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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Zhangjiajie, 05 a 08 de abril de 2026.

Zhangjiajie National Forest Park
(Floresta do Avatar)

Chegamos em Zhangjiajie, no excelente Hotel Pullman, por volta das três da tarde. Hotel amplo, belo hall de entrada, quartos para lá de confortáveis e super bem localizado. Meu número de hotel, muito conforto, pouco luxo.

A vinda de carro desde Furong foi agradável, nossa única viagem pelas estradas da China, mas a chuva anunciou o que enfrentaríamos nesses três dias por aqui: tempo instável!

Cervejinha no hotel

Estávamos cansados, e o restante da tarde e o início da noite foram usados para descanso, organização do dia seguinte e reconhecimento do terreno ao redor do hotel, com uma feirinha bem simpática e muitas luzes. Funcionou bem, já que o hotel nos oferece Chá da Tarde e Happy Hour, os dois com comidinhas e bebidinhas livres, o que sempre cai muito bem. Tomei uma cerveja chinesa que curti mais a garrafa que o sabor, e comi churrasquinho chinês, sanduíche de atum e bolinhos de primavera.

No dia seguinte, tomamos um café da manhã intenso e com muita gente, o hotel é enorme. Muita comida, mas eu acabei optando pelo que já conhecemos: ovos, queijo, bacon, iogurte, pães.

Nos ajeitamos e saímos em direção ao parque. Como estava chovendo, fomos de Didi, apesar de estar a apenas 1.500 m distante.

Chegamos ao Zhangjiajie National Forest Park por volta de 9h30. Como sempre, neste país, muita gente, lojas e barracas com souvenirs, comidas e bebidas. Comprei um protetor para o tênis que foi super útil, me permitiu voltar com o pé seco e o tênis branco para o hotel.

Zhangjiajie National Forest Park 
(
Yangjiajie Scenic)

De acordo com o ingresso que compramos, entramos pela região leste, pegamos um ônibus até o elevador Bailong direto para o topo. Este elevador é uma das atrações do Parque. É pago à parte, e custou 11 dólares por pessoa. Ele leva menos de um minuto e meio para subir 326 metros, e é considerado o elevador externo mais rápido do mundo. No primeiro terço, vemos apenas uma parede de pedra, de repente se abre o cenário de montanhas íngremes e escarpadas, muito altas, mais ou menos vegetadas. Um “uau” soa espontâneo no elevador, a cena é realmente incrível. Mas muito rápida, fica a sensação de querer repetir…, mas a visita é toda muito intensa, a ideia é seguir adiante.

Quando se desce do elevador, o programa é explorar a área, um pouco mais tranquila, chamada de Yangjiajie Scenic. Mas… estava muito nublado. A onda, que é ver as enormes cadeias de montanhas pontudas e parcialmente vegetadas, não se mostrava interessante. Caminhamos, nos guiando pelas placas que nos davam essa ou aquela opção de caminhos. Sabíamos que o programa era esse, caminhar muito, subindo e descendo, mas sempre com visuais deslumbrantes ao redor. Não rolou, pouco vimos da paisagem que faz esse lugar famoso. Aqui vai uma carinha de tristeza com uma lágrima rolando...

Vista desde a Tianzi Mountain
Seguimos pelas trilhas e mirantes, sempre entre névoa e chuva leve. Em dado momento, orientado pelas placas e consultando uma inteligência artificial, seguimos em direção à Tianzi Mountain. Um ônibus nos levou até lá, entre curvas fechadas e subidas. Levou uns 30 minutos até chegar. Valeu! Foi lá que, finalmente, vimos algo do que buscávamos: por um bom tempo, a neblina se abriu e a paisagem absolutamente deslumbrante deu o ar da graça. Imensos pilares de pedra, uma formação rochosa muito surpreendente. Realmente nos remete totalmente ao imaginário das montanhas de Avatar. Ficamos um bom tempo por ali, a Tianzi Mountain tem um platô que permitiu aos chineses, e seu absurdo senso prático, construir praças, colocar estátuas de heróis da pátria, abrigar lojas de lembranças e comidas. Nem vou reclamar, tomar um chá quente com leite lá em cima foi bem bom. 

