniz mandou construir /
reformar para sua esposa, Isabel de Aragão
Eu e a Dona Eunice, a senhora que abriu a porta da Capela e
nos contou tudo sobre a Rainha Santa
Na Capela erguida no local onde foi seu quarto, alguns
milagres atribuídos e ela estão retratados. Este é o das rosas.
Neste quadro, a Rainha Santa entre seu esposo e seu filho,
selando a paz. Os soldados, quando viram que era ela,
levantaram as lanças.
Visual de Elvas, a partir do forte de Santa Luzia.


Outra das ruas de Elvas, dentro do Castelo.
Estrremoz, vista  do Castelo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Portugal, 06 de fevereiro de 2015.

Ruínas Romanas, possivelmente de um Templo de Diana, 
em Évora
      Começamos o dia de hoje tomando nosso pequeno almoço na Pastelaria Belém, que fica no bairro do mesmo nome, em Lisboa. Uma linda casa, antiga, grande, com azulejos meia parede por todos os seus espaços. 
Azulejos da Pastelaria Belém
    E servem os famosos pastéis de Belém ou de nata. São deliciosos, servidos quentes, de fato irresistíveis. Ontem e hoje tomei meu café da manhã só com doces e café. Nada mal, acho que vou incorporar isto no meu cotidiano, já que estou precisando ganhar peso.  
       E partimos para o interior, em direção a Évora. Na real se chama "A Mui Nobre e sempre leal cidade de Évora". No meio do caminho, paramos em Montemor, cujo nome correto é "Montemor-a-nova". Acho um luxo estes nomes. Em Montemor fomos visitar a Herdade do Freixo do Meio, uma propriedade agrícola que trabalha com Agricultura Biológica. Demos azar, a pessoa com que combinamos não estava lá. E por aqui é inverno, frio, não se produz muito nesta época. De todos modos, valeu conhecer. Inclusive pela estrada, que estava lindíssima.
Visual de Montemor-a-jovem
    Tivemos trabalho, mas conseguimos não pegar a auto-estrada, na qual se viaja mais rápido e se conhece menos. Viajamos por estradas secundárias, passando por pequenas cidades da Região do Alentejo, sul de Portugal, famosa principalmente pela produção de vinhos. Fomos obrigados a um breve pit stop em uma vinícola e comprar um vinho, que tomamos de noite no hotel. Durante a viagem paramos para tirar fotos de uma paisagem comum por aqui, na verdade um tradicional sistema de produção que se chama Montado. Existe há séculos e é composto de sobreiro (a árvore que produz a cortiça) e animais. Hoje em dia, os estudiosos gostam de chamar este consórcio de sistemas silvopastoris
Sobreiro, a árvore que de novem em nove anos se
"descasca" ela, retirando a cortiça.
    Se acrescentarmos algumas culturas agrícolas nestas paisagens, como por exemplo oliveiras, passam a ser chamadas de sistemas agrossilvopastoris. Portugal produz mais de 50% da cortiça do mundo graças a estes sistemas que hoje são legalmente protegidos.
     Chegamos a Évora às quatro da tarde e só deu tempo de caminhar por suas ruas, muito agradáveis, e visitar dois locais bem interessantes. Ruínas romanas de um templo, que possivelmente foi dedicado à Deusa Diana e a Igreja que fica ao lado, dedicada a São João Evangelista. Bom símbolo para este histórico convívio entre Cristãos e Pagãos. Esta Igreja chama a atenção pelos azulejos, do século XVII, que cobrem boa parte de suas paredes. Évora é declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO. O Guia Michelin lhe confere três estrelas, o máximo possível. E ela é a única cidade portuguesa membro da rede de cidades européias mais antigas. 
Praça de Giraldo, centro de Évora
    E, de fato, ela é linda. Não esta ou aquela atração, mas a cidade em si. Antiga, toda murada, relativamente grande, segue sendo habitada de forma cotidiana, não apenas ocupada por comércio ou locais turísticos. Ela é este tipo de cidade histórica onde a vida segue seu curso, juntando tempos históricos diferentes no mesmo espaço. Sensacional.
     Este foi o dia. Amanhã vejo mais de Évora, além de rodar um pouco pela região. Depois eu conto.

Em Montemor, a vista de um forte romano, na parte alta da cidade

Visual de um Montado
Azulejos na Igreja de São João Evangelista, Évora




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Portugal, 05 de fevereiro de 2015.

