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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Nuremberg, 14 de fevereiro de 2014.

WeiBgerbergasse
Hoje foi meu ultimo dia de Biofach, já que decidimos passar o fim de semana em Praga, que fica a umas três horas de ônibus daqui. Levo a impressão, outra vez, que este modelo de uma Agricultura Orgânica centrada na sofisticação, das regras e da apresentação, está chegando ao seu limite. Mas a demanda por alimentos de qualidade segue crescendo. Encaixar estes dois polos é a arte do momento.
Ana tomando uma cerveja de spelt.
Aproveitei para seguir com umas reuniões e ainda tive tempo de dar uma boa caminhada, vendo e provando produtos muito interessantes, como chocolates com azeite de oliva, de uma empresa de Barcelona ou cerveja de farro (Triticum spelta), que é um tipo de trigo antigo, feita na região de Munique, a capital mundial da cerveja. Deliciosa e cheia de história!
Casa típica da WeiBgerbergasse
Depois de caminhar e degustar, eu e Ana fomos caminhar no fim da tarde pelas ruas do centro histórico de Nuremberg. É encantador. Nunca deixo de me surpreender de como é bonita esta cidade. Fomos à WeiBgerbergasse, a minha rua preferida daqui. A minha e de todo mundo. É que ela retrata a Nuremberg que foi construída entre o século XIII e XVI, usando madeira como estrutura das casas e um tipo de adobe como enchimento. Por algum motivo que ninguém sabe esta rua permaneceu quase intacta durante a guerra, enquanto mais de 90 % da cidade histórica era destruída. Que lugar a WeiBgerbergasse. Bonita e cheia de história!
Voltando à Biofach, quero contar uma prosa que tive por lá. Fiquei um pouco no stand do Brasil e conversei um tempinho com o Mauro Oteiro. Ele é filho de assentados da reforma agrária. Seus pais estavam acampados na Fazenda Anoni, em Passo Fundo, RS, quando ele nasceu, em 1985. Para quem não sabe, este acampamento marca a origem do MST – Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra. Pois bem, ele cresceu em Eldorado, também no RS, onde seus pais foram assentados em 1987. Neste assentamento existe um trabalho já consolidado com Agricultura Orgânica há mais de 15 anos, que começou com hortaliças e se expandiu para o arroz. Seus pais produzem hortaliças orgânicas. 
Arroz Terra Livre sendo comercializado. O Mauro
está de costas nesta foto.
O Mauro foi estudar agronomia na Venezuela, no IALA, Instituto Latinoamericano de Agroecologia, se formou e voltou para trabalhar na Cootap (Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da região de Porto Alegre), a cooperativa que existe neste assentamento e a qual ele está representando aqui na Biofach. E parece que está fazendo bem seu trabalho, pois no segundo dia de feira já havia vendido toda a produção do arroz da Cootap, o Terra Livre. Me contou da realização pessoal de poder estar pela primeira vez na Europa e ainda mais aqui, já que desde sempre seu sonho foi visitar a Alemanha, pela historia deste país e pela ascendência de seu pai, que se chama Lutz Ott e Silva. Lutz Ott e Silva. Destas mesclas nós entendemos. Viva o Povo Brasileiro. 
Amanhã vou para Praga. Tive lá há dez anos e espero rever Kafka e Jam Huss.

Uma das tantas praças bonitas do centro
histórico de Nuremnberg.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Nuremberg, 13 de fevereiro de 2014.

