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sábado, 29 de agosto de 2026

Brasov, 27, 28 29 de agosto de 2026.

Poiana Brasov, uma estação de esqui, vista do nosso quarto,

A viagem de Bucareste para Brașov correu bem, mas não foi exatamente tranquila. À uma da tarde, saímos do hotel em Bucareste e fomos pegar nosso carro, alugado através do aplicativo LATAM Pass, na Sixt. Eles têm uma agência no Radisson, no centro da cidade, e posso devolver no aeroporto, sem taxas extras. Perfeito!

Castelo de Peles
Estrada boa de dirigir, mas bastante movimentada. Paramos para um café, seguimos e, daqui a pouco, vi a indicação de que estávamos chegando em Sinaia. Cidade simpática, cheia de gente. Vi o movimento e lembrei que ali está o Castelo de Peleș, considerado por muitos o mais bonito da Transilvânia. Já estávamos saindo da cidade, mas demos meia-volta e resolvemos visitá-lo. Foi fácil chegar até ele, estacionamos ao lado, pagando 6 euros.

Já era quase hora de fechar para visitas, resolvemos não entrar. O castelo é realmente imponente, daqueles lugares que impressionam antes mesmo de chegarmos até ele. Li que foi construído no fim do século XIX, como residência de verão da família real romena. Sua arquitetura tem inspiração germânica, com torres, madeira e uma profusão quase teatral de detalhes. Assim como parte do trecho da estrada, ele é cercado pelas montanhas dos Cárpatos e pela floresta. Não é exatamente um castelo medieval; tem mais cara de uma materialização romântica da ideia que o século XIX fazia de um castelo. Nós o vimos apenas por fora, mas foi suficiente para entender por que Peleș se tornou um dos símbolos mais conhecidos da Romênia.

Valeu ter ido vê-lo, a estrada se mostrou com um super trágico até Brașov, voltar seria muito incômodo.

Chegamos ao hotel sob chuva, no fim da tarde. Que hotel… Swissôtel. Minha tática de escrever antes pedindo upgrade funcionou, a rede Accor realmente valoriza os clientes fiéis e nos colocaram em uma suíte lindíssima. Sem planos ou necessidade de sair, fomos aproveitar o spa e jantamos no restaurante do próprio hotel.

Castelo de Bran
No dia seguinte, cedo, partimos em direção a Bran, a cidade onde fica o famoso Castelo de Bran, ou Castelo de Drácula. Sim, visitei o Castelo de Drácula. Eu nunca viajei muito nessa história, sequer li o livro do Bram Stoker, mas, estando na Transilvânia, achamos que deveríamos ir. Foi legal ter ido.

O Castelo de Bran é provavelmente o mais famoso da Romênia, muito por causa dessa associação que se fez com o Conde Drácula. A construção, no entanto, é bem mais antiga que a história de Bram Stoker e sua ligação com Vlad, o Empalador, é mais lenda do que fato. A própria história do Drácula tem muito pouco a ver com Vlad. O castelo fica sobre uma pequena elevação, cercado pelas montanhas, e a primeira impressão é mesmo bonita. Por dentro, achei mais interessante a própria história do lugar do que a exposição sobre Drácula, que ocupa bastante espaço. Mesmo com todo o turismo em volta, vale a visita, principalmente pela localização e pelo aspecto medieval da construção.

Eu e ele
Agora deixa eu falar um pouco de Vlad III, o personagem que teria, meio que numa forçação de barra, inspirado o personagem Drácula.

Vlad III, que ficou conhecido como Vlad, o Empalador, nasceu em Sighișoara, para onde iremos amanhã. Passou parte da infância no Império Otomano, depois de ser entregue pelo pai como garantia de sua lealdade aos turcos. De volta à Valáquia, parte da atual Romênia, envolveu-se em disputas pelo poder, guerras e conquistas. O apelido “Empalador” vem da prática que usava contra seus inimigos: atravessava o corpo da vítima com uma estaca, que depois era fincada no chão, deixando o condenado exposto. Era uma forma particularmente cruel de execução, mas também de intimidar quem ousasse desafiá-lo.

