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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Viena e Bratislava, 14 de fevereiro de 2017

Praça principal em Bratislava
Hoje foi movimentado. Com direito a viagem internacional.
Começamos visitando uma loja do Denns BioMarkt, uma cadeia de supermercados de produtos orgânicos comum na Alemanha e segundo entendi aqui na Áustria também.
Interior do Denns Markt. São vários pela cidade
 Uma enormidade a oferta de produtos orgânicos, infelizmente ainda inexistente no Brasil. E de novo sinto enterrada a famosa pergunta: "mas dá mesmo para produzir sem defensivos?". Só de ouvir se referir a veneno com o eufemismo de defensivo já me tira a paciência. Se acha que precisa usar, usa, mas não muda o nome buscando um alívio para a consciência. Pode soar falso.
Ainda de manhã fomos à Casa de Mozart. Na real uma das treze casas que ele morou em Viena, onde chegou em 1781 com 25 anos, vindo de Salzburg.
Para alguns ele é considerado o maior músico de todos os tempos. Ao menos vai estar sempre na lista dos melhores.
Aspecto da escadaria da Casa deMozart
Virtuoso desde criança, poucos dias depois de se estabelecer em Viena, escreveu, em uma carta à seu pai, que estava no melhor lugar do mundo para sua profissão. De fato, depois de esperar por alguns anos, em Viena ele pode chegar à condição de músico imperial, contratado pela corte e com salário fixo. Me chamou a atenção que ele expressa em uma carta que o que ele buscava era ter honra, sucesso e dinheiro. Ganhou muito dinheiro, o suficiente para ser rico, mas perdeu tudo no jogo. O cara não pode ser gênio em tudo...
A casa que visitamos hoje era conhecida como a Casa de Fígaro, pois foi ali que ele compôs a que é uma das suas obras mais conhecidas, As Bodas de Fígaro, uma ópera sobre uma peça teatral escrita por Caron, que era uma obra satírica dos costumes e hábitos da sociedade aristocrática. Ela foi até meio censurada pelo Imperador Austríaco, que não curtiu se ver criticado. Sempre que se juntam plebeus e aristocráticos estes últimos nunca gostam... bom, podemos até não saber nada disto, mas quem nunca cantou Fígaro no banheiro que atire a primeira pedra. Fígaro, fígaro, fiigaaroooo!!!
Estando em sua casa vi como muitas de suas composições são populares, e que as conhecemos, ainda que eu na minha ignorância não ligue o nome à pessoa...
Ainda a praça principal em Bratislava
Mais uma coisa sobre nossa visita à Casa de Mozart. Estando lá vimos algumas crianças com seus pais. Que privilégio crescer com estas oportunidades. Estou aqui escrevendo, ouvindo Mozart e pensando nisto. Quando uma criança como esta for um adulto culto e mais preparado para ter sucesso profissional e mesmo financeiro, vamos ouvir que ele lutou muito para chegar lá. Pode até ser, mas nesta carreira da vida, saiu com algumas cabeças de vantagem.
No final da manhã fomos à estação central e pegamos um trem rumo ao oriente. Mas paramos setenta quilômetros depois em Bratislava, capital da Eslováquia. Lembram da Checoslováquia? Pois então, depois da queda do muro de Berlin, se dividiram. República Tcheca, capital Praga e Eslováquia capital Bratislava. Foi lá que passamos uma belíssima tarde.
Não gosto destas passadas meteóricas por um lugar que vale a pena ficar mais, mas às vezes se justifica. E neste caso se justificou. Basicamente passeamos pelo charmoso centro histórico. Muito, muito legal. Comemos batata frita estilo belga, aquelas que vem em um saquinho e com algum molho. Comemos torta sacher e apfelstrudel. Tomamos cerveja local e café. Caminhamos muito, e apesar do frio de quase zero graus estava muito agradável. Imagino numa primavera-verão como deve ser. Vimos o Rio Danúbio que corta a cidade e estava de fato azul, como no nome da famosa valsa. Vou colocar algumas fotos aqui no fim do post para que vocês vejam que não estou exagerando quando digo que é muito legal.
Quando escureceu pegamos o trem de volta.
Chegamos em Viena e foi tempo de se preparar para amanhã deixar a cidade. Viena entra na minha lista de cidades mais bonitas que visitei. Passar um verão aqui deve ser incrível.
Amanhã cedo viajamos para Nuremberg. De lá conto mais, principalmente sobre a situação da Agricultura Orgânica no mundo.

