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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Istambul, 24, 25 e 26 de agosto de 2026.

Mesquita de Taksim, na praça de mesmo nome.

Hoje é quarta, dia 26, e estamos por entrar no avião, indo para Bucareste. Deixa eu contar um pouco destes três dias em Istambul.

Interior da Mesquita Azul
Segunda-feira acordamos um pouco mais cedo e saímos do hotel às oito e meia. A ideia era ir direto para a Mesquita Azul, de Uber, uns 10 euros, para visitá-la antes da muvuca provocada pelos ônibus de turismo. Bingo! Às nove estávamos entrando e, de fato, não pegamos fila. Lá dentro estava muito tranquilo, ainda que não vazio.

A Mesquita é imponente por fora e linda por dentro, com vitrais e azulejos que impõem beleza sem transitar pela opulência. Essa é minha definição de luxo! Ou uma delas…

Ficamos de boa por ali, Ana com seu lenço cobrindo o rosto, eu de calça, nós dois descalços, como reza a liturgia das visitas a uma mesquita. Ficamos apreciando o lugar, até sentamos no chão, e ouvindo um ou outro guia que nos dava alguma informação sobre o que estávamos vendo. Gostamos muito de conhecer a Mesquita Azul.

Sobre a Ana colocar lenço: de boa, não vi ela reclamar nem um momento. Mas… ver as mulheres de hijab já mexe com ela um pouco, não pela estética em si, mas pela obrigação. Agora, a burca… burca minha mulher não tem emocional para ficar vendo, não…

Conheci Ana na faculdade, nos anos 80. O TCC dela foi sobre a invisibilidade do trabalho doméstico e a dupla jornada de trabalho à qual as mulheres são submetidas. A vida dela vem sendo, em boa parte, buscar igualdade entre os gêneros, com diferentes formas de luta. Então… ver mulheres, de todas as idades, de roupas pretas e compridas, com apenas o olho de fora… ao lado de maridos com bermudinhas e camisas de malha… definitivamente ela não aguenta, não!

Depois fomos em direção ao Grande Bazar. Caminhando por ruas cheias de gente, muitos turistas, muitas lojas e comércio. Passo tranquilo e olhos atentos, em 15 minutos já estávamos dentro da lindíssima construção que abriga centenas e centenas de lojas. 
É...

O que tem lá dentro? Putz… tudo! Lembrancinhas e lembraçonas em geral. Tapetes, lenços, roupas, joias, doces, temperos, cafés, relógios. Lenços caros, de seda ou cashmere, por 300 ou 400 reais; lenços por 15 reais, 100% poliéster, mas igualmente bonitos. Fico só nesse exemplo, mas quase todos os outros produtos seguem essa lógica. Um lindo prato colorido, pintado à mão? Caro! O “mesmo” prato, possivelmente da Shopee, muito barato!
Saímos do Grande Bazar caminhando, em direção ao Bazar de Especiarias, descendo por uma rua com um intenso comércio popular, onde camisas Armani ou Lacoste são vendidas a 30 reais. O Bazar de Especiarias é outro lugar muito legal. Outra vez nos deparamos com uma linda arquitetura, abóbadas belíssimas e muitos, mas muitos cheiros, temperos e cores, brotando de espécies e produtos que tanto movimentaram o mundo.

Grand Baazar
Já era uma da tarde, sol a pino, e regressamos, de Uber, ao hotel. Esse era o plano, porque resolvemos mudar de hotel. Checkout, check-in, e em uma hora o trâmite estava todo feito. Fomos para o Sofitel Taksim e não nos arrependemos da mudança. Nos deram um upgrade para uma suíte linda, grande, cheia de mordomias. Perto do outro hotel, mas em frente à Praça Taksim e à Avenida İstiklal, uma e outra das mais importantes da cidade.

Descansamos um pouco no hotel, falo ainda da segunda-feira, e nos dirigimos à Igreja de São Salvador de Fora. Esse “fora” fica por conta da localização mesmo: ela foi construída fora dos muros da cidade. Pagamos 20 euros cada um para entrar, e eu não gosto de pagar para entrar em igreja, mas essa hoje é mais um museu; abri uma exceção. Não vou contar a história dela aqui, que é superinteressante, mas posso dizer que vale a visita, ainda que não seja algo assim, mais que demais!

