Pesquisar este blog

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Guimarães, Barcelos e Porto, 11 a 14 de fevereiro de 2026.

 

Centro Histórico de Guimarães

A chegada em Guimarães não foi das mais animadoras! Fim de tarde, chovendo… O hotel, bem localizado, não nos causou boa impressão à primeira vista. Chama-se Hotel Toural. Fizemos o check-in e saímos para caminhar no centro histórico. Frio e chuva fina; pegamos o lado errado, não achamos muito interessante. Já no final da caminhada começamos a ver os locais que são considerados pontos de interesse e nos animamos um pouco. Paramos em um bar (Coconut), tomamos um vinho e comemos bolinhos de bacalhau e bolinhos de alheira. Nos animamos mais um pouco, mas, às sete e meia, já estávamos no quarto. Hahaha, animação curta, né? Normal, raramente saímos à noite.

Castelo de Guimarães

No outro dia, já em paz com o hotel — na verdade, bem correto —, fomos passear pelo roteiro básico do centro histórico, no que podemos chamar de miolo medieval de Guimarães. Aquele turismo chatgpt, saca? Passamos pelo Largo da Oliveira, pelo Padrão do Salado, vimos por fora a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira e caminhamos pela simpática Rua de Santa Maria em direção ao Castelo, passando pelo Paço dos Duques de Bragança.

Pagamos para entrar no Castelo, cinco euros por cabeça, demos uma volta pelas muralhas e viajamos na paisagem. O Castelo foi fundado em meados do séc. X, curiosamente por uma mulher, a Condessa Mumadona Dias. Ele está associado à formação do que hoje conhecemos como Portugal, sendo uma das razões de Guimarães ser conhecida como o berço do país. Mas o que gostei mesmo foi de participar da Batalha de S. Mamede, travada em 24 de junho de 1128, perto do Castelo. Essa batalha, liderada por Dom Afonso Henriques, permitiu o levantamento do cerco de Guimarães. E eu estava lá! Como eu participei? Através de uns óculos de realidade virtual, fui para o campo de batalha! Paguei seis euros, barato para viver meus oito minutos como um cavaleiro medieval.

Caminhos na Penha

Depois, esgotado pelo meu esforço, pegamos o carro e fomos até o Santuário da Penha. Fica no alto do morro que leva o nome da mesma santa. O que mais gostamos ali foi caminhar entre as muitas e enormes pedras que caracterizam o lugar, já que a paisagem não estava tão descortinada para vislumbrarmos o horizonte. Outra vez, fez-se presente a marca dessa viagem: passeio bacana, mas com certa dose de frustração pela frequência da chuva, do frio e do vento!

Descemos da Penha e procuramos um lugar para comer. 

O magnata na Adega dos Caquinhos!
Achamos: “Adega dos Caquinhos”. Recomendo, fácil! 

Entrada de pão, presunto, queijo e azeitona (natural, não em conserva) e um prato de bacalhau com molho de tomate e batata. Bebemos uma garrafa de vinho local. Não era lá essas coisas, mas estava muito bom… É que nem tudo nessa vida se resume a corpo, retrogosto, notas de chocolate ou taninos maduros! 

Isso é o que vou contar de Guimarães. Achamos a cidade interessante, mas a sensação, possivelmente devido ao clima, foi de dois dias lúgubres, escuros, não tão agradáveis.

Na sexta-feira, dia 13, saímos do hotel em direção a Braga, para devolver o carro e pegar um trem para o Porto. Mas… mudamos a rota. Descobrimos, só no momento da devolução, que poderíamos entregar o carro no Porto. Decidimos então ir conhecer Barcelos. Sim, essa mesma, famosa pelo Galo de Barcelos! Cidade pequena e agradável. Curioso: estava chovendo também, mas não ficamos com a sensação de que Guimarães nos deu; achamos o astral mais claro e fresco.

Barcelos tem galo para todo lado: nas praças, ruas e lojas! Reza a lenda que um peregrino foi injustamente acusado de um crime. Como prova de sua inocência, afirmou que, na hora do seu enforcamento, o galo assado cantaria. E não é que cantou? Pois eu acho que, se o galo assado cantou e salvou o peregrino da morte injusta, mais do que justo que a cidade renda todas as homenagens a esse digníssimo galináceo! Você não acha?

