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| Chongqing, iluminada |
Já estamos na quarta cidade desta nossa viagem pela China. Em Pequim, senti que estava visitando a China, em Xi’an percorrendo sua história. Em Chengdu, andamos de mãos dadas com ela. Desço do carro que nos levou da estação ao Hotel, o bom Mercure Chongqing Jiefangbei Hongya Cave, e sinto, nitidamente, que, agora, estamos sendo engolidos pela China. Que cidade é essa?
Envolvido em certa dose de
agitação, turbinados pelo fervor das ruas, só deixamos nossas coisas no hotel e
saímos para caminhar. Na saída do elevador cumprimentamos, outra vez, já os
tínhamos visto em Chengdu, os simpáticos robozinhos responsáveis por levar
comida aos quartos.
Chongqing é conhecido pelas
suas ruas íngremes e escadarias espalhadas pela cidade. Estávamos preparados. O
hotel, muito bem localizado, leva no próprio nome “Hongya Cave”. É um lugar
considerado de visita obrigatória. Um conjunto de edifícios em estilo
tradicional, construído em vários níveis na encosta, que abriga restaurantes e
barracas de comida, lojas de lembrancinhas, roupas tradicionais, sorvetes,
sucos, iogurtes, e sei lá mais o que. Saímos do hotel, descemos uma escada, chegamos
no Hongya Cave, descemos, entre escadas e escadas rolantes, nove andares,
saímos na rua lá embaixo. Essa cidade é toda em desníveis, e é isso que a faz
famosa.
Li um pouco para entender, e
descobri que Chongqing é toda “em camadas” por causa da geografia original do
lugar – o que tem um quê de óbvio. A cidade fica no encontro dos rios Yangtzé e
Jialing, numa região cheia de morros, encostas íngremes e vales profundos, na
borda da Bacia de Sichuan. Ou seja, quase não tem terreno plano. Em vez de
nivelar tudo, como muitas cidades fazem, Chongqing cresceu se adaptando a esse
relevo — construindo por cima, ligando alturas diferentes e aproveitando cada
espaço. Por isso ela parece uma cidade em vários andares: ruas que sobem e
descem, prédios com entradas em níveis diferentes e uma sensação constante de
verticalidade. Isso, somado aos altos prédios, às luzes e luzes e à tecnologia,
confere a cidade o título de “futurista".
Minhas companhias em Hongya Cave
Nós gostamos médio de Hongya
Cave. Maneiro de ver, mas é muita gente, confuso, muita gente, produtos de
qualidade duvidosa, muita gente. O corretor diz que eu repeti “muita gente”.
Fazer o quê? É muita gente... Depois de passar umas horas ali, descer e subir,
nos dirigimos à região de Jiefangbei, que funciona como o “centrão” de
Chongqing. É aquele ponto para onde todo mundo vai: ruas cheias, estilo calçadão,
muita gente circulando, lojas, shoppings enormes e prédios modernos com luzes e
telões por todos os lados. Não tem cara de centro histórico, é bem mais
contemporâneo — lembra uma espécie de Times Square chinesa, ou até uma mistura
de Paulista com shopping de luxo, só que em escala gigante. As marcas mundialmente
famosas fazem todas ponto nesse local. É onde sentimos a cidade pulsando de
verdade, passamos por ali algumas vezes e vimos movimento o tempo todo e uma
energia bem intensa. Quando passamos por ali depois das dez da noite, em frente
a uma imagem enorme do Garfield, cidade viva e iluminada, muitas crianças brincando
na rua, Ana soltou um espontâneo “uai, as crianças nesse país não dormem não?”.
Nesse país não sei, mas nessa cidade parece que não...
Seguimos caminhando por Jiefangbei,
depois de uma parada para descanso em um café (precisava de uma cafeína) em um
dos tantos Starbucks que vimos, e fomos entrando em ruas cada vez mais
iluminadas e cheias de movimento. Tínhamos chegado ao Deyi World. É uma
caminhada curta, mas nos leva a um ambiente mais concentrado, como fechado
pelos prédios altos, cheio de bares, letreiros piscantes e passarelas em vários
níveis. Vimos um grupo de k-pop chinês fazendo sua performance e sendo profissionalmente
filmados. Todo o ambiente é uma onda. Helena nos levou a um bar descolado, o
Flavour Lounge, e pagou um drink caro para papis e mamis. Viu que ter filhos
tem suas vantagens?
Sentiu a intensidade desta
cidade? O que contei até agora é parte do que vimos em uma tarde-noite.
Dia seguinte começou com o
café da manhã no hotel. Vou aproveitar para contar para vocês que a oferta de
comida é algo absurdo. Em parte, porque esses bons hotéis buscam oferecer um desjejum
ocidental, além do comum para eles. E o que é comum para eles? Não sei descrever
tudo. Mas é tipo comida almoço, com dumplings, noodles, arroz frito, sopas, carnes
variadas, muitos ovos – por exemplo um ovo escuro, cozido em chá. E mais coisas,
como disse, não sei descrever tudo. Em parte, também, porque a nossa impressão é
que chinês come muito. Muito. A cena era de mesas cheias de comida, muito
barulho, a galera se alimentando como se fosse a última vez e também deixando
muita coisa para trás. A sensação, me atrevo a dizer, é de um acesso recente a
fartura, como se ainda não soubessem lidar bem com ela.