Teleférico descendo do Parque do Avatar

Depois de uma hora nesse ambiente, vista apreciada e fotos devidamente tiradas, iniciamos a descida — e ela veio com uma boa surpresa: um trecho de teleférico, estilo bondinho, ao longo das montanhas, cercado por uma paisagem igualmente linda, nos permitindo passar entre vales e formações rochosas que ajudaram a terminar de dissipar a frustração pelo clima úmido e céu nublado. Céu nublado, nesse caso, significa que andamos em meio às nuvens.

Voltamos caminhando, essa região ao redor do parque é toda muito agradável, optamos por ir a pé em busca de um restaurante. Achamos um e cada um pediu um prato local, com ajuda de algum aplicativo para traduzir. Eu repeti meu prato à base de pedaços grossos de bacon. Muito tempero, um pouco picante, vem nadando em um molho vermelho, espesso, e com bastante broto de bambu. Comi junto com arroz e estava gostoso, mas comi só a metade, deixei boa parte da gordura do bacon para trás.

Chegamos cansados ao hotel, mas ainda tivemos tempo de aproveitar o nosso happy hour. E ainda dar uma breve caminhada pela feira próxima ao hotel. 

Meu prato do almoço.

No dia seguinte, uma terça-feira chuvosa, fomos para outro lado, em direção à Zhangjiajie. Não contei antes, mas o Pullman e o Parque ficam no distrito de Wulingyuan, a uns 50 km da cidade. Acho que também por isso gostei tanto, tem o ar de cidade pequena que eu gosto tanto e tem me feito falta nessas megalópoles chinesas que temos visitado.

O destino era a Tianmen Mountain, literalmente traduzido como Montanha da Porta do Céu. O lugar é incrível, e tem uma superestrutura turística. O ingresso que compramos nos levou ao caminho que vou descrevendo. Primeiro, pegamos o teleférico na cidade. É um dos maiores teleféricos do mundo, com 7,5 km de extensão. No início, passa sobre a cidade, mas quando começa de fato a subir a montanha, é lindo. E dá aquele medinho...

Quando descemos do teleférico, pegamos um ônibus em direção à Porta do Céu. O trajeto é pela estrada das 99 curvas. Estava muito nublado, então foi tranquilo. Pelas fotos que vi, é aquele tipo de trajeto que as curvas caminham na direção e depois deixam para trás umas pirambeiras. Conhece essa palavra, pirambeira? Pois é, enormes abismos! Em meio a nuvens, foi de boa, se estivesse puro sol, teria mais beleza, emoções e medos. 

A estrada das 99 curvas vista de cima.

O ônibus nos deixa em uma espécie de praça, outra vez com lojas com comidas e lembranças, e muita gente. O tempo seguia fechado, e a frustração seguia nos acompanhando. Sequer a porta do céu era visível. A porta do céu é um buraco na montanha. Foi feita uma escada para chegar até essa “porta”, com 999 degraus. Estava úmido, escorregadio, mas não a ponto de ser perigoso. Helena e eu resolvemos subir, Ana optou pela escada rolante. Sim, tem uma escada rolante que foi feita em um túnel, dentro da montanha. A impressão que tenho da engenharia chinesa é algo assim: “É bom fazer? É, Tem como? Tem. Então faz!”. Não sei se já comentei isso em outro post, mas ouvi aqui que são formados cerca de um milhão de engenheiros por ano nesse país.

Paramos duas ou três vezes para dar uma parada, pegar um fôlego e tirar umas fotos, mas não dá para dizer que subir essa escada tenha um alto grau de dificuldade.

