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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Quito, 29 de novembro de 2015.

Fui atrás desta cerveja artesanal,
mas estava fechada...
Estou no Equador. Mais precisamente em Quito. Organizando junto com amigos equatorianos o III Foro Latino-americano de Sistemas Participativos de Garantia (SPG). Os SPGs são uma forma de garantir que os produtos que chegam ao mercado com o adjetivo de orgânico são o que dizem que são: orgânicos. Esta metodologia, o SPG, foi sendo construída a partir de trabalhos e reflexões feitas na então Feira de Agricultores Ecologistas da Cooperativa Ecológica Coolméia, em Porto Alegre, nos primeiros anos da década de 90. Esta feira segue funcionando, ainda que a Coolméia não exista mais. Naquele momento criamos o embrião deste método e o chamávamos de certificação participativa. Com os anos o método foi sendo aperfeiçoado e divulgado através de trocas de experiências, encontros e seminários. Rapidamente passou a ser adotado por muita gente no Brasil e no mundo. Pouco a pouco vem sendo incorporado a legislações nacionais que tratam do tema. Se tornou quase um assunto obrigatório em Congressos da área. Não vou contar aqui como este método funciona, para quem se interessar é só buscar na net que acha fácil. Nem vou contar como é viver esta experiência de ver um processo em que participamos ativamente na criação ser adotado por centenas de milhares de pessoas em dezenas de países. Fica para outro momento. Por hora só digo que é uma sensação bastante interessante!
Visual da rua no Bairro La Mariscal.
E é por ter toda esta relação com o tema que organizo a cada três anos um encontro como este que estamos aqui. O primeiro foi no Brasil em 2009, depois em La Paz em 2012 e agora estamos em Quito. O encontro começa terça feira próxima e cheguei hoje para os últimos ajustes e para poder recepcionar aos quarenta participantes de  15 diferentes países. Alguns já chegaram hoje e é sempre prazeroso encontrar conhecidos que navegam pelo mesmo mar da agricultura ecológica só que em outras coordenadas!
Além disto, pouco para contar de hoje. No meio da tarde, tendo sido o primeiro a chegar e sem nada para fazer, resolvi ir caminhando até La Mariscal, o bairro boêmio de Quito. A caminhada foi boa, uns cinco km, mas não achei muita coisa. Imagino que a festa rolou até hoje de manhã e o visual era meio de fim de festa, quase todos os bares, cafés e restaurantes estavam fechados. 
Mais um aspecto do casario de La Mariscal
Na Praça Foch, uma espécie de centro deste bairro, estava tudo aberto, mas bem vazio. Espero ter tempo para voltar lá esta semana e ver o clima agitado que me deixou boas recordações da ultima vez que estive por aqui. 
Amanhã começamos aqui com um Encontro Nacional de SPGs, eles esperam cerca de 150 participantes de todo o país, e vai funcionar como uma reunião preparatória do Encontro Internacional, que como eu disse acima começa na terça-feira. Vai ser bem interessante participar. Amanhã conto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Huánuco, 05 e 06 de novembro de 2015.


Fotos com o povo do evento. Esta não resisti e
fiquei com uma copia!
Cheguei a Huánuco pouco antes das oito de manhã e foi tempo de passar pelo hotel e ir para o evento, que começava às nove. Começou com um pequeno atraso e onze da manhã eu já tinha terminado minha palestra. Não é a primeira vez que ando por aqui, vim aqui em 2006, depois 2010 e agora pela terceira vez. Sempre ao redor do mesmo tema, os SPGs (Sistemas Participativos de Garantia). 

Todo artista tem que ir onde o povo está!
Desta vez vim para o VII Encontro Nacional de SPGs. Bastante interessante o trabalho que desenvolvem por aqui com produção e consumo de produtos ecológicos. Depois da minha conversa com eles, as diversas regiões do país relataram o que vem acontecendo em termos de SPGs em suas regiões. Tive uma excelente visão geral do que está rolando em todo o país neste assunto.

