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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Seul, 05 de outubro de 2011.

Dia de despedir de Seul. Antes disto ainda tive que fazer minha palestra. Foi mais ou menos, acabei lendo porque não tenho suficiente confiança em Inglês para simplesmente falar. Mas estou feliz com o resultado, digamos nota seis.
A assembleia de IFOAM terminou na hora do almoço. Palmas, abraços e despedidas emocionadas. Eu vejo de fora, não sinto este espaço como prioritário para meu trabalho, mas foi bom ter vindo e me inteirar dos esforços de IFOAM, que sempre representou uma Agricultura Orgânica ligada ao mercado de exportação e com um cunho mais elitista, se aproximar mais da agrobiodiversidade, do conhecimento local, das diferentes culturas ao redor do mundo, das cadeias curtas de comercialização.
Depois disto fui para um hotel no centro de Seul, já cansado de ficar tão longe da cidade. Bom. na verdade era algo que eu pensava que era um hotel, mas na verdade era um motel! Em uma região cêntrica  perto da estação Sinchon. Uma viagem! No quarto tem TV de 50 polegadas, dois desktops, sim, dois desktops, Wii, dois controles remotos que ate agora não sei para tudo que servem, mas sei que moviam cortinas e acionavam as luzes, além dos aparelhos eletrônicos. Realmente uma viagem. Não dá para pensar em Seul sem pensar em tecnologia, no metrô todos conectados, internet gratuita nas estações, rodoviárias, aeroportos, cafés, restaurantes.
Depois saí para passear e acabei em outro templo Budista. Este se chama Jogyesa. Maior que o eu havia visto sábado passado,  mais tumultuado, mais gente, menos tranquilidade. Mas absolutamente lindo. Vou até colocar mais fotos do que normalmente faço aqui para que vocês vejam e tenham uma ideia. 
De noite fomos jantar no mesmo lugar que eu havia ido ontem pela tarde, Insadong. Desta vez, acompanhado por pessoas que conheciam o lugar, fomos a um restaurante mais típico, destes que as mesas são baixas e a gente senta no chão. Delicioso, tanto o local quanto a comida.
Ainda tivemos tempo de sair caminhando, por uma rua muito legal, estilo Boulevard, no centro da rua uma área rebaixada, tipo um canal com água artificial, calçadas dos dois lados, bancos para sentar, com muita gente passeando. Era meia-noite, a rua relativamente cheia, paramos em um bar onde se vendia cerveja de todas as partes do mundo. Fizemos um breve pit-stop.


Foi bom ter visto Seul, acho difícil que eu volte por aqui, não entra na minha lista de locais preferidos. Agora são quase duas, saio deste hotel às cinco da manhã. Daqui a pouco. Ir a Pequim era um sonho de tempos, amanhã realizo. Show! 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Seul, 04 de outubro de 2011

