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terça-feira, 27 de maio de 2025

Tallinn, Estônia, 24 a 27 de maio de 2025.

O bonitão na linda praça da cidade velha de Tallinn!

Saímos de Helsink no sábado de manhã, dia 24, em direção a Tallinn, capital da Estônia. Fomos de navio da Viking Lane. Um navio enorme, de oito andares, com restaurantes, bares, máquinas caça níqueis, música ao vivo, lojas. Duas horas e meia que passaram voando, e estava tão agradável que até queríamos que fosse mais. Atravessar o Mar Báltico, mais especificamente pelo Golfo da Finlândia, tem seu charme, e nos sentimos muito chiques nesse nosso momento “Cruzeiro pelo Mar Báltico!”

Escrevendo no navio - sempre bom...

Chegamos no Porto de Tallinn e fomos caminhando até o hotel. O Swissôtel fica a um quilômetro de distância e, apesar das malas, achamos que seria legal ir caminhando e reconhecendo o terreno. Não nos arrependemos.

O hotel, excelente por sinal, fica a uns 600 metros do Centro Histórico. Estava chovendo e frio, mas isso não nos impediu de dar um lindo rolê.

Estar em Tallin é uma viagem. Nunca foi meu sonho conhecer, Estônia não é um pais sobre o qual eu tenha lido ou me interessado em algum momento da minha vida. Entrou no nosso roteiro meio de supetão, e aqui estamos. A impressão que levamos é a melhor possível. Tallinn é uma cidade moderna, vibrante, o visual do povo transita entre o descolado e o chique. Estônia é um pais rico, o mais rico dentro os chamados países bálticos. Sua área é de 45 mil km2, equivalente ao estado do Espírito Santo. Tem 1,3 milhões de habitantes, e uma população em declínio que preocupa as autoridades, e nesse quesito se soma a muitos outros países europeus. Já há muitos anos oscila entre o 20º e o 30º país do mundo em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o que demonstra a qualidade de vida de quem vive aqui. Foi ocupado pelos nazistas durante a segunda guerra, depois pelos soviéticos e se tornou parte da antiga URSS, voltando a ser independente em 1991. Quer saber mais sobre isso? Pois visite o mui interessante Museu da Ocupação e Liberdade. Pagamos 15 euros por pessoa e nem de longe nos arrependemos. Trata de forma muito original essas situações vividas pelo país no seu passado recente. 

Igreja Ortodoxa

Caminhando atentamente pela cidade é fácil se deparar com menções negativas à Rússia, como a que vimos no ótimo restaurante Odessa, recomendo muito, de comida Ucraniana, ou em frente a embaixada deste país da Rússia. Estônia tem uma extensa fronteira com a Rússia, e o inimigo dorme, literalmente, ao lado. Não é por outra razão que Estônia fez todos os esforços para entrar na União Europeia e, principalmente, na OTAN.

A cidade antiga, considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco, remonta ao século XIII, quando foi construído o Castelo de Toompea. Se mantém muito original, pois ter sido invadida pelos nazistas e depois, por terra, pela Rússia, não fez dela alvo de bombardeios durante a segunda guerra. Remontando à sua fundação, viajamos no tempo, pois a história conta que, no século XIII, em 1219, cruzados dinamarqueses tomaram o castelo de madeira que existia no alto da colina e o remodelaram. Pois olha que interessante: O reconstruído Castelo de Toompea, (e sua torre Pikk Hermann), ainda domina Tallinn, e hoje abriga o Parlamento da Estônia, construído nas primeiras décadas ao século XX. Essa parte da cidade é imperdível, e não tenho como colocar aqui fotos que demonstrem como ela é bonita e interessante. Vocês vão ter que vir conhecer!

Monges fantasmas no jardim
do Rei da Dinamarca.

Muitos outros lugares que merecem ser vistos ficam na área do Castelo: O Jardim do Rei da Dinamarca, a Torre da Donzela, onde hoje funciona um café, a incrível Igreja Ortodoxa do Santo Alexandre Nevsky e a Catedral da Santa Virgem Maria. Alguns privilegiados pontos de vista da cidade também estão nesta área do Castelo.