           
Reunião no stand do Brasi entre com o MDA e IFOAM - Europa
       
Hoje de novo foi dia de ir à Biofach. Bom, claro, estou aqui para isto. Hoje com mais tempo gasto em reuniões e palestras do que visitando a feira. É que aqui além da feira propriamente dita rola alguns eventos/seminários sobre assuntos relacionados à agricultura orgânica ou ao comercio justo, um dos temas que também marcam presença na Biofach.
Aqui, neste ambiente de feira e seminários, sempre navegamos entre duas visões, uma mais positiva do momento que vive a Agricultura Orgânica e outra menos entusiástica. Não estamos crescendo como o projetado, dizem uns. Somos o único segmento do setor alimentos que cresce dizem outros. O excesso de regulações nos impede de agregar mais produtores dizem uns. São as regulações que nos mantém vivos, que permitem nossa diferenciação dizem outros. E assim vai. De certa forma todos estão certos. Como diz Fernando Pessoa em um dos seus poemas, por vezes ficamos perplexos com esta dupla existência da verdade.
Turquia, um dos points do ano,já que em outubro
irá acontecer lá o Congresso mundial de AO.
Deixa-me falar de alguns números interessantes, que estão na revista da própria feira. Esta é a 25° Biofach. Este ano são 2.235 expositores de 76 países. E se espera 40.000 visitantes. Somando a Biofach e a Vivaness serão lançados impressionantes 650 novos produtos. Vivaness é uma Feira que ocorre no mesmo lugar e nos mesmos dias e tem um nome diferente apenas porque se trata de produtos de beleza e nem todos podem ser certificados como orgânicos, o que os impede de estarem na Biofach.
Os números divulgados aqui sobre 2012 dizem que neste ano eram 37,5 milhões de hectares cultivados organicamente em todo o mundo. A Oceania sozinha tem 32% deste total, graças principalmente à pecuária extensiva. Apesar desta área, apenas 1% dos produtores orgânicos do mundo estão na Oceania. A Ìndia é o país do mundo com maior número de produtores orgânicos, 600 mil, quase 30% dos quase dois milhões de agricultores orgânicos do mundo.
Em relação ao tamanho do mercado, foi de de 63,5 bilhões de dólares em 2012. Qual o país com maior mercado? Estados Unidos, claro, de longe. Quase 30 milhões de dólares. Nove milhões o mercado Alemão e cinco milhões colocam a França em terceiro lugar neste ranking.
O maior consumo per capita de produtos orgânicos foi dos Suíços, 240 dólares/ano, seguidos dos Dinamarqueses com 202 dólares/ano. 
Galera se maquinado, na Vivaness
Falando do Brasil, em termos de área, estamos em 11°, com 700 mil has cultivados organicamente, o que equivale a 0,27% de nossa área agricultável. São 12.500 produtores orgânicos no nosso país. Se estima que o mercado nacional para produtos orgânicos foi de U$ 750 milhões. Estas e muitas outras estatísticas estão em um livro anualmente lançado por IFOAM e Fibl. Ele é coordenado Helga Willer e Julia Lernoud, amiga e filha dos meus grandes amigos argentinos  Pipo Lernoud e Maria Calzada. Se eu me sinto orgulhoso, imagino os pais.
Hoje passei um tempo no stand do Brasil. Na verdade são dois, um ao lado do outro. Um com representantes de empreendimentos da Agricultura Familiar, financiado basicamente pelo MDA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, outro representa mais o setor empresarial, com representantes também de certificadoras e foi bancado em boa parte pela Apex. O fato destes dois stands do Brasil estarem separados deve expressar algum tipo de divergência, mas nem quis saber qual...
No stand com representantes da Agricultura Familiar estão 14 empreendimentos. Café de Minas Gerais, Guaraná de Rondônia, cachaça do RS, Mel do Piauí, Suco de Uva da Serra Gaúcha e Arroz do RS, produzido por assentamentos da Reforma Agrária, são alguns deles. A marca se chama Terra Livre. No geral parece que as vendas estão boas.
Isto é o que vou contar por hoje da Feira. De noite fomos jantar em um restaurante que começou a funcionar no século XV. Se dizem a mais antiga salsicharia do mundo, construída em 1419, especializada em um tipo especial de salsicha, típica daqui de Nuremberg. Comemos Esta salsicha acompanhada de pão, raiz forte e chucrute. E claro, de uma cerveja, pilsen ou weise (de trigo). O restaurante se chama Braatwurst-Küche Zum Gulden Stern. 
É isto amanha tem mais.
Café da Jámaica, Bob Marley. Bem bom!
  

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Nuremberg, 12 de fevereiro de 2014.