Digno de nota foi o lugar em que almoçamos em Barcelos. Chama-se Escondidinho. Olhamos a cara e era do jeitinho que gostamos: cardápio escrito na parede, pratos do dia, frequentado por locais, nada de menu em inglês ou francês. Golaço! Tomamos sopa e eu pedi alheira, que veio em formato “prato feito”, com batata frita, arroz e ovo. Ana comeu um pouquinho do meu prato; bebemos vinho. Preço? 9,90 euros. A conta foi feita na própria toalha de mesa, de papel, como deve ser. Ah, os pedidos não foram feitos em tablet ou por rádio, mas sim no melhor estilo, gritando: “duas sopas, uma alheira, dois tintos”. Sou um velho, com uma alma antiga; adoro esses ambientes e momentos com cara de antigamente! 

A conta no  "Escondidinho"!

De Barcelos, seguimos para o Porto. Devolvemos o carro e, no fim da tarde, já estávamos hospedados no mesmo Mercure Porto Aliados dos primeiros dias. Bem bom!

Nesse fim de tarde de sexta-feira, fomos outra vez ao Mercado do Bolhão. Voltamos devagar para o hotel, passando pela Rua de Fernandes Tomás, onde vimos várias lojas antigas, com vinhos, presuntos, queijos, doces e outras iguarias portuguesas. Para quem é do Rio de Janeiro, do estilo da “O Lidador”. Em uma delas, “A Favorita do Bolhão”, pedi ao rapaz para me vender um vinho do Porto de 10/12 euros. Foi muito bom ouvi-lo explicando a razão de me indicar o que me indicou. A adega chama-se Vieira de Sousa, e a sugestão dele foi um Tawny. Depois conto a vocês se é bom! Na loja havia algumas garrafas cujo preço passava bem dos mil euros.

No jantar, optamos por voltar ao restaurante ao lado do hotel, “A Lagareira”, para comer outra vez a francesinha deles. Original, feita da mesma forma há mais de 70 anos. Já disse aqui e repito: uma delícia!

AGarrafeira

Sábado fomos agraciados com um tempo mais firme! Fazia frio, mas tinha sol, e passear no sol é sempre mais agradável. Andamos muito, mais de 15 km no total. Saímos do hotel, passamos pela Estação São Bento e subimos até o Largo da Batalha para ver uma pequena feira. De lá, seguimos pela Rua Santa Catarina, a mais famosa do centro do Porto. Passeio lindo; a cidade é toda agradável, com destaque para os detalhes da arquitetura portuguesa.

Chamou nossa atenção o Grande Hotel do Porto e uma placa que dizia ter D. Pedro II se hospedado ali em dezembro de 1889. Logo depois da Proclamação da República, possivelmente veio fugido, já destituído da função de imperador. Fomos cruzando ruas até chegar à Rua da Conceição, que me chamou a atenção por ter uma famosa rua do mesmo nome no centro de Niterói. Nela, achamos a loja mais legal de vinho de todas as que entramos: AGarrafeira. Muita onda! Grafa-se assim mesmo, tudo junto. No Rio de Janeiro tem uma, A Garrafeira, mas a coincidência está só no nome. Trocamos uma ideia com o proprietário, Manuel Vicente, que tem a loja há quarenta anos. Que estoque… Outra vez pedi um vinho, desta vez um tinto, de dez euros. Ele percorreu o olhar, pensou e me ofereceu um tinto da região do Douro, da Quinta do Estanho, por 8,50 euros. Só lamentei não ter lugar na mala para uma caixa.

Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau -
nela, achamos Pessoa e um altar com a 
primeira edição de "Mensagem"!
Esse trajeto tinha como objetivo outra feira, chamada Mercado Porto Belo. Fica perto da Igreja do Carmo, que vimos também só por fora, com sua famosa lateral toda azulejada. Do outro lado da rua, a Universidade do Porto. Caminhamos até a Torre dos Clérigos, onde Ana matou a vontade de comer um bolinho de bacalhau com vinho do Porto. 

Descemos outra vez em direção ao hotel, pois eu queria ir a um restaurante que apareceu para mim no Instagram como muito característico. Chama-se “O Buraco”. Gostamos da cara dele, entramos e comemos um bacalhau à moda da casa, uma posta alta, frita, acompanhada de batatas chips, cebola e muito azeite. Curtimos!

A vontade de aproveitar o sol era grande; por isso seguimos caminhando até a Ribeira, sem dúvida o local mais icônico da cidade. Fomos pela Rua das Flores, passamos pela beira-rio, tomamos uma cerveja em uma mesa virada para o rio, em um sábado à tarde com muita gente passeando. Foi bom ficar vendo o movimento, mas quase não dava para curtir o Douro, encoberto pela multidão que andava para lá e para cá.

