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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

São Tomé, dia 06, e Lisboa, dia 07 de dezembro de 2025

 

Av, da Liberdade, fim de tarde

Sábado em São Tomé e Príncipe, domingo em Lisboa. Boa combinação. Ontem, acordei e comi meu mata-bicho. Hoje, foi um pequeno almoço. Amanhã, no avião, de volta para o Brasil, tomo um café da manhã.

Praia dos Tamarindos

Ontem, sábado, mais relaxado, trabalho quase terminado, acordei tranquilo, sem despertador. Depois do mata-bicho, peguei o carro emprestado com o Rogério e fui solito para o norte da ilha, desfrutar outra vez da Praia dos Tamarindos. Linda. Sol quente, água morna e transparente, deliciosa. Daqueles banhos que fica difícil sair do mar. Um espetáculo! Fiquei umas duas horas por lá e antes do meio-dia já estava na piscina do hotel. Pequena, simples, mas suficiente e agradável.

Depois, fui almoçar no mesmo lugar que comi semana passada, o Onda Azul. Escolhi pelo visual, a baia aos nossos pés, apesar da comida também justificar a escolha, estava bem saborosa. Cherne com arroz, batata, banana e salada.

Bacalhau delicioso!

Depois fui para o hotel, seguir no relatório, escrever algo e arrumar malas. Voo atrasou, acabei esperando mais de quatro horas no simplíssimo aeroporto de São Tomé. Agradável não foi… Cheguei em Lisboa nove da manhã e gastei três horas na fila da imigração. Tampouco foi agradável. Acabou? Não, tem mais, as malas não embarcaram em São Tomé, parece que tinha pouco combustível na aeronave e estavam preocupados com o peso do avião. Caraca…  Bom, cheguei no hotel, de novo o Sofitel, só as duas e meia da tarde, meu dia em Lisboa virou meio dia, mas ainda pude aproveitar algo do domingo na cidade de Fernando Pessoa.

O que eu fiz? Almocei um Bacalhau à Lagareiro, bem correto, no “O Castiço”, na Rua dos Sapateiros, que fica bem no coração do Chiado e é cheia de bons restaurantes. Escolhi no olho, apenas gostei da cara e entrei. Fui atendido por um chinês que mal falava português e por um indiano carrancudo. O português, com cara de dono, ficava mais na supervisão. Essas típicas cenas, curiosas, da Europa atual, mas não apenas da Europa, do mundo contemporâneo. Elas sempre me chamam atenção, talvez por lembrar bem do tempo que o palco tinha outra configuração.

Depois, fui comprar roupas, na esperança de que a Tap me pague, já que perderam minha mala. Comprei umas coisinhas para levar para casa no supermercado Pingo Doce e outras no Celeiro, um supermercado orgânico bem bacana. Fim de noite foi no hotel, primeiro no quarto vendo jogo do Botafogo, depois desci para jantar, mas troquei por três cervejas, no lindo hall do Sofitel, com aquela leveza agradável de fim de viagem. Contradições da vida, contradições minhas, trabalho como consultor em um pequeno país africano, financeiramente pobre, como recompensa um bom hotel e uma cerveja cara.

Último momento da viagem...

Minha última viagem internacional do ano não poderia ter sido melhor. Alguns percalços, mas ter ido pela quarta vez a São Tomé coroou um ano que foi bem legal. Não é incomum que eu tenha a sensação de que a vida é exageradamente generosa comigo. Não é papo furado, sinto-me mesmo como um devedor. Que eu tenha coragem, sensibilidade e inteligência para encontrar um jeito de pagar a dívida!

E fico por aqui em 2025. Próximo post não sei de onde será. E essa é uma das razões que me faz sentir devedor à vida: eu nunca sei o que virá, mas sempre vem um monte de coisas legais.









Vista do segundo andar do café que escolhi,
na Av. Liberdade, para a sobremesa de fim de tarde.