Por curiosidade, entramos na Igreja Ortodoxa. Fotos são proibidas. Ela é pequena e suntuosa. O pé direito, enorme. Sustentada por oito colunas quadradas, ornamentadas com belos desenhos. Muitos Santos pintados nas paredes, ou em quadros, mas não vi nenhuma escultura. Não tem bancos para os fiéis sentarem, não sei como seria uma missa, quem sabe existe outro ambiente vedado aos turistas. Vi também muitos candelabros e muita gente comprando velas e acendendo. Muito bonita por dentro, impressionante por fora!

Outro ponto imperdível em Tallinn é a praça no coração da cidade antiga (Raekoja Plata). Cercada de restaurantes, cafés e algumas lojas de produtos locais. Além de passear pela praça, pequena, a dica é se perder pelas ruas que saem por todos os seus lados. Aliás, caminhar é a regra por aqui, para poder observar com carinho os detalhes da sua arquitetura. Nesse caminhar, perto da praça, achamos o melhor restaurante que comemos em Tallinn: o “Rataskaevu 16”. Não deixe de ir!

Gostamos muito do bairro Telliskivi. No meu tempo eu chamaria de alternativo, hoje acho que é hipster. Muito agradável passear por ele, sentindo e absorvendo algo da sua atmosfera. Paramos para beber e comer algo no restaurante F-Hoone, outro lugar totalmente rcomendável. 

Telliskivi

Essa crônica escrevi ao longo dos três dias que passamos em Tallinn. Uma parte dela na livraria Raamatud. Chamou nossa atenção estar escrito ser a mais antiga da cidade e entramos. Linda! Dois andares, toda de muito bom gosto, música suave no ambiente, aquela atmosfera que só uma livraria nos dá. Os livros infantis um espetáculo à parte. Funciona um café também. Sentei em uma das tantas poltronas que estão espalhadas pelo espaço e escrevi um pouco. Que momento…!!!

Uma observação: tanto em Helsink quanto aqui em Tallinn vi muitos indianos. Pareciam mais moradores do que turistas. E também, claro, enormes grupos de chineses, esses sim, a maioria turistas, sempre ruidosos e ocupando muito espaço. Chamou minha atenção, afinal são os presidentes e vice-presidentes do mundo!

As três casas

Hoje, quinta-feira, de manhã, ainda tivemos tempo para uma volta, nosso ônibus para Riga sai às duas da tarde. Além de ser o dia mais ensolarado, embelezando ainda mais a mistura de arquiteturas gótica, medieval, soviética e moderna, ao menos são as que reconheço como mais visíveis por aqui, fomos a dois pontos que haviam “faltado”. As três casas: um conjunto de edificações que remontam ao século XIV, sim, quase setecentos anos! Lindas! E fomos tomar um café, nem queríamos tomar café, mas queríamos entrar no Café Maiasmokk, de 1864, o mais antigo da cidade. Bonito, valeu a pena!

Para terminar, vou de novo mencionar o Swisshotel. É o prédio mais alto da cidade. Tem um bar e um restaurante no topo, com lindas vistas da cidade e do Mar Báltico. Ficamos em um belo quarto também em um andar muito alto. Como o sol se põe depois da dez da noite e regressa às quatro, com longos entardeceres e amanhaceres, curtimos visuais lindíssimos. Hoje deixei as janelas abertas, 2h30 acordei e estava claro. Espetáculo!

Uma última coisa: estamos a seis horas de São Petersburgo. Sempre quis visitar a Rússia, não será desta vez. Não sei se me perdoarei…

Era isso. Partiu Riga!


Centro histórico de Tallinn

Centro histórico de Tallinn

Visual do quarto do Swissotel

Centro histórico de Tallinn

Protesto em frente  embaixada da Rússia.


sábado, 24 de maio de 2025

Helsink, 21 a 23 de maio de 2025.