Centro, Seul
Vou confessar, estou cansado de dormir no chão. Até me sinto assim, meio Dalai Lama, humilde, entrando descalço no quarto, abrindo minha “cama” todas as noites e recolhendo ela de manhã cedo. Na vida tudo é ciclo e armar e desarmar a cama todas as noites nos integra mais com o ciclo da vida... sei lá, deve ser meu lado zen-budista falando... mas que estou doido por uma boa cama ocidental, isto estou!
Estando aqui posso perceber que existem vários aspectos interessantes desta sociedade, ainda que não possa compreendê-los. Por exemplo, perdi minha câmara fotográfica. Não sabia se no restaurante do hotel, no chão, ou no ônibus que peguei para sair do hotel. No dia seguinte, perguntei na recepção do hotel e no restaurante, nada. Um Peruano que conheci aqui, e que vive aqui, me disse: ela vai aparecer, aqui ninguém fica com nada que não seja seu. E me sugeriu perguntar nestes lugares todos em que estive. Acabei não indo perguntar no ônibus, nem sabia como, eles não falam inglês e são vários motoristas diferentes. Dois dias depois me avisaram que estava na secretaria do evento, que havia sido achada no ônibus. Segundo o mesmo amigo Peruano, é parecido em termos de violência urbana. Simplesmente não existe, podes andar como quiser, onde for, com o que for, à qualquer hora.
Downtown Seul
A Assembleia correu por todo o dia. Moções contra transgênicos, estímulo a grupos temáticos e regionais de IFOAM, mudanças de estatuto, eleição da nova coordenação. Como não estava assim, tão interessante, pela tarde escapei da Assembleia e fui ao centro da cidade, perto da estação de metrô Eujiro 3. Foi bom ver o centro, umas ruas mais apertadas, muita gente caminhando, lojas de artesanato, coisas locais (e da China, claro), restaurantes. Ao redor destas ruazinhas umas avenidas grandes, com lojas de roupas de marcais ocidentais e fast food tipo Mc Donald, KFC ou Pizza Hut. No meio de todo o tumulto característico de centros de megas cidades, um templo, para orações tipo assim, de passagem. Na verdade para um tipo de ritual para tocar o sino. Muito bonito e aqui em Seul vemos estas construções que imaginamos quando pensamos no extremo oriente mescladas com grandes edifícios à moda ocidental. 
Loja de ervas medicinais, Seul
Pela noite teve uma festa Turca. Isto porque a Turquia foi eleita hoje o país anfitrião do Congresso de 2014. Deu para ver que será muito mais animado dá próxima vez, os turcos estavam a mil. A mil para os padrões daqui, as nove da noite a festa já tinha terminado...
 Vou dormir, faltam só mais duas noites nesta cama Coreana, e não posso dizer que estou triste por isto. Amanhã tenho que fazer uma breve palestra. O que seria fácil e prazeroso, se não fosse em inglês, se transforma em um calvário. Acho que vacilei em matar as aulas do ICBEU para ir jogar flipper!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Seul, 03 de outubro de 2011

Vista geral de um dos prédios do Organic Museum
Como já havia comentado, hoje é o primeiro de três dias de assembleia de IFOAM. Como toda assembleia, chata. O que valeu foi conhecer o lugar. Um Museu Orgânico, em uma cidade da Grande Seul chamada Namyangjy. Inaugurado esta semana, construído tendo como motivação ser inaugurado durante este Congresso que estou. Impressionante. Ouvi por aqui que o terreno custou 40 milhões de dólares. Fora a construção, que pode ter chegado a outros dez.
É uma área grande, onde existem dois prédios principais, onde ficam o restaurante, um mercado, uma cafeteria, um auditório e o Museu, como atração principal. Entre os prédios um anfiteatro ao ar livre, e uma área que imita uma fazenda, com plantações demonstrativas. Tudo orgânico.
Arroz no Museu Orgânico
O Museu é bem tecnológico e bastante interativo. Telas, filmes, computadores, jogos. Pensado para crianças, muito legal, conta a história da agricultura, mostra dentre outras curiosidades uma réplica do local onde foi achada uma semente de um tipo de arroz de aproximadamente 13000 anos. Se algo existe neste país é história. Ainda aprendemos sobre a formação dos solos, sobre os problemas ambientais, dos agroquímicos, dos alimentos industrializados e depois conta a história da Agricultura Orgânica tanto no mundo quanto na Coréia, chegando até os dias atuais.
Jogo interativo sobre Food Miles
Vou contar apenas uma das atrações do Museu. Em um canto, na parede uma TV de 60 polegadas. Embaixo uma bancada com oito diferentes tipos de frutas de plástico. Podemos pegar  uma fruta destas e colocarmos em uma tigela, que fica na mesma bancada abaixo da TV. Aí, na tela da TV aprece um aviãozinho carregando a fruta desde seu local de origem até Seul, com um contador de quilômetros que nos dá então a quilometragem percorrida pelo alimento. E aí descobrimos que a maçã roda apenas 200 km até o mercado e a uva 18.000. Tudo isto com design e musiquinha para crianças. Genial! 
Muito legal o tal do Museu Orgânico, e para nós que somos da área estamos todos aqui de acordo que nunca havíamos visto isto em outro lugar. Como não conseguimos entender a realidade local, como já disse é como um lindo filme, vibrante, mas sem legenda, fico me perguntando por que todo este investimento. É um reflexo da realidade ou busca ser uma ferramenta para alterá-la? Sendo um ou outro, ou uma mescla dos dois, segue sendo muito interessante.
Videos sobre AO no Organic Museum
Bom, depois da Assembleia voltamos ao hotel. Rolou um jantar de confraternização que assim como o almoço achei mais interessante do que gostoso. Tudo orgânico, legal, saudável, mas não tão saboroso. O que me explicaram aqui é que o prazer do Coreano é comer o que faz bem para sua saúde. Ainda chego lá. Saudável e magrinho. A maioria dos homens aqui tem barriga negativa. Fazem uma curva pra dentro!
Vou dormir, amanhã tem mais. Nem sei direito o que, mas tem mais!