No fim da escada, um espelho d’água que deixa o cenário ainda mais fotogênico. Confesso que achamos que havíamos chegado ao objetivo. Ledo engano. Fomos seguindo um fluxo de gente, passamos por um caminho que ombreava com o precipício, eu mesmo não sabia que iria ter coragem para passar por ali. Mas a neblina, a pilha, o inusitado e um pouco de concentração me deixaram passar sem sobressaltos. Ao fim desse caminho, vimos uma escada rolante, todo mundo subindo nela. Enorme, daquelas que quase nos desestabiliza, nos faz perder o equilíbrio quando olhamos para cima. Pois então, dessas. Achamos que era uma, mas eram sete. Sim, sete. Todas muito altas. Durou uns 20 minutos a subida. 

E escada rumo à Porta do Céu

Lá em cima chegamos no alto da Tianmen Mountain. Entendi que as escadas rolantes, todas em túneis dentro da montanha, como já disse, viabilizam que cheguemos ao topo. Tem caminhos por fora, mas aí não são turísticos, exigem outro nível de preparação. Lá em cima deve ser lindo, mas nós seguimos dentro da nuvem. Não conseguimos ver nada. Ficamos um bom tempo, comemos algo, andamos para lá e para cá, inclusive, outra vez, agora já acompanhados da Ana, por caminhos encostados nas montanhas, com aquele super precipício ao lado. Pouca visibilidade e, por consequência, pouco medo. Em um trecho deste caminho se paga para entrar em uma parte que é feita de vidro, onde se olha para baixo e se vê o nada..., mas não fomos.

Depois de uma hora no topo, descemos pelas mesmas escadas rolantes enormes. Voltamos ao topo da escada de 999 degraus. Mais 3 lances de escada rolante, chegamos ao pé da escada. O tempo estava mais limpo, tivemos nosso momento de divisar um pouco mais a paisagem. Valeu, acho que foi uma espécie de presente pelo esforço feito para estar ali.

Telefério descendo da base
da escadaria da Porta do Céu

Aproveitamos para curtir o visual e em dado momento resolvemos descer. Eram umas 4 da tarde. Caminhamos um bom trecho e descemos de teleférico. Outro teleférico, não o mesmo que subimos. Esse da volta é mais rápido, a descida estava linda, e nos deixa em um local onde pegamos o ônibus até o local inicial, o mesmo onde pegamos o primeiro teleférico, na cidade de Zhangjiajie. 

Pegamos um Didi e regressamos, cansados ao hotel.

Só que não... isso era o que deveríamos ter feito, mas resolvemos caminhar pela cidade, para fazer hora e ir ver um local onde tem um show de luzes de noite, o 72 Qilou (ou 72 Wonder Tower). Caminhamos bem, cruzamos o rio, chegamos no centro da cidade. Foi legal ver uma cidade mais normal, não turística, sem ser necessariamente espetacular. Eu curti o passeio. No início da noite fomos para a 72 Qilou. Não gostamos, não quisemos pagar para entrar, fomos procurar comida, achamos uma pizza chinesa bem ruinzinha. O que deveríamos ter feito às 4 da tarde fizemos as oito da noite, pegamos o Didi e voltamos ao Hotel. Não se pode acertar todas.

Mas ainda nos animamos a, pela terceira vez, caminhar perto do hotel, outra vez passar pela ponte que nos mostra partes do rio e das margens iluminadas. E nos despedimos de Zhangjiajie do agradável distrito de Wulingyuan.

Hoje de manhã foi tempo de tomarmos café e saímos em direção ao aeroporto, rumo a Shanghai. Terminei de escrever daqui, já hospedados no ótimo Swissôtel Grand Shanghai. Mas no próximo conto o que fizemos no centro financeiro da China e, de certa forma, de toda a Ásia.

Selfizinha nas alturas

Tiamen Mountain

Em um desses caminhos que eu achei 
que não passaria, pela altura, mas foi mais 
tranquilo do que imaginei.

Em alguns lugares o visual incrível se 
transformou em um literal "estar nas nuvens".

