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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Berlim, 17 a 20 de fevereiro de 2025.

 

Catedral de Berlim, do séc XV, e seus 116 metros de altura.
Fica localizada na ilha dos museus.

Os últimos três dias foram em Berlim. Um espetáculo. Berlim é uma cidade diferente de outras cidades europeias. Eu nunca usaria o adjetivo “bunitinha”. Mesmo “linda” eu não usaria. Ela não faz o estilo, digamos, vistoso, quase emperequetado, de Paris. Ou o estilo conto de fadas de Praga. Berlim não é assim. Sua beleza é mais sóbria. Os prédios, sólidos e sérios, realmente merecem ser chamados de monumentais. Sim, Berlim é uma cidade monumental.

Só os meninos...

Passamos esses dias caminhando, visitando, comendo. Ficamos do excelente hotel Radisson Collection, onde pudemos visitar vários pontos de interesse a pé. Muito frio, a temperatura máxima que pegamos foi de zero graus, a mínima entre cinco e oito graus negativos.

Visitamos o portão de Brandemburgo, passamos pela ilha dos museus, vimos, por fora, a Catedral (Dom) de Berlim, gastamos um tempinho no Check-point Charlie, lendo e conversando sobre a queda do muro de Berlim. Visitamos também na Alexanderplatz, a praça central da cidade, onde gastamos tempo também com comprinhas, porque ninguém é de ferro… Passeamos pelos famosos oito pátios internos, interligados, que falam muito da forma de vida do tempo da Berlim Oriental. Aliás, o que até a queda do muro era a Berlim Oriental é onde se encaixa a maioria dos pontos de interesse para a visitação e onde nos hospedamos e passamos a maior parte do nosso tempo.

Comemos muito bem. Destaque para um restaurante espanhol (Yosoy tapas Berlin) e o Italiano Amon, esse último escolhido por mim para almoçarmos no dia do meu aniversário. De entrada, uma caponata de beringela, (com aipo, tomate, amêndoa, pão ralado, pinhões e ricota de cabra) e uma tábua de frios. De primeiro, um creme de couve flor, no segundo fomos de espaguete à carbonara. Regado com vinho primitivo, para mim e André, Guilherme com sua eterna Coca-Cola. Sobremesa uma delicioso tiramissu. Ainda arrematei com um belo expresso italiano. Digno almoço dos meus sessenta anos! Ainda jantamos uma noite no hotel, um restaurante grego bastante correto.

Eu, no Memorial dos Judeus Mortos.

Acho que é só isso que vou contar de Berlim. De resto foram muita conversas. Transitamos entre as mais séria, assuntos variados e a famosa quinta série, onde caíamos na gargalhada com piadas repetidas há mais de quarenta nos… espetáculo… só de escrever sobre isso aqui já estou rindo outra vez… viajar só os meninos foi uma experiência para marcar, já estamos até planejando outra!

Chego em casa amanhã, sexta-feira, e terça que vem embarco para o Equador. De lá, conto algo.

 

Visual da viagem de trem de Praga a Berlim

Da Jnela do meu quarto em Berlim, Hotel Radisson.

Estátua de Lutero.



Portão de Brademburgo!


Visualdas ruas de Berlim

A Catedral, vista da suíte que Guilherme e André ficaram. 

Uma parte do muro de Berlim que ficou
para contar história

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Nuremberg, Alemanha, 13 de fevereiro de 2025.

 

Eu, no tímido stand do Brasil

Hoje foi mais uma rodada de conversas e observações pela Biofach, a maior feira de produtos orgânicos certificados do mundo. Falando mais um pouco das estatísticas, vou contar para vocês quais foram os cinco países que mais cresceram em área agricultável com agricultura orgânica, de 2022 para 2023:

1.     Uruguai: 207 mil hectares

2.     China: 200 mil hectares

3.     Espanha 195 mil

4.     Ucrânia: 164 mil

5.     Etiópia: 143 mil

Festinha no stand da Áustri

E os países com maior percentual de área agricultável certificada como orgânica, quais são?

