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terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Bissau, 10, 11 e 12 de fevereiro de 2024.

 

Com as pessoas com as quais trabalhei -
equipa de Essor e Asas de Socorro

Hoje terminou o trabalho, com uma reunião de avaliação e perspectivas. Ouvi que eles gostaram muito das atividades realizadas, o que é sempre agradável aos ouvidos. Coloquei que estou à disposição para sanar qualquer dúvida que venha a surgir à partir de tudo que falamos durante esses dias. Ouvi também que irão buscar recursos para um retorno meu. Veremos! Seria legal, sei que uma segunda vez é mais produtiva, já se chega com algum conhecimento do contexto. 

Agora, deixa eu contar do fim de semana. Sábado, foi dia de feira. Feito do projeto com o qual vim aqui trabalhar. Uma feira de produtos agroecológicos, nome dado pelos financiadores franceses. De produtos naturais, no explicar das mulheres produtoras, quando anunciavam a qualidade do que ofertavam aos eventuais consumidores (a maioria, mas não todos, brancos, expatriados, para usar o termo normalmente utilizado). A feira não pode ser mais modesta. Uma banca com não mais que trinta ou quarenta quilos de produtos sobre ela, entre beringela, tomate, nabo, cenoura e algumas coisinhas mais. Completavam a oferta alguns temperos, alface, couve e uns vidros com conserva de beringela. Ficaram ali umas quatro horas para vender tudo, ou quase tudo.

Esse meu relato não traz uma crítica ao pouco volume comercializado, estou apenas descrevendo. Afinal, o mercado de produtos orgânicos é mesmo modesto. Podemos pensar em uma boa feira, nossa, no contexto brasileiro. Sabemos como ela impacta positivamente muita gente. Mas… se comparamos com o vendido em um hipermercado na mesma cidade, percebemos nosso nível de insignificância no contexto do abastecimento. Sempre disse que trabalhamos, as ONGs, para dar exemplos e não produzir estáticas robustas. Para isso, é necessária uma revisão de legislações e políticas públicas, incluindo polpudos orçamentos. Podemos lutar para conseguir esse apoio, mas não temos esse poder de decisão. 

Carnaval na Praça Império

Enfim, tudo isso para falar porque, apesar de modesta, valorizo a iniciativa: é um bom exemplo!

Depois da feira, almocei no italiano “Bistrô”, porque foi o que se apresentou, mas nada a ver comer em um restaurante italiano aqui… depois, uma longa tarde no ar refrigerado do hotel e de tardinha fui à praça Império, onde estava rolando uma aglomeração de carnaval. Foi legal ver a cena, muito legal, vou colocar fotos aqui. Mulheres e crianças, não vi tantos homens, com suas fantasias mais ou menos elaboradas. Muitas com representações das diferentes etnias locais, que são na casa de duas dezenas. Soube que o desfile de carnaval, parece que esse ano não teve, é feito por representantes dessas etnias, que vem de todo o país, e recebem subsídio do governo para isso, para essa festa pagã da qual o mundo cristão não conseguiu, ou não quis, se desvencilhar. Terminei o sábado no mesmo bar que fui na sexta, que agora aprendi que chama “O Barril”. Era para ter música ao vivo, mas não sei qual estrada ficou fechada, por causa do carnaval, e os músicos não chegaram… 

Linda!

Domingo, fui a uma feira de artesanato, com muitas coisas em madeira, colares, pulseiras, vestidos e camisas com motivos africanos. Comprei apenas uma escultura em madeira, de mulher, negra, alta, com um vestido estampado com búzios e uma moringa d’água na cabeça. Uma forma de levar o que mais me marcou nessa breve passada por Guiné-Bissau: as mulheres!

Almocei um belo cabrito ao forno no mesmo restaurante de domingo passado, “A Padeira Africana”. Só por causa do ar condicionado…

E domingo, no entardecer, a mesma aglomeração de carnaval do sábado. Passeei, namorei a cena por umas duas horas, muito interessante por sinal, e pouco depois das nove já estava no hotel.

Agora, segunda à noite, vi, brevemente, o movimento do carnaval e vim, novamente, para o bar que se tornou o meu em Bissau: O Barril. Vazio, cervejinha gelada, boa música. Adorei escrever aqui, e é aqui que coloco o ponto final dessa minha última crônica da muito interessante estada em Bissau, capital da Guine-Bissau.




Cena urbana...

Na feira!

Carnaval!

As vendedoras de ostras

Foliã...

Carnaval


domingo, 4 de fevereiro de 2024

Guiné-Bissau, 03 e 04 de fevereiro de 2024.