 

Praça do Mercado

Saímos de avião de Veneza e chegamos na capital do país mais feliz do mundo: Helsink. Isso é o que afirma a ONU, subsidiada pelos números, que demonstram acesso à educação e saúde, transporte público, nível de salários, acesso à internet e outros indicadores que não deixam dúvidas: nenhum outro país do mundo oferece aos seus habitantes o que a Finlândia oferece.

Catedral Luterana

Do aeroporto para o hotel, o Scandic Hub, excelente por sinal, viemos de trem. Super fácil, cômodo e barato (€3,40/pessoa). Por sinal, barato não é uma palavra muito usada por aqui… não sei se usarei de novo!

Check-in feito, saímos para reconhecer o terreno. De cara, a cidade nos encantou. Fomos até o Mercado, e de lá para um local próximo e ao lado do mar, onde estão várias barracas de comida e souvenires. Demos mais algumas voltas e regressamos, tendo o cuidado de ir, antes, ao supermercado comprar algo para comer. Ana e eu gostamos de fazer isso, comer no hotel, ainda mais quando o quarto é confortável e com espaço suficiente.

O segundo dia, quinta-feira, foi mais animado. Caminhamos cerca de 18 quilômetros! Acordamos e fomos à Praça do Senado, ponto de encontro de uma caminhada gratuita com um guia, mas com compromisso de deixar uma gorjeta. Neste caso, com a Civitatis. Um certo padrão é se deixar 10/15 euros para o guia!

O clima estava frio, mas não para um finlandês. Afinal, 12 /13 graus não assusta quem enfrenta um inverno onde as temperaturas podem chegar a menos 30 graus. Mais ao norte, perto ou dentro do círculo polar ártico, menos 50°! Uau!!!

Uma esquina qualquer de Helsink

Helsink é uma capital pequena, com cerca de 700 mil habitantes. No que poderíamos chamar de grande Helsink, essa população dobra, concentrando 30% da população do país, menos de seis milhões de pessoas. Pequena e muito bonita. Eu adorei. Ana também. Gostamos da estética dos países nórdicos, as cores mais sóbrias, a discrição, a pouca conversa. Existe certo padrão de comportamento e de vestimenta pessoal que não nos permite diferenciar a classe social de um e outro apenas pelo que se vê. Isso e muito mais me faz gostar do jeito de ser nos países nórdicos. E, nesse aspecto, Finlândia não surpreende. Ela é uma bela expressão de tudo isso.

Mas, o que fizemos?

Passamos várias vezes na Espalanadi, um parque, não muito grande, central a duas avenidas. Perpendicular a essas, ruas com cafés, restaurantes e lojas. Passamos por todas elas!

Biblioteca pública

Duas destas ruas, talvez três, não passam carros, são apenas para pedestres. Adivinhem? Tem calefação. Para que o gelo derreta rápido e a rua seja agradável, ou mesmo possível de caminhar, durante o inverno.

Fomos à biblioteca pública! Foi o que mais nos impressionou. Além dos livros, vimos computadores, salas para jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro, inclusive algumas mesas para xadrez, máquinas de costura, impressoras de plotagem, impressoras 3D, estúdios de música, com instrumentos disponíveis para empréstimo. Para estudo/trabalho, tanto mesas quanto espaços mais descolados, como uma espécie de arquibancada, com tomadas estrategicamente localizadas. No terceiro andar um café, com vista para a cidade. Também no terceiro andar, o espaço para crianças. Muitas mães, alguns pais, com seus bebês ou crianças muito pequenas, sentadas ao chão, com brinquedos super bacanas disponíveis. Café e restaurante com os preços mais acessíveis que vi pela cidade. Almoçamos lá, muito bem, custou 13 euros por pessoa. Todos os serviços que mencionei antes são gratuitos. A biblioteca de Helsink foi o que mais me impactou na cidade.

Visitamos o Museu da Cidade. Gratuito também. Uma exposição temporária sobre reciclagem, muitíssimo interessante, e a permanente sobre a Helsink dos séculos XIX e XX. Vale a pena dar uma passada lá!

