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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Istambul, 24, 25 e 26 de agosto de 2026.

Mesquita de Taksim, na praça de mesmo nome.

Hoje é quarta, dia 26, e estamos por entrar no avião, indo para Bucareste. Deixa eu contar um pouco destes três dias em Istambul.

Interior da Mesquita Azul
Segunda-feira acordamos um pouco mais cedo e saímos do hotel às oito e meia. A ideia era ir direto para a Mesquita Azul, de Uber, uns 10 euros, para visitá-la antes da muvuca provocada pelos ônibus de turismo. Bingo! Às nove estávamos entrando e, de fato, não pegamos fila. Lá dentro estava muito tranquilo, ainda que não vazio.

A Mesquita é imponente por fora e linda por dentro, com vitrais e azulejos que impõem beleza sem transitar pela opulência. Essa é minha definição de luxo! Ou uma delas…

Ficamos de boa por ali, Ana com seu lenço cobrindo o rosto, eu de calça, nós dois descalços, como reza a liturgia das visitas a uma mesquita. Ficamos apreciando o lugar, até sentamos no chão, e ouvindo um ou outro guia que nos dava alguma informação sobre o que estávamos vendo. Gostamos muito de conhecer a Mesquita Azul.

Sobre a Ana colocar lenço: de boa, não vi ela reclamar nem um momento. Mas… ver as mulheres de hijab já mexe com ela um pouco, não pela estética em si, mas pela obrigação. Agora, a burca… burca minha mulher não tem emocional para ficar vendo, não…

Conheci Ana na faculdade, nos anos 80. O TCC dela foi sobre a invisibilidade do trabalho doméstico e a dupla jornada de trabalho à qual as mulheres são submetidas. A vida dela vem sendo, em boa parte, buscar igualdade entre os gêneros, com diferentes formas de luta. Então… ver mulheres, de todas as idades, de roupas pretas e compridas, com apenas o olho de fora… ao lado de maridos com bermudinhas e camisas de malha… definitivamente ela não aguenta, não!

Depois fomos em direção ao Grande Bazar. Caminhando por ruas cheias de gente, muitos turistas, muitas lojas e comércio. Passo tranquilo e olhos atentos, em 15 minutos já estávamos dentro da lindíssima construção que abriga centenas e centenas de lojas. 
É...

O que tem lá dentro? Putz… tudo! Lembrancinhas e lembraçonas em geral. Tapetes, lenços, roupas, joias, doces, temperos, cafés, relógios. Lenços caros, de seda ou cashmere, por 300 ou 400 reais; lenços por 15 reais, 100% poliéster, mas igualmente bonitos. Fico só nesse exemplo, mas quase todos os outros produtos seguem essa lógica. Um lindo prato colorido, pintado à mão? Caro! O “mesmo” prato, possivelmente da Shopee, muito barato!
Saímos do Grande Bazar caminhando, em direção ao Bazar de Especiarias, descendo por uma rua com um intenso comércio popular, onde camisas Armani ou Lacoste são vendidas a 30 reais. O Bazar de Especiarias é outro lugar muito legal. Outra vez nos deparamos com uma linda arquitetura, abóbadas belíssimas e muitos, mas muitos cheiros, temperos e cores, brotando de espécies e produtos que tanto movimentaram o mundo.

Grand Baazar
Já era uma da tarde, sol a pino, e regressamos, de Uber, ao hotel. Esse era o plano, porque resolvemos mudar de hotel. Checkout, check-in, e em uma hora o trâmite estava todo feito. Fomos para o Sofitel Taksim e não nos arrependemos da mudança. Nos deram um upgrade para uma suíte linda, grande, cheia de mordomias. Perto do outro hotel, mas em frente à Praça Taksim e à Avenida İstiklal, uma e outra das mais importantes da cidade.

Descansamos um pouco no hotel, falo ainda da segunda-feira, e nos dirigimos à Igreja de São Salvador de Fora. Esse “fora” fica por conta da localização mesmo: ela foi construída fora dos muros da cidade. Pagamos 20 euros cada um para entrar, e eu não gosto de pagar para entrar em igreja, mas essa hoje é mais um museu; abri uma exceção. Não vou contar a história dela aqui, que é superinteressante, mas posso dizer que vale a visita, ainda que não seja algo assim, mais que demais!

Agora, o lugar é maneiro, bem alto, perto de uns resquícios de muralhas. Pensar no poder dessas muralhas que protegeram Constantinopla por séculos, e que levou décadas para que os Otomanos conseguissem vencê-la, e que ainda estamos tocando nelas no século XXI é bem legal. Quando voltar ao Brasil, vou ver a série sobre a conquista de Constantinopla de novo.

Balat
Depois da visita às muralhas e à igreja, descemos o morro. Em uns dez minutos já chegamos no bairro de Balat. Muito legal, muito mesmo. Recomendo não deixar de ver, se vier por Istambul. Pode passar horas ali, entre comprinhas; foi o melhor lugar que achamos para comprar coisinhas e comidinhas, tomar café, comer sobremesa ou mesmo uma refeição mais completa. Fizemos parte disso durante as mais de três horas que ficamos entre Balat e Fener.

Aliás, legal perceber que não são apenas bairros bonitos de casas coloridas; são bairros onde caminhamos sobre algumas etapas da história. Em Fener, na herança grega e ortodoxa (o colégio grego é um edifício impressionante). Afinal, foram os gregos que fundaram a cidade. Em Balat, se nota a memória da comunidade de judeus oriundos, fugidos, de Espanha e Portugal. Sinagogas, igrejas, prédios, casas e ruas preservam, no cotidiano de hoje, as marcas dessas culturas nesses dois bairros.