     
O estuário do Tejo
      Chegamos hoje cedo a Lisboa. André, Ana e eu. Estamos aqui em Portugal para ficar cinco dias onde se mesclam visitas a trabalhos com Agricultura Orgânica e passeio. Daqui vamos para a Biofach, a big feira de produtos orgânicos em Nuremberg, Sul da Alemanha.
 
Lindo dia frio em Lisboa
Passamos o dia hoje fazendo o planejado. Passeando e comendo por Lisboa. E provando um vinho, de leve.
     Começamos caminhando até a casa de Fernando Pessoa, onde ele passou os últimos 15 dos seus 48 anos de vida. De lá fomos visitar um supermercado que vende só produtos orgânicos. Na verdade fomos a uma das lojas desta rede, que se chama Brio (www.brio.pt). Não tão grande, ótimos produtos, mas me chamou atenção que são quase todos importados. Da Alemanha, na maioria, mas também Espanha, Itália, França e outros países Europeus.
     Deixamos o Brio e fomos até o Chiado, um bairro próximo ao Centro, só para passar no Café A Brasileira, que tem mais de cem anos de funcionamento. Na parte de fora, uma mesa com Fernando Pessoa sentado nela, em bronze, mostra que este era seu local preferido para um café. De lá seguimos pela Rua Augusta até o Tejo. Sabe o que Pessoa falou sobre ele? Pois vou transcrever aqui, não resisto... Chama-se Pelo Tejo vai – se pelo Mundo
      O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia./ O Tejo tem grandes navios / E navega nele ainda, / Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, / A memória das naus. / O Tejo desce de Espanha / E o Tejo entra no mar em Portugal. / Toda a gente sabe isso. / Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia / E para onde ele vai / E donde ele vem. / E por isso porque pertence a menos gente, / É mais livre e maior o rio da minha aldeia. / Pelo Tejo vai-se para o Mundo. / Para além do Tejo há a América / E a fortuna daqueles que a encontram. / Ninguém nunca pensou no que há para além / Do rio da minha aldeia. / O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. / Quem está ao pé dele está só ao pé dele. 
       O heterônimo que assina este poema é o Alberto Caeiro
Praça de alimentação do Mercado do Cais da Ribeira
     Passeando as margens deste rio tão inspirador, chegamos ao Mercado do Cais da Ribeira. Uma parte deste mercado é ocupada por dezenas de restaurantes conhecidos de Lisboa, que se juntaram ali numa espécie de praça de alimentação gourmet. Queijos, peixes, presuntos, iogurtes e muito mais. Bacalhau e vinho também. E sardinha assada. E leitão. E tortas, sorvetes, doces. E pastel de nata. Ainda bem que não preciso emagrecer...
      Mas acabamos almoçando mesmo em Alfama, este bairro alto, com uma bela vista, muito simpático, com suas ruazinhas estreitas e calçadas onde convivem turistas passeando, aposentados locais jogando cartas e roupas secando em varais improvisados. E o cheiro de Fado no ar.
     Depois ainda tivemos tempo para subir a Avenida Liberdade, linda, ampla, arborizada e onde as marcas de roupas e acessórios mais famosas do planeta fazem ponto.
Sardinhas e outros peixes em conserva.
   Vou contar algo interessante que vimos hoje. Várias lojas que vendem exclusivamente conservas de peixe. Principalmente sardinha e atum em lata. Mas também, salmão, anchova, cavalinha, lula, bacalhau. E outros. Além desta variedade de espécies, a estética da embalagem chama atenção. Algumas empresas são muito antigas, e mantém ou reviveram seu visual vintage. Outras são novas, mas se esmeram também no visual, não necessariamente antigo, mas sempre bonitos. 
Mais conservas de peixes!!!
      
    Latas embrulhadas em papel, caixas que se encaixam, formando desenhos ou palavras que só se completam quando sobrepostas. Isto faz com que estes peixes em conserva não estejam apenas nestas lojas especializadas, mas também sendo vendidas em lojas de souvenir. Imagina, que legal: dar sardinha em lata de presente... e garanto que é um belo presente, bonito, interessante, diferente, saboroso. 
   Tudo isto faz parte de uma estratégia de posicionar este importante produto tipicamente português no mercado. E enfatizo um detalhe, que de detalhe não tem nada: o que provamos estava delicioso. 
       Lisboa me faz lembrar minhas raízes lusitanas. É bom ver parte de nossa origem e perceber o barro que nos moldou ou, ao menos, uma parte dele. Ajuda a se entender.
     Amanhã saímos em direção ao interior, região do Alentejo, devemos dormir em Évora. De lá eu conto o que rolar. 
Tejo, visto da Alfama


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

México, 26 e 27 de novembro de 2014.