Bram Stoker conheceu essas histórias, misturou-as com muita ficção e criou seu personagem. A ligação entre Vlad III e o Drácula de Stoker, portanto, é bem mais tênue do que a indústria do turismo romeno gosta de fazer parecer. Estava lotado, 30 euros por cabeça, camisetinhas e imagens sendo vendidas por todo lado. Em todas as cidades por que passamos, Drácula leva uma parte do PIB da Romênia nas costas…

De Bran fomos para Brașov e nos surpreendemos positivamente. Que cidade linda e agradável, com uma arquitetura muito característica da cultura saxônica e um astral ótimo. Adoramos.

Caminhamos para lá e para cá pelo centro histórico, entrando em tudo o que era de graça. Não pagamos para entrar na famosa igreja luterana que fica bem na praça principal, a Igreja Negra.

Praça na cidade velha de Brasov
É um país muito cristão. Eu poderia dizer católico, mas o termo católico acabou se confundindo, no uso comum, com católico apostólico romano. A imensa maioria dos romenos cristãos está ligada à Igreja Ortodoxa Romena. Com tanta igreja pelo caminho, e muitas cobrando ingresso, me cansei de pagar…

Almoçamos ali mesmo, pela praça. Comi um goulash romeno, que vem como uma sopa, caracteristicamente com carne, batata e cenoura, em um delicioso caldo.

No meio da tarde, regressamos ao hotel.

Queríamos aproveitar o fim de tarde, ir ao spa do hotel, relaxar um pouco e comer algo no quarto mesmo. Foi o que fizemos. Eu ainda consegui dar uma caminhada de uns 30 minutos ao redor do hotel, em Poiana, uma pequena vila que vive do esqui no inverno, mas que vi bastante movimentada por famílias passeando e/ou fazendo alguma trilha.

Igreja fortificada de Viscri
Hoje, por volta das onze da manhã, saímos do nosso hotel em Brașov, depois de um imperial café da manhã, com certa pena. O hotel é ótimo e o lugar, para lá de agradável. Mas… as viagens são assim. Temos que seguir de um lugar ao outro, ir em frente, seguir minimamente o roteiro, e os lugares vão se sucedendo. Ficam as memórias. Parece até com a vida. A vida é mesmo uma viagem.

Vimos muitas cidadezinhas simpáticas no caminho para Sighișoara e paramos na vila de Viscri, que nos foi recomendada pelo ChatGPT. Achamos que ele superestimou a parada… mas valeu. Depois de visitar a igreja fortificada, caminhando sob um sol forte no início da tarde, sentamos para beber água. Ambiente rural, sol forte, uma aguinha gelada, vendo o povo passar e pensando o quão longe estamos, como é interessante conhecer uma vila saxônica na Transilvânia, tentando lembrar de onde surgiu a ideia de vir para cá e, por último, lembrando do verso de Pessoa, em Passagem das Horas: “Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge”. 

Caminhamos mais um pouco e paramos no Café Viscri. Pedimos um frappé gelado. Nesse momento, eu já estava concentrado nos próximos passos da viagem. Já nem me lembrava mais da fugacidade ou da finitude da vida… rsrsrs.

Chegamos em Sighișoara às 18h. Mas, sobre ela, conto depois.

Meu antídoto... bem bom...

Centro de Brasov, casa do século XVI

Ruas de Brasov

Empalamento

Depois de uma chuva torrencial na estrada, 
saindo do Castelo de Peles, esse presente


Interior da Igreja fortificada de Viscri

Vila de Viscri

Cetatea Rupea (forte de Rupea) - vimos na
estrada e paramos para ver.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Bucareste, 26 e 27 de agosto de 2026.

