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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Chengdu, 31 de março a 02 de abril de 2026.

Eu e ele, olhos nos olhos!

A viagem de trem de Xi’an para Chengdu foi muito interessante. Levou quatro horas no trem de alta velocidade. No caminho, que foi do centro do país em direção ao sudoeste, vimos um mosaico de paisagens. A primeira parte da viagem foi por áreas de altas montanhas, que percorremos em boa parte por dentro, em intermináveis túneis. Abaixo delas, vales bem encaixados, com agricultura intensiva e diversos cultivos, com irrigação feita por sulcos e alguns terraços baixos.

Em reunião!

Na impressionante estação de trem de Chengdu, caminhamos seguindo as placas para pegar um Didi. É mais fácil ir de carro com as malas, além de ser barato considerando que somos três pessoas. O carro nos deixou na porta do hotel, o Mercure Chengdu Wuhou Temple, exatamente às 20h30.

Só deixamos as coisas no quarto e fomos para a Jinli Ancient Street. É uma rua histórica “temática”, considerada um ponto de interesse, totalmente recriada no estilo de antigas dinastias e voltada para o turismo. Não achamos legal, artificial demais e pouco atrativa. Mas sim, muitas luzes, comidas e lembrancinhas. Lojas, luzes e gente, muita gente. É o que tenho visto neste país. A Jinli Ancient Street fica ao lado do famoso templo Wuhou Shrine, que acabamos não visitando.

Ontem, quarta-feira, acordamos cedo para ir ao centro de pesquisa, conservação e reprodução de pandas gigantes. Fomos de Didi, cerca de 40 minutos, por aproximadamente R$ 30,00. Ver os pandas de perto foi muito legal — mas muito mesmo. São realmente simpáticos, e vê-los ali, tranquilos, comendo bambu e “posando” para os visitantes foi uma experiência incrível. A caminhada entre árvores também é muito prazerosa. Para não fugir da toada, muitas lojinhas com comidas e lembrancinhas de panda! Tudo que você imaginar, com tema de panda. Claro que compramos algumas coisinhas… e claro que eu comprei um panda de pelúcia para a Clara… O panda é o Mickey Mouse da China!

Ao redor da Chunxi Road

Vou reforçar para não deixar dúvidas: essa visita aos pandas é imperdível. E o bom é que Chengdu ainda tem muito mais para ver. No final deste post, deixo mais fotos dos pandas,

Voltamos e fomos direto para o que eu diria ser o centro da cidade: a Chunxi Road. Ruas enormes, sem carros, cheias de lojas, comida e shoppings, muitos shoppings. Usamos como referência o IFS, o mais conhecido deles. O IFS reúne algumas das melhores marcas do mundo, em lojas absolutamente suntuosas.

Eram duas da tarde quando resolvemos ir caminhando, cerca de 3 km, até a Praça do Povo. Uma caminhada com muitíssima informação: lojas e gente — o que mais tem nas cidades chinesas, por todo lado. Passamos pela Praça Tianfu, enorme, no distrito financeiro, com museus ao redor e uma grande estátua de Mao em frente ao Museu de Ciência e Tecnologia.

Comemos alguma comida de rua e finalmente chegamos ao Parque do Povo. Lotado. Fomos recebidos por um grupo da terceira idade dançando. A maioria mulheres, alguns poucos homens. Sabiam a coreografia e a executavam com relativa precisão… não foi a cena mais bonita que vi, a mostra da terceira idade chinesa que tive acesso não prima pela beleza e pelo ritmo… 

A Praça do Povo é do Povo!

Uma das razões para irmos ao Parque era tomar um chá. Nos indicaram uma casa famosa, a Heming, com mais de 100 anos. Imaginamos uma cerimônia do chá, lenta, relaxada, intimista… acho que nos confundimos, afinal estamos na China e lugares vazios não são o forte deste país… A Heming é enorme, com mesas dentro e fora, e estava lotadíssima. O que percebemos é que as pessoas pedem chá e levam suas próprias comidinhas, ficando ali sentadas por horas. Tomamos nosso chá e resolvemos voltar para a região de compras, lojas e movimento, nas ruas de pedestres que mencionei com muitas lojas e shoppings. E ali ficamos até anoitecer — queríamos ver as luzes da cidade acesas. E, realmente, as luzes aqui são um show à parte. Não vou descrever, acho melhor colocar algumas fotos!

