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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Madrid, 3 a 6 de setembro de 2026.

Plaza Mayor, Madrid.

Em Madrid! Estive aqui algumas vezes e sempre adorei essa cidade. Como anda cara e muito cheia, tenho evitado. Mas, desta vez, resolvemos acrescentar 3 dias no fim da viagem e, claro, não nos arrependemos.

Jamon no Alhambra.

Viajamos o dia todo; comprei uma passagem ruim, desde Bucareste, passando por Frankfurt. Levei algumas coisas em consideração, esqueci de outras. Mas valeu pelo aeroporto de Frankfurt, com uma boa cerveja alemã e alguns regalitos.

Do aeroporto até o Novotel Madrid Las Ventas foram apenas 20 minutos, em um Bolt que custou 18 euros. Uber e Cabify também funcionam, e o melhor é comparar os preços a cada corrida. O hotel é bom, mas fica longe do que normalmente se quer ver em Madrid. Optamos por um hotel melhor e mais barato, mesmo que um pouco afastado.

Chegamos tarde, mas ainda assim saímos. Eram dez da noite quando estávamos chegando ao Barrio de las Letras. Madrid é sempre muito viva e, a essa hora, as ruas e mesas estavam cheias, com as pessoas chegando, e não saindo. Caminhamos pelo bairro e não pudemos deixar de notar a sujeira e um certo ar de decadência. Paramos em um restaurante, Alhambra — o nome me atraiu —, e pedimos tinto de verano com queso curado de oveja, jamón serrano e ensaladilla rusa con gambas (uma maionese muito própria com camarões).

Impressionantes Muralhas de Ávila

Saímos do restaurante e fomos caminhando até a Puerta de Alcalá, seguindo pela avenida de mesmo nome. Nesse trecho, belíssima, fazendo-nos deixar para trás a primeira impressão ruim que tivemos ao descer na Plaza de Santa Ana. Em dado momento, pegamos um Uber até o hotel.

Na sexta-feira, tínhamos um plano: ir até Ávila. Eu queria visitar a cidade onde se passa parte de um conhecido livro de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, que se chama "Renúncia". Foi legal ver a Basília de San Vicente, onde se passam algumas das cenas emblemáticas do livro. Mas, na real, achamos muito mais do que o cenário do livro. Achamos uma cidade linda, com uma muralha impressionante, um centro histórico vivo e agradável.

Para nossa sorte, era dia das “Jornadas Medievais”, uma festa que ocorre anualmente e que busca, através de apresentações, desfiles e comidas típicas, lembrar as três culturas religiosas que marcaram presença na cidade e no país: cristãos, judeus e muçulmanos. Adoramos! Muita agitação, nos sentimos em uma espécie de carnaval ou em uma grande festa à fantasia. E cada comida... Deus meu!

Personagens da Jornadas Medievais

Voltamos como havíamos ido: de trem. Cerca de 90 minutos de viagem, muito agradável. Compramos a passagem na hora, sem estresse, por 12 euros por cabeça. Eram 4 da tarde quando chegamos à Estação Príncipe Pío, em Madrid. Às seis, tínhamos ingressos para o Museu Reina Sofia (todos os dias, das seis às oito da noite, a entrada é gratuita). Resolvemos percorrer os três quilômetros caminhando. Passamos pela Plaza de España, seguimos pela Gran Vía até a Puerta del Sol, passamos pela Plaza Mayor e de lá fomos para Atocha, onde está o museu.

Entramos sem fila e fomos direto ver a obra-prima que está no Reina Sofia: "Guernica", de Pablo Picasso. Eu já havia visto há muito tempo, e Ana e eu já passamos pela cidade de Guernica, no País Basco, onde vimos um mural com a reprodução do quadro. É sempre forte ver essa pintura ao vivo, e ler um pouco das motivações do artista para pintá-la. A nota triste, que empobrece a experiência, é a quantidade de gente falando alto e tirando fotos sem parar. Parece que não percebem onde estão, que a obra merece silêncio e reflexão.

Saindo do Reina Sofía, vi, de longe, a Estação Atocha. Eu estava em Madrid no dia 11 de março de 2004, quando aconteceu o atentado. Superpesado estar lá naquele dia. Minhas reuniões de trabalho foram, obviamente, suspensas, e eu vivi o choque da cidade, o vazio, a busca por responsáveis e, depois, a grande marcha na Gran Vía pelos mortos. Que momento... 

'Guernica Africano', sensacional! - Reina Sofia.