Final de tarde no centro histórico de Nuremberg
Como previsto, hoje foi dia de Biofach. E a Feira estava muito bonita, como sempre.
É a décima vez que venho aqui e ela nunca decepciona. Agora, todos sabemos, decepção guarda sempre relação com expectativa. Esta feira é uma expressão precisa de uma Agricultura Orgânica com foco no mercado, onde os interesses comerciais normalmente se sobrepõem a alguns valores que sempre foram tão caros à agricultura orgânica. Um exemplo são as embalagens. Por mais que plástico ou tetrapaks não se coadunem com sustentabilidade, aqui elas se fazem presentes quase sempre. Existe sim um interesse em buscar embalagens mais corretas do ponto de vista ambiental, mas a necessidade de produtos circularem a longas distâncias ou se manterem durante o maior tempo possível na prateleira de um supermercado deixam estas preocupações em segundo plano.
Visual de um, dos tantos corredores da Biofach.
Bom, mas contradições desta natureza não tiram o valor da Biofach. Não existe local melhor para ver os avanços técnicos/produtivos, de processamento e mercado desta forma de produção que ainda recebe críticas tão primárias como podem ser dúvidas se é possível produzir este ou aquele produto sem usar veneno. A quantidade de frutas, hortaliças, cereais, lácteos, carnes e derivados, sucos, geleias, chás, café, chocolate, etc e etc, frescos e processados, faz com que eu tenha muito pouca paciência para responder quando eventualmente de público me perguntam: mas dá para produzir tomate sem veneno? Que preguiça...
Aqui também é um show de produtos de qualidade, tanto de sabor quanto de apresentação. Produtos absolutamente lindos. O tal do bom e bonito aqui se encontra aos montes. Verdade que não tão barato. Mas para resolver esta equação passo o dia exercitando meu esporte favorito por aqui: provar todas as amostras. Cada chocolate... uns cafés... sorvetes... e os queijos? Sem comentários! 
Sucos, sucos, sucos!
Uma das coisas que sempre me chama atenção são os sucos. De vários sabores, diferentes cores e mesclas. Deliciosos. E integrais, o que significa pura fruta. Não esta piada de néctar, que tem mais água do que suco e mais açúcar do que um refrigerante e que domina quase 100% das falaciosas prateleiras de suco em supermercados tupiniquins. Preguiça de novo.
Nesta edição da feira nos chama a atenção também os produtos Vegan. Estão em evidência. Ano passado percebemos uma profusão de produtos sem lactose e/ou sem glúten. Segue esta tendência, ainda os encontramos muito por aqui, mas parece que o momento é dos produtos Vegan.
Uma amostradas tantas bancas de produtos Vegan.
Enfim, foi um belo dia de feira. E com direito a rever muitos amigos de diferentes países, o que é sempre um prazer. No final da tarde, antes do anoitecer, ainda passeamos pelo centro da cidade, para fazer umas comprinhas e aproveitar um pouco do frio. Lindo anoitecer, com uma lua quase cheia. Jantamos cedo, estávamos cansados. Depois de uma Urquell, a famosa cerveja Tcheca, acompanhada de uma salsicha típica daqui, fomos comer um Kebab. Ontem nem contei, mas jantamos em um restaurante indiano sensacional. Um pouco de diferentes mundos ao longo do dia, todos os dias. Amo muito tudo isto.

Verduras e frutas

Reunião no stand da Alcenero, empresa Italiana.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Frankfurt, 10 e 11 de fevereiro de 2014.

A Romer (City Hall) e a Fonte da Justiça
Aqui estou em um trem, início da noite, saindo de Frankfurt em direção à Nuremberg. Viajar de trem pela Europa é um privilégio. Antes da Era Tatcher era charmoso, agradável e barato. Segue charmoso e agradável. 
Chegamos ontem à Frankfurt, depois de 12 horas de voo. Um grupo grande, ainda mais quando nos acostumamos a viajar sozinho. Somos seis. Adriano, Rogério, Pida, André, Ana e eu. Frankfurt foi apenas um pit stop, só para dar um rolezinho, o objetivo da viagem é a Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo e onde já estive várias vezes, sendo que ano passado escrevi da feira para o blog. 
Passeando pela cidade antiga
Saímos da maior onda de calor de todos os tempos no RS e viemos para o inverno europeu. Chegamos ao hotel, aliás bastante correto (www.expo-hotel.de), às seis da tarde e saímos para caminhar sob uma temperatura de 5 graus, pela famosa Rua Zeil, em direção à Romer, a construção medieval que fica na praça da cidade velha. Início da noite, o centro da cidade se esvaziando, comércio começando a fechar, luzes se acendendo, pessoas buscando o rumo de casa. Lindo ambiente, agradável sensação. E nós fomos buscar o rumo de uma cerveja. É que estamos na Alemanha. Fomos a um bar, depois a um restaurante, achamos a cerveja, além de salsichas, joelho de porco, bacon, batata frita e filé de alce. É que estamos na Alemanha...