Parlamento de Bucareste. O tamanho realmente impressiona

Chegamos no aeroporto de Bucareste e pegamos um Uber sem maiores dificuldades. Fim do dia, ainda sol, às seis da tarde já tínhamos feito o check-in no Mercure Centro e começamos a caminhar pela cidade. Eu me senti como se tivesse saído de um metrô lotado para uma limusine onde uma leve música clássica tocava. Sim, essa foi a imagem que me veio para essa mudança de Istambul para Bucareste.

Aspecto do Centro Histórico - Old Town
O hotel fica perto do centro histórico e esta foi a direção que tomamos. Ruas tranquilas, locais tomando algo no fim de tarde, silêncio no ar. A sensação que me invadiu foi de enlevo. Realmente, ambientes urbanos assim, menos intensos, são o meu número. Passamos pelo Ateneu Grego, pela Praça da Revolução e seguimos caminhando pela Av. Vitória. Em uns 20 minutos já entramos no Centro Histórico e, para corroborar minha metáfora, uma jovem tocava violino na calçada, aguardando uns trocados. Essa cena, tão comum em cidades europeias, sempre me agrada.

Ficamos andando para lá e para cá no centro histórico, agora já um pouquinho mais ruidoso, porque são muitos bares e restaurantes com aquelas pessoas perguntando se você quer entrar, oferecendo o cardápio ou propondo um drinque.

Escolhemos um onde ninguém nos ofereceu nada. Uma simpática cervejaria, a Beer O’Clock, onde apenas um jovem atende, tirando os chopps e cobrando, mas somos nós que vamos até o balcão pedir, pegar e pagar a cerveja. Como tem que ser, simples e objetivo.

Uma cena curiosa foi a de um senhor que se aproximou e puxou assunto querendo vender livros. Ouviu nosso inglês e nos perguntou de onde éramos. Respondemos e imediatamente ele falou “Paulo Coelho”. Ainda citou, com sotaque próprio, Machado de Assis e Bernardo Guimarães (nomeando A Escrava Isaura). Gostei de 2/3 das referências literárias do livreiro romeno.

Momento para lá de agradável
Depois do chopp fomos comer um sanduíche em um restaurante grego que fica bem próximo à choperia, antes de regressarmos caminhando pelas silenciosas ruas de Bucareste até o hotel.

Hoje pela manhã saímos na nossa missão de conhecer algo da cidade, nesse curtíssimo tempo que passamos aqui. Marcamos alguns pontos no mapa e mais ou menos seguimos o caminho proposto. Visitamos a Igreja de São José, vimos outra vez o Ateneu, lindo prédio, passamos em frente ao Museu Nacional de Arte e entramos em uma igreja ortodoxa romena, muito bonitinha, pequena, a Zlatari, dedicada a Maria. Vale a visita. Outra vez entramos na “Old Town”, parte do roteiro, também querendo entrar em uma livraria que havíamos visto ontem. Compramos um livrinho romeno para a Clara…

Outro lugar que gostamos muito de ver, na própria cidade velha, foi o Mosteiro Stavropoleos, uma Igreja Ortodoxa Romena dedicada aos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel. Foi construída em 1724. Pequena, delicada e cheia de detalhes, é daquelas surpresas que aparecem quando caminhamos sem pressa pela cidade. No fundo da igreja tem um pátio. Percebemos uma mesa posta e nos aproximamos. Uma freira muito simpática nos recebeu e ofereceu coliva, um doce feito à base de trigo, mel, castanhas e especiarias. Ela nos explicou que esse doce é tradicionalmente ligado à memória dos mortos e à ideia de ressurreição. Comparou o dia 27 de agosto com nosso 01/11. Acho que ela fez uma confusão de datas aí, mas ela insistiu e quem sou eu para discutir com uma freira devidamente trajada! Mas ela foi muito simpática, agradável e acolhedora, e a coliva estava deliciosa. Acabou sendo nosso café da manhã!