Enfim, adoramos passear por Balat e Fener.

Dentro da Mesquita de Taksim
Ontem, quarta-feira, nosso rolê foi de manhã pela Av. İstiklal. De tarde, depois de um banho de piscina no rooftop do hotel, enquanto Ana fazia uma reunião de trabalho, regressamos à mesma avenida, mas agora indo até o fim dela e chegando outra vez na Torre Gálata. Fim de tarde legal, movimento intenso de turistas. De noite fomos ver a Mesquita e visitar os arredores da Praça Taksim. Ficamos impressionados com a quantidade de gente, de todas as idades, andando, comendo, conversando e se divertindo. Nos lembrou uma vibe das cidades que conhecemos da China, sempre muita gente, muitas cores, muita intensidade.

Hoje de manhã não saí do hotel, preferi aproveitar a suíte. Ana ainda foi para umas últimas comprinhas.

E terminou nossa estada em Istambul. Gostamos muito. Da próxima, queremos ver algo do país e não apenas da capital. Amanhã, partimos para a Romênia, conhecer um pouco mais do Império Otomano, ver o Castelo de Drácula e dar um rolê pela Transilvânia. De lá, conto mais!
Pátio da Mesquita Azul

Ayran - um tipo de yogurte salgado. Delícia!

As lojas de doces...

Gatos em /istambul... um caso à parte!

Gatos

Bósforo

Ana no seu ecossistema: mercado
de especiarias!

Eu vi um gatinho aqui... são totalmente
parte da sociedade! 


domingo, 23 de agosto de 2026

Istambul, 22 e 23 de agosto de 2026.

 

Bósforo, visto do meu quarto em Istambul

Em Bizâncio. Em Constantinopla. Em Istambul. Três nomes, muita história. Eu cheguei há dois dias, para ver se os gregos, depois Romanos, Otomanos e os que hoje se denominam turcos fizeram um bom trabalho. Parece que sim, gostei bem do que vi nesses dois dias.

Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha

Viemos a passeio, Ana e eu. Passagem por Madrid, para aproveitar um pouco das mordomias que tenho na Latam. Saímos de casa na quinta-feira, dia 20 de agosto, às nove da manhã, chegamos ao Artisan Hotel, em Istambul, às 00h30 do dia 22. É mole? Pois sabe que é, eu acho, viajar a puro passeio torna até o cansaço em algo prazeroso.

Parece que estamos aqui há dias. São dez da noite do domingo, dia 23, e já vimos muita coisa.

Ontem, dia 22, começamos com um belo café da manhã no hotel. Destaque para o Menemen que comi, um famoso prato de ovos mexidos cremosos, cozidos com tomates, pimentões e temperos. Delícia. Depois, saímos caminhando. Fomos até Karaköy, um bairro famoso, portuário, que hoje é também ocupado por lojinhas simpáticas, restaurantes e cafés coloridos. Visitamos duas mesquitas. Uma, vimos pelo caminho, simples, não turística, e uma outra maior, a Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha - considerada uma das mesquitas otomanas mais interessantes de Istambul. Visitar mesquitas é uma onda, gosto de perceber as diferentes percepções dos locais de oração, culto, encontro com o Divino Ficamos pouco neste charmoso bairro, pretendo voltar, porque resolvemos seguir caminhando até a Torre de Gálata, que fica no alto do morro, no bairro do mesmo nome. 

Torre de Gálata, ao fundo

Essa torre é um dos tantos causos históricos que existem nesta cidade. Ocorre que ela é uma espécie de imposição europeia, decorrente de quando os Cruzados passaram por aqui em uma das suas idas (Quarta Cruzada) para guerrear pela cidade sagrada de Jerusalém. “Na passada”, invadiram e saquearam Constantinopla. É claro que “passaram por aqui” é uma simplificação de uma decisão tomada com muito cuidado e objetivos claros.

Posteriormente a esse momento, muitos genoveses, povo que sempre navegou mundo afora, se instalaram na cidade e acabaram se beneficiando de acordos feitos entre o império bizantino e os europeus, liderados por interesses de alguns estados e pela própria Igreja de Roma. Esses genoveses acabaram constituindo um bairro, no bairro construíram a Torre. Do alto dela podiam observar os barcos que cruzavam o Estreito de Bósforo e cobrar os impostos fruto dos direitos adquiridos por acordos políticos e comerciais, feitos como consequência das cruzadas e da retomada de Constantinopla pelos bizantinos. Acho eu que tanto o saque de Constantinopla quanto a Torre de Gálata podem ser lidos como o incômodo da Europa em ver uma das cidades mais prósperas do mundo crescer sob sua barba e não terem nenhum dividendo com isso. 

Ana, na linda escada, com o livro
que comprou para a Clara...

Seguimos caminhando do bairro Gálata para o bairro Pera, até a Avenida Istiklal. Nesse trajeto, passamos por três lugares que quero mencionar. Vou começar com duas livrarias que curtimos muito. A Minoa Pera, com suas cores vibrantes e escadas com livros “sustentando” os degraus, e a Phebus Books e Café, com livros lindos, que adoramos ver e onde nos animamos a tomar um chá. O terceiro lugar que quero mencionar é o Pera Palace Hotel. Entramos pela patisserie e fomos em direção ao restaurante e a recepção. Muito legal. Lindo. Tem uma série que se passa nesse hotel, que recomendo ver: Meia-noite no Hotel Pera Palace. Essa série é que nos fez ter vontade de conhecer esse hotel. Pretendo voltar lá para um café ou chá. Com um dos lindos doces que vi!