Igreja Ortodoxa

Fomos as duas principais igrejas da cidade: uma, a catedral na Praça do Senado. Por fora linda, com aquele visual das igrejas russas. Ouvi que, por dentro, bem austera. Não me surpreende, é luterana, suas igrejas não ostentam o luxo das igrejas católicas apostólicas romanas. A outra (Uspenski), é ortodoxa. Enorme. Por fora, lindíssima, construída toda de tijolos reciclados, com 13 cúpulas de ouro, uma maior que simboliza Jesus, as outras dozes representam os apóstolos. Por dentro não vimos, não curtimos pagar para entrar em Igrejas.

Estivemos em dois mercados. Um mais central, o Old Market, que mencionei acima, perto do parque da esplanada. Cafés, restaurantes e souvenires. Chamou minha atenção um deles servindo carpaccio de urso. Carne de caça, portanto cara, 22 euros uma modesta porção. O outro, a 2km do primeiro, gostamos mais. Da mesma forma, cafés, lojas e pequenos restaurantes, mas achamos mais bonito, coisas de melhor qualidade, mais charmosinho.

Fizemos o passeio até a ilha de Suomenlinna, onde tem um forte considerado patrimônio histórico pela UNESCO. Fomos de barco, dez minutos, considerado um transporte urbano. Custa €3,20 o bilhete com validade de 90 minutos, 12 euros com validade de 24 horas.

Suomenlinna

O que vimos de pontos considerados turísticos foi isso. Vimos, mas não entramos, a Sauna Allas. Nela você pode, depois da sauna, pular no mar báltico. Não me animei… aliás, sauna é um caso a parte nesse país. Ouvi que existem aqui três milhões de saunas. Sim, uma para cada dois habitantes. No hotel que ficamos tinha a melhor sauna que já vi na minha vida. Excelente! Em três dias fui 4 vezes. Faz totalmente parte da cultura do país, imagino que tem a ver com o frio. Até a segunda metade do século passado, as saunas públicas eram muito abundantes, e tinham a ver também com higiene, já que os banheiros em casa eram exceção. Em Helsink há pouco fecharam a última sauna pública, gratuita, com promessa de reabri-la. Mas existem muitas saunas particulares, como a Allas. Não fui a nenhuma, fiquei com a do hotel.

Para terminar, vou falar algo sobre o paradoxo da felicidade… considerado, como comentei, o país mais feliz do mundo, essa tese não convence nem os próprios finlandeses. A educação aqui, de alta qualidade, não apenas gratuita, mas com detalhes como nos anos iniciais um professor, que ganha muito bem, para quatro alunos. Saúde, quase gratuita, eles cobram, muito pouco, para evitar abusos (achei a ideia excelente). Salários dignos, com pouca diferença entre o mais baixo e o mais alto. Internet quase gratuita para todo mundo. Calefação baratíssima - vem da queima de lixo urbano ou de usinas nucleares. Tudo isso gera felicidade? De certa forma, sim. Ao menos, deveria. Mas viver nessas latitudes não é tarefa simples. Frio e escuro a maior parte do ano. No dia mais curto, tem sol de dez da manhã às quatro da tarde. Frio, escuridão, não sei mais o que, não é simples determinar as razões, o fato é que nesse país o índice de alcoolismo, depressão e suicidio é muito alto. Sei que é leviano emitir opinião sobre tema desta natureza, mas minha percepção é que é muito difícil reconhecer o céu sem conhecer o inferno. Alegria, prima mais jovem da felicidade, vem também de reconhecer que estamos bem porque poderíamos estar pior.

Deixa para lá, já devo ter começado a falar bobagem!

Bom, como última nota sobre Helsink, vou recomendar o café e chocolateria Fazer, que fica a uma quadra para baixo da ruas de pedestres. Linda, e os doces… espetaculares!

Outra coisa legal sobre esses dias na Finlândia foi pegar um pouco de “inverno”. Frio que chama um café e um chocolate, a alteração de temperatura entre a rua e as lojas e cafés, a chuva fina… isso tudo deu ainda mais charme a essa nossa passada por esse país nórdico.