Mercado de Bandé
Cheguei ontem à Bissau, capital de Guine-Bissau, pequeno país da África Ocidental. Passei por Lisboa, dormi em um hotel ao lado do aeroporto (Meliá), jantei um bacalhau no próprio hotel e no dia seguinte fiz as quase cinco horas de voo que me trouxeram até aqui.

Ontem, sábado, cheguei no hotel já no meio da tarde. No caminho do aeroporto, pude perceber que estou de fato em um dos países mais pobres do mundo. O visual das casas, o tipo de comércio de rua, dominado por pilhas de roupas e produtos usados, além dos produtos chineses e as ruas empoeiradas… sim, Bissau não impressiona positivamente à primeira vista, o que não chega a ser surpreendente. Ontem à tarde fui reconhecer o terreno, passeando a pé pelo centro da cidade. A impressão que tive pelo caminho se manteve, Bissau não é uma cidade bonita ou agradável. Tenho 12 dias aqui, por tanto estou sujeito a mudança de opinião ao longo do caminho.

O que hoje se conhece por Guiné-Bissau foi invadida e ocupada por Portugal desde o século XV, teve sua independência declarada apenas em 24 de setembro de 1973 e reconhecida pelo colonizador em setembro de 1974. Guiné-Bissau foi a primeira colônia portuguesa no continente africano a ter a independência reconhecida por Portugal.

Hoje, domingo, resolvi caminhar pela cidade, apesar do sol de 36 graus. Com o ar seco, o calor se torna mais suportável. 

Praça Império e Palácio do Governo

Saí do hotel e fui em direção ao Centro Cultural Franco-Guiné Bineense, o nome me sugeriu que poderia ter algo interessante por ali. Estava fechado, mas descobri que vai ter um show pré-carnavalesco na próxima sexta. Pode ser.

Depois, andei pela Avenida Almicar Cabral, que une o Porto à Praça Imperial, em frente ao Palácio da Presidência. Ali peguei o rumo da Av. Combatentes da Pátria. Em uma certa altura, depois do Parlamento, cheguei ao mercado de Bandé, o principal da cidade. Que loucura… o comércio mesmo ocorre nas ruas, apesar de que, por trás do imenso movimento das calçadas, em algum ponto, tem um mercado fechado. Aliás, a palavra mercado tem sua origem associado a palavra praça, local público. Caminhando pelas calçadas, vi quele tipo de comércio que tem tudo… roupas, eletrônicos, comidas… algumas coisas chamam mais atenção: por exemplo, celulares, novos e usados. 

Feira, mais de perto

Chama a atenção porque não são smartphones, que também estão por aqui, claro, mas pela maioria ser de celulares pequenos, apenas para telefone e SMS. Deu até saudade… roupas velhas, telefones com telas quebradas, tomates amassados, galinhas mortas, galinhas vivas, material de construção, panos, peixe seco, peixe fresco no sol forte… tudo se vende por ali… eu era o único branco no mercado, tenho a impressão que os turistas devem se sentir inseguros, o visual de fato pode gerar essa sensação, mas não vi nada, absolutamente nada que me gerasse qualquer insegurança. Na verdade, se olharmos um pouquinho para a história, quem teria motivo para ter medo seriam eles, pela presença de um branco ali, não é?

Camarão ao Carril (curry)
Ainda não tirei uma febre da comida local, ontem comi um prato indiano, hoje bacalhau, no simpático restaurante “A Padeira Africana”, onde pude sentir algo do tempero local. Gostei muito. 

Falando em restaurantes: na África, em todos os lugares onde estive, vejo uma cena comum: a medida que os restaurantes vão ficando mais caros, a cor da pele dos frequentadores fica mais clara… no mercado de rua não vi nenhum branco, no restaurante caro, mais brancos que negros.

Aí, Laércio, eu te pergunto? Só nos países africanos? No teu país, não?

Sair é bom para ver o lugar dos outros, mas principalmente para conhecer nosso lugar!

O mais bonito que vi hoje são as mulheres e suas roupas coloridas, o que me lembrou Maputo. 

Andando pelas ruas, sós ou acompanhadas, às vezes levando algo na cabeça, sem precisar da ajuda das mãos, muitas sentadas ao chão vendendo frutas e verduras, mas, em qualquer lugar ou posição, sempre com seus vestidos coloridos, típicos de boa parte do continente. Um luxo! Pena que não gostam de tirar fotos, as que tirei foram furtivas ou em plano geral! E o bom é que meu trabalho aqui e principalmente com mulheres agricultoras, vou poder conviver um pouco com elas. 

Amanhã tem trabalho, depois conto o que vim fazer aqui!




Hotel Ancar, onde estou,

Parlamento

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Lixo nas ruas...

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