Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Uruguai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Uruguai. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Uruguai, 23 e 24 de janeiro de 2017.


Pôr do sol em Punta Colorada... sem edição...
Me apaixonei por Punta Colorada. Sei que tenho um coração frágil, destes que se apaixona fácil por paisagens bonitas, mas Punta Colorada é demais. Os breves morros que a rodeiam, a água calma, a areia branca, e principalmente, o pôr do sol. Que pôr do sol. Como sabemos não é comum nas Américas vermos o sol se pondo no Oceano Atlântico. Mas nesta parte do litoral do Uruguai existem várias penínsulas (punta, em espanhol). Para quem não lembra, península é uma porção de terra cercada de mar por quase todos os lados. 
Pôr do sol em Punta Colorada.
E nesta parte do planeta, em determinados ângulos de uma península o Atlântico fica à oeste. Dá para conferir nas fotos que coloquei neste post. Aliás este post é para não deixar de compartilhar estas fotos do pôr do sol. Como mantenho este blog também para manter minha memória, eu não poderia correr o risco de perder esta.
Sobre nosso dia de ontem, segunda-feira, foi entre praia e praia. Com direito à pausa para almoçar na casa que alugamos, porque o sol no início da tarde se colocou meio violento
Muito bom. Gostei muito de lembrar como é agradável alugar uma casinha em um balneário. Bem acompanhado, melhor ainda.
a única foto da nossa bela noite - jogo de
tabuleiros, ao fundo os velhos e a parrilla.
E de noite ainda tive o prazer de ir na casa do meu amigo uruguaio Alberto Gómez, comer uma parrillada com sua família. Nos conhecemos ao redor da agroecologia há 25 anos e nunca tínhamos tido a chance de reunir nossas famílias. Graças às redes sociais descobri que ele estava ali e pudemos nos encontrar.
Hoje de manhã já era dia de retornar. Os mosquitos nos tiraram cedo da cama e antes de pegar a estrada em modo retorno passeamos até Punta del Leste, apenas para dar uma olhada, já que não conhecíamos. Bonita e imponente, quase majestosa, como sempre pude ver pelas fotografias e propagandas. Um pouco ao sul de Punta del Leste, chama a atenção Punta Ballena, um lugar de visual impactante.
Eram onze da manhã quando deixamos Mariane e Gabriel em Rocha, cidade à beira da Ruta 9, para eles seguirem suas aventuras em terras uruguaias. Despedida e choros e Ana, Daniel, Tiago e eu voltarmos para casa.
Punta Ballena
Agora estamos na estrada de volta, deixando o Uruguai. Entreguei a direção à Ana para ver a paisagem e escrever um pouco. Escrever me descansa.
Foi pouco mas foi bom. Me surpreendi com a beleza do litoral Uruguaio e é bem possível que eu volte. Agora, hora de pegar a direção de novo. A idade vai avançando mas sigo gostando de dirigir longas distâncias. Espero chegar em casa ainda hoje!

Pôr do sol em Punta Colorada.

Pôr do sol em Punta Colorada.

Pôr do sol em Punta Colorada.

Pôr do sol em Punta Colorada.

Só alegria...

eu e meus meninos...
Federer x Federer

Aula de parrillada com Alberto Gomez - que luxo!!!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Uruguai, 20, 21 e 22 de janeiro de 2017.