Voltando à viagem para cá, ela realmente é incrível. Passamos por Ticlio, que está a quase cinco mil metros de altura, e é o ponto de estrada mais alto do Peru.  Pena que passamos de noite, mas ao amanhecer ainda é possível ver um pouco, já na descida, de quão tortuosa é a estrada.
 
Ponte Calicanto
Segundo me contaram é um trecho de estrada considerado muito perigoso, e existem épocas do ano onde a neve impede a passagem, fazendo com que os veículos fiquem parados às vezes por horas. Ainda me devo fazer esta viagem de carro. Desta vez tomei uma soroche pills, a base de cafeína e aas. É o que tem sido usado nestes casos de problemas com a altitide. Não sei se a pílula ou o por já ter passado uns dias em Cuzco, o fato é que não senti nada. Outras pessoas no ônibus passaram mal, sentindo fortes náuseas e dor de cabeça.

Vendedoras na ponte Calicanto
Pela tarde não voltei ao evento. Estava cansado e preferi ir ao hotel e depois passear pela cidade. Fui ao mercado, caminhei pelo centro, passeei pela praça, fui a lojas de artesanatos locais, estas coisas. A cidade não é tão bonita, ainda que cercada de por um interessante visual de montanhas andinas. Huánuco se autodefine como o melhor clima do mundo. Já conheci muitas cidades que afirmam a mesma coisa... ainda que fosse, não se justifica vir passar as férias aqui. Se for para conhecer os Andes peruanos, existem outras opções melhores.

A noite saímos, algumas pessoas do evento, a um Trapiche, como se chamam os bares por aqui que vendem licores os mais diversos a base de cachaça. Boas companhias, foi uma night agradável.

Hoje de manhã foi voltar ao evento, conversar com as pessoas, tirar muitas fotos. O povo aqui adora tirar fotos com o expositor. É sempre assim, e não me incomoda, curto meus momentos de popstar... 

Fernando, eu e Patricia.
Ouvi duas palestras interessantes. Minha amiga Patrícia Flores abordou a incongruência que pode ser observada em algumas regiões do Peru com alta diversidade biológica, onde produtores de quinoa, milho, kiwicha, batata e outros acabam com problemas de insuficiência alimentar. A sedução dos mercados, muito aquecido para estes produtos, e aspectos da cultura local determinam este quadro. Que por sinal também existe em outros lugares do planeta. A segunda palestra foi de outro amigo, Fernando Alvarado. Fernando e eu estudamos juntos na Espanha, em 1996, quando fizemos mestrado em Agroecologia. E seguimos na mesma onda, volta e meia nos encontramos. Ele falou sobre mercado e contou que existem hoje treze feiras e mais de cem pontos que vendem produtos ecológicos em Lima. Um detalhe que me chamou a atenção é que algumas destas feiras semanais estão sendo organizadas por empresários, cobrando dos produtores um valor pelo espaço. Não conheço experiência assim no Brasil.

Mesa de encerramento.
No fim da manhã, participei da mesa final do evento, depois despedidas, cartões para lá e para cá, promessas de novos convites, mais fotos e listo, tarefa terminada.

Peguei o avião pela Star Peru para Lima, bonito voo pelos Andes. Agora estou no aeroporto, daqui a algumas horas vou para Porto Alegre, daí direto para casa. Gostei muito estes oito dias de Peru, entra para conta das boas viagens. Em menos de um mês regresso aos Andes, desta vez será Quito. De lá conto mais!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Lima, 02, 03 y 04 de novembro de 2015.



Pacífico, visto de Miraflôres
Pouco o que contar destes dias. È que me concentrei entre o trabalho que tive aqui e mais trabalhos de computador.