Visual do mercado (Kleinmarkthalle)
Hoje o dia foi muito tranquilo, tratamos de visitar alguns lugares turísticos, mas sem pressão e preocupação de nenhuma espécie. Puro passeio, apenas caminhando pelas ruas do centro da cidade. Pouco bom! Frankfurt é uma grande cidade, considerada o centro financeiro da União Européia. E, como toda cidade europeia, guarda seus séculos de história, possui suas partes antigas e respira cultura. Em 24 horas não vimos muito, mas o suficiente para saber que vale uns dias aqui, entre passeios e, se for o caso, compras. 
Eu e Ana acordamos cedo, e fomos ao Kleinmarkthalle, um mercado que fica na Hasengasse 5. Muito bonito e cheio de bancas com produtos alemães, como pães, queijos, carnes e embutidos. E outras bancas com produtos de diferentes lugares, principalmente do Oriente médio. Um luxo. Compramos curry, cuscuz marroquino, amêndoas salgadas, nozes com chocolate e uma mescla de Flor de Sal de diferentes origens como Índia e Havaí. Não disse que era um luxo?
Igreja de Paulo - Luterana
Nos juntamos às nove da manhã ao grupo para um belo café em uma daquelas padarias com lindos pães, doces e salgados. E fomos até a estação central, por sinal linda, comprar nossos bilhetes de trem. Bela caminhada. Na volta passamos pela Praça Goethe (Goetheplatz) e pela Rua Goethe (Goethestrausse). Esta é a rua das marcas mais caras e conhecidas como sofisticadas. Armani, Gucci, Prada, Ermenegildo Zegna, Jimmy Choo, ChannelLouis Vitton, Bvlgary dentre outras. Não fiquei a fim de comprar
Lojinha cheia de relógios bacanas...
nada. Na real um relógio Jaeger-LeCoultre, mas achei 205.000 euros meio caro. Por curiosidade, vou contar o seguinte: esta marca de relógios suíços patenteou um dispositivo que dá corda em um relógio através da mudança de temperatura. Um grau de variação já é suficiente para que o relógico siga funcionando por dias. Como sempre haverá mudanças de temperatura, este relógio funcionaria indefinidamente. Interessante né?
Bom, pela tarde ainda tivemos tempo de visitar a Casa/Museu de Goethe. Vale a pena, muito bonita. Não conheço a obra de Goethe, mas pelo que já li por cima sou fã. Se não fosse por outras razões, bastaria por ser dele a famosa frase muito citada no meio Espírita: nascer, viver,  morrer, renascer de novo e progredir sempre, tal é a lei. Depois um passeio pela cidade antiga fundada pelos Romanos no século I, até o Rio Meno passar frio sobre uma de suas pontes e uma rápida passada pela Igreja de Paulo, que fica na Paulzplatz, e é um prédio lindo, onde funcionou o primeiro parlamento alemão em, 1848.
E aí terminou nosso passeio, recolhemos as malas e fomos para a estação. Daqui a pouco chegamos em Nuremberg. Hoje deveríamos dormir cedo, amanhã começa a feira. 

Tirando onda na biblioteca da casa de Goethe
Lido órgão da Igreja de Paulo
Rio Meno
Estátua de Goethe, na Goetheplatz

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Buenos Aires, 27 e 28 de janeiro de 2014.