Amanhã vamos cruzar o mar Báltico e ir para Tallinn, capital da Estônia. Conto algo de lá!

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Veneza, 19 e 20 de maio de 2025.

 

Piazza San Marco, ao entardecer.

Saímos de trem de Milão, ontem de manhã, da estação central, com destino a Veneza, pela Italo. Trem confortável e poltrona espaçosa (€30). Duas horas e meia depois chegamos em Veneza, com apenas um dia e meio para visitá-la. Achava pouco quando cheguei, acho muito pouco agora que estou saindo. Mas fizemos o possível para aproveitar, no nosso estilo, que passa longe de dar check em todos os pontos sugeridos pelo ChatGPT.

Canais de Veneza

Chegamos de trem na Estação Santa Lúcia e fomos caminhando para nosso hotel, o Papadopoli Veneza. É da rede Accor e, com os esquemas de pontos, os hotéis dessa rede podem render 30, 40, 50% de desconto sobre a diária. Gostamos muito do hotel, da localização (Santa Croce), do quarto e do atendimento.

Deixamos as coisas no hotel e, no início da tarde, fomos bater perna. Não almoçamos, trocamos por um gelatto, e optamos por passar a tarde caminhando! Saímos em direção à Praça São Marcos, considerado o ponto central da cidade. O caminho até a praça, pouco mais de dois quilômetros, é percorrido entre ruas estreitas, algumas que margeiam canais e ruas muito estreitas, interligadas por pontes, muitas pontes. Afinal, estamos em Veneza! Nos canais vemos os pequenos barcos, alguns deles são táxis, e as famosíssimas gôndolas. Nos canais maiores, embarcações maiores. Em alguns pontos, a beleza impressiona, principalmente sobre as pontes que cruzam o grande canal, que são mais altas e nos permitem divisar as duas margens. Nelas, nas margens, vemos as casas venezianas, e sua arquitetura característica, mais ou menos imponentes e mais ou menos conservadas. Elas servem como moradias, hotéis, bares, cafés, restaurantes e lojas. O visual é impressionante, lindíssimo, impactante, deslumbrante ou qualquer outro superlativo que te ocorra e que descreva algo muito bonito.

Grande Canal, visto da Ponte da Academia.

Muito se fala hoje do turismo de massa. Muitos, eu me incluo, quando organizam uma viagem tentam fugir dos locais hiper frequentados. Sim, compreensível, muita gente junto às vezes cansa e não descansa, não nos deixa desfrutar o visual que buscamos ou o ir ao desejado restaurante. Mas… locais muito frequentados o são por alguma razão. Veneza está lotadíssima. Há pouco, começou a cobrar ingresso, alguns dias da semana, para os que vem apenas por um dia e não se hospedam aqui. Então, esse parágrafo mais longo é para dizer o seguinte: Veneza é bonita demais, por isso muita gente vem aqui, e se você não curte lugares muito cheios, venha mesmo assim e dê o seu jeito!

Ruas de Veneza

E qual jeito eu e Ana demos? Além dos locais que todo mundo vai, Veneza tem um mundo de ruas pequenas, bem estreitas, não sei se por influência árabe, com suas casas, cores, roupas dependuradas nos varais entre as janelas, flores no balcão, e lindas portas de madeira, algumas com a imagem de algum santo sobre elas. Essas ruas muitas vezes confluem em pequenos largos, onde surgem bares, cafés e restaurantes, ou mesmo lojas, nem tão cheios. Então, minha sugestão para Veneza: Visite os lugares que você deseja visitar, mas tire algumas horas para se perder entre suas ruelas, apenas caminhando, vendo lojinhas, parando para um café ou drink, tomando um gelatto!

A praça Marco é realmente imperdível. Lotadíssima mesmo em uma segunda-feira. Guarda as características das praças secas europeias: uma área enorme, circundada por arcos que escondem a calçada da sólida construção ao redor. Como de costume, os três poderes que mantinham as sociedades medievais, talvez não seja muito diferente no hoje, se fazem presente: Igreja, Estado e Comércio.