A Porta do Céu e a escadaria
vistas da base

A escadaria, vista de cima

Os elevadores dentro da montanha

A base da escadaria, quando voltamos e o
tempo abriu.

A Porta do Céu, já na altura dela.


A 72 Qilou, que não chegamos a entrar

A vista desde a ponte próxima ao hotel Pullman

domingo, 5 de abril de 2026

Furong, China, 04 a 05 de abril de 2026.

Cidade cênica de Furong - vista da cachoeira

Neste momento estou em um restaurante em Furong, sudoeste da China. Essa foto acima foi tirada do lugar onde jantei. Incrível. Realmente incrível!

Chegamos a Furong hoje de tardinha, sábado, quatro de abril, vindo de trem de Chongqing. Essa cidade apareceu quando eu estava fazendo o roteiro para essa viagem e quis procurar uma cidade pequena. Surgiram algumas; esta acabou sendo escolhida pelas fotos que vi e porque cabia bem na nossa rota.

Mesma vista da foto anterior, um pouco mais cedo

Chegamos às cinco da tarde à estação de Furong, e a chinesa dona do hotel em que ficamos foi nos recepcionar. Gostamos, sempre dá mais segurança ser levado diretamente para o hotel e facilita com as malas, a essa altura já mais pesadas do que quando saíram de casa.

Tivemos que descer do carro e entrar a pé na cidade antiga. Paga-se para entrar, e não é tão baratinho. O equivalente a 75 reais por pessoa. Se vale? Vale sim, fácil!

Como posso descrever Furong? Difícil…

Vou tentar em pouquíssimas palavras o que li e vi sobre essa cidade com mais de 2.000 anos: O povo local aqui é da etnia Tujia. Ao lado da cachoeira ainda hoje pode ser vista uma caverna, pequena, com algumas esculturas de indígenas que a habitavam. Uma inscrição ao lado diz que ela já foi muito maior e abrigou milhares de pessoas, antes de mudanças nos ciclos d’água e na geologia do local a deixarem nas pequenas dimensões de hoje. Não sei a veracidade desta informação, pode ser apenas folclore local. Não é muito conveniente acreditar nessas plaquinhas de locais turísticos com informações arqueológicas.

Imagem que encontrei em um templo local - 
acho que Guanyn

Depois desse momento, não sei precisar quando, ela se tornou uma confluência de rotas comerciais nessa região montanhosa de Hunan. Seu nome original era Wangcun, e esse nome me ajudou a procurar hotéis e passagens sem cair na Furong errada. É que existem outras cidades com o mesmo nome. Para não errar eu procurava “Furong (Wangcun)”.

Bom, nesses tempos antigos foi se construindo a cidade ao redor da cachoeira. E isso é o mais impressionante dela: a cidade está toda ao redor da cachoeira e ela cumpre um papel central. Se eu usasse um pouco da mitologia Quéchua ou Aymara, diria, com facilidade, que a cachoeira é o Apu que protege a todos que por ali habitam.

Ao longo do tempo, a cidade constituiu-se como uma vila rural, estagnada no tempo, ao menos para os padrões de hoje, que exigem um “desenvolvimento” crescente e linear. Acho que, ao invés de estagnada, posso dizer que ela estava lá, de boa, vivendo sua vida… com suas construções características e com o povo local sobrevivendo como costumam fazer as vilas rurais, com uma agricultura voltada à subsistência e algum comércio daí derivado.

As ruas de furong, à noite.

E quando foi o ponto de virada para Furong se tornar o destino turístico bombástico de hoje? Foi em 1986, com o lançamento do filme Hibiscus Town. Esse filme fez grande sucesso na China, e o governo aproveitou a oportunidade: reformou casas, incentivou empreendedores locais, montou passarelas e criou a iluminação que caracteriza a cidade nos dias de hoje. As casas não apenas foram reformadas, muitas foram mesmo melhoradas para criar o cenário. Aliás, muitos sites tratam Furong como uma “cidade cênica”.