Agora, tantos anos depois, voltar a ver Atocha, ainda que de longe, trouxe tudo de volta. A lembrança daquele dia, minha caminhada pelos bairros vazios e assustados, envolta em silêncio, com a cidade tentando entender o que havia acontecido. Lembrei também de Jueves, do grupo espanhol La Oreja de Van Gogh, uma música linda, inspirada nos atentados de 11 de março. Vou confessar que chorei muitas vezes ouvindo essa música, que me remete a esses dias. Há lugares que carregam uma memória que não se apaga. Atocha é um deles.

Em meio a essas memórias, caminhamos mais um pouco por ali, ainda com a impressão de uma certa decadência na cidade. Madrid é conhecida como uma das cidades monumentais da Europa. Seus prédios sólidos, imponentes, de arquitetura lindíssima, por ruas e avenidas quase sem fim, impressionam. A Gran Vía, a Puerta del Sol e a Plaza Mayor simbolizavam um pouco essa imagem da cidade. Parece-me que não mais.

Ruas de Salamanca.

Paramos em um agradável bar ao lado do Paseo del Prado e nos sentamos na esplanada, na calçada, como é típico nessa época do ano. Inclusive é dez por cento mais caro, mas o calor e o movimento nos convidam a ocupar essas mesas.

Ontem, sábado, mais bateção de perna. Fomos direto ao Barrio de Salamanca. Lindíssimo! Ali vi a Madrid que, nos dias anteriores, tive dificuldade de encontrar. Salamanca é um bairro elegante, de grandes avenidas, prédios bem cuidados, lojas sofisticadas e uma arquitetura que revela a riqueza de outra Madrid. Mas não é só isso. Há uma certa tranquilidade nas ruas, gente caminhando, cafés e restaurantes ocupando as calçadas. É uma Madrid mais organizada, mais rica e, talvez por isso mesmo, mais próxima daquela imagem monumental que eu tinha da cidade. Da próxima vez que vier a Madrid, vou me hospedar em Salamanca.

Ana e Maria

Fomos ao Mercado de la Paz, um desses mercados de bairro cheio de coisas boas para comer. Tivemos o prazer de encontrar Maria, filha de grandes amigos, que está morando em Madrid. Seguimos caminhando e passamos em frente à antiga casa do filósofo Ortega y Gasset (“yo soy yo y mis circunstancias”), na rua de mesmo nome, e paramos para beber algo na esquina das calles Velázquez y Goya. Só por causa do peso artístico de uma esquina dessas!

Voltamos para um pit stop no hotel e logo saímos em direção ao Museu do Prado, visita mais do que obrigatória em Madrid. De novo, fomos no horário da gratuidade, no fim da tarde. Adoramos. Ele é mais imponente que o Reina Sofia, e seu acervo é mais significativo. Lindo, enorme! Vimos muitas obras de Goya e nos detivemos um bom tempo diante de “As Meninas”, de Velázquez, deleitando-nos com esse superclássico da pintura mundial.

Mas sabe do que gostamos muito no Museu do Prado? Fotografias são proibidas. Fiquei impressionado como isso muda completamente a visita. Fica mais silenciosa, mais agradável; senti-me como em algum lugar do passado, com pessoas caminhando para lá e para cá, sem celulares na mão e não se ocupando tanto com poses e ângulos.

La Sagrada Família y San Juan Batista
niño - print do app do Museu.

Dois quadros chamaram particularmente nossa atenção: “A Sagrada Família com o Menino São João Batista”, de Goya, e “Susana acusada de adultério”, de Antoine Coypel. Não tenho fotos para mostrar — oba! —, mas tenho uma dica para lá de boa: tem um app oficial do Museo del Prado onde podemos passear à vontade pelo museu.

Saindo do museu, no fim do dia, cruzamos o lindo Parque del Retiro em direção ao Barrio de Retiro, buscando onde passar nossa última noite em Madrid. Passamos por vários bares, todos cheios, e paramos em um que nos pareceu simpático, com uma plaquinha Michelin que nos chamou a atenção, o Salino. Tomamos um tinto de verano, comemos patatas bravas e croquetas de jamón. Bem bom. Ainda caminhamos em direção ao hotel, paramos em outro bar e, finalmente, pegamos um Uber.

E essa foi Madrid, e esse foi o nosso giro pela Europa, terminando com chave de ouro aqui, em uma bela sala VIP da Iberia, comendo nossas últimas delícias madrilenhas.

Na próxima, que não sei qual é, conto mais.

Prédios de Madrid

Parque do Retiro

Entardecer em Madrid

Basílica de San Vicente

Eu e Santa Tereza D'Ávila

Junto com a perfirmance.
Igreja de San Jeronimo.




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