Bratislava e suas estátuas. Esta é a do homem trabalhando,

Ana em uma lojinha de souvenirs

O gatão aqui à beira do Danúbio!

Mais um prédio do centro histórico de Bratislava

Mais um prédio do centro histórico de Bratislava

Mais um ...

outro... coisa linda!!!

Olha esta: banco com placa solar e ponto USB
para carregar o que seja. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Viena, 13 de fevereiro de 2017

Musikverein
Vou começar o relato do dia pelo fim do dia, onde estamos agora. No Wein Co. (Companhia do vinho), um mercado especializado em vinhos. Vinhos de todos os lugares do mundo. O legal é que se pode comprar, pagar uma pequena taxa e tomá-lo no próprio local, em um ambiente bastante agradável, descolado. 
Wein Co.
E com algo para comer, se você quiser companhia para o vinho. Estamos aqui, Ana e eu, de boa, entre conversas, leituras e escritos. São dez da noite e acabamos de assistir um concerto de música clássica. Estamos na capital da música clássica, não podíamos perder a oportunidade. Numa das principais salas de música de Viena, da Musikverein. Quatro violinos, um violoncelo e no segundo ato um piano. Acústica perfeita, obviamente nada de microfones ou caixa de som. De fato, a música clássica nos leva a outra dimensão. 
Este concerto foi outra escolha da Bárbara, a amiga da Ana que ontem mencionei que vive aqui há dez anos. Ela é musicista profissional e claro que escolheu um concerto de primeira para irmos. Venho de um país onde quem está fazendo sucesso é Wesley Safadão e que tem como boa as canções do Luan Santana. Claro que temos ótima musica também, mas pouca tradição em musica clássica, ao menos até onde sei. E segundo meus filhos, meu gosto musical é duvidoso... Assim, preciso de uma dica profissional para saber o que é boa música.
Casa da Ópera
Falando em arte, Ana hoje me trouxe uma reflexão interessante. Ontem fomos ao Museu. Hoje a um concerto. Ao ver um quadro de Monet, ou uma escultura de Rodin, tomamos contato direto com o artista. Com o que ele tentou nos dizer, ainda que será nossa interpretação que irá definir a obra. No caso da música, o gênio de Mozart, por exemplo, precisa de um intérprete para que eu o acesse. O que isto significa? Talvez que o artista plástico tenha uma conversa mais direta com seu público do que o gênio da música? Realmente não sei, deve ter gente que já refletiu longamente sobre isto. Mas posso dizer que, mesmo reconhecendo  minha ignorância musical, os intérpretes de hoje estavam excelentes.
Igreja de São Estevão
E durante o dia fomos conhecer alguns dos pontos que não se pode deixar de ver por aqui. O primeiro foi a Igreja de São Estêvão. Para quem não se lembra, ele é cultuado como o primeiro mártir do Cristianismo. Foi condenado à morte por apedrejamento por Saulo de Tarso, o São Paulo da Igreja Católica. Esta história está retratada de maneira inesquecível no livro Paulo e Estêvão, de Chico Xavier. Impossível não se impressionar com sua vida e com o caráter de Estevão e, em função deste livro, e de a partir da sua leitura ter me tornado fã de Estêvão, gostei muito de conhecer esta Igreja. Acho que nunca tinha entrado em uma Igreja dedicada a ele. Bom, fora o fato de ser uma das Igrejas mais famosas do continente e de ser belíssima, por dentro e por fora. Li que é uma das primeiras Igrejas em estilo Gótico da Europa.
E teve mais hoje. Fomos ao mercado de rua mais conhecido de Viena. O Naschmarkt. Obviamente um luxo, muito produto legal, de diferentes lugares do mundo. Do Naschmarkt passamos pela praça Carlos (Karlsplatz), onde tem a Igreja de São Carlos. Não conheço este santo e ele, ou algum dos seus prepostos, estava cobrando oito euros a entrada, então não entrei na sua Igreja. Simples.
Hundertwasserhaus
Muito legal foi caminhar pelos bairros ao redor do centro histórico, que são lindíssimos, com prédios sóbrios e imponentes. Numa breve olhada, achei Viena mais bonita fora do seu centro histórico.  Nesta caminhada passamos pela casa de Hundertwasser, uns prédios do multi-artista vienense Friedensreich Hundertwasser, na fase que ele se dedicou à arquitetura.
E para fechar o relato do dia, começamos com um farto café da manhã no hotel, cheio de comidinha boa.
Amanhã pode ser que optemos por conhecer Bratislava, que está a uma hora daqui. Se formos, conto aqui.