Do Hotel Pera Palace seguimos até a Av. Istiklal e pegamos a direção da Praça Taksim. É um calçadão, com lojas ocidentais, cafés, lojas de artesanato, perfumarias, lanchonetes e restaurantes. E muitas, mas muitas lojas de doces. Sabe aqueles famosos doces turcos? Todos eles andam pela cidade, esbarram contigo e te constrangem a comprá-los. Constrangidos, quase obrigados, provamos alguns…

E ainda eram três da tarde. Resolvemos voltar ao hotel para uma descansada das quase 40 horas de viagem!

Mas o dia acabou aí? Acabou nada…

Galera pescando na Ponte Gálata

Às seis da tarde, sol ainda alto, fomos de novo caminhando na direção de Karaköy. Mas aí já tivemos a manha de entrar no Galataport, um shopping center ao ar livre, construído numa onda comum por vários lados, de revitalizar a área portuária. Caminhada agradável, que nos levou à Ponte de Gálata. Essa ponte cruza o Corno de Ouro, um estuário ligado ao Bósforo e une as duas partes europeias da cidade. Ao cruzar a ponte, saímos de Karaköy para a chamada península histórica, onde a cidade foi fundada por Bizâncio. Paramos na ponte, vimos tudo que a cercava, viajamos na história e ainda ficamos admirando os inúmeros pescadores locais que deixam a cena ainda mais viva e cotidiana.

Chegando do outro lado, fomos caminhando tendo como objetivo a Igreja Santa Sofia. Possivelmente o local mais emblemático da cidade. Não entramos, está em obra, por fora e por dentro, o ingresso é caro e a fila estava enorme. Nos contentamos em ver por fora. Passeamos ao redor, vimos a Mesquita Azul iluminada, andamos pela praça (hipódromo) e buscamos um restaurante turco para terminar a noite.

Hoje, 23, domingo, foi outro dia intenso. Começamos visitando o Palácio de Dolmabahçe, bem próximo ao nosso hotel. 32 euros a entrada. Foi construído a mando do sultão Abdulmecid I, em meados do século XIX. Um palácio com forte influência europeia, que teve como função mostrar aos líderes do Velho Continente não só o poder e a riqueza do Império Otomano, mas também se colocar ombro a ombro na cena da modernidade europeia. Incrível seu tamanho e sua opulência. Realmente impressionante. Dizem que foram gastos o equivalente a 14 toneladas de ouro para ornamentar o teto do palácio. Só como ilustração da riqueza, o lustre (ilustração, lustre… sacaram?) principal do palácio pesa 4,5 toneladas, têm 750 lâmpadas e, supostamente, foi um presente da Rainha Vitória. 

Lustre do Palácio

Saímos do Palácio e pegamos um ferry em direção à Ásia! Sim, isso mesmo: saímos da Europa e fomos para a Ásia. Que onda, né?

Atravessar o Estreito de Bósforo, indo da Europa para a Ásia, é uma experiência que me gerou bastante expectativa. Li em algum lugar que Constantinopla, mais especificamente o Bósforo, era considerado uma espécie de dobradiça do mundo. Principalmente se levarmos em conta que o “mundo” que narra essa história desconhecia a América. E hoje cruzamos essa dobradiça.

Viagem rápida, uns 40 minutos, em direção a Kadıköy, que é a antiga Calcedônia, exatamente a cidade fundada pelos gregos um pouco antes daquela que eles também fundaram do outro lado do estreito, apenas algumas décadas depois: Bizâncio. Constantinopla, hoje Istambul, nasceu de Bizâncio e, ao longo dos séculos, acabou incorporando também a antiga Calcedônia.

Gostamos muito de passear pelas ruas de Kadiköy. Acho até que gostaríamos de ter ficado mais por ali, mas são tantas coisas para conhecer que acabamos nos dirigindo, de Uber, a Kuzguncuk, outro bairro também do lado asiático, famoso por suas casinhas coloridas, ruas de madeira tradicionais e clima de vila pacata. Curtimos bem, passeamos, almoçamos por lá e ainda comemos uma bela sobremesa acompanhado de um chá.

Meninas modelando em Kuzguncuk

Cansados, voltamos de Uber. Eu queria chegar antes do sol se pôr, para aproveitar o visual da nossa suite, bebendo algo simpático e escrevendo esse post. Funcionou super bem, noite para lá de agradável.

Ainda temos dois dias inteiros nesta asiática capital europeia! A impressão até agora é muito boa, apesar da distância entre os pontos que queremos ver, gastando certo tempo em deslocamento, e o fato de acharmos bonitos os pontos de interesse, alguns muito bonitos, mas a cidade mesmo, a arquitetura das casas e prédios, suas ruas e avenidas não colocam Istambul entre os lugares mais bonitos que já visitei.

Amanhã vejo mais, amanhã conto mais!


Mesquita Azul, ao entardecer

Chazinho na livraria.
Ruaszinhas de Kadikoy
Nosso jantar de sábado.
Lojinhas no centro histórico.
Cena cotidiana em Kuzguncuk


Cena lindíssima ao entardecer





domingo, 12 de abril de 2026

Xangai, 11 e 12 de abril de 2026.