domingo, 2 de outubro de 2011

Seul, 02 de outubro de 2011

Palácio Gyeongbokgung
 Meu dia começou com uma reunião com um Grupo de Trabalho internacional sobre Sistemas Participativos de Garantia. Já fiz parte deste grupo, de 2004 até 2008 e foi legal rever algumas pessoas e saber de perto o que eles andam pensando e fazendo. Mas fiquei apenas duas horas com eles, tinha outras coisas que fazer pela manhã e de tarde ainda queria ir a Seul que fica a umas duas horas de metrô do hotel.
E assim foi. Com um casal de amigos saímos para dar uma volta e ver algo mais da cidade. E se ontem fui buscar contato com o Divino, hoje fui ver as coisas da terra. Fui ao Palácio Gyeongbokgung, construído em 1394 para ser a sede de governo da Dinastia Joseon, que durou cerca de 500 anos e é muito reverenciada aqui na Coreia. Impressionante o Palácio, realmente imperdível. Uma área enorme, com diferentes construções, pátios, muros. Fiquei admirado com a semelhança arquitetônica entre o templo religioso, que visitei ontem, e o palácio político. Mas as semelhanças param no visual, porque o astral é notadamente diferente, mesmo para um casca dura como eu. A paz e tranquilidade do Templo se contrastam com o burburinho e a agitação do Palácio. Quero ver se consigo voltar no Templo, é uma experiência muito agradável. 
Eu e meu amigo Rene Piemonte
Não sei se por hoje ser domingo e véspera de feriado por aqui, mas havia uma verdadeira multidão visitando o tal palácio hoje. Bom, gente por aqui é o que não falta. É um país de quase cinquenta milhões de pessoas, em uma área equivalente a pouco mais do estado de Santa Catarina. Ou seja, gente todo o tempo, para todo lado. Não surpreende, afinal estou na região mais densamente povoada do planeta. Mas, dentro deste contexto de alta densidade populacional, Seul, ou a grande Seul com quase metade dos habitantes de Coreia, é uma cidade relativamente calma, ao menos na superfície. Quero dizer, trânsito, muito carro, edifícios, muita gente, tudo isto não pode exatamente se chamado de calmo, mas não sei se deliberadamente ou não, eles tiveram a sacada de colocar o sistema nervoso da cidade no subsolo, em uma rede de metros, lojas, shopping, tudo isto conectado por corredores mais ou menos longos, sempre cheios de gente. É como dividir a cidade em dois níveis, diminuindo, ao menos um pouco, o tumulto provocado por tanta gente junta.
Só para não deixar de falar de comida, de novo almocei com uma chama sobre a mesa, desta vez a gás, colocada ali para que nós mesmos terminássemos de preparar a comida. Pedimos algo que pode ser traduzido como carne cozida com legumes e uma panelada de frutos do mar, este ultimo bem condimentado. Servido com arroz e pequenas porções de vegetais preparados de diferentes maneiras. Estava gostoso, mas nada do outro mundo.  
Amanha tenho que trabalhar, nos próximos três dias ocorrerá a Assembleia Geral do Movimento Internacional de Agricultura Orgânica (www.ifoam.org). Que pena, estou começando a pegar o gostinho de Seul!
Dragões