Com duas senhoras que preparam comidas, Mercado Alternativo de
Apizaco
Ontem acordei cedo e caminhei algumas quadras ao redor da praça de Tlaxcala, depois segui caminhando até a Basílica de Ocotlan, uns 1500 metros subindo forte, na altitude de 2500 metros, dá para cansar. Depois de um café da manhã estilo Mexicano fomos ao campo, visitar algo do que fazem por aqui nesta área da Agricultura Orgânica. 
Começamos por uma feira, chamada por eles de Mercado Alternativo de Apizaco. Pequeno, ainda em formação. Mas com alguns produtos muito interessantes e, claro, bancas de comidas prontas. E segui comendo... provei diferentes comidinhas locais, mas vou contar brevemente sobre uma, um tipo de chocolate gelado que tomei. 
Preparando a água de barranco
É uma bebida diferente, ainda que à base de cacau. Leva também fava, milho, canela e anis. Tudo torrado e moído em pilão, acrescido de rapadura e batido intensamente em panela de barro com gelo. Fica tipo um chocolate gelado, leve, com muita espuma e super saboroso. É chamada de cacau ou Água de Barranco. Porque tem uma cor parecida com cor de terra. Segundo eles é uma receita pré-colombina, mas me suscitou duvida o fato de alguns destes ingredientes terem chegado depois da invasão espanhola. Devem existir nuances nesta história.
Nopal e sua fruta, tuna.
Fomos ainda visitar um produtor de Nopal. É um cactus, do qual se consome sua folha descascada. Não acho que tem muito sabor, é meio aguado, mal comparando como se fosse um chuchu. É comum vermos na rua uns saquinhos plásticos com nopal cortado em palitos, servido com pimenta. Claro, tudo tem pimenta. O nopal também se come em tacos. Tudo eles juntam com tortillas e transformam em tacos de diferentes sabores, como eu escrevi ontem. Além de consumir a folha do nopal, ainda tem a tuna, que é a sua fruta. Saborosa, refrescante, com uma casca grossa e espinhenta. Muito bacana o nopal, típica planta do deserto, que com sua aparência inóspita guarda água e alimento. Ele é originário aqui do México, e na verdade existem muitas espécies e variedades que são conhecidas por este nome comum. No semiárido brasileiro algumas espécies tem sido plantadas como alternativa para alimentação do gado.
Ao anoitecer ainda pude passear um pouco mais e cheguei ao Mercado Municipal. E de lá fomos em um bar tomar uma Corona. Decoração super intensa e colorida. Muitas tela passando jogos de futebol. Som altíssimo, intercalando o jogo e a música. Pessoas falando alto, tentando se fazer ouvir. Este kitch tão comum no continente, que eu curto muito e que talvez tenha no México o seu orgasmo.
Pimentas, muitas pimentas!
Hoje o dia começou com um passeio no mesmo Mercado Municipal. É que ficou a vontade de tomar o café da manhã por ali. Fomos em um pequeno grupo. Como em todos os mercados vimos muitas frutas, flores, carnes, produtos chineses... E pimentas, muitas pimentas. Na parte de comida pronta, tortillas, muitas tortillas. Tortillerias que a fazem e vendem. Como uma padaria que vende pão. Comemos tortillas com queijo e se pode agregar algo mais, como carne ou fungos. Como levam queijo não se chamam tacos, mas sim quesadillas. Interessante como fungo aqui é comida popular. Vários deles. O mais interessante que vi é o cuitlacoche, que se desenvolve sobre um tipo de milho. Na própria espiga, em cada grão se desenvolve este fungo. Na verdade agronomicamente é uma doença, mas nesta região do México é considerado comestível quando cresce em uma determinada variedade, aí o fungo deixa de ser um problema e passa a agregar valor ao milho. Tudo na vida é uma questão de perspectiva... Achei incrível!
Vista das casas da cidade
Durante todo o dia seguimos trabalhando. O evento terminou com os discursos emocionados e promessas de contato eterno que caracterizam estas atividades. Quase nunca se cumprem. Mas confesso que estava mais interessado em sair para caminhar na linda Tlaxcala, o que conseguimos fazer a partir das quatro da tarde.                           
Tlaxcala é relativamente pequena, tem uma linda praça central, belíssima arquitetura colonial, bem cuidada, com uma bonita vista do Vulcão La Malinche. Algumas das suas casas são ainda do século XVI, o governo do estado funciona em uma delas. 
Terminando o dia e a estada no México com Tequila. Bagé,
Rafael e Daniela, mexicanos, Genaro, paraguaio, eu e Pablino,
também paraguaio.
Compramos alguns artesanatos, passeamos e terminamos em uma Tequilaria. É que estamos no México. 
Boa forma de terminar a estada por aqui. Pena que não tive nem terei tempo de ver um pouco mais da cidade e da região. Nem digo do país. Um gigante de quase dois milhões de km², mais de 120 milhões de habitantes, com uma diversidade em todos os sentidos que exigiria viver aqui para pensar em conhecê-lo. Mas lamento é não ter tido poucos dias mais para ver vulcões, pirâmides e cidades como Puebla tudo isto aqui muito perto. Mas amanhã já volto para o Brasil, a caminho da Paraíba para uma semana intensa de trabalho. Acho que este ano não conto mais.

