Pesquisar este blog

sábado, 4 de abril de 2026

Chongqing, 02 a 04 de abril de 2026.

 

Chongqing, iluminada

Já estamos na quarta cidade desta nossa viagem pela China. Em Pequim, senti que estava visitando a China, em Xi’an percorrendo sua história. Em Chengdu, andamos de mãos dadas com ela. Desço do carro que nos levou da estação ao Hotel, o bom Mercure Chongqing Jiefangbei Hongya Cave, e sinto, nitidamente, que, agora, estamos sendo engolidos pela China. Que cidade é essa?

Envolvido em certa dose de agitação, turbinados pelo fervor das ruas, só deixamos nossas coisas no hotel e saímos para caminhar. Na saída do elevador cumprimentamos, outra vez, já os tínhamos visto em Chengdu, os simpáticos robozinhos responsáveis por levar comida aos quartos. 

Chongqing é conhecido pelas suas ruas íngremes e escadarias espalhadas pela cidade. Estávamos preparados. O hotel, muito bem localizado, leva no próprio nome “Hongya Cave”. É um lugar considerado de visita obrigatória. Um conjunto de edifícios em estilo tradicional, construído em vários níveis na encosta, que abriga restaurantes e barracas de comida, lojas de lembrancinhas, roupas tradicionais, sorvetes, sucos, iogurtes, e sei lá mais o que. Saímos do hotel, descemos uma escada, chegamos no Hongya Cave, descemos, entre escadas e escadas rolantes, nove andares, saímos na rua lá embaixo. Essa cidade é toda em desníveis, e é isso que a faz famosa.

Li um pouco para entender, e descobri que Chongqing é toda “em camadas” por causa da geografia original do lugar – o que tem um quê de óbvio. A cidade fica no encontro dos rios Yangtzé e Jialing, numa região cheia de morros, encostas íngremes e vales profundos, na borda da Bacia de Sichuan. Ou seja, quase não tem terreno plano. Em vez de nivelar tudo, como muitas cidades fazem, Chongqing cresceu se adaptando a esse relevo — construindo por cima, ligando alturas diferentes e aproveitando cada espaço. Por isso ela parece uma cidade em vários andares: ruas que sobem e descem, prédios com entradas em níveis diferentes e uma sensação constante de verticalidade. Isso, somado aos altos prédios, às luzes e luzes e à tecnologia, confere a cidade o título de “futurista".

Minhas companhias em Hongya Cave

Nós gostamos médio de Hongya Cave. Maneiro de ver, mas é muita gente, confuso, muita gente, produtos de qualidade duvidosa, muita gente. O corretor diz que eu repeti “muita gente”. Fazer o quê? É muita gente... Depois de passar umas horas ali, descer e subir, nos dirigimos à região de Jiefangbei, que funciona como o “centrão” de Chongqing. É aquele ponto para onde todo mundo vai: ruas cheias, estilo calçadão, muita gente circulando, lojas, shoppings enormes e prédios modernos com luzes e telões por todos os lados. Não tem cara de centro histórico, é bem mais contemporâneo — lembra uma espécie de Times Square chinesa, ou até uma mistura de Paulista com shopping de luxo, só que em escala gigante. As marcas mundialmente famosas fazem todas ponto nesse local. É onde sentimos a cidade pulsando de verdade, passamos por ali algumas vezes e vimos movimento o tempo todo e uma energia bem intensa. Quando passamos por ali depois das dez da noite, em frente a uma imagem enorme do Garfield, cidade viva e iluminada, muitas crianças brincando na rua, Ana soltou um espontâneo “uai, as crianças nesse país não dormem não?”. Nesse país não sei, mas nessa cidade parece que não...

Devy World

Seguimos caminhando por Jiefangbei, depois de uma parada para descanso em um café (precisava de uma cafeína) em um dos tantos Starbucks que vimos, e fomos entrando em ruas cada vez mais iluminadas e cheias de movimento. Tínhamos chegado ao Deyi World. É uma caminhada curta, mas nos leva a um ambiente mais concentrado, como fechado pelos prédios altos, cheio de bares, letreiros piscantes e passarelas em vários níveis. Vimos um grupo de k-pop chinês fazendo sua performance e sendo profissionalmente filmados. Todo o ambiente é uma onda. Helena nos levou a um bar descolado, o Flavour Lounge, e pagou um drink caro para papis e mamis. Viu que ter filhos tem suas vantagens?

Sentiu a intensidade desta cidade? O que contei até agora é parte do que vimos em uma tarde-noite.

Dia seguinte começou com o café da manhã no hotel. Vou aproveitar para contar para vocês que a oferta de comida é algo absurdo. Em parte, porque esses bons hotéis buscam oferecer um desjejum ocidental, além do comum para eles. E o que é comum para eles? Não sei descrever tudo. Mas é tipo comida almoço, com dumplings, noodles, arroz frito, sopas, carnes variadas, muitos ovos – por exemplo um ovo escuro, cozido em chá. E mais coisas, como disse, não sei descrever tudo. Em parte, também, porque a nossa impressão é que chinês come muito. Muito. A cena era de mesas cheias de comida, muito barulho, a galera se alimentando como se fosse a última vez e também deixando muita coisa para trás. A sensação, me atrevo a dizer, é de um acesso recente a fartura, como se ainda não soubessem lidar bem com ela.