O sol se foi, esfriou. Regressamos pela Av. Mouzinho, devagarinho, outra vez admirando a cidade e sua belíssima arquitetura. Pronto, viagem encerrada. Ou quase… Ainda tivemos tempo de jantar um belo sorvete na sorveteria em frente ao hotel e uma taça de vinho tinto. Combina? Eu até acho que sim…

Era isso sobre essa breve e molhada estada em Portugal. Amanhã regressamos: saímos de madrugada do hotel, viajamos o dia todo e chegamos de madrugada em casa. Que assim seja!

Ribeira - no fundo, o Douro!

Início da Rua das Flores.


Achei cadeira e sol no Mercado Porto Belo

Entrada na Adega dos Caquinhos

Adega dos Caquinhos, Guimarães


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Chaves e viagem a Guimarães, 09 a 11 de fevereiro de 2026.

Ponte Trajano
Chaves é uma importante cidade de Trás-os-Montes. Essa região, que já foi uma província, ao nordeste de Portugal, é uma das mais características do país. Tem até língua própria, o mirandês (falado em Miranda do Douro), tem raça autóctone de gado, clima rigoroso, alternando calor e frio, e uma culinária bastante característica, que alguns afirmam ser a melhor de Portugal. Meu desejo de conhecê-la veio de um texto de Miguel Torga, natural destas terras, que escreveu assim:

Foto tirada entre Braga e Chaves

“…E são outra vez serras, até perder de vista. 
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio avexa, crescem as cepas como os manjericos às janelas. Em setembro, os homens deixam as eiras da Terra Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo…”

Esse belíssimo texto sempre me emocionou e, como eu disse — e não exagero —, é ele que me trouxe para cá!

Nosso programa original era ficar mais dias entre Bragança (nas chamadas “terras frias”, mais altas) e Chaves (considerada o “coração de Trás-os-Montes”). O clima não deixou: a chuva anda provocando estragos e assustando moradores, e achamos melhor respeitar os avisos meteorológicos e sermos cuidadosos. 
Ruas de Chaves


Mas o pouco que vimos já valeu! Pelas estradas que percorremos, vimos mesmo muitos afloramentos rochosos, no linguajar agronômico. Como disse Torga, é muita pedra; “não se vê de que maneira esse solo produz pão e vinho”… Na verdade, não vimos trigo — não é época —, mas vimos muitas vinhas e olivais.

Chaves é uma cidade muito bonitinha, agradável e acolhedora. Sentimo-nos muito bem tratados por onde andamos. O que fizemos? Vimos os principais pontos de interesse, como igrejas, a Praça Camões e o castelo. A Rua Direita é muito agradável. Acho que o mais legal que vi foi a Ponte de Trajano, construída sobre o rio Tâmega entre o final do século I e o início do II d.C., no reinado do imperador romano Trajano. Tem 150 metros de comprimento e, atualmente, possui 16 arcos visíveis. O legal é que, com toda essa história, ela é totalmente integrada ao cotidiano da cidade, com pessoas passando sobre ela como simples meio de circulação. É como comer todo dia no prato que está na tua família há muitas gerações. É a história cruzando o cotidiano, fazendo-nos refletir sobre quem estava aqui quando nós não estávamos, o que faziam e como viviam. É o passado permeando o presente e não apenas decorando a parede. Sempre gosto de ver cenas como essa!

Ibis Styles Chaves
A presença romana na região não se nota apenas na ponte. No muito correto hotel em que nos hospedamos, o Ibis Styles Chaves, no restaurante onde é servido o café da manhã, pode-se ver, sob o chão, através de pisos de vidro, restos das termas de Aquae Flaviae, uma importante cidade termal do Império Romano. Sim, Chaves tem águas termais que também atravessam os tempos e, hoje de manhã, quarta-feira, fomos conhecê-las. Muito legal. Fazia frio e chovia, mas ainda assim adoramos as piscinas exteriores com suas águas aquecidas, os banhos sensoriais, a sauna e o banho turco. A entrada é paga; existem dezenas de pacotes e preços, mas o valor se justifica. Espetáculo!