Papas a la Huancaína
Minha relação com Lima é antiga. Esta é a 16° que venho aqui. Desde 1997. Assim que sou testemunha de como ela tem melhorada. A primeira vez que tive aqui me disseram que ela tinha o apelido de Lima a feia. Definitivamente não cabe mais este adjetivo. Bairros como Miraflores e Barranco, os meus preferidos estão entre os lugares mais interessantes do continente. Bonitos, vizinhos do pacífico, bem cuidados, lindo casario, cafés charmosos, belos bares. Clima agradável, ainda que se possa ficar dias aqui sem ver o Sol. Adoro caminhar por estes bairros.

Não falei dos restaurantes porque este é um tema a parte. Não é a toa que a cozinha peruana está tão na moda. Realmente eles são bons nisto. Motivo de orgulho nacional, principal tema das conversas por aqui, com óbvias e expressivas diferenças regionais, a capacidade deles em manter tradição por um lado e experimentar coisas novas por outro é inspiradora.

strogonoff de alpaca
Andei comendo, entre Cusco e Lima, trucha a la plancha com papas locais, papas a la huancaína, carne de Alpaca, pizza vegana, ceviche, tiraditos, , ceviche de manga (delicioso), tres leches, e mais, muito mais.
E ainda a chance de dar as caminhadas que adoro por Miraflores, rever velhos e bons amigos e amigas, tomar uma cerveja artesanal em Barranco, comer churros com chocolate no Manolo. É, acho que nem trabalhei tanto.

Em termos de trabalho dei duas palestras sobre políticas públicas no Brasil de apoio à agroecologia. Uma em Conveagro, instância organizativa que congrega representante de sindicatos e associações ligados à agricultura familiar e outra na Universidade Agrária de La Molina.

Cartaz do evento na universidade
La Molina
Foi tudo bem. Existe um dilema interessante aqui. Não posso vender a idéia de um país / governo agroecológico. Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. O governo subsidia de forma enfática a agricultura convencional. Mas o pouco apoio que a agricultura orgânica tem no Brasil, a existência de um Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, ainda que muito aquém do que consideramos mínimo, já é mais do que existe nos outros países do continente. E se aqui digo que é muito pouco o que temos, para eles soa como chorando de barriga cheia. Perspectivas...

E acho que é isto. Daqui a pouco vou para Huánuco, mais ao centro do país, cidade também andina. Pego o ônibus na garagem da empresa, já que por aqui não existe rodoviária, cada empresa recebe as pessoas em suas garagens. Ônibus bons, da Marcopolo. Vou passar por Tiglio, que está a quase 5 mil metros de altitude, espero não passar mal como aconteceu a primeira vez que fui a Huánuco. Vou nessa, me esperam 420 km, dez horas de ônibus... sacaram? Subir e descer, serra com curvas fechadas, a media de velocidade é assim, meio baixa!


Carta do evento de terça-feira

as vendedoras de frutas

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Cuzco, dia dos vivos, 01 de novembro de 2015.

Plaza de Armas ou Huacapata, que significa lugar sagrado.
Parece que sobre o nome original, não existe consenso
Hoje fiquei caminhando por Cuzco. As opções de passeio aqui são muitas. Quase todas de sítios arqueológicos, mais ou menos próximos. Já fiz alguns de outras vezes e são muito interessantes. Caminhadas de diferentes percursos e duração também são passeios muito comuns. O principal deles, Machu Picchu, de trem, carro ou a pé. É considerado patrimônio cultural da humanidade, sonho de consumo de boa parte das pessoas que gostam de viajar. E é lindo mesmo. E super interessante. Fui uma vez, em 1997. Não sei se volto. Considero o centro histórico de Cuzco mais legal. É um sítio arqueológico vivo! As pessoas ainda andam em ruas que foram feitas pelos Incas. A água ainda corre por onde os Incas decidiram que ela deveria correr. 
Ruas de Cusco, ainda do tempo dos Incas.
 Claro que Machu Picchu é uma onda. Ficou também revestido de certo misticismo. Mas ir lá é visitar ruínas de uma cidade incaica. O centro histórico de Cuzco também é uma cidade feita pelos Incas e que foi modificada e às vezes restaurada pelos espanhóis por razões de conquista ou terremotos. Mas ainda é uma cidade Incaica!
Cuzco era considerada pelos Incas o umbigo do mundo. O centro do mundo. Eu pensava que era Niterói. A hoje denominada Plaza de Armas era o centro do seu sofisticado sistema de comércio, que tinha como finalidade trocar produtos entre diferentes pisos ecológicos. Vale lembrar que a latitude aqui é relativamente próxima ao Equador e são as diferentes altitudes que desenham diferentes ecossistemas e por consequência diferentes possibilidades de cultivos. 

