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domingo, 23 de agosto de 2026

Istambul, 22 e 23 de agosto de 2026.

 

Bósforo, visto do meu quarto em Istambul

Em Bizâncio. Em Constantinopla. Em Istambul. Três nomes, muita história. Eu cheguei há dois dias, para ver se os gregos, depois Romanos, Otomanos e os que hoje se denominam turcos fizeram um bom trabalho. Parece que sim, gostei bem do que vi nesses dois dias.

Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha

Viemos a passeio, Ana e eu. Passagem por Madrid, para aproveitar um pouco das mordomias que tenho na Latam. Saímos de casa na quinta-feira, dia 20 de agosto, às nove da manhã, chegamos ao Artisan Hotel, em Istambul, às 00h30 do dia 22. É mole? Pois sabe que é, eu acho, viajar a puro passeio torna até o cansaço em algo prazeroso.

Parece que estamos aqui há dias. São dez da noite do domingo, dia 23, e já vimos muita coisa.

Ontem, dia 22, começamos com um belo café da manhã no hotel. Destaque para o Menemen que comi, um famoso prato de ovos mexidos cremosos, cozidos com tomates, pimentões e temperos. Delícia. Depois, saímos caminhando. Fomos até Karaköy, um bairro famoso, portuário, que hoje é também ocupado por lojinhas simpáticas, restaurantes e cafés coloridos. Visitamos duas mesquitas. Uma, vimos pelo caminho, simples, não turística, e uma outra maior, a Mesquita Grand Admiral Kilic Ali Pasha - considerada uma das mesquitas otomanas mais interessantes de Istambul. Visitar mesquitas é uma onda, gosto de perceber as diferentes percepções dos locais de oração, culto, encontro com o Divino Ficamos pouco neste charmoso bairro, pretendo voltar, porque resolvemos seguir caminhando até a Torre de Gálata, que fica no alto do morro, no bairro do mesmo nome. 

Torre de Gálata, ao fundo

Essa torre é um dos tantos causos históricos que existem nesta cidade. Ocorre que ela é uma espécie de imposição europeia, decorrente de quando os Cruzados passaram por aqui em uma das suas idas (Quarta Cruzada) para guerrear pela cidade sagrada de Jerusalém. “Na passada”, invadiram e saquearam Constantinopla. É claro que “passaram por aqui” é uma simplificação de uma decisão tomada com muito cuidado e objetivos claros.

Posteriormente a esse momento, muitos genoveses, povo que sempre navegou mundo afora, se instalaram na cidade e acabaram se beneficiando de acordos feitos entre o império bizantino e os europeus, liderados por interesses de alguns estados e pela própria Igreja de Roma. Esses genoveses acabaram constituindo um bairro, no bairro construíram a Torre. Do alto dela podiam observar os barcos que cruzavam o Estreito de Bósforo e cobrar os impostos fruto dos direitos adquiridos por acordos políticos e comerciais, feitos como consequência das cruzadas e da retomada de Constantinopla pelos bizantinos. Acho eu que tanto o saque de Constantinopla quanto a Torre de Gálata podem ser lidos como o incômodo da Europa em ver uma das cidades mais prósperas do mundo crescer sob sua barba e não terem nenhum dividendo com isso. 

Ana, na linda escada, com o livro
que comprou para a Clara...

Seguimos caminhando do bairro Gálata para o bairro Pera, até a Avenida Istiklal. Nesse trajeto, passamos por três lugares que quero mencionar. Vou começar com duas livrarias que curtimos muito. A Minoa Pera, com suas cores vibrantes e escadas com livros “sustentando” os degraus, e a Phebus Books e Café, com livros lindos, que adoramos ver e onde nos animamos a tomar um chá. O terceiro lugar que quero mencionar é o Pera Palace Hotel. Entramos pela patisserie e fomos em direção ao restaurante e a recepção. Muito legal. Lindo. Tem uma série que se passa nesse hotel, que recomendo ver: Meia-noite no Hotel Pera Palace. Essa série é que nos fez ter vontade de conhecer esse hotel. Pretendo voltar lá para um café ou chá. Com um dos lindos doces que vi!

Do Hotel Pera Palace seguimos até a Av. Istiklal e pegamos a direção da Praça Taksim. É um calçadão, com lojas ocidentais, cafés, lojas de artesanato, perfumarias, lanchonetes e restaurantes. E muitas, mas muitas lojas de doces. Sabe aqueles famosos doces turcos? Todos eles andam pela cidade, esbarram contigo e te constrangem a comprá-los. Constrangidos, quase obrigados, provamos alguns…

E ainda eram três da tarde. Resolvemos voltar ao hotel para uma descansada das quase 40 horas de viagem!