Dentro do propósito de não estar todo o tempo rodeado de muita gente, não entramos na Igreja, não subimos a Torre, nem entramos no Palácio Ducal (que mostra o vigor da aristocracia da República de Veneza). O nome vem do fato do posto mais alto na hierarquia de poder era o Duque. Em Vêneto: Doge. Por fora são locais lindos, mas optamos por não pagar e nem aguardar nas longas filas. Gôndola? Também não andamos, não faz muito nosso estilo…

Murano

Esse foi nosso dia em Veneza. Jantamos no próprio hotel, comi uma polenta com bacalhau, tanto surpreendente quanto saborosa, mas me arrependi. Tantos lugares bonitos na rua, deveria ter saído para aproveitar algo da noite em Veneza. Para compensar, saímos para dar uma volta e procurar uma sobremesa. Veneza à noite é uma formosura!

Hoje, segundo e último dia, decidimos ir visitar Murano e Burano. São duas ilhas, entendo que bairros de Veneza. Do hotel, fomos até a Piazzela Roma e, ali mesmo, compramos nosso bilhete. Nos permite rodar 24 horas nos transportes públicos e custaram 25 euros. O passe de 48 horas custa 37 euros e assim por diante. Te permite andar nos “vaporettos”, embarcações que são o transporte público daqui. Essa dinâmica de Veneza, em meio a água, me fez lembrar Belém e as cidades vizinhas. Sim, acho que os venezianos e os povos da região amazônica se encontram nesse jeito meio anfíbio de viver.

Adoramos as ilhas. Mais tranquilas que Veneza, suas casinhas coloridas são deslumbrantes. Burano, um pouco mais longe, parece ter mais vida, achamos mais bonita e colorida, mas Murano e as lojas com seus famosos cristais, verdadeiras obras de arte, merece também ser visitada. O que fazer nas ilhas? O mesmo que em Veneza: caminhar, ver lojas, tomar café, spritz ou sorvete, comer algo e caminhar mais… 

Burano

Regressamos no meio da tarde, ainda em tempo de fazer dois programas legais. O primeiro, além de andar mais e passar de novo pela ponte Rialto, de onde se vê o grande canal com uma visão privilegiada, foi comer e beber em dois lugares em frente ao nosso hotel. Desde ontem haviam nos chamado a atenção, pela quantidade de gente, a despeito da simplicidade, o Bacaretto da Lele e o Arcicchetti Barcaro, ambos no ‘Campo dei Tolentini’. Simples, no segundo ainda tem umas mesinhas, no primeiro bebemos e comemos em pé, ao lado de um canal. Tomamos um vinho no primeiro, um spritz no segundo, acompanhados de alguns cicchetti (petiscos variados, servidos sobre um pequeno pedaço de pão). 

Lateral da Igreja de San Marco

O segundo programa que me refiro, e que serviu para fechar com chave de ouro nossa estada aqui, foi ir até a Praça San Marco no cair da noite. A atmosfera estava meia mágica, com as luzes sendo ligada aos poucos, alguns cafés, como o Florian, o Quadri e o Lavena com músicos se apresentando e espalhando sons muito agradáveis pela praça. Tudo isso nos trouxe um enlevo especial e chegamos a nos emocionar. Ouvimos Sinatra, Abba e Michael Jackson, e algumas clássicas que minha cultura, infelizmente, não alcança para saber quais eram. Enfim, recomendo fortemente o entardecer e seu cruze de cores na Piazza San Marco!

Regressamos caminhando ao hotel e, no caminho, nos deparamos com o Aperol Terraza, no Campo San Stefano, um restobar que nos chamou atenção. Paramos para comer algo e tomar nosso último aperol. Na real, tomei um campari! Acho que o fato da Helena, minha filha, trabalhar na Campari tem influenciado minhas escolhas…

Sobre Veneza, é isso que vou contar.