Posso imaginar que, a partir daí, com o crescimento do turismo, veio o processo de sempre: muita gente visitando, população local vendo a chance de ganhar dinheiro, gentrificação. O que li aqui é que esse processo ocorreu nos últimos 30 anos, mas, diferente do que vemos normalmente, foi conduzido pelo Estado. Resultado: um lugar visualmente preservado e economicamente ativo. Foi, ao menos parcialmente, transformado em “cenário habitado”, e os benefícios foram para a população local que decidiu empreender. Para outros, o que ocorre nesses casos de gentrificação: custo de vida mais caro e perda de qualidade de vida.

ela não posou para mim, mas eu
siaproveitei...

Mas… visitar Furong é maneiro? Vale a pena? Pois eu diria que sim, vale muito. Olha essa foto ao lado, não é uma cena incrível de se ver? 

A despeito do artificialismo que essa onda turística traz, em quase todos os lugares em que se instala, ela é lindíssima. Visualmente impactante, tanto de noite quanto de dia. Ficamos menos de 24 horas, mas eu ficaria dois dias facilmente. Ou mais, se fosse para explorar outras coisas na região. Fazer o que fizemos, jantar em um dos restaurantes que te dão uma vista panorâmica da cachoeira iluminada, emoldurada pelas casas com aquele estilo imperial chinês, salpicadas de luzes, é um visual imperdível. Sem dúvida, uma das cenas mais bonitas que já vi na vida. E a palavra “cênica” que eles costumam usar se encaixa perfeitamente. O visual é isso mesmo, cênico. Depois do jantar, caminhamos para lá e para cá, entre restaurantes e lojinhas. Ana e Helena foram fazer uma massagem nos pés, insistentemente oferecida por aqui. Eu fui caminhar na parte mais baixa da cidade.

A China aposta muito no turismo. Mas o que bomba mesmo é o turismo interno. Temos encontrado ocidentais, sim, mas a maior parte dos turistas são chineses. E os chineses gostam de ver o que nós também gostamos, ou ao menos esperamos ver na China. Muitas luzes, arquitetura imperial, com seus simbolismos e simetrias.

A arquitetura de Furong Ancient Town não é exatamente imperial. Mas, para um leigo como eu, se aproxima. Casas todas de madeira, meio “penduradas” na encosta e apoiadas em palafitas, acompanhando o desnível do terreno e a proximidade da água. É simples, tradicional e integrada à natureza. Claro que, a essa altura, está claramente preparada para o turismo: tudo muito bem cuidado, como eu já comentei, com lojinhas, passarelas e uma iluminação caprichada que, à noite, transforma o lugar quase num cenário de filme, com luz quente nas fachadas e a cachoeira iluminada ao fundo. E dá para ver como os chineses gostam desse tipo de cenário — o lugar fica cheio, muita gente passeando, tirando fotos, fazendo vídeos, curtindo cada cantinho, como se fosse um grande cartão-postal ao vivo. Chineses e nós também... curtimos muito o visual e tiramos fotos, muitas fotos!

Hoje de manhã, depois de uma agradabilíssima noite no correto Ximu Hotel, fomos caminhar brevemente para fora da parte da cidade em que se paga para entrar. Segue sendo bonitinha mesmo no “além-muros”. Helena comprou um café em uma rede de cafés locais chamada Luckin Coffee (leiam depois sobre a sacada chinesa para concorrer com Starbucks), e eu fui atrás de comidinhas locais. 

Onde tomamos nosso café da manhã

Provamos quatro coisas diferentes, apontando com o dedo, e gostamos. Não adoramos, mas gostamos. Ficamos quase uma hora por ali, vendo a destreza da mulher manejando suas panelas e servindo as pessoas de forma customizada e com uns hashis grandões. Uma onda. Fui a um mercado ao lado e comprei uma bebida tipo Yakult para acompanhar. Não gostei, mas estava boa! Ou não estava boa, mas eu gostei!