De cada canto da Plaza de Armas sai uma estrada, em direção aos quatro pontos cardeais. Estas estradas justamente permitiam este intercâmbio de produtos, também chamado de comércio, entre as diferentes regiões do Império Inca. Olha o mapa ao lado. As quatro rotas estão bem marcadas. Incrível né? A praça ligava os quatro cantos do mundo, ao menos do mundo deles. E é bom também não esquecer que o Inca, ou o Imperador, morava aqui. Centro político, religioso e comercial do Império Inca. Bem vindo a Cuzco.

Como hoje vim para um hotel melhor para passar um domingo de Inca, fiquei entre o hotel e caminhar. O Hotel é o Ramada Costa do Sol, está muito bem localizado em uma casa do século XVIII. 

Pátio interno da mansão onde hoje está o
Hotel Ramada.
 Dia 01 de novembro aqui se comemora o dia dos vivos, e por toda cidade se vendia leitão com tamal (um tipo de bolinho feito a base de massa de milho), o prato típico deste dia. Também um pão feito na forma de uma boneca ou de um cavalo, decorado, é típico destes dias do ano. 

Amanhã cedo embarco para Lima, tenho que trabalhar serão quatro eventos nesta semana, entre Lima e Huánuco. Depois conto.

Pães típicos desta época

Flores na praça

Selfie nos altos de Cuzco!

domingo, 1 de novembro de 2015

Cuzco, 31 de outubro de 2015.


Visual do Vale Sagrado dos Incas, município de Calca.
Com este visual, 
ficamos conversando sobre AO.
Hoje foi um dia de trabalho intenso. Acordei cedo, antes das seis estava pronto. Sete e meia estava no taxi que me levaria a Calca, local do curso. Taxi coletivo, em uma esquina eles se concentram, cobram por passageiro, quando está cheio ou quase, partem.

A turma do curso
O curso foi na comunidade de Urco, município de Calca. Em um local onde jovens agricultores desenvolvem um trabalho de horticultura orgânica, biojoias e propagam a ideia da Agroecologia. Ficamos por três horas no sol, conversando sobre manejo do solo, adubação orgânica, fazendo biofertilizantes e caldas fitoprotetoras.

 Sol forte, literalmente me queimei. Para mim foi muito agradável e espero tenha sido proveitoso para eles. Em cada lugar que chego busco identificar, através de conversas prévias e da apresentação inicial, qual o déficit de informação que devo procurar minimizar. Minha tarefa aqui foi mostrar que fazer Agricultura Orgânica não pode ser uma atividade pesada, quase uma penitência pelo bem do próximo ou do planeta. Pelo contrário, ela deve ser prazerosa, trabalho menos penoso e com retorno econômico e simbólico. Espero ter deixado esta mensagem! 
Legal né?

Apesar de intenso, o trabalho acabou cedo, comemos no campo mesmo, houve entrega de certificados, alguns discursos e fotos, muitas fotos. 

Quatro da tarde já estava no hotel e fui de novo caminhar por Cuzco. Passei por San Blas que é o bairro dos artistas, principalmente com sua arte Cusquenha, que ficou marcada pela mescla entre o barroco trazido pelos espanhóis e a arte indígena. A maioria das obras guarda relação com o sincretismo religioso entre as crenças locais e o catolicismo, Muito interessante de ver.