Do mosteiro, com nosso tempo já terminando, caminhamos até o Parlamento.

Mosteiro Stavropoleos
Essa construção é, segundo li, o maior símbolo do período comunista da Romênia, que durou de 1947 a 1989. De 1965 até o fim do regime, o país foi governado por Nicolae Ceaușescu. Foi ele quem mandou construir este enorme edifício, a partir de 1984. A construção foi controversa. Para abrir espaço para esse suntuoso palácio, bairros inteiros foram demolidos e milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas. A obra consumiu enormes quantidades de recursos, parece que 700 arquitetos trabalharam nela, justamente quando a população enfrentava escassez e dificuldades econômicas. Quando o comunismo caiu, em 1989, o prédio ainda não estava terminado. O que deveria ser um monumento ao poder de Ceaușescu e do regime acabou se transformando na sede do Parlamento de uma Romênia democrática. História interessante e construção impressionante. Mas só vimos por fora. Não havia tempo de entrar e ainda queríamos ver a Igreja de São Nicolau.

Ela é um bom exemplo do que percebo em todas as igrejas ortodoxas que visitei: elas muitas vezes impressionam mais por fora do que pelo tamanho que têm por dentro. O espaço interno é relativamente pequeno, há poucos bancos para sentar e a decoração é feita com pinturas, ícones e a iconóstase. Chama a atenção a ausência de esculturas, tão comuns nas igrejas católicas romanas. Esta igreja foi construída entre 1905 e 1909 com apoio do czar russo Nicolau II.

A iconóstase é aquela parede ou divisória coberta de ícones que você vê dentro das igrejas ortodoxas, separando o espaço onde ficam os fiéis do altar, que fica atrás dela.

Igreja Ortodoxa Romena de São Nicolau
Ela normalmente tem várias fileiras de ícones, geralmente de Cristo, da Virgem Maria, dos santos e de cenas bíblicas. Possui portas no centro, pelas quais o sacerdote passa durante a liturgia.

Aprendi aqui que uma das características que mais diferenciam visualmente uma igreja ortodoxa de uma igreja católica romana é que, em vez de um altar aberto e visível, como no catolicismo, a tradição ortodoxa cria essa separação entre o espaço dos fiéis e o altar por meio da iconóstase. As iconóstases são normalmente um ponto alto da decoração das Igrejas Ortodoxas.

Nosso tempo nessa simpática capital se esgotou. Fomos de Uber ao hotel, para pegar o carro que alugamos e seguir viagem.

E esse foi nosso passeio por Bucareste. Gostamos da cidade, acho que não acharíamos ruim explorar mais das suas ruas e, principalmente, dos bares e restaurantes que nos chamaram a atenção. Fica para outra. Agora vamos rumo à Transilvânia. De lá, conto mais!

A simpática freira repartindo comida.
Livraria Carturesti, old town

Modinha: vale tudo para atrair um cliente

Zlatari - igreja ortodoxa

Rua Victoria


Um dos tantos prédios bonitos na Av. Victoria



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Istambul, 24, 25 e 26 de agosto de 2026.

Mesquita de Taksim, na praça de mesmo nome.

Hoje é quarta, dia 26, e estamos por entrar no avião, indo para Bucareste. Deixa eu contar um pouco destes três dias em Istambul.

Interior da Mesquita Azul
Segunda-feira acordamos um pouco mais cedo e saímos do hotel às oito e meia. A ideia era ir direto para a Mesquita Azul, de Uber, uns 10 euros, para visitá-la antes da muvuca provocada pelos ônibus de turismo. Bingo! Às nove estávamos entrando e, de fato, não pegamos fila. Lá dentro estava muito tranquilo, ainda que não vazio.