1.     Liechtenstein: 44,6%

2.     Áustria: 27,3%

3.     Uruguai: 25,4%

4.     Estônia: 22,9%

5.     São Tomé e Príncipe: 22,1%

6.     Portugal: 21,7%

7.     Itália: 18,7%

8.     Suécia: 18,3%

9.     Suíça: 18,2%

10. Grécia: 17,6%

Existe ainda uma dúzia de países, além destes, que ultrapassam a marca dos 10% de sua área agricultável como orgânica

Um último dado, são muitos meu propósito não é esgotá-los aqui. Quais os países com maior número de produtores orgânicos certificados? Aí vai uma lista dos dez primeiros:

1.     Índia

2.     Uganda

3.     Etiópia

4.     Congo D.R.

5.     Peru

6.     Itália

7.     Quenia

8.     Vietnam

9.     Madagascar

10. Tanzânia


Para além dos números, muito se observa por aqui sobre as tendências de mercado.

Encontrei alguns conhecidos, trocamos breves impressões. Vou compartilhar algumas. A primeira: é visível um destaque significativamente menor para o Comércio Justo. Há cerca de 20 anos, quando o chamado Fair Trade estava em curva ascendente, existia a impressão que os produtos orgânicos certificados acabariam também por serem todos, ou quase todos, certificados como pertenceres ao Comércio Justo. Não foi isso que aconteceu. Sim, ainda existe na feira muitos produtos que são também certificados como do Comércio Justo mas, visivelmente, ocupam menos espaço. Outra impressão que quero compartilhar: vi menos destaque em produtos Veganos, sem açúcar ou sem glúten. Existem vários, com algumas ou todas essas características, mas vi menos cartazes, bolsas, materiais de propaganda. Como se o mercado tivesse absorvido essas demandas, elas já se fazem presentes no dia a dia, existe menos alarde sobre essas características.

Isso que vou falar da Biofach.

Casa ao lado do Castelo

Pela tarde, caminhamos pelas lindas ruas de Nuremberg, visitamos a Igreja Sair Lorentz, conhecida pelo seu órgão. Sempre me chama atenção ver, em fotos no seu interior, o quanto ela foi destruída na 2ª Guerra, assim como boa parte da cidade. A capacidade que o povo alemão mostrou na reconstrução do país é absolutamente impressionante. Depois, passamos pelo praça, fomos ao Castelo e seguimos nos perdendo por suas ruas, procurando por algumas coisas para comprar e para comer. Acabamos em um restaurante espanhol! Não me queixo, um queijo manchego, um jamón pata negra e uma paella valenciana caem bem em qualquer lugar do mundo!

Amanhã vamos para Praga, de lá conto algo!





Muito bem acompanhado!


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Nuremberg, Alemanha, 12 de fevereiro de 2025.


Infográfico com vários dados. Fonte: Fibl

Uma das razões para vir na Biofach, uma grande Feira mundial de produtos orgânicos certificados é entender um pouco mais sobre a dinâmica deste tipo de produção. Inteirar-se dos números e saber refletir sobre eles, percebendo tendências. 

Um entre centenas de stands

São muitos dados divulgados por aqui. Vou, por exemplo, comentar que o país com a maior área em produção orgânica certificada no mundo é a Austrália, com 53 milhares de hectares. Aliás, desde sempre. Isso é explicável porque são grandes áreas extensivas, dedicadas à pecuária. Pela mesma razão, em terceiro e quarto lugar estão, respectivamente, Argentina (4 milhões de ha) e Uruguay (3,5 milhões). A Índia assumiu o segundo lugar nesta escala, com 4,5 milhões de hectares, e ainda ocupa o posto de país com maior número de produtores orgânicos certificados (2,3 milhões de produtores). Estas posições, de segundo em área e primeiro em número de produtores coloca a Índia na posição de principal país no cenário da agricultura orgânica mundial, junto com os EUA, que detém 45% do mercado. Pelos números anteriores, vemos que, na Índia, cada produtor, em média, tem pouco menos que 2 hectares de terra cultivada organicamente.  Na Austrália, temos cerca de 2.200 produtores orgânicos. Significa que cada um tem, em média, 28 mil hectares de área certificada como orgânica. Curioso, né?

Ontem, comentei que essa edição da Biofach me parece a menos entusiasmada de todas que vi, o que não significa que não esteja pujante, cheia de pessoas, produtos, novidades e negócios. Quem sabe, as feiras com esse formato não tenham mais a importância de outros momentos. Falei que talvez isso fosse reflexo de uma certa estagnação, talvez decadência, do mercado de produtos orgânicos. Claro que não tenho elementos para afirmar isso. De todos os modos, quero esclarecer que questiono o mercado de produtos orgânicos tal qual ele foi desenhado, baseado na normatização excessiva, na certificação, no sobre preço exagerado, na elitização do consumo. Refiro-me a esse desenho, que emerge de zonas ricas de países ricos e que se reproduziu em zonas ricas de países pobres. Esse é o formato que me parece estar estagnado, ou crescendo a taxas muito menores do que há alguns anos.  Aliás, e falo sem receito de parecer pretensioso, afirmava que isso iria acontecer há mais de 20 anos. Na época, dizíamos que com esse enfoque o movimento estava criando uma armadilha para ele mesmo!