Depois disso fomos, de metrô,
visitar o metrô. Não um metrô qualquer, mas aquele famoso, que passa dentro de
um prédio, vindo de um viaduto super alto. Nunca ouviu falar? Fica na estação
Liziba. Ali, os trilhos simplesmente atravessam um edifício residencial no
meio, outra vez conferindo esse visual futurista à cidade. Detalhe: não é
improviso. O prédio foi projetado com o metrô integrado, com isolamento
acústico e estrutural para reduzir ruído e vibração. Isso tem tudo a ver com
Chongqing e seu relevo cheio de desníveis e pouco espaço plano — então, em vez
de desviar, eles incorporaram a linha ao próprio prédio. Virou uma solução de
engenharia prática… e um dos cartões-postais mais curiosos da cidade. Muita
gente visitando e, claro, lojas e ambulantes aproveitando a multidão. Vou colocar
algumas fotos abaixo para vocês visualizarem melhor a cena.
De tarde, fomos a dois lugares
que curtimos muito. Primeiro, o Luohan Temple. De cara, o contraste surpreende
muito: no meio do centrão de Chongqing, cercado por prédios e movimento,
entramos em um templo silencioso, cheio de incenso e calma. Esse templo se
caracteriza por possuir centenas de estátuas dos arhats (discípulos iluminados
de Buda), todas diferentes, que dão vontade de ficar olhando uma por uma. É um
espaço que fico em dúvida em afirmar se é simples ou sofisticado. Acho que a
sofisticação normalmente mora na simplicidade, né? Então, está respondido! E é,
sim, muito autêntico, o que nos fez sentir, mesmo estando lotado, uma agradável
sensação de pausa no meio do caos da cidade.
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| Aspecto do Templo |
Depois do templo, seguimos
caminhando e encontramos a região que identifiquei como Eling. Vimos um
comércio local, pessoas locais, um belo mercado. Ficamos um tempinho admirando
as bancas com folhas, carnes, raízes e, principalmente, uma banca com cogumelos
medicinais. Nessa região vimos também restaurantes de Hot Pot, a comida muito típica
que provamos em Chengdu e não nos animamos a comer outra vez.
Em meio a Eling, nos deparamos
com Testbed, uma antiga área industrial transformada em espaço criativo, com cafés,
lojinhas e galerias. A arquitetura é preservada, tem cara de antiga, mas com
toque moderno. Bem legal. Por ali vimos uma Pizzaria Napolitana que não fomos,
mas ficou rodando nossos sonhos de consumo boa parte da viagem. Não resistimos
a provar macarrones em uma pâtisserie francesa bem bonita. E vimos outras lojas
e cafés com esse tom ocidental, misturado ao que é mais local.
Esse canto da cidade foi
muito legal de ver, nos fez sentir uma atmosfera bastante autêntica de Chongqing.
Depois de uma breve pausa para recuperar energias, no hotel, saímos, no início da noite, de metrô, para o lado oposto do rio, em relação ao que estávamos.
O objetivo era ver a cidade iluminada
de um ponto privilegiado. E valeu muito a pena. Visual incrível. Voltamos caminhando
pela ponte, tudo muito bonito. Aí começou a saga de onde comer. Nos apetecia
algo mais ocidental, procuramos, andamos, não deu nada certo, fomos enganados
até pelo ChatGPT e adivinhem onde acabamos comendo as onze da noite? Em um MacDonald...
sim, isso mesmo. Por favor, me lembrem de apagar essa parte, fica meio feio publicar
isso...
Voltamos para o hotel, ainda
em meio a luzes e gentes, felizes pelo dia superintenso e com um gosto amargo
na boca pelo jantar.
No dia seguinte, para
terminar nossa estada em Chongqing, fomos ver a Kuixinglou Square. Essa
praça mostra bem como Chongqing é uma cidade meio “fora da lógica”. Você acha
que está no nível da rua, caminhando normalmente, mas na verdade está no topo
de um prédio, com vários andares lá embaixo. É aquele tipo de lugar que dá um
nó na cabeça no começo, porque o “chão” nem sempre é o chão de verdade. Estávamos
em uma praça, entramos em um prédio, descemos 24 andares, chegamos em outra
rua. Essa é uma característica marcante da cidade. Não que na tua cidade não
possa ter um prédio onde você entra pela porta, desce dois andares, sai pela
garagem e chega na rua. A lógica é a mesma, mas em Chongqing isso rola em potências
altíssimas.
E É isso que vou contar
dessa cidade. Teria mais, mas fico por aqui. Agora, já no trem em direção a
Furong, uma pequena cidade que, dizem, é de uma beleza única. Veremos!
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| Aspecto de Hongya Cave |
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| Aspecto de Hongya Cave |
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| Grupo de K-pop chines perfermonando nas ruas |
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| Visual da noite em Chongqing |
| Cogumelos medicinais |
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| Mercado de bairro em Chongqing - Erlin |
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| Lojinha d ebairro - patos, galinhas, pombos, ovos... |
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| Arharts - cada um diferente do outro! |
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| Jiefangbei |

















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