A Mesquita é imponente por fora e linda por dentro, com vitrais e azulejos que impõem beleza sem transitar pela opulência. Essa é minha definição de luxo! Ou uma delas…

Ficamos de boa por ali, Ana com seu lenço cobrindo o rosto, eu de calça, nós dois descalços, como reza a liturgia das visitas a uma mesquita. Ficamos apreciando o lugar, até sentamos no chão, e ouvindo um ou outro guia que nos dava alguma informação sobre o que estávamos vendo. Gostamos muito de conhecer a Mesquita Azul.

Sobre a Ana colocar lenço: de boa, não vi ela reclamar nem um momento. Mas… ver as mulheres de hijab já mexe com ela um pouco, não pela estética em si, mas pela obrigação. Agora, a burca… burca minha mulher não tem emocional para ficar vendo, não…

Conheci Ana na faculdade, nos anos 80. O TCC dela foi sobre a invisibilidade do trabalho doméstico e a dupla jornada de trabalho à qual as mulheres são submetidas. A vida dela vem sendo, em boa parte, buscar igualdade entre os gêneros, com diferentes formas de luta. Então… ver mulheres, de todas as idades, de roupas pretas e compridas, com apenas o olho de fora… ao lado de maridos com bermudinhas e camisas de malha… definitivamente ela não aguenta, não!

Depois fomos em direção ao Grande Bazar. Caminhando por ruas cheias de gente, muitos turistas, muitas lojas e comércio. Passo tranquilo e olhos atentos, em 15 minutos já estávamos dentro da lindíssima construção que abriga centenas e centenas de lojas. 
É...

O que tem lá dentro? Putz… tudo! Lembrancinhas e lembraçonas em geral. Tapetes, lenços, roupas, joias, doces, temperos, cafés, relógios. Lenços caros, de seda ou cashmere, por 300 ou 400 reais; lenços por 15 reais, 100% poliéster, mas igualmente bonitos. Fico só nesse exemplo, mas quase todos os outros produtos seguem essa lógica. Um lindo prato colorido, pintado à mão? Caro! O “mesmo” prato, possivelmente da Shopee, muito barato!
Saímos do Grande Bazar caminhando, em direção ao Bazar de Especiarias, descendo por uma rua com um intenso comércio popular, onde camisas Armani ou Lacoste são vendidas a 30 reais. O Bazar de Especiarias é outro lugar muito legal. Outra vez nos deparamos com uma linda arquitetura, abóbadas belíssimas e muitos, mas muitos cheiros, temperos e cores, brotando de espécies e produtos que tanto movimentaram o mundo.

Grand Baazar
Já era uma da tarde, sol a pino, e regressamos, de Uber, ao hotel. Esse era o plano, porque resolvemos mudar de hotel. Checkout, check-in, e em uma hora o trâmite estava todo feito. Fomos para o Sofitel Taksim e não nos arrependemos da mudança. Nos deram um upgrade para uma suíte linda, grande, cheia de mordomias. Perto do outro hotel, mas em frente à Praça Taksim e à Avenida İstiklal, uma e outra das mais importantes da cidade.

Descansamos um pouco no hotel, falo ainda da segunda-feira, e nos dirigimos à Igreja de São Salvador de Fora. Esse “fora” fica por conta da localização mesmo: ela foi construída fora dos muros da cidade. Pagamos 20 euros cada um para entrar, e eu não gosto de pagar para entrar em igreja, mas essa hoje é mais um museu; abri uma exceção. Não vou contar a história dela aqui, que é superinteressante, mas posso dizer que vale a visita, ainda que não seja algo assim, mais que demais!

Agora, o lugar é maneiro, bem alto, perto de uns resquícios de muralhas. Pensar no poder dessas muralhas que protegeram Constantinopla por séculos, e que levou décadas para que os Otomanos conseguissem vencê-la, e que ainda estamos tocando nelas no século XXI é bem legal. Quando voltar ao Brasil, vou ver a série sobre a conquista de Constantinopla de novo.