Doce e café!



sábado, 6 de dezembro de 2025

São Tomé, São Tomé e Príncipe, 01 a 05 de dezembro de 2025

 

No campo, foto da Lucimara

Dias intensos de trabalho durante toda a semana. Fui a campo várias vezes, em diferentes comunidades deste interessante país.

Vigor da folha de mata-bala, 
planta parente do inhame

O campo foi com os técnicos da Oikos, sempre o Luís, Lucimara nos acompanhou um dia. Chama a atenção, sempre, a pujança da natureza. Acho que a maioria dos posts que escrevi nas minhas estadas em São Tomé faço esse comentário, sobre o vigor das plantas, cultivadas ou espontâneas, arbustivas ou florestais.

Na quarta-feira, tivemos reunião com a Associação Saudade, que reúne um grupo de agricultores/as que estão operando um SPG - Sistema Participativo de Garantia. Poucos, a operação é simples, mas eles sabem bem o que estão a fazer. A presidente, Ana Bela, e outros, podem, facilmente, representar São Tomé em alguma reunião internacional de SPGs.

Na quinta-feira, um momento bacana: uma capacitação em SPGs e biofertilizantes na comunidade Nova Moca. Almoçamos ali mesmo, comi “arroz com folhas”. As folhas são de mandioca, uma preparação semelhante à que chamamos maniçoba no Brasil, mas com um tempero local, levemente apimentado.

Volto um pouco no tempo para dizer que estive em Nova Moca na terça-feira também, visitando o Gabriel, um amigo produtor que já esteve no Brasil. Ele nos mostrou sua linda lavoura, um cultivo agroflorestal bem manejado. Aliás, esse país para mim é todo ele um SAF. Gabriel me apresentou sua esposa. Nome dela? Arminda.

Arroz com folhas!

Mas… ninguém sabe que ela se chama Arminda, porque  aqui em São Tomé as pessoas tem um outro nome, que eles chamam de “vulgo”. Então, o vulgo da Arminda é Segunda. E o apelido do vulgo é Gunda. Como devo chamá-la? Posso escolher, mas o usual é Gunda ou, um pouco mais formal, Segunda. Isso rola com todos aqui. Curioso, não é? Segunda foi quem fez o arroz com folhas que comi em Nova Moca.

Aliás, comida é uma nota interessante aqui. Essa semana estive duas vezes no honesto DjaDja. Um dia comi caril (curry) de peixe. No outro, peixe frito com purê de banana verde e molho de berinjela. Muito bons. Voltei ao Papa-figo e ao Pirata, que já conhecia, das outras vezes que estive aqui. Bons, mais caros, não excelentes, típicos restaurantes de brancos, como dizem por aqui. Comi peixe-azeite com arroz em um e caril de peixe e camarão,  em outro. Fui com Rogério na Tia Zada. Fica na Gamboa, um pouco afastado do centro. Este sim, super local. Éramos os únicos brancos. Peixes e outros frutos do mar ali, ao lado da churrasqueira, sendo escolhidos por quem iria comer, antes de serem assados. Escolhemos choco, um parente da Lula. Estava muito bem temperado, macio, mas não tanto. Uma arte fazê-lo inteiro, na brasa e deixá-lo macio. Confesso que acho meio feio o visual do prato, não estou acostumado, mas comi quase todo, estava realmente saboroso. Veio com salada, fruta pão e banana frita. Tomamos uma super bock para acompanhar, a cerveja portuguesa que rivaliza com a Rosema, a única cerveja produzida aqui em São Tomé.

Choco no Tia Zada


    O visual do restaurante não é como estamos acostumados… como diz um amigo, quem tiver muito nojinho melhor não ir! E hoje, sexta-feira , de noite, fui jantar no Petiscos da Vilma. Um polvo e um arroz da terra (arroz servido bem molhado, com peixes e folhas, um tempero muito bom) excelentes!