Depois, Helena e eu fomos fazer o mesmo caminho que fiz sozinho ontem à noite: descendo e indo até a cachoeira, passando por uma passarela por trás dela. Foi legal fazer duas vezes, uma de noite, outra de dia. De noite, o impacto visual é maior, com o show de cores e luzes. De dia, segue linda, e com um ar mais autêntico, mais natural.

Não falei do jantar, vou mencionar: quatro pratos locais — um com peixinhos e camarões salgados e fritos, salsinha (folhas e talos) e algumas outras coisinhas não identificáveis… um salteado de carne de gado, um tofu defumado e outro de berinjela salteada. Comi bem minha carne, a berinjela estava muito boa, os outros dois pratos sobraram, não fizeram muito sucesso.

Acho que é isso que vou contar de Furong, mas a crônica ficou aquém da cidade. Na verdade, sempre fica. Meu compromisso é caminhar e contar, mas nunca foi contar tudo.

Saímos às 12h30 de carro, em direção a Zhangjiajie. Vi preços e possibilidades, optamos por um carro que nos levasse porta a porta. Estou terminando de escrever este post já aqui, do excelente Pullman Hotel, em Zhangjiajie. Depois conto por que viemos para cá!

Outro templo, outras imagens


Domingo de manhã, show na praça.
Um chá de manhã cedo, antes de sair do quarto.


De noite, por trás da cachoeira
Aspecto da cidade, à noite.

Linda por qualquer ângulo.

Descendo para passar por trás da cachoeira.

Cjhegando no hotel, quase meia-noite, visual da janela do corredor.



sábado, 4 de abril de 2026

Chongqing, 02 a 04 de abril de 2026.

 

Chongqing, iluminada

Já estamos na quarta cidade desta nossa viagem pela China. Em Pequim, senti que estava visitando a China, em Xi’an percorrendo sua história. Em Chengdu, andamos de mãos dadas com ela. Desço do carro que nos levou da estação ao Hotel, o bom Mercure Chongqing Jiefangbei Hongya Cave, e sinto, nitidamente, que, agora, estamos sendo engolidos pela China. Que cidade é essa?

Envolvido em certa dose de agitação, turbinados pelo fervor das ruas, só deixamos nossas coisas no hotel e saímos para caminhar. Na saída do elevador cumprimentamos, outra vez, já os tínhamos visto em Chengdu, os simpáticos robozinhos responsáveis por levar comida aos quartos. 

Chongqing é conhecido pelas suas ruas íngremes e escadarias espalhadas pela cidade. Estávamos preparados. O hotel, muito bem localizado, leva no próprio nome “Hongya Cave”. É um lugar considerado de visita obrigatória. Um conjunto de edifícios em estilo tradicional, construído em vários níveis na encosta, que abriga restaurantes e barracas de comida, lojas de lembrancinhas, roupas tradicionais, sorvetes, sucos, iogurtes, e sei lá mais o que. Saímos do hotel, descemos uma escada, chegamos no Hongya Cave, descemos, entre escadas e escadas rolantes, nove andares, saímos na rua lá embaixo. Essa cidade é toda em desníveis, e é isso que a faz famosa.

Li um pouco para entender, e descobri que Chongqing é toda “em camadas” por causa da geografia original do lugar – o que tem um quê de óbvio. A cidade fica no encontro dos rios Yangtzé e Jialing, numa região cheia de morros, encostas íngremes e vales profundos, na borda da Bacia de Sichuan. Ou seja, quase não tem terreno plano. Em vez de nivelar tudo, como muitas cidades fazem, Chongqing cresceu se adaptando a esse relevo — construindo por cima, ligando alturas diferentes e aproveitando cada espaço. Por isso ela parece uma cidade em vários andares: ruas que sobem e descem, prédios com entradas em níveis diferentes e uma sensação constante de verticalidade. Isso, somado aos altos prédios, às luzes e luzes e à tecnologia, confere a cidade o título de “futurista".