Balat
Depois da visita às muralhas e à igreja, descemos o morro. Em uns dez minutos já chegamos no bairro de Balat. Muito legal, muito mesmo. Recomendo não deixar de ver, se vier por Istambul. Pode passar horas ali, entre comprinhas; foi o melhor lugar que achamos para comprar coisinhas e comidinhas, tomar café, comer sobremesa ou mesmo uma refeição mais completa. Fizemos parte disso durante as mais de três horas que ficamos entre Balat e Fener.

Aliás, legal perceber que não são apenas bairros bonitos de casas coloridas; são bairros onde caminhamos sobre algumas etapas da história. Em Fener, na herança grega e ortodoxa (o colégio grego é um edifício impressionante). Afinal, foram os gregos que fundaram a cidade. Em Balat, se nota a memória da comunidade de judeus oriundos, fugidos, de Espanha e Portugal. Sinagogas, igrejas, prédios, casas e ruas preservam, no cotidiano de hoje, as marcas dessas culturas nesses dois bairros.

Enfim, adoramos passear por Balat e Fener.

Dentro da Mesquita de Taksim
Ontem, quarta-feira, nosso rolê foi de manhã pela Av. İstiklal. De tarde, depois de um banho de piscina no rooftop do hotel, enquanto Ana fazia uma reunião de trabalho, regressamos à mesma avenida, mas agora indo até o fim dela e chegando outra vez na Torre Gálata. Fim de tarde legal, movimento intenso de turistas. De noite fomos ver a Mesquita e visitar os arredores da Praça Taksim. Ficamos impressionados com a quantidade de gente, de todas as idades, andando, comendo, conversando e se divertindo. Nos lembrou uma vibe das cidades que conhecemos da China, sempre muita gente, muitas cores, muita intensidade.

Hoje de manhã não saí do hotel, preferi aproveitar a suíte. Ana ainda foi para umas últimas comprinhas.

E terminou nossa estada em Istambul. Gostamos muito. Da próxima, queremos ver algo do país e não apenas da capital. Amanhã, partimos para a Romênia, conhecer um pouco mais do Império Otomano, ver o Castelo de Drácula e dar um rolê pela Transilvânia. De lá, conto mais!
Pátio da Mesquita Azul

Ayran - um tipo de yogurte salgado. Delícia!

As lojas de doces...

Gatos em /istambul... um caso à parte!

Gatos

Bósforo

Ana no seu ecossistema: mercado
de especiarias!

Eu vi um gatinho aqui... são totalmente
parte da sociedade! 


domingo, 23 de agosto de 2026

Istambul, 22 e 23 de agosto de 2026.

 

Bósforo, visto do meu quarto em Istambul

Em Bizâncio. Em Constantinopla. Em Istambul. Três nomes, muita história. Eu cheguei há dois dias, para ver se os gregos, depois Romanos, Otomanos e os que hoje se denominam turcos fizeram um bom trabalho. Parece que sim, gostei bem do que vi nesses dois dias.

Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha

Viemos a passeio, Ana e eu. Passagem por Madrid, para aproveitar um pouco das mordomias que tenho na Latam. Saímos de casa na quinta-feira, dia 20 de agosto, às nove da manhã, chegamos ao Artisan Hotel, em Istambul, às 00h30 do dia 22. É mole? Pois sabe que é, eu acho, viajar a puro passeio torna até o cansaço em algo prazeroso.

Parece que estamos aqui há dias. São dez da noite do domingo, dia 23, e já vimos muita coisa.