Saio deste país com um astral muito melhor do que quando cheguei. Fim de ano, estava cansado. Trabalhei bem aqui, mas dormindo bem, bom hotel, com alguns momentos de folga, recuperei as energias. Além disso, algo que bebi ou comi me afetou, sempre ruim estar passando um pouco mal. Mas acho mesmo que o que aconteceu é que nos primeiros dias o hotel ruim e o próprio visual do lugar, da cidade, me afetaram. Em uma linguagem clara: a idade e a vida que levo tem me deixado menos “roots”. Uma vez falei com Tiago, meu filho, que um pouco de grana te dá um pouco de liberdade. Ele respondeu de forma que acho brilhante, nunca esqueci: o dinheiro pode te dar alguma liberdade, mas o conforto te aprisiona. Bingo! Hoje, aos sessenta, sou um pouco prisioneiro do conforto. Ao mudar de hotel, mais confortável, e, também, me acostumar com a simplicidade local e passar a encará-la como acho que ela deve ser encarada, com vantagens e desvantagens, como qualquer situação, meu astral melhorou. 

Vista da comunidade de Nova Moca

Ou a mudança de humor é apenas porque estou a voltar a casa, passando um dia por Lisboa, e essas são boas notícias. Humores e emoções, quem haverá de explicá-las? Vem e vão, difícil comandá-las!

Isso desta semana! Amanhã de noite embarco, tenho todo o dia para trabalhar no meu relatório e passear. Viajo de noite e chego cedo em Lisboa! Passo o dia lá e embarco segunda cedo para o Brasil!




No campo


Horta - cenoura


Aspecto urbano



Cena urbana



Cascata São Nicolau


Centro de São Tomé


Com meu amigo Gabriel

No campo, oficina de biofertilizante

Atum, pure d ebanana e molho de beringela

Comunidade Nova Moca


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

São Tomé, São Tomé e Príncipe, 29 e 30 de novembro de 2025

 

Praia dos namorados

Fim de semana de passeio, descanso e algum trabalho. Comecei muito bem, ontem de manhã fui a uma praia lindíssima com a Lucimara, brasileira que trabalha na Oikos, de carona com a Vanessa, seu filho Luka e sua cadela Marieta. Companhias para lá de agradáveis.

Nesta mesa comemos, no Onda Azul

Fomos à Praia dos Namorados. Uma pequena praia, de areia branca, na parte norte da ilha, que deve ter pouco mais do que cem metros de extensão. Águas quentes e calmas, como se fosse uma pequena Baía, circundada por uma vegetação quase de restinga e delimitada, por um lado, por um morro com uma vegetação também baixa, de um verde tímido, não com a exuberância que normalmente vemos na ilha. Do outro lado, um pequeno acidente geográfico que separa essa praia da Praia dos Tamarindos. O mar, lindíssimo, com certa variação de cores, entre o azul profundo e um verde marinho quase brilhante. Ficamos na pequena faixa de areia branca, protegidos do sol pela sombra de uma árvore que ali fez morada. Um espetáculo.

Saímos ao meio-dia da praia e fomos comer no restaurante Onda Azul. Uma bela paisagem da Baía de Chaves. Visual. Comi um peixe-azeite, o que mais gosto dos que já provei neste país. Veio acompanhado de banana frita, tanto verde quanto madura, arroz, salada e matabala, uma raiz, prima do inhame, muito consumida aqui. Depois do almoço, fomos à chocolateria Diego Vaz, local agradável, com bom café, sobremesas, gelatos e chocolates.

Para terminar meu sábado gastronômico, de noite decidi ir comer em um lugar um pouco mais caro, no restaurante do Hotel Omali. Pedi um peixe com crosta de gergelim, legumes salteados e um excelente purê de matabala. Delicioso! 

Meu prato no Omalí

Hoje, domingo, dia agitado. De manhã fui com a Lucimara para o norte. Passamos na linda praia da Lagoa Azul, que eu já conhecia e tinha vontade de rever. Outra vez, águas calmas, quentes e transparentes, de um lado mar, de outros morros. Vale o nome, lembra mesmo a lagoa do famoso filme. Depois, segui na estrada até a última cidade deste lado da ilha. Chama-se Santa Catarina. É povoada por angolares. O que são os angolares? Pois então, estou também tentando entender.