Loja no Abasto, saída do shopping pela Carlos Gardel
Estou aqui no café da manhã do Gran Hotel Buenos Aires, onde ficamos estes dias, bem no centro da cidade, na Marcelo Alvear 767, pertinho da Florida. Daqui a pouco nos dirigimos ao aeroporto, de volta para casa e trabalho.
Café Tortoni
Ontem fomos a três lugares que vale a pena contar. Primeiro no Tortoni, na Av. de Mayo 825, aquele que é considerado o melhor café da cidade. Muito legal. Tem mais de 150 anos, e lembra a Confeitaria Colombo, do Rio de Janeiro, no seu estilo clássico e refinado. Os cafés junto com as áreas verdes, talvez sejam o que mais vinculam a Buenos Aires de hoje com sua época áurea, de cidade mais rica e glamourosa do continente. E o Tortoni é a melhor expressão desta Buenos Aires. E sua media luna é simplesmente sensacional. Comemos churros com chocolate, sucos, brownie, café, tudo bom, mas a media luna... é imperdível. Podem crer!
Depois fomos ao shopping Abasto. Bom, boas lojas, mas vale a pena principalmente pela quantidade de jogos eletrônicos que tem. Para quem viaja com criança se torna um programa quase obrigatório, diversão garantida.
E do shopping se pode sair pela Av. Carlos Gardel e em três quadras se chega ao Museu Carlos Gardel, que fica na Jean Jaures 735. Pequeno mas muito charmoso, as fotos e os escritos são uma aula de Tango, suas origens e detalhes da vida deste que é o artista mais adorado pelo povo Argentino. E esta pequena caminhada é muito agradável, Abasto é um bairro mais popular, com um casario bonito, parece que com um senso cultural pulsante, ao redor do Tango. De novo, por estes mecanismos nem sempre claros, Abasto em suas ruas internas me lembrou Havana. 
Ana, Gardel e eu. Fotógrafo: Daniel Meirelles.

Bom, o restante do dia de ontem foi reservado a algumas comprinhas que ninguém é de ferro e o cambio está favorável. Para se despedir de noite fomos a outro Pub Irlandês que recomendo para quem gosta destes ambientes de bares escuros, madeirados, com música relativamente alta e boa cerveja. The Temple Bar, na Av. Marcelo Alvear 945. Fica como minha ultima dica.
Valeu a viagem. Precisava conhecer um pouco melhor Buenos Aires, e não me arrependo da escolha de passeio. Apesar do ar decadente, quem já foi rainha nunca perde a majestade.
Fui. Em dez dias escrevo outra vez da Biofach, Nuremberg, Alemanha.
Daniel e Ana, no Café Tortoni

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Buenos Aires, 26 de janeiro de 2014.



Daniel Meirelles, com Jorge L Borges e Adolfo Caseres
Começamos o dia de hoje indo até uma pista de skate, já que sou pai de um futuro skatista famoso. Como o poder público pode fazer coisas boas, quando quer. Que pista, que lugar legal. Claro que reúne dezenas de crianças, jovens e adultos. É perto do Aeropark, o aeroporto que fica dentro da cidade, na Av. Costanera. O Rio La Plata, o parque com a pista e os aviões pousando compõe uma boa cena. Para quem gosta de skate, ou tem filho que gosta, é imperdível. Se chama Converse Skateboarding Argentina, e tem fanpage no Facebook, para quem quiser dar uma olhada.
Converse skateplaza
De lá fomos à Palermo, ao Jardim Japonês. Enquanto passeávamos de táxi, passamos por diferentes Parques, todos cheios de gente, caminhando, correndo, pegando sol, tomando um mate. Atividades de um dia de domingo de sol.
O Jardim Japonês é um pequeno parque, feito pela e para a comunidade japonesa, muito bonitinho. Nada do outro mundo, mas para quem se afiniza com este tipo de ambiente, bom programa. De lá fomos caminhando, Daniel andando de skate, pela Av. Figueroa Alcorta até chegar de novo na Recoleta, na Plaza Francia, na mesma feira que havíamos ido no dia anterior. É que ficamos no desejo de parar no La Biela, um café-restaurante muito charmoso, com uma varanda enorme embaixo de uma árvore gigantesca. Ficamos umas três horas por ali, tomando uma Imperial, uma boa cerveja pilsen da cidade de Santa Fé, comendo algo, conversando. Daniel almoçou una milanesa con papas fritas. Típico. Tivemos direito até a um show de tango, na praça, praticamente ao lado da mesa que estávamos. Típico também. Beleza, não estava a fim de pagar 80 dólares por cabeça para ir ao Señor Tango. Matei minha obrigação de ver um show de tango em Buenos Aires. E, generoso que sou, contribuí com dez pesos à arte local!
Show de tango, ao ar livre, ao lado do La Biela
Do La Biela regressamos também caminhando ao hotel. Segundo o google, fizemos quatro quilômetros. Bem agradáveis, Buenos Aires é uma ótima cidade para caminhar.
De noite fomos, outra vez caminhando, comer uma pizza na La Piola, que fica na Av. Libertad, entre Santa Fé e Marcelo Alvear, umas cinco quadras do nosso hotel. Maria Calzada, uma amiga porteña, me disse que era a melhor de Buenos Aires. Tenho dúvidas, mas fica a dica.
Jardim Japonês, Palermo

Ana no La Biela
Converse skateplaza

domingo, 26 de janeiro de 2014

Buenos Aires, 24 e 25 de janeiro de 2014.