Hundertwasserhaus

Naschmarkt

Igreja de São Carlos

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Viena, 11 e 12 de fevereiro de 2017

Fim da tarde no centro histórico de Viena
Chegamos em Viena ontem no fim da tarde. Viemos para a Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo que ocorre em Nuremberg, Alemanha. Aproveitamos para passar 3 dias aqui antes da Feira.
Schnitzel
Nosso hotel é no centro histórico o que nos permitiu dar uma caminhada ontem à noite, sob um frio de -2⁰C. Óbvio que não dá para ficar na rua em um frio como este e fomos jantar no Oswald e Kolb, uma das dicas da Bárbara, amiga da Ana que mora aqui há dez anos. É um restaurante de comida austríaca e pedi o prato recomendado pela Bárbara: schnitzel. No popular, bife à milanesa. 
Mas bom, muito bom. Ana pediu um ravioli de ricota com espinafre. Muito bom também. Mas reparem que ela já migrou para o Italiano... a Áustria, assim como Alemanha não se notabiliza pela culinária. Claro, exceção honrosa para as tortas. As tortas...
Viena é uma cidade cheia de história, mais um daqueles lugares onde os séculos convivem harmonicamente. É habitada quase que desde sempre, e os Celtas e Romanos tiveram acampamentos por aqui. Viena foi a capital do Império Austríaco e posteriormente do Império Austro-húngaro, quando do tempo da Monarquia de Habsburgo. Chegaram a imperar sobre quase metade da Europa, o que demonstra sua importância. Viena é a capital europeia mais próxima dos países que no tempo da guerra fria ficaram conhecidos como cortina de ferro, o que lhe conferiu especial importância no período pós guerra. Viena é a terra de Beethoven, Mozart, Haydn e Schubert, dentre outros, sendo conhecida como a cidade da música. 
trota de trufa...
Este parágrafo foi para dizer que hoje me senti passeando no meio de tudo isto... uma viagem dentro da viagem, quase sentimos pegar a história e seus tempos com as mãos.
Pela manhã, saímos caminhando com o Michael, marido da Bárbara, até o Café Oberlaa (www.oberlaa-wien.at), onde tomamos um belo café. Bebemos um Melange, um tipo de cappuccino típico de Viena, e torta. Uma de trufa e outra a famosa sacher. Pensa...
No almoço fomos ao Café Leopold Hawelka (www.hawelka.at/cafe/de), fundado em 1939 e ponto encontro de intelectuais e artistas vienenses durante a década de 50 do século XX. Comi goulash soup, uma sopa de carne que tenho a impressão é de origem húngara.
Mulher nua, Picasso
Depois do almoço fomos ao Museu Albertina e nos encantamos com suas exposições, tanto a permanente quanto a temporária. Picasso, Monet, Matisse, Chagall, Modigliane, e vários outros. Gosto de Museu de Arte. Não fico horas, e nem tenho conhecimento para sacar detalhes das obras, mas mesmo assim vou sempre que tenho possibilidade. 
Visitando o Albertina me lembro que aprendi que a arte é o melhor contraponto à tristeza, hoje de maneira permissiva e até leviana chamada de depressão. Para mim funciona. Nos momentos de baixa que já tive na vida, e quem não os teve, sempre fui guiado para fora do túnel pelas mãos da arte. Literatura, música de qualidade, bons filmes, museus. Museus particularmente me fazem muito bem.
Euzinho no Café Hawelka
E ainda teve o jantar. De novo o Michael colaborou e nos levou para conhecer um restaurante um pouco mais afastado chamado Fuhrgassl Huber (http://www.fuhrgassl-huber.at/buschenschank). Que lugar legal. Vendem vinho feito por eles. Ali, aprendi que Viena é a única capital do mundo que produz vinho em quantidades expressivas. Hoje tomamos um Chardornnay que me pareceu muito bom. A comida é pedida em um balcão, sendo escolhida através de um vidro, eles te servem e cobram por quilo. Eu havia jurado que não ia mais a restaurante a quilo, mas hoje abri uma exceção... é que há coisas iguais que são diferentes né?
Excelente dia em Viena. Bom que temos mais dois.


Cafe Hawelka


O famoso Hotel Sacher