Claro que, repito, afirmar que o mercado está estagnado exigiria maiores investigações. Tudo bem, nesse post corro esse risco, de afirmar algo baseado na minha intuição e percepção.

Uma visão mais positiva é pensar que o produto orgânico já não é mais uma novidade e a demanda por produtos orgânicos cresceu a ponto que ele se encontra nas feiras específicas por produtos, disponível na grande rede e nas gôndolas dos supermercados. Quem precisa comprar esses produtos, falo no atacado, não precisa se deslocar muito e ir a feiras distantes, está tudo mais próximo e, quem sabe, a um clique. Nestas reflexões, meu olhar se volta para outro mercado, que não considero estagnado: aquele nos quais os produtos se mantêm limpos, com pegada eco social, mas já não dependem de elaboradas normas, sofisticadas certificações ou de sobrepreços que elitizam e inibem o consumo. Nestes mercados, a proximidade conta, tanto geográfica quanto humana, mais do que um detalhe ou outro de normativas de difícil compreensão.

Poderia qualificar mais este mercado, mas não aqui.

Esse futuro já está acontecendo, ainda que em volumes muito aquém do necessário para redesenhar a sociedade nos rumos que nossa utopia de mundo justo e harmônico sugere.

Com André, do Centro Ecolçogico e 
Luiz Carraza, da Centrral do Cerrado.

Enfim, reflexões não faltam, estimuladas pelo contexto atual e por estar aqui, na Biofach.

No final do dia de hoje, rolaram as tradicionais festas dos stands. Fomos no stand da Áustria, depois no da IFOAM - Organics International e terminamos ouvindo um som muito legal, ao vivo, no stand de Madagascar e comendo uns pratos com sabor africano da melhor qualidade! Tudo acompanhado de uma cerveja alemã - orgânica, claro, e recheado de boas conversas. Saímos da feira às oito da noite e viemos direto, com o tempo frio e chuvoso, para o hotel.

Está bom por hoje, né? Amanhã, conto mais.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Nuremberg, Alemanha, dias 10 e 11 de fevereiro de 2025.

 

Aspectos da Biofach 2025

Outra vez em Nuremberg, Alemanha, visitando a Biofach, a maior feira de produtos orgânicos certificados do mundo. É a 14º vez que venho, desde 2003. Minha intenção, desta vez, é ter uma melhor percepção sobre como anda a agricultura orgânica, da produção ao mercado, no mundo. Não apenas números, mas conversar com diferentes pessoas, de vários países, olhar as centenas de bancas e perceber tendências. Tenho convicção que vir aqui me aguça o olhar e tem impacto no meu trabalho diário. 

Saí domingo de casa, eu e o André, encontramos Guilherme em São Paulo, estamos juntos aqui. Viagem também, junto ao trabalho, de passeio, com três amigos de longuíssima data!

Como já escrevi aqui outras vezes, a feira impressiona pela diversidade, quantidade e qualidade dos produtos. No competitivo mercado mundial de produtos orgânicos, o tempo no qual bastava esse adjetivo para se posicionar já ficou para trás há muito tempo. Tem que ser bom, gostoso e bem apresentado. Vir à Biofach é útil também para encerrar esse papo de “é possível produzir sem agrotóxico?”. Ainda tenho que responder essa pergunta frequentemente, e isso só demonstra o quanto a pessoa que faz essa pergunta é desinformada no assunto. Dá até preguiça responder...

Hoje, além de rodar pela feira, ver e provar muita coisa interessante, eu ouvi a palestra mais esperada da feira. Anualmente, FIBL, uma instituição Suíça, de pesquisa, muito conhecida no mundo da agricultura orgânica, e uma empresa norte americana, a Ecovia, apresentam a situação da produção e do mercado orgânico no mundo. Hoje, apresentaram os números de 2023, coletados ano passado.

Pouco de novo no front.


