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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Sibiu, 31 de agosto e 01 de setembro de 2026.

Praça Grande de Sighisoara

A viagem de carro de Sighișoara para Sibiu foi mais um dia de mergulho na Transilvânia.

Essa ideia de optar por conhecer uma região de um país é muito legal. Mais na linha do “turismo lento” e não do estilo “turismo fúria indomável”, que vai de check em check nos lugares recomendados pelo ChatGPT.

Catedral de São Miguel - a maior e 
mais antiga do país

Tenho implicância com termos tão usados no mundo das viagens, como “fazer”, referindo-se a um país ou cidade, e “lugares de interesse”. Conferem um caráter produtivista a uma viagem de passeio, que deveria ser emoldurada pelo enlevo gerado pela observação e pelo aprendizado do novo. Chatice minha.

Dito isso, desviamos um pouco do caminho mais óbvio entre Sighisoara e Sibiu para “fazer” Alba Iulia. Hahaha.

Essa é considerada uma das cidades que devem ser visitadas na Transilvânia. Um dos pontos que desperta interesse é o fato de que, em 1918, foi nela que se proclamou a união da Transilvânia com o Reino da Romênia, momento no qual, de certa forma, surge o que hoje chamamos de Romênia.

Estacionamos ao lado da antiga cidadela, a Alba Carolina, uma impressionante fortificação que concentra boa parte do patrimônio histórico da cidade.

O mais interessante foi visitar as duas igrejas: a Catedral da Reunificação — ortodoxa, construída ‘há pouco’ entre 1921 e 1922, no local ligado à memória da unificação da Romênia, e a Catedral de São Miguel — católica romana, uma das construções medievais mais importantes da Transilvânia, iniciada no século XI e reconstruída e ampliada ao longo dos séculos.

Al inda Catedral Ortodoxa Romena de Sibiu

Muito legal vê-las praticamente lado a lado, dentro da mesma cidadela, representando tradições religiosas que podem ser consideradas mais ou menos próximas e momentos históricos muito diferentes: a ortodoxia romena de um lado, e o catolicismo ligado à história medieval da Transilvânia de outro.

Depois de umas horinhas em Alba Iulia, rumamos para Sibiu. A estrada seguiu parecida, passando por pequenas cidades, com suas casas típicas, e por campos cultivados com girassol, alfafa, milho e pastagens. Vimos algumas estruturas grandes, que indicam o cultivo de lúpulo.

Chegamos a Sibiu, fizemos check-in no Mercure Arsenal e fomos caminhando até a cidade antiga, cerca de 1,5 km. Caminho agradável, com destaque para uma igreja ortodoxa que estava no trajeto, lindíssima por fora. Por dentro, não conferimos.

E a praça seca de Sibiu é linda! Gostamos muito, passamos por ela várias vezes durante esses dois dias, tendo parado em três dos restaurantes que a rodeiam, para beber e/ou comer alguma coisa.

As casas com 'olhos'
Gostamos também da praça pequena, separada mas contígua à praça grande, onde também visitamos dois dos vários restaurantes que a circundam, para comer e beber algo.

Caminhar pela cidade, e não digo apenas pela parte antiga, é o programa por excelência em Sibiu. Que cidade bonita! Clima agradável, em qualquer sentido que você queira dar à palavra “clima”. Ao menos nesses dias, a temperatura estava amena.

Destaque para as casas com “olhos”, as janelinhas dos sótãos feitas em um formato que, de fato, dá a sensação de que as casas estão nos olhando.

Outro destaque foi a visita ao Museu Astra. Que lugar! Fica relativamente perto do centro. É um parque enorme, todo arborizado, onde estão instalações que nos remetem à Romênia rural, às suas diferentes etnias e aos seus modos de vida.

As instalações vieram de diferentes partes do país e foram remontadas no museu. Ou seja, vemos uma casa, uma pequena propriedade camponesa, um moinho movido a vento ou a água, e tudo tem nome e sobrenome: de onde e quando veio, a quem pertencia.

Um luxo o lugar, ainda mais pensando que Ana e eu somos agrônomos e valorizamos todo esse modo de vida camponês. Ter andado por pequenas cidades romenas e depois ver esse museu nos trouxe um deleite a mais.

Uma vila do interiro do país, reproduzida no Museu Astra

Eu havia lido que é necessário um dia inteiro para visitá-lo. Me pareceu exagero… mas não é. Ficamos por três horas, com a sensação de que deixamos de ver muita coisa.

Deixa-me comentar sobre a comida: muitos restaurantes romenos, outros austro-húngaros, muitos italianos. Vimos apenas um japonês. Ana tomou muitas sopas, característica da região; eu fui por pratos mais camponeses, por várias razões. Muita carne de porco, ovos, embutidos, muita polenta também, o que eu não esperava. Ontem, meu prato foi polenta, dois pedaços, nem mole nem frita, com carne de porco, linguiça e uma saladinha com chucrute e tomates. Gostosinho. Algo que eu poderia comer nas zonas rurais latino-americanas também, talvez com exceção do chucrute.

E essas foram nossas 48 horas em Sibiu, a cidade com olhos. Gostamos muito. Amanhã retornamos a Bucareste, apenas para dormir, mas com expectativa de boas surpresas no caminho, e seguir para Madrid. Vou contando.

Mais um aspecto da Praça Grande de Sibiu

Que lugar agradável para beber algo.

Tochiturã: linguiça, carne de porco, polenta, 
ovo e cebola

Reprodução do modo de vida do meu povo
no Museu Astra

Interior da Igreja Ortodoxa de Madeira
de Bezded - Museu Astra

Igreja Ortodoxa de Madeira
de Bezded - Museu Astra

Paiol para armazernar grãos.

 Máquina a vapor portátil 

Interior de uma casa romena no interior
 - século XIX

Casa de uma prorpeidade rural na romenia - século XIX


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