Don Julio, reposada, coisa fina...
Cuitlacoche

o modelo aqui na lavoura de nopal

água de barranco - deliciosos!!!

tomando a água de barranco

A folha de nopal, no saquinho ela descascada e
a tuna, sua fruta.

Ao lado da praça central

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

México, 25 de novembro de 2014.


Basílica de Ocotlán
Passei todo o dia de hoje envolvido com o que me trouxe aqui em Tlaxcala. Um Seminário/intercâmbio sobre Certificação Participativa entre México, Paraguai e Brasil. Um evento com pouca gente, umas 40 pessoas, mas todos representando experiências reais baseadas na Agroecologia. As discussões não fugiram das que normalmente acontecem no Continente. O crescimento do trabalho com agricultura ecológica enfrenta dificuldades face o interesse das grandes indústrias, o desinteresse do poder público e a indiferença do consumidor. Mas, como diria Gramsci, um líder operário Italiano, o pessimismo fica só na análise, a ação segue de forma otimista, ampliando o que se vem fazendo como estímulo à produção e consumo de Produtos Ecológicos. Seguimos trabalhando na mesma onda, sem saber bem onde conseguiremos chegar.
Caminho para a Basílica. Há 2500 m de altitude, cansa...
O evento está sendo no município de Ocotlán, cidade vizinha à Tlaxcala. É onde fica a Basílica de Oclotan, muito conhecida aqui no México, um dos países mais católicos do mundo. Foi construída sobre o local de uma das aparições de Maria. Aqui ela apareceu em 1541, para um jovem indígena denominado Juan Diego (ops). Maria lhe recomendou que pegasse água de um poço próximo, porque ela teria propriedades para curar os doentes vitimados por uma peste e que estavam sob o cuidado deste jovem indígena. No local deste poço se construiu a Capilla del Pocito, há uns 400 metros da Basílica. Segundo os fiéis, até hoje está água mantém estas propriedades curativas, o que faz com que milhares de pessoas venham de todos lados buscar e comprovar seus efeitos. Devoto de Maria que sou, tomei e fiquei curado, só não sei exatamente de que.
Capilla del Pocito
Hoje não almocei. Tive que aproveitar este momento para ir ao dentista. Ontem de noite, passando fio dental, caiu um pedaço de um dente. Por isto sou contra usar fio dental. Achei uma dentista, parece que ficou bom. Nunca tinha me acontecido é de ter que ajudar, segurando o sugador na minha boca enquanto ela, meio nervosa, me atendia. O tempo dirá se ela sabia o que estava fazendo.
Como não almocei, no meio da tarde saí para comer uns plátanos rebanados, em uma barraquinha no centro da cidade, ao lado da Basílica. É uma banana grande, frita, aberta em três, e sobre ela se se coloca algo para dar um up-grade. Ela me perguntou com o que eu queria minha banana, como eu não sabia respondi tudo, ela colocou creme de leite, geléia, leite moça e ainda um biscoito por cima... bem light... tava bom...
A comida aqui é todo um tema. Parece ser o assunto principal do mexicano, o seu maior interesse. E de fato a gastronomia daqui chega a todos os cantos do mundo. Chama minha atenção particularmente as comidas de rua. São diversificadas, estão em cada esquina, boa parte delas bem organizadas e cuidadas. São populares, mas seu consumo não se limita apenas aos de menor poder aquisitivo, ainda que naturalmente sejam mais baratas do que nos restaurantes.
Barraca de comida na rua. Olha a onda..
Pelo que vejo todos tem e comem suas comidas preferidas de rua. Entendo que a diversidade vem não apenas da riqueza de matérias primas, mas principalmente de suas inúmeras combinações possíveis. Olha só: dois tipos de tortillas, milho e trigo. Mais de dez tipos de carne que podem ser agregadas. Alguns acompanhamentos como salsa, cebola, pepino e tomate. Diferentes tipos de molho, com doses crescentes de pimenta. Junta-se estes ingredientes à gosto e está visto porque são centenas de diferentes tacos. Taco é uma tortilla com algo sobre ela.
Em uma escala menor se passa o mesmo com o milho verde. Pode ser cozido ou assado. Comido na espiga ou em copo, debulhado. Pode ser agregado sal, limão, manteiga, maionese, molho, pimenta em pó, inteira ou preparada em molho. Se pensamos em todas as combinações possíveis, são dezenas. Bom, por ai vai. Sei que estas combinações exponenciais também estão em um Subway ou em um buffet de cachorro quente, mas ainda acho que aqui é diferente, ao menos os ingredientes me parecem mais originais e os sabores com mais personalidade.
Hoje jantei tacos. Sortidos!
País interessante este México. 
Tacos

