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| Aspecto do Exército de Terracota |
Saímos
cedo de Pequim. Chegamos com uma hora de antecedência na estação, e tudo correu
muito bem. Viajar de trem rápido na China era um desejo nosso para essa viagem,
e não nos decepcionamos. Durante a viagem, fiquei lendo e percebendo que
estávamos saindo da capital política do país, Pequim, para a cidade que de
certa forma significa a sua raiz civilizacional, não por nada conhecida como Cidade
Imperial de Xi’an. Você se interessa por história? Então na tua viagem pela
China tem que passar por aqui.
Chegamos
ao meio-dia. Da estação ao hotel, meia hora de Didi. Maneiro vir para o
“interior”: uma cidade pequena — Xi’an tem “apenas” 14 milhões de habitantes!
Putz!
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| Cena urbana em Xi'an |
Nesse
breve caminhar por esse país, estamos na segunda de sete cidades que
conheceremos, somando ao que já trazia das leituras, é muito perceptível a
urbanização: cidades vibrantes, cheias de prédios altos, como vimos também ao
longo do trajeto de trem de Pequim a Xi’an. O próprio trem, sobre trilhos que
funcionam como um “arranha-céu horizontal”, nos levou a percorrer cerca de
1.100 km em quatro horas, com algumas paradas no caminho, mostrando o vigor da
indústria e da infraestrutura deste país.
Mas
sei que ainda existem cerca de 500 milhões de pessoas vivendo em áreas rurais —
algo como um terço da população. Em poucas décadas, a China saiu de um país
majoritariamente agrícola para uma potência urbana, praticamente eliminando a
pobreza extrema (anúncio feito pelo governo em 2021). Ainda há algo entre 200 e
250 milhões de pessoas com renda baixa, mas os avanços são inegáveis.
Tudo
isso começou com as reformas de Deng Xiaoping, lá atrás — lembro bem desse
momento —, quando a economia foi “liberalizada”, permitindo pequenos negócios
privados. Concomitantemente, houve a liberação da mão de obra do campo, a
criação de empregos nas fábricas, o incentivo à migração para as cidades e um
investimento pesado em infraestrutura. Uma potência mundial, que preferiu
investir em infraestrutura, não em guerra. O mesmo ferro que faz um canhão faz
um trem. 
Primavera: flores para todo lado
O
resultado é palpável, quase dá para tocá-lo no trem rápido que corta o país,
nas obras, nas multidões e nessa sensação constante de um lugar em movimento.
Sei que é atrevimento falar isso com apenas uma semana aqui, mas é a sensação
que tenho: o país parece confiante, as pessoas felizes.
Sou
da geração que cresceu com a imagem da China campesina e das ruas lotadas de
bicicletas. Nas duas cidades pelas quais passamos — Pequim e Xi’an —, o que vi
foram muitos e muitos carros, quase todos novos, algumas motos e poucas
bicicletas. Imagino que, na China profunda, rural, a dinâmica seja outra. Mas,
como comentei, hoje o país é majoritariamente urbano. Veremos se consigo ainda
ver algo da China rural para ampliar minhas perspectivas e aguçar minhas
percepções.
Chegamos,
como disse, no início da tarde e saímos assim que deixamos nossas coisas no
hotel. Fomos direto para a região da Torre do Sino, caminhando em busca de um
restaurante que a Helena tinha visto como o melhor para comer dumplings: o De
Fa Chang. Servem uma enorme variedade de dumplings, bonitos e saborosos.
Pedimos também berinjela e vagem salteadas em um delicioso molho picante.
Adoramos! 
Vagem e beringela salteados!
Estávamos
ao lado do famoso bairro muçulmano, mas optamos por regressar ao hotel para
sair novamente à noite. E assim fizemos. No fim da tarde, fomos ao Datang
Everbright City, uma enorme avenida repleta de luzes, esculturas e instalações
que remetem à dinastia Tang. A maior viagem! Bem a cara do que vejo por aqui:
passado e futuro de mãos dadas. Chovia um pouquinho, mas ainda assim curtimos
muito.
Voltamos
ao lindo hotel depois das dez da noite, bem cansados. A China cansa… a média
tem sido de 12 a 13 km por dia! E acho que a quantidade de gente, luzes, sons e
cores amplia essa sensação de cansaço.
Essa
viagem é cheia de pontos altos. Ontem, segunda de manhã, foi um deles: fomos
visitar os famosos Guerreiros de Terracota. Realmente impressionante.
Totalmente justificada a opinião de quem diz que esse sítio arqueológico
poderia ser considerado a oitava maravilha do mundo.
Compramos ingressos no site oficial e fomos de Didi — cerca de 50 minutos. Gostamos de pegar um trecho de estrada.
Vale
contar que, em 1974, durante uma grande seca na região, alguns agricultores
resolveram cavar um poço. Um deles encontrou uma cabeça aqui, uma mão ali,
todas de argila. Achou que não era nada demais, mas, ao encontrar mais
fragmentos, decidiu chamar as autoridades. Começaram as escavações e… bingo!
Era um exército com mais de 8 mil soldados, além de centenas de cavalos e
carruagens, todos em tamanho real. Ainda em 1974 o local foi aberto para
visitação e, desde então, tornou-se extremamente popular. Ontem, em plena
segunda-feira, havia uma verdadeira multidão — a imensa maioria de visitantes
chineses.
Essas
esculturas foram feitas há mais de 2.200 anos para acompanhar o imperador Qin
Shi Huang na vida após a morte. Tudo faz parte do seu complexo funerário. O
mausoléu propriamente dito — onde está o imperador — ainda não foi escavado. O
trabalho é feito com extremo cuidado, devido ao risco de danificar essas
preciosidades.
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| Aspecto do bairro muçulmano |
Já
era quase cinco da tarde quando seguimos até a muralha da cidade, outro ponto
de interesse sempre citado. Pagamos o ingresso e subimos. Andar pela muralha
deve ser agradável — e é recomendado ver o pôr do sol dali. Eu achei médio,
porque, nesta época não sei se por ser primavera ou por outro motivo, a muralha
está tomada por uma decoração intensa, com animais mitológicos, enfeites,
lanternas etc., que chamam atenção pelo excesso de cores. Acho que eu
preferiria a muralha mais limpa, apenas com seus belos postos de observação, na
arquitetura característica da época imperial deste lado do mundo. 
Muralhas de Xi'an - posto de oibservação
Da
muralha fomos para o happy hour no hotel e não saímos mais. O ambiente do
Sofitel Legend é muito agradável, e eu não resisto a um 0800…
Hoje
de manhã fomos visitar um templo budista (Da Ci’en Temple), que abriga a Grande
Pagoda do Ganso Selvagem. Não fomos nesta última, uma enorme estrutura de sete
andares, construída no século VII, com várias estátuas de Buda, mas adoramos
visitar o templo, seus jardins e suas salas de oração. Lindíssimo.
Agora
são 4 da tarde de terça-feira, dia 31 de março. Estamos no trem, indo de Xi’an
para Chengdu, a mais de 300 km/h. Saindo meio que do centro do país para o
sudoeste. Vou ter que voltar, dois dias não deu nem para o cheiro. Mas nosso
roteiro agora é ver os pandas. De lá, conto mais!
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Da Ci’en Temple - Guanyin, a bodisatva da compaixão – na China,é representada com traços femininos |
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| China à noite - Datang Everbright City |
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| China à nooite - Datang Everbright City |
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| Lula Grelhada - comidinha de rua na China |
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| Exército de Terracota |
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| Exército de Terracota |
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Imagem do Buda (Sidarta Gautama) |






























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