O porto, em El tigre
Pois então, ontem e hoje caminhamos e fomos conhecer alguns dos lugares que os blogs e sites de oquefazerembuenosaires recomendam. Eu nao estou muito acostumado a viajar a passeio. E, loucura, acho que nem gosto tanto. Pensando no motivo, acho que é porque gosto muito do que faço, quase sempre mais me diverte do que me enfada, e também porque viajando a trabalho consigo andar nas bordas dos passeios obrigatórios, até faço alguns, mas sempre com algum apoio local, uma visão de quem vive o cotidiano do país ou da cidade.
Exemplo do cool quase kitch, tronco de árvore,
 com rendas de crochê e um leão no alto
 Enfim, ontem passeamos por Palermo. Eu tinha uma recordação muito boa, de vinte anos atrás. Pois não estava enganado, Palermo é recool. Agora com alguns nomes específicos, que definem características assumidas por determinadas zonas do bairro, como Palermo Soho, Palermo Holywwod, Palermo Viejo. Pode-se passar horas caminhando ali, parando para um café, sorvete ou almoço. Uma estética muito particular, um cult que beira mas não entra na esfera do kitch, um velho que se renova, um forever young no melhor sentido do termo. Acho que por isto e pelos grafites na parede, me lembrou Berlin. Minha mente às vezes associa lugares e eu mesmo não sei a razão.
E vale falar também do Zoológico, do Jardim Japonês e dos Bosques de Palermo, no meio da cidade, um luxo. Bom, toda Buenos Aires se caracteriza por esta presença do verde, o que lhe da uma atmosfera única.
Daniel com medo do urso...
De noite, fomos a um Pub Irlandês, aqui na rua do nosso hotel, muito legal. Em uma área movimentada aqui do Centro, esquina da Marcelo Alvear com Reconqusita. Tomei uma Pale Irlandesa deliciosa.
Hoje fomos a El Tigre, uma cidade à beira do Rio que faz parte do Delta do Paraná, o segundo maior delta do mundo. Delta é quando a foz de um rio se espalha por inúmeros canais, rios e riachos, formando um conjunto de ilhas. El Tigre é uma cidade que serve como porto, ponto de partida para idas e vindas ao Delta do Rio Paraná.
A cidade é interessante, com muitos afazeres de lazer, pertinho de Buenos Aires, o que faz com que seja uma opção para os sábados e domingos. Quem quiser pode fazer um passeio de barco, por diferentes rios do Delta. Os barcos vão te deixando pelas casas, hotéis e restaurantes que existem na beira dos rios. E possuem linhas, como ônibus. As ilhas são bem povoadas, os terrenos são relativamente estreitos, 50 ou 100 metros, com casas e piers. Se você quer pegar um barco, fica no píer, faz sinal como se fosse ônibus, ele para. No meio de um dos rios, vimos um barco-mercado, imagino que as pessoas fazem sinal ou ligam para ele, ele aporta. Nós fomos a um restaurante, o Gato Blanco. Comida razoável, ambiente do tipo melhor impossível, mesa em um deck, barcos passando, sol escondido por lindas arvores.
Pier do restaurante El Gato Blanco
Vou resumir a ida a El Tigre. Um trem de 50 min desde o Centro, lento. Uma passeio de Barco, uma hora, interessante mas não lindo. Um restaurante super agradável com comida só razoável. Mais uma hora de barco de volta, mais 50 min de trem de volta... Mas recomendo, o passeio como um todo vale a pena. Quero dizer que, por uma estranha matemática, um somatório de mais ou menos pode dar algo com muito mais do que menos. Por esta conta, o passeio foi demais.
Chegamos na estação retiro, onde se pega o trem para El Tigre e ainda tivemos disposição para caminhar pela Av Libertador até a Plaza Francia, na Recoleta, onde rola uma feirinha de artesanato nos fins-de-semana. A Feira é legal, para quem gosta, mas o visual de fim-de-tarde, os músicos locais na Praça e o clima agradável compuseram um cenário dez. Voltamos também caminhando, umas quinze quadras até o hotel, pela Av Quintana, ótimo programa.
Chegamos cansados hoje, vamos dormir sem nem sair para jantar.
Livraria Ateneo, Av. Santa Fé 1860,  linda!