A banana já estava frita, ai eu pedi...

Ela fritou de novo, abrindo em três pedaços

Meteu tudo, porque eu pedi tudo. Crerme de leite, geléia,
leite condensado e um biscoito para enfeitar... e me
entregou com esta cara tão simpática...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

México, 24 de novembro de 2014.

Helena e seu charme no charmoso restaurante Azul Histórico
    O programa hoje foi ficar com Helena até o último minuto que podíamos, quando nos despedimos no fim da tarde com aquela mescla de sentimentos típica das despedidas. Lágrimas, melancolia, e rogas por uma nova oportunidade de encontro. Lágrimas, alegria, e agradecimento pela oportunidade de fazer um parêntese na saudade. Vida que segue... Todos juntos, cada um no seu lado.
Centro da cidade
De quebra, fiquei com a agradável sensação de ver a filha bem, trabalhando em algo que gosta e, principalmente com as ferramentas necessárias, ainda que estas nunca sejam suficientes, para enfrentar a vida. Amém!
    Mas até Helena me deixar na estação de ônibus e seguir para o aeroporto tivemos tempo de dois excelentes programas. Pedi a ela para irmos de novo tomar café da manhã no Café Tacuba, onde fomos sábado e eu já descrevi aqui. Ela me convenceu a irmos ao Restaurante Azul, na Rua Isabel la Católica,30. Que lugar! Comida Mexicana, o que inclui um menu apenas de desayunos. Pena que foi só uma refeição. O restaurante está em um pátio interno de uma linda casa colonial, toda ela aproveitada com outros restaurantes, cafés, lojas de artesanato, roupas e ainda um pequeno hotel. 
Molletes com frijoles y queso
   Ambiente agradável, decoração local precisa, comida de excelente qualidade, atendimento de primeira. Tudo que se busca em um restaurante. Me impressionou. Repeti o que havíamos comigo outro dia, Molletes con frijoles y queso e Helena variou para umas enchiladas de Jamaicas orgânicas  con salsa chipotleo. Sem comentários.
De lá fomos de metrô para um bairro sofisticado da capital do país, chamado Polanco. Lá fica o Museu Somaya, da Fundação Carlos slim. Lembram dele? O Mexicano que já foi considerado o homem mais rico do mundo. Não sei se ele é tão rico, mas a coleção de obras artes dele é melhor que a minha. Inclui quadros e esculturas de Renoir, Monet, Degas, Gibran, Van Gogh, Corot, Pissarro, Rivera, Siqueiros, Juan Soriano, Rodin, Salvador Dali. Ufa! Fechou com chave de ouro meus três dias de turismo na Cidade do México.
Baño en el rio, painel de Diego Rivera no Museu Somaya
    Às 17:30 peguei o ônibus para Tlaxcala, capital do estado do mesmo nome. Estou aqui no hotel, no Centro Histórico da cidade. Duas horas e meia de viagem e cheguei ao Hotel Boutique 1921, um hotel com 
Hotel 1921, Tlaxclala
pouca sofisticação mas muito charme. Ainda no ônibus havia encontrado com três representantes do Paraguai que também estarão no evento que participarei e com eles fui jantar tacos, não sem antes dar uma volta na bela praça principal da cidade, que fica bem no centro, a uma quadra do hotel.

      Espero ainda ter tempo para passear por Taxclala, que parecer ser uma destas bonitas cidades coloniais, com arquitetura fortemente influenciada pelos espanhóis. Mas tenho três dias de trampo pesado pela frente e sexta feira já regresso para o Brasil. Amanhã conto sobre o meu trabalho por aqui, o hoje já terminou.