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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Praga, 14 a 16 de fevereiro de 2025.

 

Anoitecer na Praça da Cidade Velha, Praga

Depois da Biofach, alguns dias de passeio. Saímos de Nuremberg em direção à Praga, em uma linda viagem de trem, emoldurada pelo branco da neve em quase todo o trajeto. Viajar de trem pela Europa, ainda mais quando está nevando, é sempre muito agradável. 

Momento da viagem de trem...

Chegamos no hotel às 14h, o The Mozart Prague. Bom hotel, ainda que, pelo preço, tenha nos decepcionado um pouco Mas valeu, ficar os três sessentões, amigos de mais de 4 décadas, no mesmo quarto, foi realmente divertido.

Almoçamos em um restaurante, o U Rotundy, bem local, indicado por um guia que contratamos em Praga, o Ivan (@guia_em_praga). Comemos queijo empanado, muito comum por aqui, schnitzel (bife de porco empanado), joelho de porco, chucrute e batata frita. Eu e André bebemos uma cerveja Tcheca, a cerveja Pilsner Urquell, por muitos considerada a melhor do mundo. Bom, cerveja aqui é um caso à parte.

Depois do almoço ainda tivemos tempo de uma volta pela cidade, eu e Guilherme, já que André ficou no quarto, com sintomas de gripe.

Cruzamos a Ponte Carlos, sobre o rio Moldava, andamos pela cidade velha, tomamos sorvete, comemos doce local e regressamos ao hotel. Ao entardecer, saí de novo, zero grau, apenas para ir até a praça, aquele estilo que amo, praça seca medieval europeia, circundada pelos poderes constituídos. Acho que o que eu queria mesmo era ver a estátua de Jan Huss (1372–1415), o herói nacional, um padre do século XV, que lutou por reformas na Igreja e acabou queimado na fogueira da inquisição. Ele inspirou a Igreja Hussita, um movimento reformador e revolucionário que surgiu na Boêmia, no século XV. O movimento mais tarde se juntou à Reforma Protestante. 

Eu, Guilherme e André, com Jan huss

Igreja Hussita é a maior igreja protestante da República Tcheca.

Ontem, sábado, pela manhã, circulamos com o Ivan. Muito agradável a conversa e o passeio.

Começamos pela Torre de Pólvora, onde estava a entrada principal para a cidade velha, a Praga Medieval, que surgiu no ano 800. A chamada cidade nova, extra muro, se constituiu no século XIV.

Praga é considerada a cidade mais preservada da Europa, já que não foi bombardeada nem pelos alemães, de quem supostamente eram aliados, nem por França ou Inglaterra, que reconheciam a então Tchecoslováquia como pouco simpática aos nazistas.

Ao lado da Torre, um lindo prédio, a Casa Municipal, construída sobre o muro. Momento marcante que se passou nesta casa, foi a independência da Tchecoslováquia do Império Austro-húngaro, em 1918. Atualmente, abriga uma casa de show e um restaurante, onde regressamos hoje, domingo, para tomar o café da manhã.

Relógio astronômico de Praga

Passamos outra vez pela praça e ouvi algo que sempre acho interessante ouvir, sobre os caminhos dos produtos no mundo antigo. Por essa praça, se cruzavam várias vias medievais comerciais, do sul, norte, ocidente e oriente. Ivan nos mostrou um pátio onde os comerciantes podiam se hospedar, comer e aguardar a quarentena. A prefeitura classificava e pesava as mercadorias, cobrando os devidos impostos. Assim, impostos pagos e sanidade assegurada, os comerciantes podiam ir para a praça e vender suas mercadorias.

Mas a principal atração da praça é o seu relógio astronômico, instalado em 1410. A primeira curiosidade é que o horário marca a hora medieval, ou seja, a hora zero é a hora do pôr do sol, e não a meia noite, um conceito abstrato que surge depois. Como é óbvio, o pôr do sol ocorre em horários diferentes, a cada dia, e o relógio se adapta a isso, demonstrando a genialidade desta obra maestra da engenharia medieval. Além disso, o relógio nos mostra os movimentos da terra e as fases da lua.

Ivan nos convidou a imaginar a praça quando foi construída, por volta do ano 800.  Chão batido, muita sujeira, porcos, cheiro ruim, poucas casas, todas de madeira. A feira que acontecia aqui era por escambo, não havia moeda. No início do século XII, começam a surgir pequenas casinhas de pedra. Ainda está por aqui uma casa dos anos 1300. As lindas fachadas que hoje embelezam o lugar são dos séculos XVIII e XIX. Linda praça, que vem sendo construída há mais de mil anos...