Agora, o lugar é maneiro, bem alto, perto de uns resquícios de muralhas. Pensar no poder dessas muralhas que protegeram Constantinopla por séculos, e que levou décadas para que os Otomanos conseguissem vencê-la, e que ainda estamos tocando nelas no século XXI é bem legal. Quando voltar ao Brasil, vou ver a série sobre a conquista de Constantinopla de novo.

Balat
Depois da visita às muralhas e à igreja, descemos o morro. Em uns dez minutos já chegamos no bairro de Balat. Muito legal, muito mesmo. Recomendo não deixar de ver, se vier por Istambul. Pode passar horas ali, entre comprinhas; foi o melhor lugar que achamos para comprar coisinhas e comidinhas, tomar café, comer sobremesa ou mesmo uma refeição mais completa. Fizemos parte disso durante as mais de três horas que ficamos entre Balat e Fener.

Aliás, legal perceber que não são apenas bairros bonitos de casas coloridas; são bairros onde caminhamos sobre algumas etapas da história. Em Fener, na herança grega e ortodoxa (o colégio grego é um edifício impressionante). Afinal, foram os gregos que fundaram a cidade. Em Balat, se nota a memória da comunidade de judeus oriundos, fugidos, de Espanha e Portugal. Sinagogas, igrejas, prédios, casas e ruas preservam, no cotidiano de hoje, as marcas dessas culturas nesses dois bairros.

Enfim, adoramos passear por Balat e Fener.

Dentro da Mesquita de Taksim
Ontem, quarta-feira, nosso rolê foi de manhã pela Av. İstiklal. De tarde, depois de um banho de piscina no rooftop do hotel, enquanto Ana fazia uma reunião de trabalho, regressamos à mesma avenida, mas agora indo até o fim dela e chegando outra vez na Torre Gálata. Fim de tarde legal, movimento intenso de turistas. De noite fomos ver a Mesquita e visitar os arredores da Praça Taksim. Ficamos impressionados com a quantidade de gente, de todas as idades, andando, comendo, conversando e se divertindo. Nos lembrou uma vibe das cidades que conhecemos da China, sempre muita gente, muitas cores, muita intensidade.

Hoje de manhã não saí do hotel, preferi aproveitar a suíte. Ana ainda foi para umas últimas comprinhas.

E terminou nossa estada em Istambul. Gostamos muito. Da próxima, queremos ver algo do país e não apenas da capital. Amanhã, partimos para a Romênia, conhecer um pouco mais do Império Otomano, ver o Castelo de Drácula e dar um rolê pela Transilvânia. De lá, conto mais!
Pátio da Mesquita Azul

Ayran - um tipo de yogurte salgado. Delícia!

As lojas de doces...

Gatos em /istambul... um caso à parte!

Gatos

Bósforo

Ana no seu ecossistema: mercado
de especiarias!

Eu vi um gatinho aqui... são totalmente
parte da sociedade! 


domingo, 23 de agosto de 2026

Istambul, 22 e 23 de agosto de 2026.

 

Bósforo, visto do meu quarto em Istambul

Em Bizâncio. Em Constantinopla. Em Istambul. Três nomes, muita história. Eu cheguei há dois dias, para ver se os gregos, depois Romanos, Otomanos e os que hoje se denominam turcos fizeram um bom trabalho. Parece que sim, gostei bem do que vi nesses dois dias.

Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha

Viemos a passeio, Ana e eu. Passagem por Madrid, para aproveitar um pouco das mordomias que tenho na Latam. Saímos de casa na quinta-feira, dia 20 de agosto, às nove da manhã, chegamos ao Artisan Hotel, em Istambul, às 00h30 do dia 22. É mole? Pois sabe que é, eu acho, viajar a puro passeio torna até o cansaço em algo prazeroso.

Parece que estamos aqui há dias. São dez da noite do domingo, dia 23, e já vimos muita coisa.