Igreja e pracinha de San Blas, com uma feira. 
San Blas é um bairro alto, que na altitude de Cuzco se torna um desafio para subir suas ruas ou escadarias. Lá de cima existe uma linda vista. Desci para o centro e me deparei com a praça lotada. Eu que não estou acostumado com esta festa no 31 de outubro achei que estava no carnaval. Muitas crianças fantasiadas pelo halloween, adultos também. Músicos nas esquinas, teatro em frente à Igreja, feira na praça. E repito muita gente, me chamou a atenção o fato da grande maioria ser de locais.

Fiquei caminhando bem devagar como manda a altitude, apreciando as gentes e seu movimento, pensando na viagem que é a história deste lugar. Vi o entardecer na Plaza de Armas, o umbigo do mundo. Amanhã tenho o dia só para relaxar e passear, aí conto porque Cuzco e mais especificamente sua praça central são o umbigo do mundo. 
A Praça e a Catedral.

A Praça e o Povo.
As mochilas dos alunos num canto.

sábado, 31 de outubro de 2015

Cuzco, 29 e 30 de outubro de 2015.

Montanhas de Cusco ao fundo - mais de 4000msnm
Cheguei ontem no inicio da tarde a Cuzco. Tive tempo de passear um pouco pelo Centro Histórico, sua Plaza de Armas, ver a Catedral, andar até o Mercado San Pedro, passar um pouco além dele e ver a feira local que vende frutas, verduras, carnes de todo tipo, e também todo tipo de etecétera que você puder imaginar. Roupas, material de limpeza, calçados, acessórios, imagens de santos, eletrônicos. E, repito, etc, etc...

Mulheres e a Feira
Depois do passeio, já no fim da tarde, comecei a passar mal, muito mal. Altitude. Só me lembro de haver passado mal assim duas vezes. Uma em La Paz, que está a 4000 metros sobre o nível do mar e outra aqui mesmo no Peru, quando passei pela estrada de Tiglio, que está a quase 5000 msnm. Cuzco está a 3400msnm, mas foi o suficiente para me derrubar. Dor de cabeça e enjôo. Muito forte. Parecia ressaca de Martine doce. E fiz todas as promessas que alguém de ressaca faz... nunca mais viajo para lugares altos assim, está na hora de parar de viajar, meu corpo já não agüenta mais, e outras promessas do gênero. Agora, depois de 24 horas de adaptação e muito chá de coca (o recomendado para o sorocho, ou mal de altura) estou zerado e já pensando na próxima viagem... o mundo está cheio de promessas vãs!

Esta é a quarta vez que venho aqui. Estive em 1997, quando tive tempo para fazer turismo, fui a Machu Pichu, Ollantaytambo, Pisac, tudo que se costuma fazer por aqui. As outras duas foram mais trabalho e os passeios foram visitando propriedades rurais ou caminhando a esmo por Cuzco. Guardo uma ótima impressão daqui. O Centro Histórico de Cuzco é sem duvida um dos mais bonitos do continente. Sempre arriscado dizer, mas talvez mereça o titulo de mais bonito. A mescla entre a cultura incaica e o ar cosmopolita trazido pelo turismo sempre me encantou. Suas ruelas construídas ainda no tempo do Império Inca, com casas que mantém os muros e paredes feitos pelos Incas, com pedras superpostas, enormes, sem cimento. Os mercados, feiras, cafés charmosos e restaurantes locais são um excelente complemento. As altas, secas e pedregosas montanhas a moldura perfeita.