Que onda, né?

Depois disso fomos, de metrô, visitar o metrô. Não um metrô qualquer, mas aquele famoso, que passa dentro de um prédio, vindo de um viaduto super alto. Nunca ouviu falar? Fica na estação Liziba. Ali, os trilhos simplesmente atravessam um edifício residencial no meio, outra vez conferindo esse visual futurista à cidade. Detalhe: não é improviso. O prédio foi projetado com o metrô integrado, com isolamento acústico e estrutural para reduzir ruído e vibração. Isso tem tudo a ver com Chongqing e seu relevo cheio de desníveis e pouco espaço plano — então, em vez de desviar, eles incorporaram a linha ao próprio prédio. Virou uma solução de engenharia prática… e um dos cartões-postais mais curiosos da cidade. Muita gente visitando e, claro, lojas e ambulantes aproveitando a multidão. Vou colocar algumas fotos abaixo para vocês visualizarem melhor a cena.

De tarde, fomos a dois lugares que curtimos muito. Primeiro, o Luohan Temple. De cara, o contraste surpreende muito: no meio do centrão de Chongqing, cercado por prédios e movimento, entramos em um templo silencioso, cheio de incenso e calma. Esse templo se caracteriza por possuir centenas de estátuas dos arhats (discípulos iluminados de Buda), todas diferentes, que dão vontade de ficar olhando uma por uma. É um espaço que fico em dúvida em afirmar se é simples ou sofisticado. Acho que a sofisticação normalmente mora na simplicidade, né? Então, está respondido! E é, sim, muito autêntico, o que nos fez sentir, mesmo estando lotado, uma agradável sensação de pausa no meio do caos da cidade.

Aspecto do Templo

Depois do templo, seguimos caminhando e encontramos a região que identifiquei como Eling. Vimos um comércio local, pessoas locais, um belo mercado. Ficamos um tempinho admirando as bancas com folhas, carnes, raízes e, principalmente, uma banca com cogumelos medicinais. Nessa região vimos também restaurantes de Hot Pot, a comida muito típica que provamos em Chengdu e não nos animamos a comer outra vez.

Em meio a Eling, nos deparamos com Testbed, uma antiga área industrial transformada em espaço criativo, com cafés, lojinhas e galerias. A arquitetura é preservada, tem cara de antiga, mas com toque moderno. Bem legal. Por ali vimos uma Pizzaria Napolitana que não fomos, mas ficou rodando nossos sonhos de consumo boa parte da viagem. Não resistimos a provar macarrones em uma pâtisserie francesa bem bonita. E vimos outras lojas e cafés com esse tom ocidental, misturado ao que é mais local.

Esse canto da cidade foi muito legal de ver, nos fez sentir uma atmosfera bastante autêntica de Chongqing.

Depois de uma breve pausa para recuperar energias, no hotel, saímos, no início da noite, de metrô, para o lado oposto do rio, em relação ao que estávamos. 

O objetivo era ver a cidade iluminada de um ponto privilegiado. E valeu muito a pena. Visual incrível. Voltamos caminhando pela ponte, tudo muito bonito. Aí começou a saga de onde comer. Nos apetecia algo mais ocidental, procuramos, andamos, não deu nada certo, fomos enganados até pelo ChatGPT e adivinhem onde acabamos comendo as onze da noite? Em um MacDonald... sim, isso mesmo. Por favor, me lembrem de apagar essa parte, fica meio feio publicar isso...

Voltamos para o hotel, ainda em meio a luzes e gentes, felizes pelo dia superintenso e com um gosto amargo na boca pelo jantar.

No dia seguinte, para terminar nossa estada em Chongqing, fomos ver a Kuixinglou Square. Essa praça mostra bem como Chongqing é uma cidade meio “fora da lógica”. Você acha que está no nível da rua, caminhando normalmente, mas na verdade está no topo de um prédio, com vários andares lá embaixo. É aquele tipo de lugar que dá um nó na cabeça no começo, porque o “chão” nem sempre é o chão de verdade. Estávamos em uma praça, entramos em um prédio, descemos 24 andares, chegamos em outra rua. Essa é uma característica marcante da cidade. Não que na tua cidade não possa ter um prédio onde você entra pela porta, desce dois andares, sai pela garagem e chega na rua. A lógica é a mesma, mas em Chongqing isso rola em potências altíssimas.

E É isso que vou contar dessa cidade. Teria mais, mas fico por aqui. Agora, já no trem em direção a Furong, uma pequena cidade que, dizem, é de uma beleza única. Veremos!

Aspecto de Hongya Cave

Aspecto de Hongya Cave

Grupo de K-pop chines perfermonando
nas ruas

Visual da noite em Chongqing

Cogumelos medicinais

Mercado de bairro em Chongqing - Erlin

Lojinha d ebairro - patos, galinhas, 
pombos, ovos...

Arharts - cada um diferente do outro!




Jiefangbei


Nenhum comentário:

Postar um comentário