Buda de Jade recostado

Partiu casa! Estou aqui no aeroporto de Xangai, escrevendo esse último post da nossa trip de 20 dias pela China. Nem sei como adjetivar essa viagem; preciso ainda de um pouco de perspectiva para encontrar as palavras precisas. Mas foi interessante demais. E o objetivo foi atingido. Eu queria muito ver de perto esse país que minha geração viu, de forma meteórica, sair da fome e do escárnio internacional e se transformar no mais importante do mundo.

Mercados de bairro - a vida pulsa!

Ontem e hoje foram os dias de despedida. Deu para ver mais um pouco de Xangai, mas nossa energia talvez estivesse um pouco mais baixa.

Sábado de manhã, nos dividimos. Helena quis ir a uma loja de bolsas de marcas de luxo, de segunda mão — “second hand” fica melhor… O que ela me contou, sobre o tamanho do lugar e da forma como se faz a compra, toda por aplicativo e com possibilidades de ofertas e negociações, pareceu muito interessante. Bolsas são todo um tipo de ecossistema próprio, do qual eu não sei absolutamente nada. Até gostaria de ter ido com ela, mas Ana e eu optamos por ir conhecer o “Templo do Buda de Jade”.

A apenas duas estações de metrô do nosso hotel, chegar lá foi barbada. A caminhada até o templo, uns 500 metros, já justificou a ida. Pudemos ver a Xangai mais cotidiana, com vários mercadinhos de bairro e o povo fazendo as comprinhas de sábado de manhã. Eu poderia dizer “como em qualquer lugar do mundo”? Não sei se poderia. No mercado de peixe, a quantidade de peixes vivos em aquários, à espera do comprador — enguias e tartarugas também vivas — não vejo em qualquer lugar do mundo. Tampouco a quantidade de tofu em múltiplas preparações ou as barracas de carne expondo galinhas, patos e pombos inteiros.

Templo do Buda de Jade

Levamos quase uma hora para percorrer a curta distância que nos levou ao templo. E, de cara, já adoramos! É um templo “vivo”. Apesar de muito visitado por turistas, a entrada é gratuita e ali os locais vão fazer suas orações, sendo possível ver monges orando em seus espaços específicos.

O templo é lindo. Na verdade, nunca visitei um templo budista — algo que adoro fazer — que não fosse lindo. Este tem muitas e impactantes imagens. Mas as duas salas com os enormes Budas esculpidos em jade branco são incríveis. Incríveis.

As imagens foram trazidas da Birmânia no século XIX e esculpidas em pedra translúcida de jade, o que simboliza pureza e sabedoria. A “estátua do Buda sentado” mostra-o em profunda serenidade e representa Siddhartha Gautama no instante da iluminação, com uma mão tocando a terra enquanto a outra repousa em meditação, e deve ser associada à prática espiritual contínua. Gostei muito de ver essa sala, com uma obra de arte que é, ao mesmo tempo, um centro vivo de devoção, com o silêncio, o incenso e os rituais de saudação permitindo que os adeptos vejam na estátua, e no que ela representa, um caminho para sua própria iluminação. Ouvi de um guia que falava em espanhol que a obra foi esculpida em uma pedra única, pesa 2 toneladas e mede 1,90 metro de altura. Ele completou: “obra celestial, sem defeito. Para trabalhar com o jade branco, não podes falhar. Tem que ter técnica e paciência. Por isso, em espanhol, se tem o ditado: trabalho de chinês.”

Guanyin - a bodhisattva da compaixão
Essa sala, um pouco mais escondida do que as outras, não permite fotos. Sabe que até gosto disso? Deve ser uma blasfêmia o que vou dizer, mas ver os celulares guardados, poupando-nos do frenesi das fotos, me dá mais sensação de paz do que a própria imagem do Buda.

No mesmo salão, há outra imagem linda, daquele “Buda” sorridente e gordo (robusto é mais educado?). Na verdade, chama-se Budai e é inspirado em um monge chinês que viveu por volta do século X e que, com sua barriga exposta e expressão de alegria, tornou-se símbolo de felicidade, abundância e generosidade. Segundo li, sua presença no Templo do Buda de Jade lembra que a espiritualidade também pode ser leve e cotidiana — não apenas disciplina e transcendência, mas também contentamento, partilha e um certo desapego bem-humorado diante da vida. Gosto bem disso!

E ainda tem a outra estátua, tão linda quanto: a “estátua do Buda recostado”. Essa pode ser fotografada; deixo uma foto com vocês (a primeira deste post).

E pensar que locais como esse já foram considerados nocivos, vistos como superstições antirrevolucionárias durante a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung. Pior: muitos foram fechados, saqueados ou destruídos.

Esse período, que marcou a última década do poder maoísta, segue controverso — há quem o defenda. Mas o fato é que muito do que vemos hoje nesses templos tão impressionantes são reconstruções relativamente recentes, erguidas após as destruições ocorridas sobretudo nos anos 1960 e 1970.

Bom, realmente a visita ao templo já teria justificado o dia. Mas ainda tinha mais. Saímos dali e seguimos passeando pelo bairro, tendo como destino a “East Nanjing”, o mesmo calçadão que vimos ontem à noite e ao qual queríamos voltar. Não deu certo encontrar a Helena por lá, que voltou da sua excursão pelas bolsas e foi comer dumplings em outro restaurante estrelado Michelin. Ana e eu nos perdemos um pouco na caminhada, mas por caminhos sempre agradáveis chegamos na East Nanjing. 