Outro programaço que fizemos foi ir até a aldeia de Romeu, perto de Mirandela, ontem à tarde. Essa região pertence às chamadas terras quentes, mais baixas. Viajamos por pouco mais de uma hora, de Chaves até Romeu, como uma maneira de ver algo mais da região. Mas… o objetivo mesmo era ir almoçar no restaurante Maria Rita, considerado uma das sete maravilhas gastronômicas de Portugal. Valeu a viagem? Valeu, sim! Comemos bacalhau à Romeu; de entrada, umas alheiras (os famosos embutidos de Mirandela) e bebemos um vinho produzido ali mesmo na vila. E ainda provamos azeitonas e um azeite de oliva biológico, também produzido em Romeu, que mais de uma vez ganhou o prêmio de melhor do mundo. Comida muito boa, mas, na verdade, curtimos ainda mais o cenário do restaurante e da vila. Casas de pedra, ambiente bucólico/rural, uma certa atmosfera medieval, cercada por vinhas e olivais. 
Interior do Maria Rita

De Chaves viemos para Guimarães, onde acabamos de chegar. Chuva intensa na estrada toda, que nos impediu de conhecer o que programamos. Passamos em frente ao Palácio Vidago, na cidade de mesmo nome, construção do século XIX, que hoje abriga um hotel de luxo, com spa e campo de golfe. Lindo de ver, mas não pudemos nem descer do carro.

Depois, paramos para almoçar na simpática Vila Pouca de Aguiar, no restaurante MA.LE, recomendado pelo Google. Pedimos os pratos do dia e vinho da casa. Completamos com doce da casa (famosa sobremesa portuguesa) e café. Muito bom. O preço total de 21 euros também agradou muito. Sabe o que achamos também? Restaurante cheio, mas com povo da cidade, sem turistas. Sim, isso mesmo: somos turistas, mas não gostamos de turistas!

Amanhã conto sobre Guimarães, conhecida por ser o berço de Portugal!

Aldeia de Romeu

Castelo de Chaves


Termas de Chaves

Termas de Chaves

Bacalhau à Romeu

Aldeia de Romeu

Rua Direita, Chaves

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Braga e viagem para Chaves, Portugal, 08 e 09 de fevereiro de 2025.

 

Av. da Liberdade, Braga.

Saímos do Porto em direção a Braga, de trem, às 11h30 de domingo. Foi tempo de tomar café da manhã, arrumar a mala e ir para a estação São Bento aguardar a chegada do comboio. Na verdade, parece mais um metrô: são muitas paradas, a cada 3/4 minutos, por uma zona quase mais urbana que rural. Bonito trajeto; uma hora depois, estávamos em Braga. Fizemos o check-in no Hotel Mercure e saímos para passear pelo centro. Caminhamos em uma tarde fria e nublada de domingo, que se fez chuvosa depois das 16h. 

Gente, musica, baile e.. coreto!

Mas pudemos ver e admirar os pontos mais conhecidos da cidade, como a Avenida Central, o Jardim de Santa Bárbara, o Arco da Porta Nova, a Igreja da Sé e a Praça Municipal. Esta última, com bastante movimento do meio da tarde para frente, principalmente ao lado do coreto, com músicos locais tocando canções portuguesas (tipo Roberto Leal, para quem é deste tempo…), com a população local cantando e dançando alegremente, parecendo querer espantar o frio e colorir o cinza do céu. Quando começou a chover, esse grupo encontrou um ponto protegido e, literalmente, seguiu o baile!

Nessa hora da chuva, Ana e eu fomos nos abrigar no Café Viana. Tido como o mais tradicional da cidade, uma placa na entrada avisa que ele foi frequentado por Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco. Não poderíamos perder a oportunidade! Pedimos duas taças de vinho e alguns bolinhos de bacalhau, vimos o tempo passar e o clima se acalmar. Caminhamos mais um pouco, passamos em um supermercado, nos abastecemos do básico e, antes das seis, já noite, estávamos no hotel.

Ontem, segunda, o dia amanheceu com uma chuva que não dava sinal de que iria parar. Decidimos alugar um carro e vir para Chaves, cumprir um dos objetivos da viagem, que era conhecer a região de Trás-os-Montes.

Escadaria de Bom Jesus

Na saída, passamos para ver a escadaria do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga. Linda. Um conjunto barroco classificado como Património da Humanidade pela UNESCO. A simbologia guardada pela arquitetura revela uma espécie de caminho espiritual, no qual se mergulha ao percorrer seus 573 degraus. Chovia muito, mas fiquei me devendo subir essas escadas! Quem sabe rola quando formos devolver o carro?

Agora, sobre a viagem: muita chuva. Perguntei ao ChatGPT onde almoçar; ele me indicou um restaurante em Mondim de Bastos. O restaurante que ele indicou estava fechado… Viu? Nunca confie integralmente nos outros, diziam os antigos — verdade que também se aplica a essa inteligência que de artificial tem pouco e é, na verdade, “dos outros”. Bem, achamos um restaurante aberto, a Adega Regional Escondidinho. Comemos o prato do dia com o vinho da casa, como gostamos de fazer. O meu foi uma carne à alentejana, carne de porco frita com amêijoas, que se abrem no próprio molho, criando um sabor bem português — mistura de mar e campo. Interessante, não é? Estava bom. Não ótimo, mas bom.