        Segundo a Ecovia, o mercado de produtos orgânicos em 2023 foi da ordem de 130 bilhões de dólares, produzidos em 2,26 milhões de hectares que foram certificados. EUA seguem em uma forte liderança, gerando 45% do mercado. Soma-se os 4% do Canadá, e se vê que a América do Norte concentra metade de tudo que é comercializado como orgânico no mundo.

Ouvi também que existe uma preocupação que as recentes medidas do Presidente Trump podem afetar a produção e consumo de produtos orgânicos nos EUA. Bom lembrar que para abastecer seu mercado, o país é o principal importador mundial de alimentos orgânicos. Esse reposicionamento de tarifas promovido por Trump pode gerar retaliações que, eventualmente, terão impactos nessas importações.

Nessa apresentação da situação do mercado de produtos orgânicos algo me chamou a atenção, para além dos números: a sala vazia. Nunca vi essa sessão tão pouco concorrida. O que significa? Não posso afirmar nada, mas tenho a impressão de que o arrefecimento do crescimento do mercado de produtos orgânicos é uma das razões. Claro, não podemos esquecer como o mundo vem mudando e, nos últimos anos, feiras presenciais vêm sendo substituídas por outras relações de mercado e formas de contacto.  O fato é que a sociedade pós pandemia mudou, difícil precisar se por responsabilidade da Covid, se pelo avanço das formas de comunicação, se por causa da percepção cada vez mais nítida do impacto das mudanças climáticas em nossas vidas. Possivelmente por tudo isso e muito mais. O crescimento da extrema direita em várias partes do planeta, fenômeno de difícil explicação, obviamente também muda o mundo e não acredito que no rumo do desenvolvimento da agricultura orgânica, para dizer o mínimo.

Para não dizer que não falei
de flores.

Acho que me estendi no parágrafo anterior justamente porque uma das minha motivações para vir aqui é testar uma hipótese: o que nós nos acostumamos a chamar de “movimento de agricultura orgânica” está estagnado ou decadente. Confirmar, ou não, essa hipótese e tentar entender o porquê, caso ela seja verdadeira, tem ocupado minhas reflexões nos últimos meses.

Quero contar, antes de terminar este post, algo interessante que ouvi hoje. Caminhando pela feira, encontrei a Fernanda Stefani, da 100% Amazônia. Uma empresa focada no comércio de produtos da Amazônia. O principal deles? Adivinha? Isso, açaí. Conversa boa, sobre vários aspectos, mas ouvi dela um número que me chamou a atenção: o mercado de açaí hoje, no mundo, é de 3 bilhões de dólares! Um valor expressivo, ainda mais se pensar que quase toda a produção vem do Brasil. Enfim, isso é outro assunto...

Hoje foi só o primeiro dia. Têm mais números, impressões e reflexões, amanhã conto sobre quais países possuem a maior área de produção orgânica no mundo e quais possuem o maior número de produtores!


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Heidelberg, 16, 17 e 18 de fevereiro de 2019