A história de São Tomé e Príncipe, contada pelos portugueses, diz que não havia gente nestas duas ilhas quando eles chegaram. Mas não existe consenso sobre isso. É possível que pessoas vindo de Angola já estivesse chegado aqui e vivessem nessa terra-mar. Não construíram porto, forte ou cidades e se fizeram invisíveis (quase?) para a história.

Essa é uma hipótese, até onde sei. Mas é fato que tem um povo aqui na ilha que são diferentes dos outros. São facilmente identificáveis. Me contaram até do formato dos pés ser diferente. Fala-se também que “é melhor não se meter com eles”. Ouvi ainda que “se você chegar lá e eles estiverem descalços, fica descalço também, não fica parecendo querer ser melhor”. Vou contar uma última coisa, entre muitas, que ouvi: “o pessoal daqui (da cidade, não angolares) iam muito lá comprar uma esposa. Depois, viram que elas vem para cá, interagem com outros e a pessoa acaba perdendo sua mulher. Se é muito pobre, ainda consegue esconder ela, mas se é rico, aí não tem jeito, tem que apresentar ela, ela logo descobre que tem outras possibilidades e deixa o homem - claro, ela foi comprada, ali não existiu amor. Já não é comum irem lá comprar uma mulher, não vale a pena”.

Isso é parte do que eu ouvi. O que eu vi em Santa Catarina? Uma comunidade pobre, como todas aqui, caras simpáticas, casas a beira -mar em um lindo ambiente, muitos barquinhos a vela, já que é uma comunidade de pescadores.

É tanto para contar, esse espaço aqui não cabe…

Em Santa Catarina acaba o asfalto. Para frente, um caminho de terra, apenas para pedestres. Essa parte circunda o Parque Nacional de Obó. Ou seja, não se pode dar a volta em toda a ilha de carro, existe esse trecho apenas para pedestres, de 32km, segundo me precisou um amigo agricultor daqui, o Gabriel, que é também guia nas trilhas do Parque.

Que mais? Bom, voltei de Santa Catarina, tomei banho no hotel e fui com Rogério para o outro lado, o Sul, para comer em um restaurante famoso aqui, na roça São João de Angolares. Demos azar, chegamos tarde, o menu degustação não estava mais disponível, comemos apenas o prato principal, arroz com calulu de peixe, um molho grosso feito com folhas locais e pedaços de peixe. Estava bom, mas não muito bom. Regressamos, outra vez uma sobremesa no Diogo Vaz, fofocas em dia e deu! Direto para o quarto de hotel, nem saí para jantar. Aliás, mudei de hotel, vim para o Emoyeni Gardens, que eu já conhecia e é bem melhor que o Sweet Guest House.

Essa semana que começa amanhã tem muito trabalho, depois conto!


Praia Lagoa Azul


Estrada em direção à Santa Catarina



Estrada em direção à Santa Catarina



Tímida foto de Santa Catarina






sábado, 29 de novembro de 2025

São Tomé, São Tomé e Príncipe, 26 a 28 de novembro de 2025.

Tomate, banana, árvores, vamos que vamos!

    É a quarta vez que venho a São Tomé e Príncipe, esse pequeno país insular do continente africano, localizado a 300 km da costa, bem na linha do equador. Estou aqui a convite da Oikos, ONG portuguesa que atua também neste país. Vim colaborar com o trabalho que eles desenvolvem com Agricultura Biológica (orgânica) e SPG (Sistemas Participativos de Garantia). 
Rua Augusta e o Natal!

Saí do Brasil na segunda-feira, dia 24/11, e cheguei aqui na quarta-feira, dia 26. Fui obrigado a dormir uma noite em Lisboa, no excelente hotel Sofitel. Pensa se achei ruim… deu para dar uma volta pela Augusta, comer um bacalhau à minhota na pequena tasca “A Merendinha do Arco”, ver a decoração de Natal da cidade e, de brinde, encontrei minha sobrinha, Ana Clara, que estava passeando por Lisboa. Dia muito agradável.