Neblina... 

Depois do almoço, seguimos viagem para Chaves. Optei pelas estradas secundárias, como sempre faço. Só que, nesse caso, não deu tão certo. Subi uma serra, estrada estreita, chuva fina e muita neblina. Passamos por cidadelas lindas — o visual com certeza deve ser deslumbrante —, havia alguns miradouros que insinuam a beleza do lugar, mas a neblina não nos deixava ver nada, e a tensão na direção não foi muito agradável. 

Programamos essa viagem com a ideia de conhecer Trás-os-Montes, ver algo do Douro e do Minho. A chuva nos fez mudar rotas. Essa estrada com certeza é acompanhada por paisagens deslumbrantes; fica a dica, se você quiser conhecer essas bandas do planeta. Passei pela Serra do Alvão e por cidadelas como Gouvães da Serra e Parada de Monteiros. Quando descemos, passamos por Vila Pouca de Aguiar antes de chegar a Pedras Salgadas.

Mas a tensão passou, deu tudo certo. Para aliviar, demos uma parada em Pedras Salgadas, cidade onde há o Parque Termal de Pedras Salgadas e a fonte da famosa Água Pedras que, aliás, é saborosíssima. Tomamos um café com Água Pedras, claro, e seguimos viagem até Chaves, passando pela mítica N2, estrada que corta Portugal do Sul ao norte, desde o Faro até Chaves. Linda, viajar por toda ela deve ser “a viagem” a se fazer em terras lusitanas. O trecho que fizemos deu vontade de fazer caminhando, de tão bonita e agradável.

Chegamos ao hotel no fim do dia, mas sobre essa charmosa cidade eu conto no próximo post.

Restaurante em Mondim de Bastos.

Nascente da famosíssima Água Pedras

Café e Água Pedras


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Porto, Portugal, 05 a 07 de fevereiro de 2026.

Ribeira do Porto, vista desde Gaia


Chegamos no Porto na quinta-feira, dia 05. Viemos a puro passeio. Saímos do Brasil preocupados com o tempo em Portugal, que enfrenta nesse momento uma tragédia climática em muitas das suas regiões. Gosto de comprar as passagens mais caras, que nos permitem reembolso total. Desta vez não fiz isso, para economizar. Adivinhem? Me arrependi, pois tentei trocar a data e não consegui! Não vou falar mal da Latam, porque o upgrade para a classe executiva compensou a negativa em mudar a passagem. Viemos, mesmo em meio a estas sombrias previsões do tempo.

Porto, vista desde da Catedral da Sé

Para nossa surpresa, tivemos um tempo relativamente firme na tarde de quinta e na sexta-feira, com poucos períodos de instabilidade. Isso mudou no sábado, quando choveu e ventou muito. Bom, nessas condições, o que fizemos nesses dias?

Na quinta-feira, depois de nos hospedarmos no bem localizado Mercure Centro Aliados, fomos almoçar. Por indicação colhida no hotel, fomos ao Antunes. Muito bom! A quantidade de locais, mais velhos, no restaurante, já indicava a qualidade. Bingo! Eu comi um lombo de porco, a Ana foi de sopa e bolinhos de bacalhau. Azeitonas, torradinhas com manteiga e ervas e um vinho rosé completaram a mesa. Custo total: 24 euros. Gostamos muito, tanto da comida quanto do preço!

Depois do almoço, saímos caminhando em direção à Ribeira. Eu queria muito visitar o Rio Douro. O encontramos nervoso, alto, ameaçando invadir a calçada, o que de fato se concretizou nessa mesma noite. Mas a Ribeira segue linda, com suas casas coloridas, pegadas umas às outras, azulejos aqui e acolá, formando uma fachada única, emoldurada pelo rio. Do outro lado do Douro, completando a paisagem, a Vila de Gaia, com seu casario e com vinícolas de vinho do Porto à mostra, que parecem estar nos convidando para uma prova guiada de vinhos variados.

Ruas do centro da cidade

No meio da tarde, cansados, voltamos ao hotel. Inquieto, querendo ver algo mais, saí caminhando sozinho. Passei pela Catedral da Sé, desci as escadas e fui a Gaia, pela famosa ponte Luís I. Fui pela parte de baixo, mas assim que atravessei a ponte começou a chover. O jeito foi regressar ao hotel, uns 15 minutos caminhando na chuva, e reorganizar rotas.