Ontem, dia 22, começamos com um belo café da manhã no hotel. Destaque para o Menemen que comi, um famoso prato de ovos mexidos cremosos, cozidos com tomates, pimentões e temperos. Delícia. Depois, saímos caminhando. Fomos até Karaköy, um bairro famoso, portuário, que hoje é também ocupado por lojinhas simpáticas, restaurantes e cafés coloridos. Visitamos duas mesquitas. Uma, vimos pelo caminho, simples, não turística, e uma outra maior, a Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha - considerada uma das mesquitas otomanas mais interessantes de Istambul. Visitar mesquitas é uma onda, gosto de perceber as diferentes percepções dos locais de oração, culto, encontro com o Divino Ficamos pouco neste charmoso bairro, pretendo voltar, porque resolvemos seguir caminhando até a Torre de Gálata, que fica no alto do morro, no bairro do mesmo nome. 

Torre de Gálata, ao fundo

Essa torre é um dos tantos causos históricos que existem nesta cidade. Ocorre que ela é uma espécie de imposição europeia, decorrente de quando os Cruzados passaram por aqui em uma das suas idas (Quarta Cruzada) para guerrear pela cidade sagrada de Jerusalém. “Na passada”, invadiram e saquearam Constantinopla. É claro que “passaram por aqui” é uma simplificação de uma decisão tomada com muito cuidado e objetivos claros.

Posteriormente a esse momento, muitos genoveses, povo que sempre navegou mundo afora, se instalaram na cidade e acabaram se beneficiando de acordos feitos entre o império bizantino e os europeus, liderados por interesses de alguns estados e pela própria Igreja de Roma. Esses genoveses acabaram constituindo um bairro, no bairro construíram a Torre. Do alto dela podiam observar os barcos que cruzavam o Estreito de Bósforo e cobrar os impostos fruto dos direitos adquiridos por acordos políticos e comerciais, feitos como consequência das cruzadas e da retomada de Constantinopla pelos bizantinos. Acho eu que tanto o saque de Constantinopla quanto a Torre de Gálata podem ser lidos como o incômodo da Europa em ver uma das cidades mais prósperas do mundo crescer sob sua barba e não terem nenhum dividendo com isso. 

Ana, na linda escada, com o livro
que comprou para a Clara...

Seguimos caminhando do bairro Gálata para o bairro Pera, até a Avenida Istiklal. Nesse trajeto, passamos por três lugares que quero mencionar. Vou começar com duas livrarias que curtimos muito. A Minoa Pera, com suas cores vibrantes e escadas com livros “sustentando” os degraus, e a Phebus Books e Café, com livros lindos, que adoramos ver e onde nos animamos a tomar um chá. O terceiro lugar que quero mencionar é o Pera Palace Hotel. Entramos pela patisserie e fomos em direção ao restaurante e a recepção. Muito legal. Lindo. Tem uma série que se passa nesse hotel, que recomendo ver: Meia-noite no Hotel Pera Palace. Essa série é que nos fez ter vontade de conhecer esse hotel. Pretendo voltar lá para um café ou chá. Com um dos lindos doces que vi!

Do Hotel Pera Palace seguimos até a Av. Istiklal e pegamos a direção da Praça Taksim. É um calçadão, com lojas ocidentais, cafés, lojas de artesanato, perfumarias, lanchonetes e restaurantes. E muitas, mas muitas lojas de doces. Sabe aqueles famosos doces turcos? Todos eles andam pela cidade, esbarram contigo e te constrangem a comprá-los. Constrangidos, quase obrigados, provamos alguns…

E ainda eram três da tarde. Resolvemos voltar ao hotel para uma descansada das quase 40 horas de viagem!

Mas o dia acabou aí? Acabou nada…

Galera pescando na Ponte Gálata

Às seis da tarde, sol ainda alto, fomos de novo caminhando na direção de Karaköy. Mas aí já tivemos a manha de entrar no Galataport, um shopping center ao ar livre, construído numa onda comum por vários lados, de revitalizar a área portuária. Caminhada agradável, que nos levou à Ponte de Gálata. Essa ponte cruza o Corno de Ouro, um estuário ligado ao Bósforo e une as duas partes europeias da cidade. Ao cruzar a ponte, saímos de Karaköy para a chamada península histórica, onde a cidade foi fundada por Bizâncio. Paramos na ponte, vimos tudo que a cercava, viajamos na história e ainda ficamos admirando os inúmeros pescadores locais que deixam a cena ainda mais viva e cotidiana.