Visual do restaurante El Gato Blanco

Musico local, Plaza Francia
Igrejinha na Plaza Francia, Recoleta

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Buenos Aires, 23 de janeiro de 2014

Daniel e eu, caminhando pelo Caminito
Viajando como costumo viajar, além de conhecer lugares e culturas, já tive a oportunidade de vivenciar alguns momentos históricos. Por exemplo, estava em Madrid, dia 11 de março de 2004, quando ocorreu o atentado na estação de metro de Atocha. Eu estava a um quilômetro da estação.
Hoje vivi mais um dia histórico. Simplesmente foi o dia com a maior temperatura mínima dos últimos 106 anos aqui em Buenos Aires, aonde chegamos hoje, ao meio dia, Ana, Daniel e eu para cinco dias de férias. Pensa em um dia quente. Muito quente. Pensou? Hoje foi assim. A sensação térmica chegou a 48C. Sempre que se falar do histórico 23 de janeiro de 2014 em Buenos Aires, eu poderei dizer que estava lá. Passando calor. Bem, em tempo de aquecimento global, é possível que este recorde não dure muito.
Ao fundo, a Casa Rosada
Nosso hotel é no centro da cidade e tivemos a feliz ideia de chegar, deixar as malas no hotel e descer para caminhar. Às duas da tarde. Lembrei de Maiakovski em seu poema que afirma que o sol entrou na sua casa para tomar um chá com ele. Sempre na expectativa de uma anunciada chuva, começamos pela Rua Florida, uma rua estilo calçadão, com lojas e lojas, uma espécie de território brasileiro no coração de Buenos Aires. Ouve-se mais português do que espanhol, e, exagerando um pouco, só se veem brasileiros comprando. Deve ser porque é um lugar bom de comprar, muitos produtos locais como Nike, Adidas, Lacoste, Puma, QuickSilver, DC, Havainas.
De duas às oito caminhamos, sempre esperando a anunciada chuva que apagaria o forno. E parando em diferentes locais para água, café, sorvete, cerveja, refrigerante, suco, qualquer coisa que nos permitisse entrar em um ar refrigerado. Na caminhada fomos desde a Praça San Martin ate a Casa Rosada, a famosa sede do Governo Central, que fica em frente à Plaza de Mayo, também muito conhecida por haver sido, e ainda ser, lugar de vigília das mães que tiveram filhos desaparecidos durante a ditadura militar aqui na Argentina. Ainda fomos ao bairro La Boca, de táxi, para ver o Estádio La Bombonera, já que sou torcedor do Boca, e andar pelo Caminito, programas obrigatórios aqui em Buenos Aires. Esta região de Buenos Aires foi colonizada por muitos italianos, e dizem que suas casas coloridas tem a ver com a sobra de tintas que tinham os marinheiros, o que por vezes os obrigou a usar varias cores em uma esma fachada. Em Valparaíso, Chile, aprendi que as casas coloridas dos barritos portuários tem a ver com os pescadores pintarem suas casas com as mesmas cores dos seus barcos. Vai saber! 

Vi o Caminito em 1994, e fiquei emocionado com suas casas coloridas, seus artistas de rua cantando e dançando. Naquele momento conheci o tango. Conheci Carlos Gardel e suas historias. Comprei livros, CDs e filmes. Vinte anos depois, só me emocionei com a lembrança de vinte anos atrás. Os sintomas de decadência são visíveis. Pena. Aliás, tampouco vi na Rua Florida e seus arredores o glamour de décadas atrás. Mas vou ainda buscar nos próximos dias por onde anda o charme que sempre seduziu os Brasileiros. Por mais crises econômicas que tenham passado, sei que a força cultural e a sofisticação intelectual dos hermanos segue viva.
Ah, ia esquecendo, não sou mais Boca, agora sou San Lorenzo, time do Papa Francisco.

E finalmente apagaram o forno, llegó la tormenta. Vou dormir.
Caminito que el tiempo ha borrado...
La Boca

La Bombonera

Ana e uma de suas melhores amigas.


Pausa para um café e um ar refrigerado