vendo o por do sol...
         E passamos um belo fim de semana em (quase toda) família pelo Uruguai. Viajamos sexta feira o dia todo, saindo de Torres antes das cinco da manhã e chegando à bela Montevidéu sete da noite. Ana, Daniel, Tiago e eu. Gabriel e Mari estavam acampando pelas praias daqui e foram à capital nos encontrar.
Montevideo de fato é uma cidade especial.
Reserva ecologia do Taim. 
      O ponto alto da viagem foi a estrada entre Rio Grande e o Chuí, que passa pela Reserva Ecológica do Taim. Local ermo e exuberante, pleno de vida. Um espetáculo.
     Ontem, sábado, passamos um longo dia flanando por Montevideo. Eu, que sou o mais jovem da delegação, acordei às cinco porque queria caminhar vendo o sol nascer na lindíssima rambla, a avenida de mais de vinte quilômetros que costeia o Rio da Plata. Um cartão postal. 
     Depois de um agradável café da manhã, com aquela prosa boa e relaxada, saímos caminhando do centro da cidade até a cidade velha. Passamos pela Av. 18 de Julio, compramos cuia no mercado dos artesões, e fomos numa feira de artesanatos e antiguidades na Plaza Matriz. Com direito a um café na livraria Mas Puro Verso. Com um nome deste vale um tempo nesta livrara né? 
Más puro verso...
         Caminhamos lentamente por 4 horas e chegamos ao Mercado del Puerto, um local que reúne dezenas de restaurantes, quase todos tendo como carro chefe uma típica parrillada. Comemos carne a la parrilla e os vegetarianos foram de legumes salteados, queijo também a la parrilla e batatas fritas. Acompanhado de uma garrafa de medio medio, uma bebida uruguaia que mescla vinho branco e espumante. Segundo entendo típica de almoço de sábado do Mercado del Puerto
Almoço no Mercado del Puerto.
        Sabe aquelas coisas típicas que não podem deixar de serem feitas? Pois almoçar sábado no Mercado del Puerto é uma delas. Como também ver o pôr do sol na rambla, onde no ângulo certo vemos o Sol mergulhar no Rio, o que nos levou quase duas horas entre boa conversa, risos comuns e suave contemplação.
      Hoje, domingo, outra vez desfrutamos o café da manhã do hotel e saímos para o Parque Rodo, onde queríamos ver a Feira de Produtos Orgânicos realizada pela Red de Agroecologia daqui, organização com quem sempre tive contato. A feira no verão diminui um pouco de movimento, mas gostei de revê-la. Da feira orgânica fomos ao Mercado Agrícola Municipal, que de agrícola mesmo tem pouco, mas têm várias bancas e lojas com comidinhas chiques. Também restaurantes, café e fast foods com uma carinha mais local. Muito agradável.
Gabriel e Tiago na Feira de produtos
orgânicos do Parque Rodo
Eram três da tarde quando saímos rumo ao litoral, direção de Punta del leste. Mas paramos em Punta Colorado. Chegamos ao entardecer, alugamos um casinha muito perto da praia, e enquanto as crianças foram ao supermercado Ana e eu fomos caminhar na charmosa praia e ver o sol se por. Que lindo lugar, fiquei encantado.
Agora estamos aqui, uma cozinhando, outros conversando e um escrevendo.
Eu estou vendo meus filhos conversando e pensando. Bom, pensar é meu hobby... 
Mercado Agrícola de Montevidéu.
       Estou pensando que nunca falei uma frase do tipo “minha família é tudo para mim”. Uma frase assim não expressa o que eu penso. Porque gosto pouco da minha família? Não, claro que não. Nunca falei porque acho que família é família e tudo é tudo... me explico? Minha família não é tudo, tudo é mais que isto. Mas fico muito contente pela vida ter me proporcionado um casamento de trinta anos e quatro filhos. Aliás, olhando para traz acho que se tenho algo que me arrependo na vida é não ter tido mais filhos. Quatro é pouco... Ter filho é muito legal. Mas tudo? Não, a vida em sua eterna e intensa generosidade nos presenteia com várias coisas, não apenas com a nossa família. Gosto de pensar assim e tentar ter olhos para ver este tudo. Muita coisa pode nos faltar na vida, mas nunca pode nos faltar tudo. Bom, vou sair desta viagem e voltar a esta minha viagem... Recomendo fácil um passeio por Montevidéu e por Punta Colorada
conversa na casa de praia...
Este ar praiano ao sul do mundo é muito interessante, talvez pela paisagem ampla e os dias longos. Amanhã teremos o dia todo de praia, terça já temos que voltar. Amanhã conto mais. 

domingo, 15 de abril de 2012

Uruguai, 16 de abril de 2012


Assembleia da Rede de Agroecologia do Uruguai
Passei estes dois últimos dias no interior do Uruguai. Cheguei no fim da tarde de sexta-feira no aeroporto de Montevideo. Viemos direto, mas não sem antes passar pela La Rambla, a longa avenida que circunda a praia formada pelo rio, ou, mais precisamente, estuário La Plata. Montevideo é uma cidade agradável, e esta avenida é um dos seus pontos mais bonitos. Ouvi que os colonizadores espanhóis, quando aqui chegaram, chamaram o estuário de mar doce, pois julgavam mesmo que ainda estavam no oceano. Gostei da expressão, mar doce. Poética. Enfim, realmente uma pena que desta vez só passei por Montevideo, não desfrutei seu charme, não comi uma boa parrillada, não tomei um bom vinho e mal provei um doce de leite. Acho que não vim ao Uruguai.