Meio da manha, os cafés já estavam cheios. Não resisti
e parei para um expresso, de toca e casaco preto.
Passamos, Ana e eu, estes dois últimos dias em Heidelberg, uma linda cidade que dista apenas uma hora de Frankfurt, de onde hoje retornaremos para casa.
O lugar é absolutamente interessante e sobretudo bonita, muito bonita. Claro que os dias de sol ajudam -  frio quase agradável, temperatura de 3 a 6 graus, que não se faz sentir muito pela pouca umidade do ar e, claro, por um bom casaco.
Uma das famosas fachadas do Palácio
Heidelberg é famosa por seu Castelo. E esta fama se justifica. O Castelo, na verdade ruínas de um, é muito lindo. A vista lá de cima, com a cidade toda a seus pés é, para ficar no lugar comum, de tirar o fôlego. Destaque para o Rio Neckar se exibindo de forma serena, enquanto corta o vale na qual a cidade se desenvolveu,
Pequeno, abaixo, à direita, a fórmula
Nestes dias o que fizemos foi passear. Caminhando todo o tempo. Ou quase todo o tempo, pois por sorte há um ônibus para subir a Castelo. Antes, passamos pela praça principal onde entramos na Igreja do Espírito Santo - Igreja Luterana, que são normalmente mais sóbrias, exibindo menos riquezas, do que as católicas. Nesta há um detalhe especialíssimo. Um dos seus vitrais exibe, de forma quase discreta, a fórmula das fórmulas, e=mc². Demais. Não sei qual o sentido, mas ver ciência e religião no mesmo espaço é sempre interessante. Para mim, também esperançoso.
Desta Igreja caminhamos pela ponte velha e subimos o caminho dos filósofos, assim chamado por que estudantes de filosofia da Universidade de Heidelberg, a mais antiga ainda em funcionamento na Alemanha, achavam inspirador passar por este lugar. Além destes passeios, caminhar pela rua principal da cidade velha, por toda sua extensão que dever ser de uns dois quilômetros, é muito agradável.
Que lugar!!! Dona Ana mandando cartão postal...
Domingo à tarde, sol brilhando, sentamos à uma destas mesas colocadas pelos restaurantes e cafés no meio da praça. Cheio de gente, sentada e passeando. Sol e frio, com cobertores sendo disponibilizados em todas as cadeiras. Nesta atmosfera para lá de agradável, tomamos água e um bom café. Em um local como esse fui obrigado a ficar escrevendo, atualmente meu esporte favorito. O ambiente muito inspirador.
Depois que o sol se foi, ainda tivemos tempo para jantar. Eu comi um joelho de porco. Que ignorância, enorme. Delicioso, mas comi só um terço dele. Acho que foi o último da minha vida, já não tenho mais disposição para tanto. Acompanhado de uma cerveja, que aqui na Alemanha se faz quase obrigatória. Uma curiosidade é que nos cardápios normalmente a cerveja é mais barata que a água ou refrigerante. Ou seja bebe-se não por gosto, mas por questão de economia. 
A farmácia do Castelo. Demais!!!
Não consegui transmitir neste post o quanto gostamos de Heidelberg. Vou deixar mais fotos como forma de compensação. Mas, sem dúvida, recomendo fortemente. Quem tiver a oportunidade deve vir e dormir ao menos uma noite. Entra no hall das minhas cidades favoritas da Alemanha! Fui!  Nem sei qual minha próxima viagem internacional - por enquanto o blog está em recesso.
Uma última coisa: os chineses tomaram conta dos aeroportos e pontos turísticos do mundo! Impressionante!!!

Aspecto do Museu da Farmácia, no Castelo

Ainda o Museu da Farmácia, no Castelo

Outra fachada do Palácio.

Igreja do Espírito Santo


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Nuremberg, 16, 17 e 18 de fevereiro de 2018