Mas Lisboa era só uma parada, na manhã seguinte sai cedo do hotel, de Uber. Viajei de Lisboa a São Tomé na quarta durante o dia, o voo atrasou e ainda fez uma escala em Acra, chegando em São Tomé às sete da noite.
Meu amigo Rogério, coordenador da Oikos, foi me buscar e levar para jantar. Fomos ao restaurante Jasmim, e obvio que pedi peixe. Estamos em uma ilha no meio do Atlântico, o que mais vou comer? Veio com arroz e banana frita, o que é muito comum por aqui. Detalhe sobre o peixe: todos aqui comentam que já não tem mais peixe como antigamente… que tal e qual espécie já não existe mais, que os peixes
estão menores, que pescar se tornou tarefa mais difícil.

É…
Ontem, quinta, foi dia de trabalho no escritório. De manhã, reunião com equipe da Oikos, de tarde nos acompanharam cinco agricultores nesta conversa. Ouvi deles como está o funcionamento do SPG e fiquei satisfeito com o que ouvi. O Sistema está rodando, e isso não é pouco considerando a realidade local. Estive aqui, trabalhando esse tema, entre outros, em 2018, 2019 e 2021. Ver que algo ficou, que o feito não foi desfeito, é sempre um motivo de alegria. 

Ainda falando sobre ontem, quero contar algo: depois do trabalho, fui cedo para o hotel. O Sweet Guest House. Eram cinco da tarde, na rua estava quente, afinal estamos nos trópicos. Quando abri o quarto, um bafo, quase uma sauna. Fui ligar o ar condicionado, não estava funcionando. O país está com um super problema de abastecimento de energia elétrica, há meses. Falei com a moça do hotel, ela disse que só ligariam o gerador mais tarde… impedido, pelo calor, de ficar no quarto, tomei um banho e fui para uma área de convivência/jantar que tem no hotel. Ali estava fresco, ao menos melhor que no quarto. Vi o dia se fazer noite nesta varanda, no terceiro andar. Uma intensa chuva começou a cair, a vigorosa vegetação no terreno ao lado me recordando onde eu estava. Uma casa de madeira, velha, decadente, que parece já ter sido de algum comerciante abastado, no fundo do terreno. De frente para mim, uma fruta pão, árvore generosa, que produz um fruto rico em amido e que é muito importante na cultura alimentar desta ilha. Aliás, essa situação de abundância de peixes e frutas é que sempre fez esse país, financeiramente pobre, ter uma população que não enfrenta problemas de desnutrição. Agora, menos peixes, menos frutas… sim, menos frutas também, o clima mudou e algumas fruteiras nativas produzem menos ou simplesmente passam um ano sem produzir.
É…
Hoje, sexta-feira, fui com o Luís, técnico da Oikos, visitar duas áreas produtivas. Uma do Egder, outra do Antônio. Já estive com eles outras vezes, inclusive estiveram visitando o nosso trabalho no Brasil em um intercâmbio técnico. Visitei suas áreas de produção biológica, pude ver, mais uma vez, o desafio de produzir olerícolas europeias, ou de partes mais frias do globo,em um ambiente tropical como esse.
Hoje em dia, quando falamos em massificar a agroecologia ou a produção orgânica, devemos levar em consideração a necessidade de repensar algo dos hábitos de consumo. Eu posso sintetizar uma prosa longa em uma frase: muito veneno é jogado na natureza, como um preço pago pelo desejo de consumidores terem tomate todos os dias no seu prato. Multiplica esse fato por dezenas de cultivos. Essa é a equação que devemos alinhar para caminhar para uma agricultura mais limpa e saudável. Tenho a impressão que o futuro vai ter muito de local, e o alimento vai ser também local.
Quando vejo Egder e Antônio produzindo tomate em São Tomé, o esforço necessário para adaptar um cultivo originalmente andino ao vigor do trópico úmido, penso nisso, no custo para atender paladares pasteurizados.
Contando mais do dia, antes de ir para a reunião que teríamos de tarde, na sede de outra ONG, a Marquês de Vale Flor, paramos para comer no Bar da Fafa, em Cruzeiro. Simples, muito simples, mas comi um filé de atum com salada (sim, tinha tomates) simplesmente delicioso. 