Xangai também tem disso...

Com muita gente no tal calçadão, lojas e lojas lotadas, chovendo fino — não nos pareceu uma boa seguir ali. Mudamos o trajeto e fomos à “West Nanjing”. Nos encontramos nas duas confeitarias, que já mencionei na crônica anterior: uma com inspiração londrina, outra francesa, uma ao lado da outra. Comprei uma torta de três chocolates em Londres; Ana, dois quitutes em Paris; e nos sentamos ali mesmo, em uma mesa nesse pedacinho da França em Xangai, com um café quente. Parece chique, né? Sim, pode até ser chique, mas os doces estavam mais bonitos que gostosos, o café frio e ralo, e ainda chovia nas nossas costas. Viu? Tudo depende da narrativa pela qual você opta. Tudo depende da história que você escolhe contar para si mesmo. Querem que eu descreva algo mais nobre ou algo mais mundano? Posso fazer os dois, sem mentir. Acabo de me lembrar de um verso de Pessoa: “fiquei perplexo com essa dupla existência da verdade”.

Com o tempo chuvoso, voltamos ao hotel. Pit stop para sair de novo. Claro que Ana e eu fomos desfrutar do agradável happy hour que meu status na rede Accor nos proporciona. 27º andar, visual bacana, música suave, bebidinhas e comidinhas ao nosso dispor. Helena nos acompanhou, mas ela queria mesmo era ir a um bar inaugurado há pouco na cidade, mas que já existe em Hong Kong há um tempo e hoje é considerado o melhor do mundo, segundo a lista do The World’s 50 Best Bars. Helena entende do rolê e nos avisou que, chegando lá às sete e meia, a fila poderia ser grande. Fomos assim mesmo. Entramos na fila, por aplicativo, e vimos que estávamos em 31º. Uma hora depois, estávamos em 14º. Desistimos! Fomos dar um rolê em um shopping perto do hotel e depois fomos a um bar/restaurante bem interessante por ali mesmo. Era o último momento com Helena; hoje, às cinco, ela saiu para o aeroporto.

Cerejeiras em flor e minha modelo favorita

Domingão, nublado, Ana e eu, agora em modo sem a filha, resolvemos ir a um parque que nos foi apresentado por um reels que caiu na nossa mão: o Gucun Park.

Levamos mais de meia hora de metrô até a entrada dois do parque. Pagamos 20 yuans cada um para entrar. Estava vazio. É que o visual que nos foi prometido pelo reels já não estava tão presente: um sem-número de cerejeiras em flor. Além disso, o tempo estava úmido; às vezes caía uma chuva fina. Mas foi legal: com pouca gente, o clima era de puro relax, entre algumas árvores ainda floridas e muitos canteiros coloridos. Li que o parque, um dos maiores de Xangai, com cerca de 400 hectares, é um importante espaço de lazer para os moradores da cidade, especialmente durante a primavera, quando as flores atraem famílias, grupos de amigos e fotógrafos. Bem cuidado, amplo — mesmo com poucas árvores floridas, estava agradável o passeio. Ficou ruim quando resolvemos voltar de Didi. Coloquei como referência o tal Starbucks Reserve, local que gostamos muito e queríamos rever, além de estar a uns 15 minutos caminhando do hotel. Depois de meia hora no Didi, percebemos que ele nos levou a outro Starbucks, longe demais. P da vida, chamamos outro Didi; levamos mais uma hora para chegar aonde queríamos. Reforço aqui, agora por experiência própria, o que já haviam me alertado: colocar nomes em inglês nos aplicativos de transporte da China pode mesmo dar esses erros; tem que ficar atento.

Flores e flores

Chegamos ao Starbucks, mas o fato dele estar lotadíssimo, e de estarmos com o tempo um pouco apertado, nos fez pegar o rumo do hotel — mas de boa, passeando. Assim foi: uma lojinha aqui, uma rua que ainda não tínhamos visto ali, uma passada no Plaza 66, mais um dos tantos shoppings que reúnem marcas de luxo no país como um todo e em Xangai em particular. Impressionante.

É verdade que a China achou seu caminho para tirar sua enorme população da fome e da pobreza. Os números mostram. A sensação que tivemos nessa viagem por sete cidades confirma. Mas o culto ao consumo assusta. Lembro de um dia, lá pelos anos 1990, em uma oportunidade que tive de tomar uma cerveja com José Lutzenberger, apenas nós dois, com ele falando que o capitalismo e o socialismo real eram semelhantes na relação de exploração da natureza. Isso ele comentava pensando principalmente nos regimes da URSS ou da China. O modelo chinês atual, que sabemos não se encaixa em algo já tentado ou previsto nos livros, provoca também um visível, quase assustador, impacto no meio ambiente. Ele é hoje o maior emissor de gases de efeito estufa do planeta. Parece que sua preocupação ambiental é real — isso eles afirmam de forma categórica —, mas passa longe da diminuição do consumo e sim por severas medidas na reciclagem/tratamento do lixo e na energia não baseada no petróleo.

Ruas próximas a west nanjing road

Emitir menos carbono e cuidar do lixo gerado é super oportuno e necessário, mas não posso achar que será suficiente. Intuo, sem me preocupar com o tamanho da bobagem que posso estar falando, que não é um modelo multiplicável por muitos anos ou algumas décadas mais.