Imperador Carlos IV

Da praça, rumamos ao Castelo de Praga, no alto da cidade, moradia do Imperador Carlos IV. O mais amado imperador do país. Reinou no século XIV. Admirado por toda Europa pela sua cultura, foi imperador não apenas da Boêmia, mas também do Sacro Império Romano Germânico. Mesmo com toda essa moral na Europa, optou por viver em Praga, neste castelo.

A ponte Carlos foi construída por ele, assim como a Universidade Carolina de Praga, a mais antiga universidade da Europa Central.

Teria mais para contar sobre esse passeio, mas vou acelerar. Almoçamos no excelente e concorrido Porks. Comida regional, cardápio repetido: joelho de porco, batata, schnitzel, queijo empanado e urquell. E ainda teve um torresmo, que trouxe suas consequências mais tarde... Muito bom, de todos os modos! Terminamos de almoçar quase ao anoitecer, que nessa época é por volta das 17h, caminhamos um pouco pela cidade e, outra vez, viemos cedo para o hotel.

Hoje, domingo, foi o dia que mais andamos. Foram 15 quilômetros! Tomamos café da manhã no restaurante da Casa do Município e fomos para à Igreja de Santiago, ouvir o show, sim, posso chamar show, do maior órgão do país, que ocorre todos os domingos às dez da manhã, precedendo a missa. A Igreja de Santiago é do século XIII, portanto gótica, mas foi alterada no século XVII, adotando no seu interior um estilo barroco.

Praça Wenceslau

Muito agradável ouvir um órgão tocando músicas sacras, com uma acústica perfeita, em um ambiente de fé. Depois, seguimos caminhando, a maior parte do dia passamos na linda Praça Wenceslau e nos seus arredores. Praga é realmente um espetáculo!

Amanhã ainda teremos tempo para um breve rolê e no meio do dia vamos em direção á Berlin. De trem. Passamos frio aqui, passaremos frio lá. Em Berlin nos espera temperatura negativa de até oito graus.

Rara rua vazia na cidade velha de 
Praga

Onde almoçamos hoje, domingo.
Sensacional, recomendo.
..


Com Kafka,,,

Praça da cidade velha!

Menino Jesus de Praga

Marihuana fake... sem THC!

Entrada da Ponte Carlos

Praga... 





terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Praga, 16 e 17 de fevereiro de 2014.

Praga, vista do Castelo.
Estou escrevendo na segunda de tarde, no vagão restaurante do trem que liga Nuremberg a Frankfurt. Tomando uma draft. Acho muito chique isto de vagão-restaurante. De Frankfurt pegamos o avião para casa. Bom, na real vou para Ouricuri, interior de Pernambuco. Ficar sete dias na Europa, estando por três cidades diferentes, só aumenta a vontade de passar uma temporada longa aqui. Viver um pouco do cotidiano desta parte do mundo está na minha lista de desejos.
Adriano, Ana e Pida, pelas ruas da cidade velha.
Um domingo flanando por Praga é definitivamente um privilégio. Foi o que fizemos ontem. Esta é uma das cidades que povoava meu imaginário quando eu era criança/jovem. Não lembro exatamente qual a razão, mas depois de um dia passeando por aqui é fácil entender porque ela navegava não apenas pelo meu, mas pelo imaginário de meio mundo. Para muitos, Praga é a cidade mais bonita do leste europeu. Não duvido.
Passamos o dia fazendo alguns dos programas obrigatórios na cidade. Caminhando pela cidade velha, passando pelo bairro Judeu, visitando algumas sinagogas, cruzando o Rio Vltava, que corta a cidade, pela Ponte Carlos, subindo até o Castelo pela Mala Strana. O visual é de conto de fadas. Fomos à City Hall e vimos um belo espetáculo também, com uma pequena orquestra de cordas tocando música barroca. Praga é, ou ao menos já foi, considerada a capital cultural da Europa. Não passamos por uma esquina sem ver uma promoção de algum espetáculo de teatro ou musical.
Visitando meu amigo Kafka
Na Praça Central da Cidade Velha está um monumento em homenagem a Jam Huss, que é considerado um herói nacional e que foi queimado pela fogueira da Inquisição, em 1415. Ele era Padre, um livre-pensador e foi Reitor da Universidade de Praga, umas das mais antigas da Europa. Defendia mudanças na Igreja Católica, sendo identificado como um precursor da Reforma de Lutero. Uma figura que sempre ouvi falar na minha casa e no meio espírita, já que existe um consenso que ele teria sido uma encarnação anterior de Allan Kardec, o organizador do Espiritismo. Gostei de visitar este monumento e conversar um pouco com Jam Huss. Assim como gostei também de ver a estátua de Kafka. Dele li apenas Metamorfose e O Processo, e fiquei com as vigorosas imagens que ele cria nestes dois livros e desde então me considero fã. E, falando de literatura, fiquei também lembrando de Tomaz, Tereza e Sabina, três de meus personagens favoritos, de A Insustentável Leveza do Ser. Este livro se passa quase todo em Praga.
Som de primeira na Ponte Carlos
De noite, depois do espetáculo de cordas, fomos jantar no U Medvídku. Uma cervejaria artesanal, a última de Praga, segundo eles. A casa foi construída no início do século XV, e as primeiras cervejas foram feitas em 1466. Em 1898 fecharam por não poderem competir com as cervejarias industriais. 
Reabriram como Cabaret no inicio do século XX, tiveram sérios problemas com o governo socialista nos anos cinqüenta e só recomeçaram a recuperação do prédio em 1989, primeiro como hotel e depois como cervejaria, retomando a forma original de fabricação. Recomendo. 
Voltar para o hotel às onze da noite, caminhando pelo centro, luzes acesas, inverno ameno, de braços dados com Ana, não tem preço. O resto, Mastercard paga. 
Bom, era isto, não sei bem quando será a próxima caminhada, mas de lá, seja de onde for, conto mais.