Chegando do outro lado, fomos caminhando tendo como objetivo a Igreja Santa Sofia. Possivelmente o local mais emblemático da cidade. Não entramos, está em obra, por fora e por dentro, o ingresso é caro e a fila estava enorme. Nos contentamos em ver por fora. Passeamos ao redor, vimos a Mesquita Azul iluminada, andamos pela praça (hipódromo) e buscamos um restaurante turco para terminar a noite.

Hoje, 23, domingo, foi outro dia intenso. Começamos visitando o Palácio de Dolmabahçe, bem próximo ao nosso hotel. 32 euros a entrada. Foi construído a mando do sultão Abdulmecid I, em meados do século XIX. Um palácio com forte influência europeia, que teve como função mostrar aos líderes do Velho Continente não só o poder e a riqueza do Império Otomano, mas também se colocar ombro a ombro na cena da modernidade europeia. Incrível seu tamanho e sua opulência. Realmente impressionante. Dizem que foram gastos o equivalente a 14 toneladas de ouro para ornamentar o teto do palácio. Só como ilustração da riqueza, o lustre (ilustração, lustre… sacaram?) principal do palácio pesa 4,5 toneladas, têm 750 lâmpadas e, supostamente, foi um presente da Rainha Vitória. 

Lustre do Palácio

Saímos do Palácio e pegamos um ferry em direção à Ásia! Sim, isso mesmo: saímos da Europa e fomos para a Ásia. Que onda, né?

Atravessar o Estreito de Bósforo, indo da Europa para a Ásia, é uma experiência que me gerou bastante expectativa. Li em algum lugar que Constantinopla, mais especificamente o Bósforo, era considerado uma espécie de dobradiça do mundo. Principalmente se levarmos em conta que o “mundo” que narra essa história desconhecia a América. E hoje cruzamos essa dobradiça.

Viagem rápida, uns 40 minutos, em direção a Kadıköy, que é a antiga Calcedônia, exatamente a cidade fundada pelos gregos um pouco antes daquela que eles também fundaram do outro lado do estreito, apenas algumas décadas depois: Bizâncio. Constantinopla, hoje Istambul, nasceu de Bizâncio e, ao longo dos séculos, acabou incorporando também a antiga Calcedônia.

Gostamos muito de passear pelas ruas de Kadiköy. Acho até que gostaríamos de ter ficado mais por ali, mas são tantas coisas para conhecer que acabamos nos dirigindo, de Uber, a Kuzguncuk, outro bairro também do lado asiático, famoso por suas casinhas coloridas, ruas de madeira tradicionais e clima de vila pacata. Curtimos bem, passeamos, almoçamos por lá e ainda comemos uma bela sobremesa acompanhado de um chá.

Meninas modelando em Kuzguncuk

Cansados, voltamos de Uber. Eu queria chegar antes do sol se pôr, para aproveitar o visual da nossa suite, bebendo algo simpático e escrevendo esse post. Funcionou super bem, noite para lá de agradável.

Ainda temos dois dias inteiros nesta asiática capital europeia! A impressão até agora é muito boa, apesar da distância entre os pontos que queremos ver, gastando certo tempo em deslocamento, e o fato de acharmos bonitos os pontos de interesse, alguns muito bonitos, mas a cidade mesmo, a arquitetura das casas e prédios, suas ruas e avenidas não colocam Istambul entre os lugares mais bonitos que já visitei.

Amanhã vejo mais, amanhã conto mais!


Mesquita Azul, ao entardecer

Chazinho na livraria.
Ruaszinhas de Kadikoy
Nosso jantar de sábado.
Lojinhas no centro histórico.
Cena cotidiana em Kuzguncuk


Cena lindíssima ao entardecer