Um dos meus objetivos em fazer essa viagem era entender algo mais deste país. Saio sabendo pouco mais do que quando vim. Complexo demais... E tem um aspecto que gera uma prosa boa, mas não aqui: E as liberdades individuais, a quantas andam? Um turista não consegue perceber. E eleições que não tem? Mas tê-las a cada 4 ou 5 anos significa mesmo democracia? Vixi, conversa para lá de complicada.

Passamos o fim de tarde entre nos arrumarmos para ir embora e fazermos o tempo passar em uma caminhada de despedida. Às oito, viemos para o aeroporto.

Um breve sufoco com a passagem: a Air China não reconhecia que havia um bilhete vinculado à minha reserva, mas conseguimos resolver, com Ana incansável na conversa com os chineses e eu no WhatsApp, com o atendimento especial Black Signature da LATAM.

Agora começa nossa saga de volta: 13 horas até Milão, cinco horas de aeroporto, mais 12 horas até Guarulhos, 2 horas de aeroporto, mais 2 horas de voo até Porto Alegre e mais 2 de carro até Torres. Quer viajar? Tem disso também!

Deu de China. Na próxima viagem, conto mais!

Parque Gucun

Happy hour do hotel, do jeitinho
que gosto...

Enguias no mercado. Três tamanhos.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Xangai, 08 a 10 de abril de 2026.

 

Pudong, visto de The Bund

Já estamos há três dias em Xangai. Que viagem é essa cidade! Eu vim com a Xangai futurista na cabeça, os prédios enormes, as muitas luzes, a riqueza, a tecnologia. Afinal, trata-se de uma das cidades mais ricas da China e de um dos principais centros financeiros da Ásia. Sim, vi tudo isso, minha expectativa não estava fora do quadro, mas me surpreendi também com uma Xangai com muita presença europeia, na comida, na arquitetura, no jeito da cidade. Mas, sabe, a real é que Xangai é isso, e muito mais, não cabe em um parágrafo e, já aviso, não vai caber nas duas crônicas que farei sobre nossa estada nesta cidade.

Pudong - visual futurista de Xangai

Parece que, em dado momento, e posso dizer que há pouco, neste século, Xangai foi puxada direto para o futuro, sem deixar de lado a presença do passado. Lá atrás era um vilarejo de pescadores e virou um dos principais portos da China, especialmente a partir do século XIX, quando, depois da Guerra do Ópio, foi aberta ao comércio estrangeiro. Sabe o que foi a Guerra do Ópio? Não? Eu também não sabia, mas uma das coisas que mais gosto de fazer quando viajo é ler sobre o lugar, ampliando o olhar sobre o local onde estou. Então, na real foram duas Guerras do Ópio, dois conflitos entre a China e o Reino Unido no século XIX, basicamente por causa do comércio — e, mais especificamente, do ópio. Acontece que britânicos detestam ficar para trás, como sabermos, ainda mais nos séculos passados, onde a poderosa Marinha Britânica andava por aí brincando de controlar e conquistar o mundo. No início do século XIX, a China exportava muito chá, seda e porcelana, para os britânicos. Ocorre que esses não tinham muito o que vender em troca. Para equilibrar essa conta, passaram a vender ópio (uma droga derivada da papoula) produzida na Índia, que era domínio inglês, para os chineses. O problema é que isso gerou uma crise enorme de vício na China. Em dado momento, o governo chinês tentou proibir o ópio e apreendeu carregamentos da droga, e os britânicos reagiram militarmente. Isso deu início à Primeira Guerra do Ópio (1839–1842). Resultado? Britânicos ganharam e a China foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim (1842), sendo obrigada a abrir portos ao comércio estrangeiro, pagar indenizações e ceder Hong Kong ao Reino Unido. Depois ainda houve uma Segunda Guerra do Ópio (1856–1860), com participação de britânicos e franceses, que aprofundou ainda mais essas imposições.

Iníco da noite, a Nanjing Road acende
suas luzes.

Essa passagem de ingleses, franceses, depois americanos e japoneses deixou marcas claras — bairros inteiros com arquitetura europeia, como o Bund e a antiga Concessão Francesa. A Revolução Comunista, liderada por Mao Tse Tung, em 1949, acabou definitivamente com essa farra, que já vinha perdendo força. Li, inclusive, que Xangai perdeu um pouco de protagonismo no próprio país, recuperado com tudo nas últimas décadas, se transformando nesse centro financeiro gigantesco, cheio de arranha-céus, luzes e energia. É uma mistura curiosa e muito sedutora: tradição chinesa, passado colonial e um presente hipermoderno convivendo no mesmo lugar.

Pois foi nesse cenário que pudemos mergulhar por cinco dias. Muito legal, saber destes passados para entender melhor os presentes, e presentes aqui uso nos dois sentidos, que a vida nos dá. Concorda?

Chegamos, vindo de avião de Zhangjiajie, na quarta-feira, dia 08. Cumprindo exatamente o planejado desde que saímos de casa. Aliás, a única mudança no nosso roteiro na China foi tirar uma noite de Furong e transferi-la para Zhangjiajie. Eram umas 4 da tarde quando fizemos checkin no excelente Swissôtel Grand Xangai. Super bem localizado, perto da Nanjing Road, uma das avenidas mais conhecidas e visitadas por aqui.

