
Praça Grande de Sighisoara
A viagem de carro de Sighișoara para Sibiu foi mais um
dia de mergulho na Transilvânia.
Essa ideia de optar por conhecer uma região de um país é
muito legal. Mais na linha do “turismo lento” e não do estilo “turismo fúria
indomável”, que vai de check em check nos lugares recomendados pelo ChatGPT.

Catedral de São Miguel - a maior e
mais antiga do país
Tenho implicância com termos tão usados no mundo das viagens,
como “fazer”, referindo-se a um país ou cidade, e “lugares de interesse”.
Conferem um caráter produtivista a uma viagem de passeio, que deveria ser
emoldurada pelo enlevo gerado pela observação e pelo aprendizado do novo.
Chatice minha.
Dito isso, desviamos um pouco do caminho mais óbvio entre
Sighisoara e Sibiu para “fazer” Alba Iulia. Hahaha.
Essa é considerada uma das cidades que devem ser visitadas na
Transilvânia. Um dos pontos que desperta interesse é o fato de que, em 1918,
foi nela que se proclamou a união da Transilvânia com o Reino da Romênia,
momento no qual, de certa forma, surge o que hoje chamamos de Romênia.
Estacionamos ao lado da antiga cidadela, a Alba Carolina, uma
impressionante fortificação que concentra boa parte do patrimônio histórico da
cidade.
O mais interessante foi visitar as duas igrejas: a Catedral
da Reunificação — ortodoxa, construída ‘há pouco’ entre 1921 e 1922, no local
ligado à memória da unificação da Romênia, e a Catedral de São Miguel —
católica romana, uma das construções medievais mais importantes da
Transilvânia, iniciada no século XI e reconstruída e ampliada ao longo dos
séculos.
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| Al inda Catedral Ortodoxa Romena de Sibiu |
Muito legal vê-las praticamente lado a lado, dentro da mesma
cidadela, representando tradições religiosas que podem ser consideradas mais ou
menos próximas e momentos históricos muito diferentes: a ortodoxia romena de um
lado, e o catolicismo ligado à história medieval da Transilvânia de outro.
Depois de umas horinhas em Alba Iulia, rumamos para Sibiu. A
estrada seguiu parecida, passando por pequenas cidades, com suas casas típicas,
e por campos cultivados com girassol, alfafa, milho e pastagens. Vimos algumas
estruturas grandes, que indicam o cultivo de lúpulo.
Chegamos a Sibiu, fizemos check-in no Mercure Arsenal e fomos
caminhando até a cidade antiga, cerca de 1,5 km. Caminho agradável, com
destaque para uma igreja ortodoxa que estava no trajeto, lindíssima por fora.
Por dentro, não conferimos.
E a praça seca de Sibiu é linda! Gostamos muito, passamos por
ela várias vezes durante esses dois dias, tendo parado em três dos restaurantes
que a rodeiam, para beber e/ou comer alguma coisa.
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| As casas com 'olhos' |
Caminhar pela cidade, e não digo apenas pela parte antiga, é o programa por excelência em Sibiu. Que cidade bonita! Clima agradável, em qualquer sentido que você queira dar à palavra “clima”. Ao menos nesses dias, a temperatura estava amena.
Destaque para as casas com “olhos”, as janelinhas dos sótãos
feitas em um formato que, de fato, dá a sensação de que as casas estão nos
olhando.
Outro destaque foi a visita ao Museu Astra. Que lugar! Fica
relativamente perto do centro. É um parque enorme, todo arborizado, onde estão
instalações que nos remetem à Romênia rural, às suas diferentes etnias e aos
seus modos de vida.
As instalações vieram de diferentes partes do país e foram remontadas no museu.
Ou seja, vemos uma casa, uma pequena propriedade camponesa, um moinho movido a
vento ou a água, e tudo tem nome e sobrenome: de onde e quando veio, a quem
pertencia.
Um luxo o lugar, ainda mais pensando que Ana e eu somos
agrônomos e valorizamos todo esse modo de vida camponês. Ter andado por
pequenas cidades romenas e depois ver esse museu nos trouxe um deleite a mais.

Uma vila do interiro do país, reproduzida no Museu Astra
Eu havia lido que é necessário um dia inteiro para visitá-lo.
Me pareceu exagero… mas não é. Ficamos por três horas, com a sensação de que
deixamos de ver muita coisa.
Deixa-me comentar sobre a comida: muitos restaurantes
romenos, outros austro-húngaros, muitos italianos. Vimos apenas um japonês. Ana
tomou muitas sopas, característica da região; eu fui por pratos mais
camponeses, por várias razões. Muita carne de porco, ovos, embutidos, muita
polenta também, o que eu não esperava. Ontem, meu prato foi polenta, dois
pedaços, nem mole nem frita, com carne de porco, linguiça e uma saladinha com
chucrute e tomates. Gostosinho. Algo que eu poderia comer nas zonas rurais
latino-americanas também, talvez com exceção do chucrute.
E essas foram nossas 48 horas em Sibiu, a cidade com olhos.
Gostamos muito. Amanhã retornamos a Bucareste, apenas para dormir, mas com
expectativa de boas surpresas no caminho, e seguir para Madrid. Vou contando.
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| Mais um aspecto da Praça Grande de Sibiu |
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| Que lugar agradável para beber algo. |
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| Tochiturã: linguiça, carne de porco, polenta, ovo e cebola |
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| Reprodução do modo de vida do meu povo no Museu Astra |
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| Interior da Igreja Ortodoxa de Madeira de Bezded - Museu Astra |
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| Igreja Ortodoxa de Madeira de Bezded - Museu Astra |
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| Paiol para armazernar grãos. |
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| Máquina a vapor portátil |
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| Interior de uma casa romena no interior - século XIX |
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| Casa de uma prorpeidade rural na romenia - século XIX |

















