Minhas companhias em Hongya Cave

Nós gostamos médio de Hongya Cave. Maneiro de ver, mas é muita gente, confuso, muita gente, produtos de qualidade duvidosa, muita gente. O corretor diz que eu repeti “muita gente”. Fazer o quê? É muita gente... Depois de passar umas horas ali, descer e subir, nos dirigimos à região de Jiefangbei, que funciona como o “centrão” de Chongqing. É aquele ponto para onde todo mundo vai: ruas cheias, estilo calçadão, muita gente circulando, lojas, shoppings enormes e prédios modernos com luzes e telões por todos os lados. Não tem cara de centro histórico, é bem mais contemporâneo — lembra uma espécie de Times Square chinesa, ou até uma mistura de Paulista com shopping de luxo, só que em escala gigante. As marcas mundialmente famosas fazem todas ponto nesse local. É onde sentimos a cidade pulsando de verdade, passamos por ali algumas vezes e vimos movimento o tempo todo e uma energia bem intensa. Quando passamos por ali depois das dez da noite, em frente a uma imagem enorme do Garfield, cidade viva e iluminada, muitas crianças brincando na rua, Ana soltou um espontâneo “uai, as crianças nesse país não dormem não?”. Nesse país não sei, mas nessa cidade parece que não...

Devy World

Seguimos caminhando por Jiefangbei, depois de uma parada para descanso em um café (precisava de uma cafeína) em um dos tantos Starbucks que vimos, e fomos entrando em ruas cada vez mais iluminadas e cheias de movimento. Tínhamos chegado ao Deyi World. É uma caminhada curta, mas nos leva a um ambiente mais concentrado, como fechado pelos prédios altos, cheio de bares, letreiros piscantes e passarelas em vários níveis. Vimos um grupo de k-pop chinês fazendo sua performance e sendo profissionalmente filmados. Todo o ambiente é uma onda. Helena nos levou a um bar descolado, o Flavour Lounge, e pagou um drink caro para papis e mamis. Viu que ter filhos tem suas vantagens?

Sentiu a intensidade desta cidade? O que contei até agora é parte do que vimos em uma tarde-noite.

Dia seguinte começou com o café da manhã no hotel. Vou aproveitar para contar para vocês que a oferta de comida é algo absurdo. Em parte, porque esses bons hotéis buscam oferecer um desjejum ocidental, além do comum para eles. E o que é comum para eles? Não sei descrever tudo. Mas é tipo comida almoço, com dumplings, noodles, arroz frito, sopas, carnes variadas, muitos ovos – por exemplo um ovo escuro, cozido em chá. E mais coisas, como disse, não sei descrever tudo. Em parte, também, porque a nossa impressão é que chinês come muito. Muito. A cena era de mesas cheias de comida, muito barulho, a galera se alimentando como se fosse a última vez e também deixando muita coisa para trás. A sensação, me atrevo a dizer, é de um acesso recente a fartura, como se ainda não soubessem lidar bem com ela.

Que onda, né?

Depois disso fomos, de metrô, visitar o metrô. Não um metrô qualquer, mas aquele famoso, que passa dentro de um prédio, vindo de um viaduto super alto. Nunca ouviu falar? Fica na estação Liziba. Ali, os trilhos simplesmente atravessam um edifício residencial no meio, outra vez conferindo esse visual futurista à cidade. Detalhe: não é improviso. O prédio foi projetado com o metrô integrado, com isolamento acústico e estrutural para reduzir ruído e vibração. Isso tem tudo a ver com Chongqing e seu relevo cheio de desníveis e pouco espaço plano — então, em vez de desviar, eles incorporaram a linha ao próprio prédio. Virou uma solução de engenharia prática… e um dos cartões-postais mais curiosos da cidade. Muita gente visitando e, claro, lojas e ambulantes aproveitando a multidão. Vou colocar algumas fotos abaixo para vocês visualizarem melhor a cena.