Ontem, dia 22, começamos com um belo café da manhã no hotel. Destaque para o Menemen que comi, um famoso prato de ovos mexidos cremosos, cozidos com tomates, pimentões e temperos. Delícia. Depois, saímos caminhando. Fomos até Karaköy, um bairro famoso, portuário, que hoje é também ocupado por lojinhas simpáticas, restaurantes e cafés coloridos. Visitamos duas mesquitas. Uma, vimos pelo caminho, simples, não turística, e uma outra maior, a Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha - considerada uma das mesquitas otomanas mais interessantes de Istambul. Visitar mesquitas é uma onda, gosto de perceber as diferentes percepções dos locais de oração, culto, encontro com o Divino Ficamos pouco neste charmoso bairro, pretendo voltar, porque resolvemos seguir caminhando até a Torre de Gálata, que fica no alto do morro, no bairro do mesmo nome. 

Torre de Gálata, ao fundo

Essa torre é um dos tantos causos históricos que existem nesta cidade. Ocorre que ela é uma espécie de imposição europeia, decorrente de quando os Cruzados passaram por aqui em uma das suas idas (Quarta Cruzada) para guerrear pela cidade sagrada de Jerusalém. “Na passada”, invadiram e saquearam Constantinopla. É claro que “passaram por aqui” é uma simplificação de uma decisão tomada com muito cuidado e objetivos claros.

Posteriormente a esse momento, muitos genoveses, povo que sempre navegou mundo afora, se instalaram na cidade e acabaram se beneficiando de acordos feitos entre o império bizantino e os europeus, liderados por interesses de alguns estados e pela própria Igreja de Roma. Esses genoveses acabaram constituindo um bairro, no bairro construíram a Torre. Do alto dela podiam observar os barcos que cruzavam o Estreito de Bósforo e cobrar os impostos fruto dos direitos adquiridos por acordos políticos e comerciais, feitos como consequência das cruzadas e da retomada de Constantinopla pelos bizantinos. Acho eu que tanto o saque de Constantinopla quanto a Torre de Gálata podem ser lidos como o incômodo da Europa em ver uma das cidades mais prósperas do mundo crescer sob sua barba e não terem nenhum dividendo com isso. 

Ana, na linda escada, com o livro
que comprou para a Clara...

Seguimos caminhando do bairro Gálata para o bairro Pera, até a Avenida Istiklal. Nesse trajeto, passamos por três lugares que quero mencionar. Vou começar com duas livrarias que curtimos muito. A Minoa Pera, com suas cores vibrantes e escadas com livros “sustentando” os degraus, e a Phebus Books e Café, com livros lindos, que adoramos ver e onde nos animamos a tomar um chá. O terceiro lugar que quero mencionar é o Pera Palace Hotel. Entramos pela patisserie e fomos em direção ao restaurante e a recepção. Muito legal. Lindo. Tem uma série que se passa nesse hotel, que recomendo ver: Meia-noite no Hotel Pera Palace. Essa série é que nos fez ter vontade de conhecer esse hotel. Pretendo voltar lá para um café ou chá. Com um dos lindos doces que vi!

Do Hotel Pera Palace seguimos até a Av. Istiklal e pegamos a direção da Praça Taksim. É um calçadão, com lojas ocidentais, cafés, lojas de artesanato, perfumarias, lanchonetes e restaurantes. E muitas, mas muitas lojas de doces. Sabe aqueles famosos doces turcos? Todos eles andam pela cidade, esbarram contigo e te constrangem a comprá-los. Constrangidos, quase obrigados, provamos alguns…

E ainda eram três da tarde. Resolvemos voltar ao hotel para uma descansada das quase 40 horas de viagem!

Mas o dia acabou aí? Acabou nada…

Galera pescando na Ponte Gálata

Às seis da tarde, sol ainda alto, fomos de novo caminhando na direção de Karaköy. Mas aí já tivemos a manha de entrar no Galataport, um shopping center ao ar livre, construído numa onda comum por vários lados, de revitalizar a área portuária. Caminhada agradável, que nos levou à Ponte de Gálata. Essa ponte cruza o Corno de Ouro, um estuário ligado ao Bósforo e une as duas partes europeias da cidade. Ao cruzar a ponte, saímos de Karaköy para a chamada península histórica, onde a cidade foi fundada por Bizâncio. Paramos na ponte, vimos tudo que a cercava, viajamos na história e ainda ficamos admirando os inúmeros pescadores locais que deixam a cena ainda mais viva e cotidiana.

