
Desde o lago Barêa, o visual que se vê da estrada
Eu não iria fazer esse post. Já escrevi um
pouco sobre Bucareste, hoje estamos aqui só para dormir e amanhã voar até
Madrid, último trecho da nossa viagem. Mas quero contar, deixar registrado e
com muitas fotos, a viagem que fizemos hoje. Saímos da Transilvânia em direção
à Valáquia, onde está Bucareste.
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| As Montanhas Fagaras. |
Nosso último dia neste belo país. Romênia tem
cerca de 238 mil km² e 19 milhões de habitantes e, do ponto de vista histórico
e cultural, pode ser compreendida em três grandes regiões: Transilvânia,
Valáquia e Moldávia. Quem leu meu post de ontem viu que estive em Alba Iulia,
cidade ligada à consolidação da unificação do país, com a Transilvânia passando
a fazer parte da Romênia. Desde a entrada na União Europeia, em 2007, sua
economia se diversificou e cresceu muito. Segundo li por aqui, os destaques são
a indústria, a agricultura, os serviços, a tecnologia e a energia. Se transformou
em uma das principais economias do Leste Europeu. Sua posição é estratégica no
continente, tanto por seu tamanho e população quanto por sua localização entre
a Europa Central, os Bálcãs e o Mar Negro. Quando fui alugar o carro, o cara
perguntou se eu iria para o Mar Negro, pois haveria algumas restrições.
Respondi que desta vez não... Se você pegar um mapa e der uma olhada, vai
visualizar facilmente essa posição geograficamente tão importante.
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| A Trabsfagarasan. Incrível, as fotos não mostram o que vimos. |
Estar de carro me permitiu ver algo da
agricultura. Vimos muito girassol, milho, alfafa, lúpulo. Vimos também vacas e
ovelhas. Sei que produz muitas frutas e mel. Aliás, vimos muitos e diferentes
tipos de mel. Li que produz muita canola e trigo também. Além de um setor de
serviços, que marca forte presença no PIB, e indústria muito forte. Turismo é
importante, mas não chega perto de outros países europeus como França, Itália
ou Espanha.
Voltando à viagem de hoje: desde que planejei o
roteiro, busquei incluir a Transfăgărășan, uma estrada considerada uma das mais
bonitas do continente. Ela cruza os Cárpatos, uma importante formação geológica
que se estende por vários países europeus, entre eles a Romênia. Nesse trecho
em especial, a estrada passa pelas Montanhas Făgăraș, de onde deriva seu nome.
A Transamazônica cruza a Amazônia. A
Transfăgărășan cruza os Făgăraș. Sacou?
A estrada é realmente espetacular. Passa
primeiro por um trecho de mata relativamente fechada, com muitas coníferas e um
visual bem bonito. Depois começa a subir, e é “uau” o tempo todo. Curvas
fechadas, com a estrada fazendo o zigue-zague necessário para chegar ao topo.
Quem projetou essa estrada deve ter tido muito
trabalho. Ou então soltaram um animal da região e foram simplesmente seguindo
seus passos, que normalmente traçam o caminho menos penoso para subir ou descer
uma montanha íngreme. E não é ironia: funciona mesmo…
Print do Waze
No ponto mais alto da estrada, mais “uau”
ainda: o Lago Bâlea e seu entorno são lindíssimos. Um lago incrustado na
montanha, formado pela água do degelo, abraçado por montanhas íngremes, com as
rochas cinzentas aflorando entre o pouco verde que se faz presente na forma de
pasto, ao menos nesta época do ano. Uma pintura: paisagem de pedra, água e
pastagens, cercada por encostas que parecem subir em todas as direções.
Falando em pastos, vimos, de longe, um rebanho
considerável do que nos pareceram ser ovelhas. E estavam em um lugar muito
íngreme. Se fossem cabras, eu não estranharia; mas ovelhas, sim, me
surpreenderam.
Caminhamos um pouco ao redor do lago,
aproveitando o momento. Buscamos um ponto de vista privilegiado, de onde
pudéssemos enxergar a estrada. Depois, para desfrutar um pouco mais do lugar, sentamo-nos
em uma mesa com uma vista linda para o lago e tomamos um café. 
Lago Balêa
Vi algumas fotos do lago e seu entorno no
inverno… quanta neve. Claro, são mais de 2000 msnm e uma latitude ao redor dos
45º norte.
Mas tínhamos que seguir viagem. E ainda não
sabíamos que o mais incrível, aquilo que mais nos deixaria extasiados, estava
por vir.
Saímos do lago e seguimos pela estrada,
passando por um túnel de 850 metros que marca a saída da Transilvânia e a
entrada na Valáquia. A partir daí, começamos a descer, com o mesmo visual, as
mesmas curvas fechadas e a mesma inclinação quase assustadora.
Logo depois, já um pouco mais abaixo, mas ainda em
boa altitude, encontramos novamente uma floresta densa de coníferas.
Foi quando começamos a ver muitas placas
avisando que é proibido alimentar os ursos. E crescia a expectativa de ver
algum… E não é que vimos? Não um, mas vários!
Foto tirada do carro. com zoom 2x. Ele estava
sentado, no lado oposto da estrada.
Eles ficam na beira da estrada, possivelmente
já sabendo que existe a possibilidade de ganhar alguma coisa para comer. O que
não é exatamente bonitinho… Mas vê-los é incrível!
Você já reparou como costumamos gostar de ver
animais selvagens? Ainda mais quando estão em seu habitat natural. Hoje não foi
diferente. Primeiro vimos um urso grande, deitado, de boa. Depois, uma mãe com
um filhote. Mais adiante, outra mãe com outro filhote. E, finalmente, um urso
enorme, sozinho.
Paramos muito perto, claro, para tirar umas
fotos. Apenas em uma das vezes descemos do carro — sem nos afastar, sempre
atentos. Quando a mãe veio na minha direção, pulei de volta no carro... acho
que ela só queria pedir comida, mas não quis experimentar esse abraço. Mas foi tudo
realmente muito excitante. Não encontro palavra melhor. Ver tantos
ursos-pardos, soltos, na beira da estrada, foi uma experiência incrível.
Daquelas que entram para o rol das inesquecíveis.
Bom, depois foi acelerar um pouco e chegar ao
hotel. Viemos para um Íbis Styles ao lado do aeroporto. Bom quarto, hotel
razoável, localização ruim, mas ao lado do aeroporto, apenas um quilômetro de distância,
o que é muito conveniente.
Esses paramos o carro e
ficamos observando
Adorei o país de Nadia Comăneci, a inesquecível
ginasta, e de Hagi, craque da Copa de 1994 e conhecido como o Maradona dos
Cárpatos. E dos Ursos Paredos!
Vacilei, fui economizar e comprei uma passagem
para Madrid que passa por Frankfurt. Vou beber uma cerveja lá para diminuir o
prejuízo.
Diz aí, valeu fazer essa crônica?
Enfim, partiu Madrid! De lá, conto algo!
| Placas: não de comida aos ursos. A foto é de uma pizza! |
| Lindão demais! |
| O mesmo da foto anterior. |
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| Esse é o mesmo da foto no texto, aqui sem o zoom. |
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| A selfizinha básica no alto do Lago Bâlea |
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| Lago Bâlea |





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