Resolvemos jantar no próprio quarto. Fomos a um supermercado Pingo Doce, nos abastecemos de vinho, queijo, presunto, pão e chocolates. Nada mal!

Na sexta-feira, esperando muita chuva, fomos surpreendidos durante o dia com tempo seco e até sol! Aproveitamos tudo o que foi possível: tomamos café da manhã no lindo Mercado do Bolhão — vinho, sanduíche de bacalhau e pastel de nata. Bem bom… Depois, caminhamos longamente pela Rua Santa Catarina, visitamos a linda Capela das Almas, fizemos umas comprinhas, fomos à Estação São Bento ver seus belos azulejos e nos informar sobre horários de trem. Depois, seguimos para a Igreja Santa Clara. Pagamos 4 euros para entrar e não nos arrependemos. Ela é pequena, toda pintada a ouro, um verdadeiro espetáculo. Já era meio da tarde, estava frio, mas ainda assim resolvemos ir a Gaia, passando pela parte de cima da mesma ponte Luiz I. É bem alta, ventava muito, mas o visual compensou o desconforto causado pelo clima. Em Gaia, fomos a um pequeno mercado, em frente ao rio, com várias opções de comida. Tomamos uma sopa e fizemos uma degustação de vinho do Porto. Curtimos!

Show de Fado

Para terminar o dia, decidimos jantar ouvindo um fado. Consideramos esse um programa obrigatório em Portugal; o fado fala muito da alma lusitana, nunca me arrependo de ouvir um bom fado ao vivo. Fomos à Taberna Real do Fado. Menu completo, muito bom, sem bebida, 40 euros por pessoa, show incluído.

Ontem, sábado, ficamos a manhã toda no hotel, esperando a chuva acalmar. Tomamos um longo café da manhã, com direito até a espumante. Fui para a área de fora ler um pouco (Caim, de Saramago), ver a chuva e sentir frio. Momento para lá de agradável, de total enlevo! Ao longo dos anos, comecei a curtir muito o inverno europeu, a lufada de vento frio no rosto, a paisagem quase sombria. Tive algo disso nessa manhã e não achei nada ruim. Pelo contrário, gostei muito!

Saímos do hotel depois do meio dia e voltamos ao Mercado do Bolhão, passeamos outra vez pela Rua Santa Catarina e optamos por ir até a Livraria Lello. Eu já havia estado nela há trinta anos. É realmente linda; alguns dizem que é a mais bonita do mundo. Isso já não sei. Detalhe: tem que pagar para visitá-la! Amor aos livros? Não… mas não mesmo… é que ela é super instagramável. Primeiro, por sua beleza. Mas, principalmente, porque tomou conta das redes, há anos, a informação de que J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, teria se inspirado na livraria para descrever a biblioteca de Hogwarts e as suas escadarias. 

Ela negou, mas… Rowling morou no Porto de 1991 a 1993, o que reforça a ideia de que teria sim se inspirado na Livraria Lello. Bom, verdade ou não, fãs da série Harry Potter de todo o mundo formam filas significativas para entrar na livraria. Nossa opção foi por um tal ingresso gold, 16 euros por cabeça; não pegamos fila e tivemos direito a escolher um livro de bolso editado por eles mesmos. Beleza, o livro vale 6 euros, a visita 10. Vale? Pode ser que sim, e minha dúvida reside no fato de ela estar cheia, lotada, barulhenta, sendo difícil abstrair e curtir sua arquitetura. Mas que ela é linda, isso é. Muito! 

Fim de tarde e início da noite, hotel de novo. De noite, saímos para jantar; eu queria provar a “francesinha”, um sanduíche muito comum aqui no Porto, inspirado em itens da culinária francesa, como o croque monsieur. Fui comer uma tradicional no Restaurante Regaleira. Simplesmente delicioso. Recomendo muito!

Amanhã iremos a Braga, depois do belo café da manhã do hotel. Se o tempo deixar, de trem. Se não, de Bolt mesmo. Reservamos hotel para um dia lá, depois vemos o que o tempo nos deixará fazer.

Fim do café da manhã, livro, chuva e espumante

Igreja de Santa Clara

                                                                Mercado de Bolhão



terça-feira, 9 de dezembro de 2025

São Tomé, dia 06, e Lisboa, dia 07 de dezembro de 2025

 

Av, da Liberdade, fim de tarde

Sábado em São Tomé e Príncipe, domingo em Lisboa. Boa combinação. Ontem, acordei e comi meu mata-bicho. Hoje, foi um pequeno almoço. Amanhã, no avião, de volta para o Brasil, tomo um café da manhã.