Saímos rápido, a fim de aproveitar o que ainda tínhamos de dia pela frente. A caminhada nos levou a uns lugares bacanas. Em poucos minutos, já estávamos naquele contraste clássico da cidade: o movimento ao redor do Jing'an Temple ficando para trás e uma Xangai mais calma e contemporânea aparecendo. Caminhamos uns dez minutos, longe da muvuca da Nanjing Road, e entramos quase sem perceber num desses espaços escondidos da cidade, chamado Zhang Yuan. Quando vemos desde a rua, algumas boas lojas, mas quando circundamos, nos encontramos com uma pequena praça com instalação de arte e bares descolados, todos reunidos numa construção baixa, meio “escondida” do trânsito. Curtimos, poderíamos ter sentado por ali e aproveitado a tranquilidade, mas acho que queríamos logo ver a Shanghai intensa e movimentada. Pegamos a rota de volta e caminhamos pela Nanjing West Road. Era início da noite, a cidade começando a se acender, ficamos admirando a organização, a limpeza, as lojas de luxo que se sucedem de forma incansável. 

A bakeria francesa que mencionei.

Momento muito agradável. Ana e Helena encontraram uma Uniqlo perto de um daqueles cruzamentos que resumem bem Xangai: gente por todos os lados, um fluxo constante que não para nunca. Quase colada a Uniqlo duas bakeries uma de frente para a outra — a AMAM Lonbakery Town, com pegada mais londrina, e a Butterful & Creamorous, mais “francesa”, cheia de vitrines bonitas e doces chamativos. É um pedaço pequeno, mas muito vivo, meio caótico, meio organizado, onde se pode perceber executivos, turistas e jovens se misturando.

Essas padarias/docerias com ar de Londres e Paris logo me fez lembrar das guerras do ópio e suas consequências, da ocupação europeia em Xangai.

Era início da noite quando Ana e eu voltamos ao hotel, Helena seguiu dando banda! O happy hour do Swissôtel é no 27 andar, agradabilíssimo, e foi ali que terminamos nossa noite.

Quinta-feira, dia 9, a disposição era de caminhar pela cidade, que nos causou uma excelente primeira impressão. Começamos visitando o Templo Jing’an, ao lado do hotel. Ana e eu adoramos visitar templos. Sempre gostamos. Agora, tenho a chance de colocar fotos das imagens em alguma inteligência artificial e entender melhor o que estou vendo. Dá uma maior qualidade à visita, ela fica mais interessante. Em meio à intensidade da cidade, é só atravessar o portão e entrar num espaço de calma. 

Uma das tantas imagens do Bhuda
no Templo de Jing'an

Apesar de muita gente, o incenso no ar, os telhados dourados e aquele silêncio respeitoso típico dos templos budistas gera um clima diferente. Li que a origem dele é antiga, com mais de mil anos, mas o que se vê hoje é uma reconstrução recente. Tudo muito bem cuidado. Lá dentro, como disse, pessoas rezando, acendendo incensos, fazendo oferendas — tudo acontecendo naturalmente, mesmo com a cidade pulsando ao redor.

Depois, pegamos o mesmo caminho de ontem. Chegamos à mesma Uniqlo, no metro da Nanjing West, mas eu queria mesmo era ir a uma loja da Onitsuka Tiger, próxima. Queria comprar um tênis Tiger, modelo México 66, o mais icônico da marca, e que era objeto de desejo na minha adolescência. Helena e eu acabamos comprando um amarelo, que foi imortalizado por ter sido usado pela Kill Bill, nas cenas que ela fazia com sua roupa toda amarela.

Próximo destino: ver o navio da Louis Vuitton. Eu sei que o dono desta marca é uma das pessoas mais ricas do planeta. Mas, ainda assim, ver que eles colocaram um navio enorme, em uma das regiões mais valorizadas de uma das cidades mais importantes do mundo, é de cair os butiás do bolso. Não conhece essa expressão? Tem que morar uns vintes anos no RS para aprender a usá-la.

The Louis

O navio, chamado de "The Louis", é uma impressionante loja-conceito da Louis Vuitton, projetada no formato de um navio gigante. Abriga três andares que combinam uma boutique exclusiva, uma exposição artística e o café temático Le Café Louis Vuitton, que existe também em Nova York e Paris. O navio tem cerca de 30 metros de altura e mais de 100 metros de comprimento. A fachada mescla o shape da embarcação com motivos de malas, em boa parte revestida pelo monograma metálico da grife. Achei a maior doidice! Mas Xangai é assim, porque ao lado, tem uma Starbucks reserva. Têm algumas Starbucks desta pelo mundo, eu havia visto em Milão, mas a de Xangai é ainda mais suntuosa. Enorme, cafés sendo torrado à vista de todos, maquinas sofisticadas, super bem decorado, com várias formas de extração de café e comidinhas lindas. Digo lindas porque não provamos, estava muito cheio e era quase hora do almoço.

E onde fomos almoçar? Capitaneados pela Helena, fomos a um restaurante com estrela Michelin. Aliás, nem contei que ontem almoçamos em um também Michelin, ainda que no de ontem a estrela está com outra filial do mesmo dono.

Praça do Povo e a prefeitura


O de hoje era o Seventh Son. Comemos deliciosos dumplings acompanhados de um chá de jasmim. Curtimos bem, estavam gostosos, mas estamos sempre com a sensação de que não conseguimos fazer o melhor pedido possível.

Terminamos de almoçar e seguimos nossa jornada. Fomos de caminho, para chegar na Praça e no Parque do Povo. O Parque é amplo, arborizado, locais passeando, com bancos e mesas espalhadas onde habituês se reúnem para uma jogatina. Cena muito bacana de ver.