sábado, 1 de outubro de 2011

Seul, 01 de outubro de 2011


Templo Bongeunsa, Seul
Finalmente pude ver um pouco de Seul hoje. Conhecemos um Peruano que vive por aqui, e ele se dispôs a ser nosso guia. Com as dificuldades de comunicação em função da língua, foi fundamental ter alguém nos explicando um pouco o país e o que víamos. Foi como por legenda em um filme estrangeiro.
Loja de produtos eletrônicos
Começamos por uma loja de produtos eletrônicos. Nunca tinha visto algo assim, mas não chega a ser exatamente surpreendente, afinal estamos na Coréia do Sul. Uma viagem o tamanho da loja, os preços, a variedade de coisas. Não apenas computadores, celulares ou máquinas fotográficas. Também tampas de vaso sanitário eletrônicas, que limpam e secam nossas partes intimas. Com água e vapor na temperatura escolhida por nós! Tablets, jogos eletrônicos e todo tipo de acessórios inúteis que podemos imaginar. Um verdadeiro templo de consumo contemporâneo.
Mesa, local para cozinhar, coifa
O almoço foi como de boas vindas à culinária Coreana. O restaurante, simples, já anuncia nas mesas vazias que algo diferente nos espera. Nas mesas um espaço para se colocar brasas, onde com uma panela ou uma grelha cozinharemos nossos pratos. Sobre este espaço, uma coifa para que os clientes não saiam defumados do restaurante. A obsessão do Coreano com a saúde tem na sua forma de se alimentar uma de suas expressões mais visíveis. Hoje comemos algo pesado para os padrões locais. Para os padrões locais, porque se como o que comi hoje todos os dias, entro em forma rapidinho. Vou tentar explicar. A carne, em tiras pequenas, é colocada crua sobre a mesa, levemente temperada com sal. Nós mesmos a cozinhamos. Em pequenos potes existem porções de alho fatiado, cebola, molho de pimenta, pimentão, uma salada com verduras fatiadas, e folhas de alface e de outra planta, que me pareceu amoreira. Então, a onda é fazer trouxinhas com uma destas folhas, recheadas com carne e tudo o mais que descrevi acima. Devemos colocar estas trouxinhas de uma só vez na boca. Muito bom, e não apenas eu achei, mas todo o grupo, que era de diferentes países. Chama  a atenção que a  comida era quase toda crua, apenas a carne é grelhada. Muito legal, não apenas a comida, mas o entorno, a preparação, o conceito de se alimentar de forma saudável. Faltou apenas ser servido no chão, que é o mais comum por aqui. Fica para a próxima.
Grelha, na nossa mesa
Verduras, molhos, que comemos
com carne, enrolados alface, 

            O melhor estava reservado para o fim do dia. Fomos ao segundo templo do dia, desta vez Budista. Além de naturalmente lindo, como costumam ser os Templos Budistas, chama a atenção por estar encravado na cidade, por sinal moderna e agradável mesmo sendo enorme. O nome do Templo é Bongeunsa e fica perto da estação Samsung do metrô. Para mim foi muito curioso ver que na mesma foto se pode colocar o World Trade Center (sim, aqui tem um WTC), o Hotel intercontinental e o Templo de mais de 1200 anos. Foi construído no ano de 797. Realmente deslumbrante, provavelmente não apenas pela arquitetura, mas por aquela sensação agradável, de paz e serenidade, que caracteriza estes lugares. 
Voltei para o hotel com a sensação de que tem muito o que ser visto nesta cidade. O dia de hoje deixou gosto de quero mais. Veremos o que o dia de amanhã me reserva. 
Templo Bongeunsa, Seul

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Seul, 30 de setembro de 2011