Praia dos Tamarindos

Ontem, sábado, mais relaxado, trabalho quase terminado, acordei tranquilo, sem despertador. Depois do mata-bicho, peguei o carro emprestado com o Rogério e fui solito para o norte da ilha, desfrutar outra vez da Praia dos Tamarindos. Linda. Sol quente, água morna e transparente, deliciosa. Daqueles banhos que fica difícil sair do mar. Um espetáculo! Fiquei umas duas horas por lá e antes do meio-dia já estava na piscina do hotel. Pequena, simples, mas suficiente e agradável.

Depois, fui almoçar no mesmo lugar que comi semana passada, o Onda Azul. Escolhi pelo visual, a baia aos nossos pés, apesar da comida também justificar a escolha, estava bem saborosa. Cherne com arroz, batata, banana e salada.

Bacalhau delicioso!

Depois fui para o hotel, seguir no relatório, escrever algo e arrumar malas. Voo atrasou, acabei esperando mais de quatro horas no simplíssimo aeroporto de São Tomé. Agradável não foi… Cheguei em Lisboa nove da manhã e gastei três horas na fila da imigração. Tampouco foi agradável. Acabou? Não, tem mais, as malas não embarcaram em São Tomé, parece que tinha pouco combustível na aeronave e estavam preocupados com o peso do avião. Caraca…  Bom, cheguei no hotel, de novo o Sofitel, só as duas e meia da tarde, meu dia em Lisboa virou meio dia, mas ainda pude aproveitar algo do domingo na cidade de Fernando Pessoa.

O que eu fiz? Almocei um Bacalhau à Lagareiro, bem correto, no “O Castiço”, na Rua dos Sapateiros, que fica bem no coração do Chiado e é cheia de bons restaurantes. Escolhi no olho, apenas gostei da cara e entrei. Fui atendido por um chinês que mal falava português e por um indiano carrancudo. O português, com cara de dono, ficava mais na supervisão. Essas típicas cenas, curiosas, da Europa atual, mas não apenas da Europa, do mundo contemporâneo. Elas sempre me chamam atenção, talvez por lembrar bem do tempo que o palco tinha outra configuração.

Depois, fui comprar roupas, na esperança de que a Tap me pague, já que perderam minha mala. Comprei umas coisinhas para levar para casa no supermercado Pingo Doce e outras no Celeiro, um supermercado orgânico bem bacana. Fim de noite foi no hotel, primeiro no quarto vendo jogo do Botafogo, depois desci para jantar, mas troquei por três cervejas, no lindo hall do Sofitel, com aquela leveza agradável de fim de viagem. Contradições da vida, contradições minhas, trabalho como consultor em um pequeno país africano, financeiramente pobre, como recompensa um bom hotel e uma cerveja cara.

Último momento da viagem...

Minha última viagem internacional do ano não poderia ter sido melhor. Alguns percalços, mas ter ido pela quarta vez a São Tomé coroou um ano que foi bem legal. Não é incomum que eu tenha a sensação de que a vida é exageradamente generosa comigo. Não é papo furado, sinto-me mesmo como um devedor. Que eu tenha coragem, sensibilidade e inteligência para encontrar um jeito de pagar a dívida!

E fico por aqui em 2025. Próximo post não sei de onde será. E essa é uma das razões que me faz sentir devedor à vida: eu nunca sei o que virá, mas sempre vem um monte de coisas legais.









Vista do segundo andar do café que escolhi,
na Av. Liberdade, para a sobremesa de fim de tarde.


Doce e café!



sábado, 6 de dezembro de 2025

São Tomé, São Tomé e Príncipe, 01 a 05 de dezembro de 2025

 

No campo, foto da Lucimara

Dias intensos de trabalho durante toda a semana. Fui a campo várias vezes, em diferentes comunidades deste interessante país.

Vigor da folha de mata-bala, 
planta parente do inhame

O campo foi com os técnicos da Oikos, sempre o Luís, Lucimara nos acompanhou um dia. Chama a atenção, sempre, a pujança da natureza. Acho que a maioria dos posts que escrevi nas minhas estadas em São Tomé faço esse comentário, sobre o vigor das plantas, cultivadas ou espontâneas, arbustivas ou florestais.

Na quarta-feira, tivemos reunião com a Associação Saudade, que reúne um grupo de agricultores/as que estão operando um SPG - Sistema Participativo de Garantia. Poucos, a operação é simples, mas eles sabem bem o que estão a fazer. A presidente, Ana Bela, e outros, podem, facilmente, representar São Tomé em alguma reunião internacional de SPGs.