De tarde, fomos a dois lugares que curtimos muito. Primeiro, o Luohan Temple. De cara, o contraste surpreende muito: no meio do centrão de Chongqing, cercado por prédios e movimento, entramos em um templo silencioso, cheio de incenso e calma. Esse templo se caracteriza por possuir centenas de estátuas dos arhats (discípulos iluminados de Buda), todas diferentes, que dão vontade de ficar olhando uma por uma. É um espaço que fico em dúvida em afirmar se é simples ou sofisticado. Acho que a sofisticação normalmente mora na simplicidade, né? Então, está respondido! E é, sim, muito autêntico, o que nos fez sentir, mesmo estando lotado, uma agradável sensação de pausa no meio do caos da cidade.

Aspecto do Templo

Depois do templo, seguimos caminhando e encontramos a região que identifiquei como Eling. Vimos um comércio local, pessoas locais, um belo mercado. Ficamos um tempinho admirando as bancas com folhas, carnes, raízes e, principalmente, uma banca com cogumelos medicinais. Nessa região vimos também restaurantes de Hot Pot, a comida muito típica que provamos em Chengdu e não nos animamos a comer outra vez.

Em meio a Eling, nos deparamos com Testbed, uma antiga área industrial transformada em espaço criativo, com cafés, lojinhas e galerias. A arquitetura é preservada, tem cara de antiga, mas com toque moderno. Bem legal. Por ali vimos uma Pizzaria Napolitana que não fomos, mas ficou rodando nossos sonhos de consumo boa parte da viagem. Não resistimos a provar macarrones em uma pâtisserie francesa bem bonita. E vimos outras lojas e cafés com esse tom ocidental, misturado ao que é mais local.

Esse canto da cidade foi muito legal de ver, nos fez sentir uma atmosfera bastante autêntica de Chongqing.

Depois de uma breve pausa para recuperar energias, no hotel, saímos, no início da noite, de metrô, para o lado oposto do rio, em relação ao que estávamos. 

O objetivo era ver a cidade iluminada de um ponto privilegiado. E valeu muito a pena. Visual incrível. Voltamos caminhando pela ponte, tudo muito bonito. Aí começou a saga de onde comer. Nos apetecia algo mais ocidental, procuramos, andamos, não deu nada certo, fomos enganados até pelo ChatGPT e adivinhem onde acabamos comendo as onze da noite? Em um MacDonald... sim, isso mesmo. Por favor, me lembrem de apagar essa parte, fica meio feio publicar isso...

Voltamos para o hotel, ainda em meio a luzes e gentes, felizes pelo dia superintenso e com um gosto amargo na boca pelo jantar.

No dia seguinte, para terminar nossa estada em Chongqing, fomos ver a Kuixinglou Square. Essa praça mostra bem como Chongqing é uma cidade meio “fora da lógica”. Você acha que está no nível da rua, caminhando normalmente, mas na verdade está no topo de um prédio, com vários andares lá embaixo. É aquele tipo de lugar que dá um nó na cabeça no começo, porque o “chão” nem sempre é o chão de verdade. Estávamos em uma praça, entramos em um prédio, descemos 24 andares, chegamos em outra rua. Essa é uma característica marcante da cidade. Não que na tua cidade não possa ter um prédio onde você entra pela porta, desce dois andares, sai pela garagem e chega na rua. A lógica é a mesma, mas em Chongqing isso rola em potências altíssimas.

E É isso que vou contar dessa cidade. Teria mais, mas fico por aqui. Agora, já no trem em direção a Furong, uma pequena cidade que, dizem, é de uma beleza única. Veremos!


Aspecto de Hongya Cave

Grupo de K-pop chines perfermonando
nas ruas

Visual da noite em Chongqing

Cogumelos medicinais

Mercado de bairro em Chongqing - Erlin

Lojinha d ebairro - patos, galinhas, 
pombos, ovos...

Arharts - cada um diferente do outro!

Jiefangbei

O metrô chegando no prédio


O metrô atravessando prédio

O metro sendo engolido pelo prédio