Mas o dia acabou aí? Acabou nada…

Galera pescando na Ponte Gálata

Às seis da tarde, sol ainda alto, fomos de novo caminhando na direção de Karaköy. Mas aí já tivemos a manha de entrar no Galataport, um shopping center ao ar livre, construído numa onda comum por vários lados, de revitalizar a área portuária. Caminhada agradável, que nos levou à Ponte de Gálata. Essa ponte cruza o Corno de Ouro, um estuário ligado ao Bósforo e une as duas partes europeias da cidade. Ao cruzar a ponte, saímos de Karaköy para a chamada península histórica, onde a cidade foi fundada por Bizâncio. Paramos na ponte, vimos tudo que a cercava, viajamos na história e ainda ficamos admirando os inúmeros pescadores locais que deixam a cena ainda mais viva e cotidiana.

Chegando do outro lado, fomos caminhando tendo como objetivo a Igreja Santa Sofia. Possivelmente o local mais emblemático da cidade. Não entramos, está em obra, por fora e por dentro, o ingresso é caro e a fila estava enorme. Nos contentamos em ver por fora. Passeamos ao redor, vimos a Mesquita Azul iluminada, andamos pela praça (hipódromo) e buscamos um restaurante turco para terminar a noite.

Hoje, 23, domingo, foi outro dia intenso. Começamos visitando o Palácio de Dolmabahçe, bem próximo ao nosso hotel. 32 euros a entrada. Foi construído a mando do sultão Abdulmecid I, em meados do século XIX. Um palácio com forte influência europeia, que teve como função mostrar aos líderes do Velho Continente não só o poder e a riqueza do Império Otomano, mas também se colocar ombro a ombro na cena da modernidade europeia. Incrível seu tamanho e sua opulência. Realmente impressionante. Dizem que foram gastos o equivalente a 14 toneladas de ouro para ornamentar o teto do palácio. Só como ilustração da riqueza, o lustre (ilustração, lustre… sacaram?) principal do palácio pesa 4,5 toneladas, têm 750 lâmpadas e, supostamente, foi um presente da Rainha Vitória. 

Lustre do Palácio

Saímos do Palácio e pegamos um ferry em direção à Ásia! Sim, isso mesmo: saímos da Europa e fomos para a Ásia. Que onda, né?

Atravessar o Estreito de Bósforo, indo da Europa para a Ásia, é uma experiência que me gerou bastante expectativa. Li em algum lugar que Constantinopla, mais especificamente o Bósforo, era considerado uma espécie de dobradiça do mundo. Principalmente se levarmos em conta que o “mundo” que narra essa história desconhecia a América. E hoje cruzamos essa dobradiça.

Viagem rápida, uns 40 minutos, em direção a Kadıköy, que é a antiga Calcedônia, exatamente a cidade fundada pelos gregos um pouco antes daquela que eles também fundaram do outro lado do estreito, apenas algumas décadas depois: Bizâncio. Constantinopla, hoje Istambul, nasceu de Bizâncio e, ao longo dos séculos, acabou incorporando também a antiga Calcedônia.

Gostamos muito de passear pelas ruas de Kadiköy. Acho até que gostaríamos de ter ficado mais por ali, mas são tantas coisas para conhecer que acabamos nos dirigindo, de Uber, a Kuzguncuk, outro bairro também do lado asiático, famoso por suas casinhas coloridas, ruas de madeira tradicionais e clima de vila pacata. Curtimos bem, passeamos, almoçamos por lá e ainda comemos uma bela sobremesa acompanhado de um chá.

Meninas modelando em Kuzguncuk

Cansados, voltamos de Uber. Eu queria chegar antes do sol se pôr, para aproveitar o visual da nossa suite, bebendo algo simpático e escrevendo esse post. Funcionou super bem, noite para lá de agradável.

Ainda temos dois dias inteiros nesta asiática capital europeia! A impressão até agora é muito boa, apesar da distância entre os pontos que queremos ver, gastando certo tempo em deslocamento, e o fato de acharmos bonitos os pontos de interesse, alguns muito bonitos, mas a cidade mesmo, a arquitetura das casas e prédios, suas ruas e avenidas não colocam Istambul entre os lugares mais bonitos que já visitei.

Amanhã vejo mais, amanhã conto mais!


Mesquita Azul, ao entardecer

Chazinho na livraria.
Ruaszinhas de Kadikoy
Nosso jantar de sábado.
Lojinhas no centro histórico.
Cena cotidiana em Kuzguncuk


Cena lindíssima ao entardecer





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