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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Transfăgărășan, Romênia, 02 de setembro de 2026.

Desde o lago Barêa, o visual que se vê da estrada

Eu não iria fazer esse post. Já escrevi um pouco sobre Bucareste, hoje estamos aqui só para dormir e amanhã voar até Madrid, último trecho da nossa viagem. Mas quero contar, deixar registrado e com muitas fotos, a viagem que fizemos hoje. Saímos da Transilvânia em direção à Valáquia, onde está Bucareste.

As Montanhas Fagaras.

Nosso último dia neste belo país. Romênia tem cerca de 238 mil km² e 19 milhões de habitantes e, do ponto de vista histórico e cultural, pode ser compreendida em três grandes regiões: Transilvânia, Valáquia e Moldávia. Quem leu meu post de ontem viu que estive em Alba Iulia, cidade ligada à consolidação da unificação do país, com a Transilvânia passando a fazer parte da Romênia. Desde a entrada na União Europeia, em 2007, sua economia se diversificou e cresceu muito. Segundo li por aqui, os destaques são a indústria, a agricultura, os serviços, a tecnologia e a energia. Se transformou em uma das principais economias do Leste Europeu. Sua posição é estratégica no continente, tanto por seu tamanho e população quanto por sua localização entre a Europa Central, os Bálcãs e o Mar Negro. Quando fui alugar o carro, o cara perguntou se eu iria para o Mar Negro, pois haveria algumas restrições. Respondi que desta vez não... Se você pegar um mapa e der uma olhada, vai visualizar facilmente essa posição geograficamente tão importante.

A Trabsfagarasan. Incrível, as fotos não
mostram o que vimos.

Estar de carro me permitiu ver algo da agricultura. Vimos muito girassol, milho, alfafa, lúpulo. Vimos também vacas e ovelhas. Sei que produz muitas frutas e mel. Aliás, vimos muitos e diferentes tipos de mel. Li que produz muita canola e trigo também. Além de um setor de serviços, que marca forte presença no PIB, e indústria muito forte. Turismo é importante, mas não chega perto de outros países europeus como França, Itália ou Espanha.

Voltando à viagem de hoje: desde que planejei o roteiro, busquei incluir a Transfăgărășan, uma estrada considerada uma das mais bonitas do continente. Ela cruza os Cárpatos, uma importante formação geológica que se estende por vários países europeus, entre eles a Romênia. Nesse trecho em especial, a estrada passa pelas Montanhas Făgăraș, de onde deriva seu nome.

A Transamazônica cruza a Amazônia. A Transfăgărășan cruza os Făgăraș. Sacou?

A estrada é realmente espetacular. Passa primeiro por um trecho de mata relativamente fechada, com muitas coníferas e um visual bem bonito. Depois começa a subir, e é “uau” o tempo todo. Curvas fechadas, com a estrada fazendo o zigue-zague necessário para chegar ao topo.

Print do Waze
Quem projetou essa estrada deve ter tido muito trabalho. Ou então soltaram um animal da região e foram simplesmente seguindo seus passos, que normalmente traçam o caminho menos penoso para subir ou descer uma montanha íngreme. E não é ironia: funciona mesmo…

No ponto mais alto da estrada, mais “uau” ainda: o Lago Bâlea e seu entorno são lindíssimos. Um lago incrustado na montanha, formado pela água do degelo, abraçado por montanhas íngremes, com as rochas cinzentas aflorando entre o pouco verde que se faz presente na forma de pasto, ao menos nesta época do ano. Uma pintura: paisagem de pedra, água e pastagens, cercada por encostas que parecem subir em todas as direções.

Falando em pastos, vimos, de longe, um rebanho considerável do que nos pareceram ser ovelhas. E estavam em um lugar muito íngreme. Se fossem cabras, eu não estranharia; mas ovelhas, sim, me surpreenderam.

Caminhamos um pouco ao redor do lago, aproveitando o momento. Buscamos um ponto de vista privilegiado, de onde pudéssemos enxergar a estrada. Depois, para desfrutar um pouco mais do lugar, sentamo-nos em uma mesa com uma vista linda para o lago e tomamos um café. 

Lago Balêa

Vi algumas fotos do lago e seu entorno no inverno… quanta neve. Claro, são mais de 2000 msnm e uma latitude ao redor dos 45º norte.

Mas tínhamos que seguir viagem. E ainda não sabíamos que o mais incrível, aquilo que mais nos deixaria extasiados, estava por vir.

Saímos do lago e seguimos pela estrada, passando por um túnel de 850 metros que marca a saída da Transilvânia e a entrada na Valáquia. A partir daí, começamos a descer, com o mesmo visual, as mesmas curvas fechadas e a mesma inclinação quase assustadora.

Logo depois, já um pouco mais abaixo, mas ainda em boa altitude, encontramos novamente uma floresta densa de coníferas.

Foto tirada do carro. com zoom 2x. Ele estava
sentado, no lado oposto da estrada. 
Foi quando começamos a ver muitas placas avisando que é proibido alimentar os ursos. E crescia a expectativa de ver algum… E não é que vimos? Não um, mas vários!

Eles ficam na beira da estrada, possivelmente já sabendo que existe a possibilidade de ganhar alguma coisa para comer. O que não é exatamente bonitinho… Mas vê-los é incrível!

Você já reparou como costumamos gostar de ver animais selvagens? Ainda mais quando estão em seu habitat natural. Hoje não foi diferente. Primeiro vimos um urso grande, deitado, de boa. Depois, uma mãe com um filhote. Mais adiante, outra mãe com outro filhote. E, finalmente, um urso enorme, sozinho.

Paramos muito perto, claro, para tirar umas fotos. Apenas em uma das vezes descemos do carro — sem nos afastar, sempre atentos. Quando a mãe veio na minha direção, pulei de volta no carro... acho que ela só queria pedir comida, mas não quis experimentar esse abraço. Mas foi tudo realmente muito excitante. Não encontro palavra melhor. Ver tantos ursos-pardos, soltos, na beira da estrada, foi uma experiência incrível. Daquelas que entram para o rol das inesquecíveis.

Esses paramos o carro e
ficamos observando
Bom, depois foi acelerar um pouco e chegar ao hotel. Viemos para um Íbis Styles ao lado do aeroporto. Bom quarto, hotel razoável, localização ruim, mas ao lado do aeroporto, apenas um quilômetro de distância, o que é muito conveniente.

Adorei o país de Nadia Comăneci, a inesquecível ginasta, e de Hagi, craque da Copa de 1994 e conhecido como o Maradona dos Cárpatos. E dos Ursos Paredos!

Vacilei, fui economizar e comprei uma passagem para Madrid que passa por Frankfurt. Vou beber uma cerveja lá para diminuir o prejuízo.

Diz aí, valeu fazer essa crônica?

Enfim, partiu Madrid! De lá, conto algo!



Placas: não de comida aos ursos. A foto é de
uma pizza!

Lindão demais!

O mesmo da foto anterior.

Esse é o mesmo da foto no texto, aqui sem o
zoom.

A selfizinha básica no alto do Lago Bâlea

Lago Bâlea



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