Isto é o que me refiro...
Claro que Cuzco vem mudando. Para os saudosistas e localistas como eu, meio que passou do ponto. São muitos coffe, organic coffe, juice, bistrôs, pastas, wi-fi and so on... Claro, Machu Pichu foi eleita uma das sete maravilhas do mundo moderno, Cuzco é chamada de capital arqueológica das Américas, o turismo não para de crescer, as oportunidades de trabalho surgem tanto para a população local quanto para os de fora. E não tem como voltar para traz nem ser diferente. Se eu quiser, posso lamentar e chorar. Ou curtir o que ela ainda tem de interessante, e ela ainda é muito interessante.

trabalhos em grupo no curso
Hoje passei o dia dando um curso na cidade de Calca, uma das que compõe o Vale Sagrado, vale formado por um conjunto de rios, o principal deles sendo o Orubamba. Nele estão boa parte dos sítios arqueológicos mais visitados. Muito legal o curso, uma turma de umas 50 pessoas, jovens e adultos produtores orgânicos, alguns técnicos.
Amanhã a atividade é uma saída a campo, com esta mesma turma, o que é sempre a parte mais divertida. Agora vou dormir, do Hotel em Cusco até Calca são mais de uma hora, e às oito devo estar já começando.


Feira de tudo - encima do poste esta escrito que 
não   pode ter venda de ambulantes neste local...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Cabo Verde, 30 de setembro e 01 de outubro de 2015.


A pequena praia, na Cidade Velha.
Que interessante estar em Cabo Verde. Devo esta ao meu amigo Alberto Bracagioli, que assumiu este compromisso e me chamou para colaborar com uma parte da formação. Semana que vem ele estará por aqui, iremos nos cruzar no ar.

Estou aqui há apenas quatro dias e tenho trabalhado o dia todo, a maior parte do tempo em sala de aula. Mas, apesar de ter visto quase nada, tenho conversado, lido algo, passeado um pouquinho.
Conversando sobre agricultura

No curso, em conversa com os participantes, tenho aprendido que a agricultura aqui está naquela fase de inicio da revolução verde, onde ainda não entraram com força os adubos químicos, os agrotóxicos, as sementes modificadas geneticamente. Pouco capital, pouco interesse das empresas. Mas elas chegam, para elas a expansão do mercado é inercial, chegam a todos os cantos, usando o fetiche da tecnologia como a cunha onde entram com seus produtos.

Ontem de tardinha consegui passear um pouco, levado pelos meus anfitriões do Ministério. Fui à Cidade Velha, a primeira cidade européia / portuguesa em terras Africanas. Surgiu em 1462. Antes portanto do Botafogo ser campeão pela primeira vez, o que só aconteceu em 1910. 
Casinhas na Cidade Velha.

Me disseram que estava meio abandonada e desde 2009, quando foi considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo e classificada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, começou um processo de restauração. Um pequeno povoado, vila de pescadores com astral caribenho, casinhas lindas, incrustada no vale apertado, circundado por altas montanhas. Estou colocando algumas fotos para ilustrar. Acho que os títulos que ostenta têm a ver com o visual natural, uma pequena praia entre dois morros, a arquitetura das casas remanescentes e, principalmente com sua história. Para citar apenas mais uma curiosidade, Vasco da Gama, Cristóvão Colombo e eu passamos por aqui. Não é pouco!

Ao redor das estradas tem muitos hotéis e pousadas, segundo entendi usadas pelo povo de Praia para fins de semana de lazer.

Estrada entre Praia e a Cidade Velha.
Todas as ilhas aqui são vulcânicas, ainda que apenas uma tenha um vulcão ativo, não por acaso chamada de Ilha do Fogo. Ilhas vulcânicas têm este tipo de paisagem jovem, nervosa, com montanhas altas e vales encaixados, nas estradas visíveis desmoronamentos de pedras ou mesmo terra. Andei apenas vinte quilômetros para fora de Praia, e a estrada entre o mar e altas montanhas, verdes nesta época, me lembraram a Nova Zelândia.