Feira de Produtos Orgânicos - Coréia


Crianças trilhando arroz na Feira
O mais legal deste Congresso esta sendo a Feira, paralela às palestras e oficinas. Bonita, em uma ampla área aberta, com uma participação forte do povo local, produtores, senhoras e crianças de todas as idades, uniformizadas, acompanhadas de seus professores. Crianças trilhando arroz, visitando uma horta ou vendo pequenos animais. Sim, eles tiveram a capacidade de ter plantações em meio a feira, de sorgo, acelga, arroz e dezenas de outras plantas. Todas em ponto de colheita agora. Ou seja, se organizaram para plantar as diferentes culturas em diferentes épocas para que todas estivessem em ponto de colheita na semana do Congresso. Nunca tinha visto isto. 
Diferentes variedades de arroz, plantadas
para amadurecerem na semana do congresso
Do Congresso em si ouvi mais uma serie de palestras hoje. Não quero ser chato de contar aqui detalhes de conteúdos da área e que não interessam a todos. Como comentário geral, digo que acho nossos Congressos meio que conferencia de Bispos. Todos estamos convencidos das inúmeras vantagens da Agricultura Orgânica e retroalimentamos nossa Fé com depoimentos de convertidos. Mas falta mais momentos de autocrítica, de buscarmos entender porque não temos tido capacidade de falar para a sociedade como um todo, de maneira a sair da marginalidade estatística que nos encontramos. Não deixa de ser positivo aumentar nosso arsenal de informações, mas sem o contraditório, acho que enfraquecemos nossa capacidade de argumentação.
Jannet Villanueva, falando dos
SPGs no Peru
Um dos pontos bastante falados no seminário são os sistemas participativos de garantia. Como alguém que trabalha com este assunto desde quando ele ainda nem era um assunto, é muito gratificante ver o interesse que hoje ele desperta em vários cantos do mundo. Uma das sessões que ouvi hoje era sobre experiências de agricultura apoiada pela comunidade (CSA na sigla m inglês) que busca nos SPGs sua forma de gerar credibilidade da produção comercializada. Ouvi sobre as AMAPs na França, os TEKEI no Japão (www.joaa.net), experiências da Espanha (www.baserribziz.info), da Índia, do México (www.mercadosorganicos.org.mx) e do Canada. Muito legal, e quem se interessar pode dar uma olhada nestes sites. Considero estas experiências de CSA uma das coisas mais inovadoras no seio da Agricultura Orgânica dos últimos tempos. Apesar de serem desenvolvidas a partir da realidade mais urbana dos países do Norte, acho possível buscarmos formas de implementá-las nos países do Sul.
Bom, depois de tanto trabalhar fomos ao Gala Dinner. Com a roupa que usamos todo o dia e sem banho, o que tirou muito do que poderia ter de gala no jantar. A comida apenas razoável, não sei se por ser exclusivamente vegetariana, mas não me achei nos diferentes bolinhos e maneiras de preparar arroz ou nas verduras cozidas de forma muito própria. Ainda estou me devendo um bom restaurante...
Bolinho com alho assado dentro.
Ao fim, hoje não via absolutamente nada de Seul, vamos ver se amanhã escapo um pouco do Congresso. Não cheguei ainda na cidade grandiosa que eu espero e tanto ouvi falar. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Seul, 29 de setembro de 2011

Visão geral do Congresso Mundial de Agricultura Orgânica - Seul

Como previsto meu dia hoje começou cedo – mais exatamente as quatro da manhã. Mas não reclamo, dormi das nove as quatro, uma boa primeira noite de adaptação ao jet-leg. Depois de trabalhar um pouco no computador e tomar meu café da manhã, às sete já estava indo para o Congresso.
Pouco o que contar sobre o Congresso. Acho que a parte que mais gosto é rever pessoas de todas as partes do mundo, com quem já tive mais ou menos contato em outros momentos de trabalho. Fora isto, ouvi uma palestra interessante de um norte-americano que pesquisou as pesquisas sobre agricultura orgânica ao redor do mundo, e nos contou alguns resultados comuns e algumas lacunas que ainda faltam preencher. Terminou afirmando que até metade do século, 30% da agricultura mundial será orgânica. Veremos.
Buda - Museu Nacional
da Coréia
Enquanto o Congresso prometia seguir com suas mesas de discussão e apresentações de trabalhos, eu e outros dois amigos brasileiros fomos ao Museu Nacional da Coréia, uns 45 minutos de metrô do Centro de Convenções onde estávamos. Muito legal e valeu muito ter ido, apesar da distância e de termos visto talvez menos de um quarto de tudo que havia para ser visto. Realmente enorme o Museu. Dar uma olhada, ainda que rápida, na história de uma civilização tão antiga é sempre muito enriquecedor. As diferentes representações de Buda, a milenar lavoura de arroz, a história da escrita, os trabalhos em porcelana são exemplos de coisas interessantes que vimos.
Buda - Museu Nacional
da Coréia
Me chamou a atenção a entrada do Museu ser gratuita. Como diria a música, "hoje em dia minha gente isto não é normal...". 
Uma pena a língua. Muito pouco na rua, e mesmo no Museu, em inglês, as pessoas quase não falam Inglês, e isto nos impede de entender um pouco mais o país, tirar dúvidas, perguntar o que é isto ou aquilo. Ficamos deduzindo coisas, mas aí o risco de errar é grande...
Para ter uma ideia de como é difícil a comunicação, um dos que estavam comigo queria comprar um ipad. Na volta do museu entramos em uma loja de departamentos e vimos um computador, estilo netbook, por 130 dólares. Ficamos impressionados de como era barato e nos perguntávamos se valia a pena, claro que vale, vamos comprar, perguntamos a vendedora, ela só dizia que sim... quando fomos pagar, vimos que este valor era de uma das dez prestações... me senti meio assim, burro, mas saímos da loja de mãos abanando...
Outro ponto sobre a comunicação é pedir comida... uma aventura... ainda não me achei muito, mas quando comer um bom prato prometo contar por aqui.
São nove, vou repetir a dose de ontem e dormir cedo, amanhã o dia promete ser longo, com mais palestras e reuniões pela frente.
Escrita original, em Coreano, de mais de 500 anos - caligrafia linda!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Seul, 28 de setembro de 2011