Deixa-me voltar três horas no tempo e falar de algumas esculturas que vi no Parque do Povo. São dezenas, espalhadas pelo Parque. Ao lado delas, havia descrições que o tradutor me permitiu entender. Vou colocar duas aqui:

Nome da escultura: Difícil de se despedir

"Difícil de se despedir"
"Em 1937, no interior de Sichuan, um jovem chamado Er Wa, que dependia da avó para tudo, veste o uniforme militar e precisa se despedir dela para seguir com o exército rumo à guerra contra o Japão.

A avó, ao pensar que talvez nunca mais veria o neto, fica profundamente triste. Com o corpo frágil, ela se arrasta com dificuldade até a porta, segurando o batente com uma mão e acenando com a outra.

Er Wa se vira para se despedir, olhando para aquela que o criou com tanto carinho. Seus olhos estão cheios de lágrimas — é uma despedida extremamente dolorosa.

Ele entende que cresceu e que deve partir com as tropas para lutar contra os invasores japoneses, para honrar sua avó e as pessoas de sua aldeia."

Nome da escultura: Despedida

"Despedida"

"Uma mulher trabalhadora e bondosa, que havia se tornado mãe há pouco tempo, carrega nas costas seu bebê de poucos meses e vem se despedir do marido antes de ele partir para o campo de batalha.

Ela segura firmemente as mãos do marido, relutante em deixá-lo ir. Seu rosto está cheio de tristeza, olhando para o homem de quem logo terá de se separar — uma dor difícil de expressar em palavras.

Embora não seja instruída, ela entende claramente uma verdade: os japoneses invadiram seu país e destruíram seu lar. Os homens devem sair para lutar contra o inimigo, defender a nação — isso é o que se espera deles naquele momento."

A China, de certa forma, sempre foi um dos países mais importantes do mundo, grande e vigoroso. Mas isso não impediu que fosse dominada, total ou parcialmente, por outros povos e potências, como mongóis, manchus e algumas potências europeias. Mas, pelo pouco que sei, o período da dominação japonesa foi um dos mais agressivos. 

Mais do Parque do Povo!

É recente. Isso explica boa parte do nacionalismo chinês, por um lado, e da relação deles com os japoneses, por outro. Não são tratados exatamente como amiguinhos, e essas esculturas falam um pouco disso — do período da Segunda Guerra Sino-Japonesa, de 1937 a 1945. 

Aí no Brasil, de boa, quando você conhecer alguém do leste asiático, pergunte antes, nunca chame um chinês de japonês. Pode dar m… Já viu o filme Império do Sol? Não? Meio antigo, mas se você estiver vindo para a China, te sugiro ver.

Bem, voltando a Chengdu, ficamos até por volta das oito da noite na Chunxi Road, o setor com muitas lojas que mencionei. Uma das nossas intenções era esperar o anoitecer e ver um painel de um centro comercial, famoso por apresentar leds iluminados com figuras e propagandas, em 3D, sendo a do panda a que mais chama atenção. 

Pandas, muitos pandas!

A comida do dia foi na rua mesmo. Eu comi, por duas vezes, um sanduíche com carne de porco e um pão folheado, acompanhado de suco de coco com melancia.  De lá, fomos de Didi para o hotel e não saímos mais… Caminhamos quase 15 km durante o dia, estávamos cansados!

No dia seguinte, Ana e eu fomos dar uma volta ao redor do hotel, ver o bairro. Curtimos muito, a China fora do turismo ChatGPT é muito interessante, não deixe de incluir isso no teu roteiro por esses lados. Lojas acordando, parque com pessoas fazendo ginástica, mercado do bairro ativo e operante. Até compramos uma roupinha para a Clara!

Agora, estamos aqui no trem, de novo. Mais um trem-bala, desta vez saindo de Chengdu e indo para Chongqing, considerada a cidade mais intensa e futurista do país. Veremos!


Loja no centro de Chengdu !
Outro aspecto da imagem do Panda. Olha a 
galera que se reúne para ver!


Mercadinho do bairro, ao redor do Hotel.

Praça Tianfu!

Muito comum ver estátuas de Mao Tse Tung.
Essa, em frente a uma universidade, essa 
foto foi tirada da Tianfu Square.


Mais pandas!

Almoço! Detalhe interessante: todos os pandas gigantes do 
mundo são da china.

São demais, não são?