Ando comendo bem por aqui. Comi camarões grandes, servidos com casca, ao alho e óleo no restaurante Copacabana, de um casal, ela Brasileira, ele Caboverdiano. No Quintal da Musica, comi atum ao molho carril e no outro dia camarões enormes também ao molho carril, como aqui eles chamam o curry. Nos dois dias acompanhados de musica, boa musica. Cabo Verde é tipo uma Cuba, ilha, pequena (bem menor que Cuba) e com uma produção musical impressionante.
Gambas, que são camarões grandes! Ao curry!

É, a brincadeira poderia durar mais tempo. Ver mais, ouvir mais, comer mais... mas a vida segue, amanhã vou embora, passando por Lisboa e chegando em casa apenas no domingo de manhã. Tá de bom tamanho, nem só de caminhar vive o homem!






Musica, no quintal da musica!

De onde escrevi hoje, ao pé do Atlântico,
no Shopping Praia.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cabo Verde, 28 e 29 de setembro de 2015.

Visual de casario no centro de Praia, Cabo Verde.

Estou desde domingo em Cabo Verde, terra da Cesária Évora. Cheguei à capital, Praia, às onze da noite de domingo, depois da odisséia que relatei na última postagem.

Vim aqui para um curso com Extensionistas do Ministério do Desenvolvimento Rural. São 40 horas de curso, em cinco dias, ou seja, quase não vou ter tempo de conhecer a Ilha de Santiago, onde estou, muito menos o país.

O mar, visto do centro de Praia.
Ontem passei o dia em sala de aula, entre palestras e debates. No curso estão técnicos das nove ilhas habitadas do arquipélago, que no total é composto por dez ilhas e muitas ilhotas. Para quem não freqüentou as aulas do Albino, Cabo Verde fica na costa ocidental da África, e está mais ou menos no meio do caminho entre Brasil e Portugal, que o colonizou no século XV. A palavra colonização aqui é bem empregada, porque as ilhas não eram habitadas e inicialmente foram usadas por Portugal para facilitar o tráfico de escravos africanos. A independência de Portugal veio apenas na década de setenta.

Mesmo com pouco tempo, já pude notar que a população, sua pele multitom, comida, canto, etc, guarda muitos traços desta mescla de europeus e africanos. Outro exemplo da mescla: quem ouve Cesária Evora, ou Teophilo Chantre cantando em crioulo, não pode deixar de sentir uma certa dor do fado... ou estou enganado?

A barragem e o verde.
Hoje fomos ao campo, visitar parcelas de produtores familiares, conversar sobre manejo de solos e proteção de cultivos sob enfoque da agroecologia. Apesar do clima predominante no país ser semi-árido, estamos em plena época chuvosa, o que deixa o visual bastante colorido. Ouvi aqui a brincadeira que na maior parte do ano o Cabo é seco, só fica verde quando chove.

Visitamos uma barragem, a primeira de sete já construídas nos últimos dez anos. Com ela, são mais de 200 agricultores familiares que tiveram suas vidas mudadas de maneira significativa por aumentar consideravelmente a disponibilidade de água ao longo do ano. 

Depois fomos a duas propriedades. O que vi a campo? Milho, feijão, amendoim, repolho, tomate, mamão, banana, cana, mandioca, abóboras, berinjela, etc. Me senti em casa.
Trabalhando...

Estou hospedado no Praia Confort, um confortável hotel na praça principal da cidade, do outro lado da Igreja principal da cidade. O centro histórico tem um estilo tipicamente colonial, casas de muitas janelas e portas encima da calçada, coloridas, algumas delas com os azulejos que são marcas registradas da arquitetura portuguesa. Se me distraio um pouco, posso pensar que estou pelo interior do nordeste brasileiro. Como termino de trabalhar às cinco da tarde, o dia que me sobra é apenas para passear um pouco pelo centro. Ta bom, to me divertindo conhecendo estas terras luso-africanas!
Mais das casas do centro histórico de Praia

domingo, 27 de setembro de 2015

Recife e Lisboa, 26 e 27 de setembro de 2015.