Igreja no Castelo de Praga
Ruela de Ouro, no Castelo de Praga, a lojinha por fora
Ruela de Ouro, no Castelo de Praga, a lojinha por dentro
Parece que não fomos apenas nós que tivemos a
 ideia de ir à Praga... no fundo, a Ponte Carlos


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Nuremberg e Praga, 15 de fevereiro de 2014.



Praga e sua arquitetura... este
 é apenas um prédio dentre tantos
Viajar pelas estradas da Europa é sempre um enlevo. Bom, viajar é sempre um momento de enlevo. Claro que um caminho nunca feito tem um encanto diferente. Hoje fomos de Nuremberg para Praga de ônibus, uns 280 km de distância. Na primeira parte da viagem, ainda pelo sul da Alemanha, paisagem calma, levemente ondulada, alguns poucos cultivos de inverno, muitos bosques homogêneos de coníferas, fardos de fenos espalhados pelos campos, grandes cata-ventos, pequenas cidades. 
De longe vemos a arquitetura característica destas cidades, casas altas, quase monolíticas, com pequenas janelas e cores sóbrias. Algumas vezes só divisamos os telhados inclinados das casas e a torre da Igreja. No trajeto também vimos algo de neve, pouco, mas ainda não a havia visto nesta breve temporada no inverno Europeu. Os bosques e as cidades guardam uma relação em suas arquiteturas. Altos, inclinados, uniformes, sóbrios.
Visual de dentro do ônibus Nuremberg - Praga.
Quando entramos na República Tcheka notei que os horizontes se alargaram e as casas empobreceram, ou pelo menos a pintura não estava tão em dia. A língua das placas de sinalização também mudou, nos fazendo lembrar que entrávamos em um país da ex-cortina de ferro.
Na viagem, dentro do ônibus, o rapaz sentado na minha frente pediu, muito educadamente, para eu abaixar o volume da música que eu estava ouvindo com o fone de ouvido. Estava um pouco alto, e ele ouvia. O Europeu é muito consciencioso de seus direitos individuais. O convívio coletivo é sempre mediado pela noção de respeito total aos mundos individuais. Não sou obrigado a conviver com fezes do teu cachorro na rua, com a fumaça do teu cigarro, com tua conversa no celular ou com o alto volume da tua música. Os latinos convivem melhor com interseções entre os mundos individuais, ainda que elas, as interseções, nos tirem do ponto de máximo conforto individual. Vejo vantagem em ambos os comportamentos e tenho dificuldade em pensar que pode haver uma mescla perfeita entre eles.
Sabia que ia ver o Kafka
Chegamos a Praga e até achar o hotel e estar pronto para sair já estava quase escurecendo. Mas caminhamos bastante, começando pela cidade nova. Bem, nova é um modo de dizer, ela foi fundada em 1348. Fomos até a Praça Venceslau, movimentada, cheia de artistas de rua e lojas cheias. 
Depois fomos só caminhar pela cidade antiga, vimos sua praça central, lindíssima, vimos a torre da cidade e seu relógio astronômico. Praça lotada, colorida, luzes acesas, performances de toda ordem. Aqui se respira cultura. E passeamos, sob lua cheia, pela Ponte Carlos, um dos postais da cidade. Não vou ficar descrevendo Praga, existem vários sites que fazem isto muito bem, é um dos principais destinos turísticos do mundo. Justificável. Como bem definiu um grande amigo, é realmente deslumbrante, “quase uma Paris”. 

Ana e eu jantando na noite de Praga

Levitação pelas ruas de Praga

Músicla clássica fazendo sua ronda noturna.