Eu entre Esteban e Peggy Miars, presidente de IFOAM
Os últimos dois dias da Biofach em Nuremberg seguiram na mesma batida. Visitas a estandes e conversas entre provas de bebidas e comidas orgânicas, sempre de muita qualidade. Para não ser repetitivo vou contar algo que vi e achei muito interessante.
O projeto do café está baixo o conceito de
CSA - sigla em inglês para Agricultura Apoiada
pela Comunidade - Tekey no Japão
Passando em um dos pavilhões encontrei a Esteban. Ouço este nome e lembro-me do meu poema preferido “Tabacaria”, de Fernando Pessoa. Nele, o poeta nomina o “Estevão sem metafísica”. Mas este que encontrei é outro, e talvez possua boa dose de metafísica em suas ações na vida. É um jovem que trabalha no México, no Estado de Vera Cruz, produzindo e assessorando produtores de café Orgânico e Biodinâmico. Parei para saber sobre seu novo projeto (o conheci na Costa Rica há alguns anos) e o que ouvi chamou a minha atenção.
Ele está envolvido em, além de produzir, exportar café premium. Significa café de alta qualidade. Até aí bem, ele e seus companheiros de trabalho não são nem os primeiros nem os segundos a fazerem isto. O bonito, inovador e contemporâneo é o fato de exportarem este produto para a Alemanha em um veleiro. Sim, veleiro. Significa ao sabor do vento, sem gasto de combustível fóssil e sua consequente emissão de carbono. Este assunto da emissão do que é denominado como “gases estufa” é o assunto da hora. As cúpulas mundiais discutem sobre esta realidade a cada ano, e quase duas centenas de países não conseguem chegar a um bom termo sobre como o planeta irá lidar para que a catástrofe da mudança climática impacte menos a vidas das pessoas. Diminuir a emissão destes gases é um caminho para que esta crônica anunciada do aumento da temperatura do planeta tenha um fim menos dramático. Este trabalho dá a sua parcela de contribuição para amenizar o quadro sombrio das previsões.
vinhos, muitos vinhos.
Alguns podem dizer o que mais ouço: mas como vamos transportar todo o café do planeta em veleiros? A resposta é: não sei. Mas sei que com o Titanic que o petróleo significa não deu certo. Então é bom tentar com alguns botes salva vidas. Porque não ao menos alguns deles serem à vela? Além disto, nenhuma solução inovadora começa massiva, por definição.
Ah, quase esqueci de dizer que do porto de chegada, aqui na Europa, até as casas comerciais onde será vendido, o café vai de bicicleta.
Legal né? Sim. Lá nos setenta nós diríamos: um barato!
Este projeto de "transporte pelo vento" denomina-se Timbercoast. Não deixem de ver o site, www.timbercoast.com
Os princípios na placa,
apontando caminhos.
Ver este trabalho me leva a refletir que Biofach é uma feira de produtos orgânicos. A produção orgânica tem suas boas décadas de história e começou com a persistência de alguns que tiveram a coragem de nadar contra a corrente. E que corrente! Só o fato da Bayer ter comprado, em 2017, a Monsanto por 66 bilhões de dólares dá uma ideia do seu tamanho. Mas mesmo contra esta poderosa corrente, nos últimos anos a produção orgânica tem crescido de maneira significativa. Este crescimento tem seu preço. Precisou, ou julgou que precisaria, adaptar-se a algumas “regras” de mercado que corrompem alguns dos princípios que são também fonte do seu sucesso. 
Este tipo de “desvio de princípios” ao mesmo tempo que impulsiona seus números pode também limitá-los. Afinal, um consumidor quando compra produtos orgânicos aceita pagar algo mais por entender que está pagando também por uma série de valores implícitos a esta forma de produção. Se ele vem a descobrir que nem sempre estes valores lhes são entregues, pode alterar sua decisão de compra. Transporte baseado em carbono pode sim, no momento pelo qual passa o planeta, neutralizar alguns destes valores. O mesmo pode ocorrer com a overdose de embalagens plásticas que vemos aqui na Biofach. Elas também guardam sua dose de contradição com princípios originais da agricultura orgânica. Recuperar a ousadia e a criatividade que sempre caracterizaram esta onda da produção limpa, justa, local e de qualidade é uma necessidade premente sob risco de criarmos as armadilhas que impedirão o que trabalhamos por: aumento significativo da produção e consumo de produtos orgânicos. Quando vejo trabalhos como este do transporte à vela aqui na Biofach meus olhos dançam e a esperança brilha.
Festa do país anfitrião - neste ano, Marrocos
Minha sexta e sábado foram marcadas pela Biofach. Na sexta, a tradicional festa bombou, com cerca de 400 participantes, tendo Marrocos como país anfitrião. Eu saí oito e meia porque já sou um velho cansado e não tenho autorização para participar deste tipo de evento, mas no dia seguinte soube que os últimos incautos foram expulsos do local às três da manhã.
Sábado tive o prazer de rever e jantar com meu amigo Manuel Amador. Deixo aqui o registro.
Praça principal. linda!
E hoje, domingo, passei o dia todo aqui. Estava frio agradável. Caminhei pela cidade velha, fui até o Castelo de Nuremberg, passei pela rua Weissgerbergasse, minha favorita daqui, fui na igreja de São Sebaldo que é do século XIII, e na casa museu do Albrecht Durer,  o famosíssimo pintor alemão, que, durante anos, residiu nesta cidade.
O comércio aqui não funciona no domingo. Como é bom um domingo sem compras...
 Como o café da manhã no hotel Victoria, para onde vim ontem, é um espetáculo, pulei o almoço tomando só um café na praça principal onde havia um cantor que me inebriou com sua música. Frio, gente para lá e para cá, sol tímido pensando em sair, neve nos cantos sombreados, lindamente contrastados com o reggae que pairava no ar, quase trazendo a maresia.
Depois disto foi só jantar no restaurante Trofelstuben. Chucrute, maionese de batata, salsicha, paleta de porco e dumbling (acho que de trigo, mas também poderia ser fécula de batata). De sobremesa um apfelstrudel com sorvete. Bela comemoração de aniversário, amanha chego aos 53 anos. Amanhã saio para Frankfurt, de lá para casa. Bom regresso para mim!




hummmm
huuummmm
Durer - os quatro apóstolos

Auto-retrato - Durer