Melhor do dia, vi isto em um bar chamado Velha Senhora
Se entendo o pouco que já li sobre física quântica, ela afirma que algo só existe depois de visto. É o observador que precipita a realidade. O indiano Amit Goswami usa uma história popular no seu país para tentar esclarecer esta afirmação. Um velho sábio saiu de casa e ao passar pela autoridade local esta lhe perguntou onde ele ia. O sábio disse que não sabia. A autoridade insistiu uma e outra vez, sempre ouvindo o velho dizer que não sabia. Irritado, deu voz de prisão, dizendo que por desacato o sábio iria passar a noite na cadeia. A resposta que a autoridade ouviu: viu? Te disse que eu não sabia...
Lisboa sempre linda - visual do Alto Chiado
Este meu fim de semana me lembrou esta história. Cheguei em Porto Alegre desde Milão às nove da manhã. Saí as três da tarde para Recife, via Guarulhos, onde deveria embarcar para Praia, capital de Cabo Verde. O que já parecia insano se transformou em surreal. Perdi a conexão em Recife, de fato ela era muito justa. Como este voo que perdi, da Cabo-verdiana airlines é semanal, e eu preciso estar em Praia amanhã, segunda-feira, a solução encontrada por quem me contrata em Cabo Verde foi emitir um bilhete via Lisboa. Sim, cheguei aqui em Lisboa hoje às onze da manhã e saio daqui a pouco, oito da noite.
Ontem passei o dia em Recife, a maior parte do tempo preparando minha atividade desta semana, mas encontrando tempo para uma boa caminhada no calçadão da sempre agradável praia de Boa Viagem.
Hoje eu tinha oito horas entre a aterrissagem em Lisboa e a decolagem para Praia.
Expresso e Pastel de Nata!
Resolvi sair do aeroporto, respirar um pouco de Lisboa. Quando cheguei na estação Alto Chiado era exatamente meio-dia. Dei de cara com o Café A Brasileira e com a estátua de Fernando Pessoa sentado, esperando companhia para um café. Sempre gosto de encontrá-lo. 

        Depois de ver o Poeta, passei a tarde caminhando e comendo. Tomei café com pastel de nata na famosa Rua Augusta. Parei numa mercearia de um indiano para comprar uma Pedras, a famosa água mineral daqui, levemente salgada. Depois tomei  um chopp local no Museu da Cerveja, no Terreiro do Paço, vendo o Tejo ao fundo e o Arco da Augusta ao lado. Muito agradável.
O almoço foi bacalhau à lagareira, no restaurante São Ciro, ao lado da Praça D. Pedro IV, no Rossio. Escolhi mal. digo o restaurante, não o prato. Para compensar o almoço apenas razoável fui buscar a sobremesa na Confeitaria Nacional, que fica na Praça da Figueira e se diz a mais antiga e tradicional de Lisboa. Fundada em 1829. Terminei meu passeio ali, outra vez com um expresso e um pastel de nata.
Tô muito bom na selfie... este é o
Arco da Augusta
Ruim passar seis horas flanando por Lisboa? Não! Mas um domingo, já fora de casa a dez dias, sozinho... É, o lobo solitário, depois de velho, virou um ser gregário. Interessante, acho que isto é uma evolução da espécie.
A história do sábio indiano me volta aos pensamentos. Sexta- Feira de noite se tivessem me perguntado onde eu iria passar o fim de semana, eu teria respondido: Praia, Cabo Verde. Erraria feio. Passei entre Recife e Lisboa. O certo seria responder não sei. Nós nunca sabemos!
Espero amanhã estar em Praia. A realidade a ser precipitada lá é um curso de cinco dias para quarenta técnicos do governo federal. Tá bom, to a fim mesmo de trabalhar.

Visual do Terreiro do Paço e do Arco da Augusta

Da minha mesa, no Museu da Cerveja.

Da minha mesa, no Museu da Cerveja, outro ângulo.