E depois da reunião, fim de tarde, eu e Rogério fomos tomar uma Rosema, a cerveja local, e comer uma pizza. Sim, falando em hábitos alimentares, devemos reconhecer que o sol nunca se põe no império da pizza. 

Esses foram meus primeiros dias aqui. Amanhã vou à praia, depois conto!













Dona Antônia, vendendo em frente à sua
propriedade

Vista deste o terceito andar do Sweet Guest House


Cena Urbana - Cruzeiro




terça-feira, 25 de novembro de 2025

Atacama, Chile, 04 a 07 de novembro de 2025.

Deserto florido

Cheguei no aeroporto Deserto do Atacama, perto de Copiapó, Norte do Chile, na quarta-feira, dia 05 de novembro, ao meio dia. Uma carona me esperava no aeroporto, onde pegamos a estrada com destino à Vallenar, quase 200km ao sul. Levei umas 4 horas para chegar ao hotel, e o tempo a mais não apenas se justificou, como justificou toda a viagem. É que no caminho conheci o deserto florido. Um verdadeiro espetáculo. Esse fenômeno ocorre quase exclusivamente no Vale de Huasco, e apenas em anos onde ocorre determinada combinação de frio, para quebra de dormência das sementes das espécies que irão florescer e chuva, algo entre 40 e 80mm. 


Mas não vim para isso, para ver o deserto em flor. Vim para um seminário nacional, sobre agricultura orgânica e sistemas participativos de garantia. 

Já estive no Chile, a trabalho, muitas vezes. Mas há muitos anos não vinha. Foi muito bom rever velhos amigos e ver uma fotografia deste movimento hoje, no Chile. O grupo que estava no seminário não era grande, mas representativo de todo o país e com muita vontade de se reagrupar em algum forma de expressão nacional que potencialize o trabalho que fazem, seja no intercâmbio de experiências, seja na capacidade de incidência junto ao governo. Aliás, o evento contou com apoio de estruturas do estado, o que não deixa de ser um sinal positivo e aponta possibilidades de apoios mais significativos no futuro. 

O seminário foi em Huasco. Me hospedei em Vallenar, em um curioso hotel, com os quartos feitos com contêineres, dispostos de forma horizontal e modelar. Chama-se Radisson Park Inn. Mas o evento, como disse, foi em Huasco, na estrutura de um camping, o Atacama Glamp. À beira do Pacífico, emoldurado pela Cordilheira da Costa, visual lindíssimo. O Chile é, definitivamente, um país recheado de belas paisagens. 

Seminário

O seminário ocorreu com algumas palestras sobre experiências ao redor da agricultura orgânica, debates e trabalhos em grupos. Minha tarefa foi fazer duas palestras, uma em cada dia. Foi tudo muito agradável e enriquecedor. 

Hoje, sábado, o dia foi especialmente interessante. Começamos indo, todo o grupo, ao Parque Nacional Llanos de Challe. Flores, mais flores. Depois do Parque, minha amiga Carmen me levou ao aeroporto. Mas não foi uma carona qualquer. Foram duas horas por uma estrada muito agradável, entre o deserto e o mar. Com direito a almoço no restaurante “Tumorrow”, à beira da Baía Inglesa. Espetáculo!


Fico por aqui, nessa breve descrição desta bela viagem. Desta vez, vou deixar as fotos falarem por mim!




Deserto florido

Deserto florido

Flores que deixam o deserto florido!

flores e flores!!!

Praia em Huasco


Flores que florem o deserto


Praia em Huasco



Baía  Inglesa

Baía  inglesa, desde o restaurante

Restaurante



Com Andrea e Monica