Na quinta-feira, um momento bacana: uma capacitação em SPGs e biofertilizantes na comunidade Nova Moca. Almoçamos ali mesmo, comi “arroz com folhas”. As folhas são de mandioca, uma preparação semelhante à que chamamos maniçoba no Brasil, mas com um tempero local, levemente apimentado.

Volto um pouco no tempo para dizer que estive em Nova Moca na terça-feira também, visitando o Gabriel, um amigo produtor que já esteve no Brasil. Ele nos mostrou sua linda lavoura, um cultivo agroflorestal bem manejado. Aliás, esse país para mim é todo ele um SAF. Gabriel me apresentou sua esposa. Nome dela? Arminda.

Arroz com folhas!

Mas… ninguém sabe que ela se chama Arminda, porque  aqui em São Tomé as pessoas tem um outro nome, que eles chamam de “vulgo”. Então, o vulgo da Arminda é Segunda. E o apelido do vulgo é Gunda. Como devo chamá-la? Posso escolher, mas o usual é Gunda ou, um pouco mais formal, Segunda. Isso rola com todos aqui. Curioso, não é? Segunda foi quem fez o arroz com folhas que comi em Nova Moca.

Aliás, comida é uma nota interessante aqui. Essa semana estive duas vezes no honesto DjaDja. Um dia comi caril (curry) de peixe. No outro, peixe frito com purê de banana verde e molho de berinjela. Muito bons. Voltei ao Papa-figo e ao Pirata, que já conhecia, das outras vezes que estive aqui. Bons, mais caros, não excelentes, típicos restaurantes de brancos, como dizem por aqui. Comi peixe-azeite com arroz em um e caril de peixe e camarão,  em outro. Fui com Rogério na Tia Zada. Fica na Gamboa, um pouco afastado do centro. Este sim, super local. Éramos os únicos brancos. Peixes e outros frutos do mar ali, ao lado da churrasqueira, sendo escolhidos por quem iria comer, antes de serem assados. Escolhemos choco, um parente da Lula. Estava muito bem temperado, macio, mas não tanto. Uma arte fazê-lo inteiro, na brasa e deixá-lo macio. Confesso que acho meio feio o visual do prato, não estou acostumado, mas comi quase todo, estava realmente saboroso. Veio com salada, fruta pão e banana frita. Tomamos uma super bock para acompanhar, a cerveja portuguesa que rivaliza com a Rosema, a única cerveja produzida aqui em São Tomé.

Choco no Tia Zada


    O visual do restaurante não é como estamos acostumados… como diz um amigo, quem tiver muito nojinho melhor não ir! E hoje, sexta-feira , de noite, fui jantar no Petiscos da Vilma. Um polvo e um arroz da terra (arroz servido bem molhado, com peixes e folhas, um tempero muito bom) excelentes!

Saio deste país com um astral muito melhor do que quando cheguei. Fim de ano, estava cansado. Trabalhei bem aqui, mas dormindo bem, bom hotel, com alguns momentos de folga, recuperei as energias. Além disso, algo que bebi ou comi me afetou, sempre ruim estar passando um pouco mal. Mas acho mesmo que o que aconteceu é que nos primeiros dias o hotel ruim e o próprio visual do lugar, da cidade, me afetaram. Em uma linguagem clara: a idade e a vida que levo tem me deixado menos “roots”. Uma vez falei com Tiago, meu filho, que um pouco de grana te dá um pouco de liberdade. Ele respondeu de forma que acho brilhante, nunca esqueci: o dinheiro pode te dar alguma liberdade, mas o conforto te aprisiona. Bingo! Hoje, aos sessenta, sou um pouco prisioneiro do conforto. Ao mudar de hotel, mais confortável, e, também, me acostumar com a simplicidade local e passar a encará-la como acho que ela deve ser encarada, com vantagens e desvantagens, como qualquer situação, meu astral melhorou. 

Vista da comunidade de Nova Moca

Ou a mudança de humor é apenas porque estou a voltar a casa, passando um dia por Lisboa, e essas são boas notícias. Humores e emoções, quem haverá de explicá-las? Vem e vão, difícil comandá-las!

Isso desta semana! Amanhã de noite embarco, tenho todo o dia para trabalhar no meu relatório e passear. Viajo de noite e chego cedo em Lisboa! Passo o dia lá e embarco segunda cedo para o Brasil!




No campo


Horta - cenoura


Aspecto urbano



Cena urbana



Cascata São Nicolau


Centro de São Tomé


Com meu amigo Gabriel

No campo, oficina de biofertilizante

Atum, pure d ebanana e molho de beringela

Comunidade Nova Moca