Visual da janela do meu quarto, arredores de Seul

Sempre fui um cara de visão, à frente do meu tempo. E para provar isto, estou agora doze horas na frente dos meus conterrâneos. Em Seul, ou mais exatamente em um hotel campestre, pretenso a Resort, nos arredores de Seul. Só não vale perguntar exatamente onde, porque meu Coreano ainda não está muito bom. Me confundo com a sopa de letrinhas deles.
Quando minha família esta acordando eu já vivi todo o dia que eles ainda vão viver! Um homem do futuro! Eu sei que isto do fuso-horário é só uma convenção, mas que é legal brincar de túnel do tempo, isto é. Daniel, meu filho de oito anos, me entende. Quando expliquei para ele aonde vinha e as doze horas de fuso, ele me respondeu com cara de quem está lendo um livro de Júlio Verne: “pai, então você vai viajar numa máquina do tempo!”
Cheguei ao hotel hoje à tarde, depois de um total de quatro horas de carro, vinte e quatro de avião e treze de aeroporto. Recheado com doze do tal fuso-horário. Moral, saí de casa meio dia de segunda, cheguei aqui no hotel as cinco da tarde de quarta-feira. Ainda não pude ver nada, penas um pouco da paisagem, bonita, montanhas altas cobertas de um verde intenso. Nos próximos dias vou dando mais detalhes, ainda que já tenha sacado qual vai ser o drama por aqui. Vim para o Congresso Mundial de Agricultura Orgânica, que é organizado por IFOAM a cada três anos. Estou neste hotel fora de Seul e sei que o congresso é a mais de uma hora de ônibus daqui. E o ônibus sai às sete da manhã e volta às oito da noite! Ou seja, vai ser uma ginástica conhecer alguma coisa da cidade e do país. Veremos.
Cama coreana - um edredom no chão
Antes de eu ir dormir, deixa eu contar é que para vocês não precisarem pagar o mesmo mico quando vierem para este lado de cá. Cheguei, fiz o check-in e, antes de entrar no quarto, encontrei uma Peruana amiga minha reclamando que no quarto dela não tinha cama. Fui para o meu, já meio injuriado porque o hotel é meio caído e encontro meu companheiro de quarto reclamando que estava desarrumado, inclusive sem cama. Desci muito macho, que eu sou, para tomar as devidas providencias. Perguntei à moça se ela tinha certeza quanto ao quarto, porque nem estava arrumado, não tinha nem cama. Ela, sorrindo um pouco mais da medida, mas ainda educadamente, me explicou que é cama coreana, que é só abrir o armário e pegar a cama (na real uma espécie de edredom). Aí eu falei: “ahhmmm, yes, I’m sorry, thanks!”. É isto aí, vou dormir numa “cama coreana” oito noites. Adoro conhecer novas culturas...
Era só isto, breves notícias da viagem que ainda nem começou a acontecer. Consegui ficar acordado até agora, quase nove, para tentar me acostumar mais rápido com o fuso. Estou morto, duas noites de avião é meio passado do ponto.