A Praça do Povo está ao redor da sede da prefeitura. Em muitas cidades chinesas tem um “Praça do Povo”. Essa denominação guarda estreita relação com a revolução comunista, afinal estamos na República Popular da China. Essa denominação, “do povo”, guarda o simbolismo de expressar quem efetivamente está no poder: o povo. Em Xangai, a carga simbólica é ainda mais forte, pois esse lugar era anteriormente conhecido como Hipódromo de Xangai, dedicado à elite europeia.

Depois desta boa caminhada, meio da tarde, voltamos de Didi ao hotel para recarregar um pouco as energias. No início da noite, nos dirigimos ao local conhecido como “concessão francesa”. Outra vez se faz visível a presença europeia em Xangai. Um bairro charmoso, com casario em arquitetura colonial, muitas lojas e cafés descolados. O passeio foi interrompido pela chuva, acabamos em um bar bem simpático, chamado The Union Trading Company. Tomamos um drink e gostamos tanto que fomos procurar outro bar. Fui em uma direção que havia mapeado, deu errado, mas acabamos em outro bar muito legal. O Rincon Bar. Para quem curte um ambiente legal e um drink autoral, recomendo os dois. 

The Union Trading Company

Hoje, sexta-feira, seguimos no ritmo intenso que a cidade propõe. Pegamos o metro, ao lado do hotel, e fomos conhecer Pudong. É o distrito financeiro de Xangai. O lugar onde vemos os prédios enormes, arquiteturas diversas, avenidas largas, passarelas e viadutos. Ali está a Torre Pérola, mal comparando a Torre Eiffel de Xangai. Nós não subimos nela, mas pegamos a dica de um tiktoker e subimos até o Cloud 9, um renomado bar panorâmico localizado no 87º andar do hotel Grand Hyatt, dentro da Torre Jin Mao. Era cedo, tínhamos esperança de tomar um café, mas é um bar, estava fechado. Valeu ter subido até lá.

Depois fomos até a estação de metrô “Shanghai Science and Technology Museum”. Fomos nos enriquecer de cultura vendo o Museu? Não... fomos ao maior mercado popular de Xangai, que vende de tudo, mas muito de tudo. E, claro, muitas réplicas. Antigamente eram chamados de falsificados, agora são réplicas. Segundo meu filho Daniel, “originalzinho”.

Ficamos mais de duas horas por lá, entre negociações e compras. O esquema é aquele, eles dão um preço inicial de 1000, se você pagar mais que trezentos pagou caro. Eles falam mil, você fala cem, chega a duzentos, você sai com a impressão de que fez bom negócio, eles mantêm um sorriso no rosto que nos faz crer que também fizeram um bom negócio. Um verdadeiro win-win!

East Nanjing Road

Era hora de ir ao hotel descarregar compras e recarregar energia. Na saída do metrô, achamos um restaurante tailandês. Comemos muito bem, tão bem que nos fez ter certeza de que não nos adaptamos à comida nas cidades da China por onde passamos. Para Ana e Helena, que não comem frango nem carne vermelha, mais difícil ainda. Também os enormes cardápios, em chinês, tradução nem tão simples, nos fazia perder a paciência em sermos precisos na escolha, nem sempre acertávamos. Mas a comida tailandesa estava deliciosa!

Fim de tarde, partiu para a estação de metrô East Nanjing Road. Ali nos deparamos com um grande calçadão, muitas de ruas de compras, absolutamente lotadas. Outra vez com as grandes marcas mundiais marcando presença.

Caminhamos em meio à multidão em direção ao The Bund. O The Bund (Waitan) é o cartão-postal mais famoso de Xangai. Um calçadão histórico com mais de 1500 metros, à beira do rio Huangpu, conhecido pelo visual hiper iluminado dos dois lados do rio. Estávamos, o The Bund propriamente dito, com dezenas de edifícios coloniais europeus de estilo neoclássico e art déco. Do outro lado do rio, Pudong, onde estivemos hoje de manhã, só que agora podendo ser visto mais em perspectiva e todo iluminado. Com aquele show de luzes, o aspecto futurista se acentua. E barcos cruzando o rio, também fartamente iluminados.

Yuyuan Bazzar

Ficamos ali, acompanhados de uma verdadeira multidão, a maioria chineses, admirando tudo o que víamos, em um e outro lado. O lugar é muito aprazível para caminhar. E foi o que fizemos, na direção do Yuyuan Bazaar. Uns dois quilômetros depois chegamos. Não sabíamos exatamente o que iriamos encontrar. Outra viagem... outra vez nos deparamos com um sem-número de lojas de souvenirs, cafés, sorvetes, comidas, roupas, calcados e muito mais. Muitas ruelas dentro desse complexo chamado de Yuyuan Bazaar. Contiguo, meio dentro, o Parque Yuyuan, mas nesse nós não fomos, a visitação é paga e ocorrem só durante o dia. Essa tarde-noite, com East Nanjing Road, The Bund, caminhada e Yuyuan Bazaar foi super agradável. Eram onze da noite quando chegamos ao hotel.

Fico por aqui nesse relato de nossos três primeiros dias em Xangai. Esses post é, disparado, o maior dos mais de 300 que tenho nesse Blog. Ainda tem mais dois dias, vou contar sobre eles na última crônica sobre essa incrível viagem à China.

 

 

Visual do Starbucks Reserve

Jogatina no Parque do Povo

Vai um drink?

Concessão Francesa

Fairmon Xangai... queria ter ficado
nesse hotel!

Yayuan Bazaar

Yayuan Bazaar