Chegando do outro lado, fomos caminhando tendo como objetivo a Igreja Santa Sofia. Possivelmente o local mais emblemático da cidade. Não entramos, está em obra, por fora e por dentro, o ingresso é caro e a fila estava enorme. Nos contentamos em ver por fora. Passeamos ao redor, vimos a Mesquita Azul iluminada, andamos pela praça (hipódromo) e buscamos um restaurante turco para terminar a noite.

Hoje, 23, domingo, foi outro dia intenso. Começamos visitando o Palácio de Dolmabahçe, bem próximo ao nosso hotel. 32 euros a entrada. Foi construído a mando do sultão Abdulmecid I, em meados do século XIX. Um palácio com forte influência europeia, que teve como função mostrar aos líderes do Velho Continente não só o poder e a riqueza do Império Otomano, mas também se colocar ombro a ombro na cena da modernidade europeia. Incrível seu tamanho e sua opulência. Realmente impressionante. Dizem que foram gastos o equivalente a 14 toneladas de ouro para ornamentar o teto do palácio. Só como ilustração da riqueza, o lustre (ilustração, lustre… sacaram?) principal do palácio pesa 4,5 toneladas, têm 750 lâmpadas e, supostamente, foi um presente da Rainha Vitória. 

Lustre do Palácio

Saímos do Palácio e pegamos um ferry em direção à Ásia! Sim, isso mesmo: saímos da Europa e fomos para a Ásia. Que onda, né?

Atravessar o Estreito de Bósforo, indo da Europa para a Ásia, é uma experiência que me gerou bastante expectativa. Li em algum lugar que Constantinopla, mais especificamente o Bósforo, era considerado uma espécie de dobradiça do mundo. Principalmente se levarmos em conta que o “mundo” que narra essa história desconhecia a América. E hoje cruzamos essa dobradiça.

Viagem rápida, uns 40 minutos, em direção a Kadıköy, que é a antiga Calcedônia, exatamente a cidade fundada pelos gregos um pouco antes daquela que eles também fundaram do outro lado do estreito, apenas algumas décadas depois: Bizâncio. Constantinopla, hoje Istambul, nasceu de Bizâncio e, ao longo dos séculos, acabou incorporando também a antiga Calcedônia.

Gostamos muito de passear pelas ruas de Kadiköy. Acho até que gostaríamos de ter ficado mais por ali, mas são tantas coisas para conhecer que acabamos nos dirigindo, de Uber, a Kuzguncuk, outro bairro também do lado asiático, famoso por suas casinhas coloridas, ruas de madeira tradicionais e clima de vila pacata. Curtimos bem, passeamos, almoçamos por lá e ainda comemos uma bela sobremesa acompanhado de um chá.

Meninas modelando em Kuzguncuk

Cansados, voltamos de Uber. Eu queria chegar antes do sol se pôr, para aproveitar o visual da nossa suite, bebendo algo simpático e escrevendo esse post. Funcionou super bem, noite para lá de agradável.

Ainda temos dois dias inteiros nesta asiática capital europeia! A impressão até agora é muito boa, apesar da distância entre os pontos que queremos ver, gastando certo tempo em deslocamento, e o fato de acharmos bonitos os pontos de interesse, alguns muito bonitos, mas a cidade mesmo, a arquitetura das casas e prédios, suas ruas e avenidas não colocam Istambul entre os lugares mais bonitos que já visitei.

Amanhã vejo mais, amanhã conto mais!


Mesquita Azul, ao entardecer

Chazinho na livraria.
Ruaszinhas de Kadikoy
Nosso jantar de sábado.
Lojinhas no centro histórico.
Cena cotidiana em Kuzguncuk


Cena lindíssima ao entardecer