Pablo Galeano, nosso anfitrião, Paulo Petersen e outros dois
amigos brasileiros, na Playa Fomento, Colonia, Uruguay
Depois de quase duas horas de viagem, chegamos à Praia Fomento, que fica no departamento de Colonia, e é um balneário que nesta época fica semi-deserto. O encontro da Rede de Agroecologia do Uruguai, minha atividade destes dois dias, foi no Parque 17, uma espécie de camping, mas com algumas casas-alojamento. A praia fica ao lado do camping. Assim como na capital, ela é bonita, larga e com areia branca, e ainda mais surpreendente em sua beleza por estar margeada por uma vegetação. O lugar é agradável, os quartos são simples e honestos, mas pecam pelo excesso de camas em cada um deles. Por sorte nos deram um tratamento especial e três dos brasileiros que estamos aqui ficamos em uma casa com dois quartos.

Passamos todo o dia de sábado entre a assembleia da Rede de Agroecologia e um Seminário com foco na discussão de políticas publicas de apoio à agroecologia. Eu falei sobre a Rede Ecovida, seu momento atual e sua relação com o Estado. Nem falei nem ouvi grandes novidades. Vou só comentar que em uma das palestras vi dois gráficos interessantes. Um deles demonstrava a relação positiva entre preço de alimentos e de petróleo, ao longo de décadas. Apesar de meio obvio, já que sabemos que vários dos insumos agrícolas são baseados no petróleo e seus derivados, gostei de vê-lo demonstrado graficamente ao longo dos últimos dez anos. O outro fazia uma relação também positiva entre os picos de aumento dos preços dos alimentos e uma maior concentração de protestos populares ao redor do mundo nos últimos seis anos. A tese que este último expressa precisa ainda ser melhor demonstrada, mas achei boa a ideia de elaborar um gráfico fazendo esta associação.
Eu com alguns decanos da Agricultura Ecológica
 no Uruguai.

Alguns participantes me convidaram para tirar uma foto com eles. É que um grupo que está aqui estiveram visitando nosso trabalho em Ipê, interior do RS, em 1992, portanto há vinte anos. A conclusão mais preocupante nem é que estamos 20 anos mais velhos, sendo que em 1992 nem éramos tão novos assim...  

Fare cosa? C’est la vie! Na verdade o mais preocupante é que este é um reflexo do que acontece na área rural de todo o mundo. Pelas razões mais diversas, e seguramente não conheço todas, a população no campo diminui e envelhece por todas as partes. Ouvi algo que na Inglaterra este movimento se inverteu nos últimos anos. Mais gente e mais jovens vão para as áreas rurais, mas parece que para viver, e não para trabalhar.

 Veremos como ficará o desenho da sociedade com as zonas rurais com menos gente e mais envelhecidas. Nós, os agroecológos, somos uma espécie de semi-fisiocratas modernos, ao menos no enunciado que afirma que toda riqueza vem da terra, temos dificuldade de imaginar um mundo assim.

Já era quase nove da noite de sábado quando terminou o encontro. Jantamos e depois ainda assistimos uma apresentação de um grupo local, cantando musicas uruguaias. Chovia fino, as letras eram chorosas e o ritmos lentos, quase doídos. Optamos por pedir uma Patrícia, uma boa cerveja local e entrar no clima festivo. Festivo? É, pode ser. 
Enfim, hoje foi acordar e pegar o rumo de volta. De novo pela Rambla, o que deu ainda mais vontade de voltar em breve atrás do que desta vez não rolou. Agora, pra casinha. Passei a semana toda fora, emendando com sábado e domingo e ainda tendo uma semana cheia de trabalho pela frente. Fare cosa? C’est la vie...