Amanhã, quarta-feira, pegamos o ônibus perto do hotel, na Piazzela Roma, destino aeroporto. Onze euros por cabeça, comprei na Omio, acho esse aplicativo ótimo para comprar passagens pela Europa.

Para onde vamos? Helsink! De lá, conto mais.


Burano


Murano

Grande Canal!

Vista do bar do hotel

Casa de Veneza

Veneza!
Veneza!


Nós em Veneza!



segunda-feira, 19 de maio de 2025

Milão, 16, 17 e 18 de maio de 2025.

Santa Ceia de Leonardo da Vinci - Cenácolo Vinciano

Chegamos em Milão na sexta-feira, dia 16, pelo aeroporto de Malpensa. É o principal da cidade, e não tão perto. Foi necessário um trem (€13/pessoa) até a estação central. Para alcançar o trem, bem fácil, basta seguir as placas com figurinhas de trem.

Duomo de Milano!

Nosso hotel, bastante agradável, o NYX Leonardo, foi estrategicamente escolhido para estar ao lado estação. Excelente localização, e na zona tem hotéis para todos os bolsos. Descemos do trem e em cinco minutos estávamos fazendo check-in.

Uma das principais razões de virmos a Milão nesta viagem foi ver nossos sobrinhos, Felipe e Carolina, que estão vivendo aqui. Felipe é torrador em uma pequena rede de cafeterias, que tem nos cafés especiais o seu foco. Chama-se ‘Cafezal’ e vale muito a pena conhecer. Conheci duas das cinco lojas e tomei excelentes cafés, além de provar uns quitutes deliciosos.

A tarde/noite passamos caminhando com eles, passando pela Duomo (Catedral), pela sua praça, pela famosa e belíssima Galeria Vitório Emmanuele II e pelas ruas do centro. Lojas chiques, cafés, restaurantes, muita gente caminhando e muito aperol spritz nas mesas dos bares ou na mão dos turistas que, não sem razão, associam esse drink a Milão. Na hora que deu fome, nos dirigimos ao bairro Brera. Brera é lindo, e Felipe o definiu como o bairro mais italiano de Milão. Gostei da definição. A arquitetura, as lojinhas, o senso estético que sempre encanta na Itália, os restaurantes com mesas na calçada… realmente Brera é muito italiano.

Comemos um belo carbonara com vinho da casa no “Volemose Bene”, restaurante de comida romana.

Sábado foi dia cheio. Comecei muito bem, visitando o Cenacolo Vinciano. Deixa eu contar que, em 2016, estive em Milão e um certo dia saí do meu hotel feliz da vida, porque iria ver a Santa Ceia, uma das icônicas obras de Leonardo da Vinci, por quem sempre me interessei muito. Ledo engano, cheguei e me deparei com a realidade: ingresso, apenas online e comprado com meses de antecedência. Frustração das grandes.

Desta vez, entrei no site durante algumas semanas, algumas vezes por dia, e consegui comprar um, apenas um ingresso. Custou 15 euros, e lamento por Ana ter ficado de fora dessa. Bom, finalmente conheci o mural, pintado de 1494 a 1498, onde o artista tenta retratar o que se passou no instante seguinte ao anúncio de Jesus: “em verdade vos digo que, nesta noite, um de vocês me trairá”. Ali vemos a expressão serena de Jesus e os doze apóstolos, ao redor da mesa, em distintas posições corporais e olhares, demonstrando seus sentimentos e emoções diante do anúncio feito.

Cinco anos… que portal o artista terá aberto para pintar essa cena? Terá visto a imagem, plasmada em alguma dimensão do cosmo? Ou apenas imaginado? Ou algum anjo ou duende a ditou para ele? Bom, esse foi parte dos pensamentos que me ocorreram nos 15 minutos que o ingresso nos permite ficar diante do quadro.

Cumprido o desejo postergado por nove anos, Ana e eu fomos até a Cafezal Margenta, tomar um café da manhã delicioso acompanhado da Carolina e do Felipe. Passamos muito bem, conversando entre nós e com os simpáticos baristas Rafael e Gustavo. 

Torre do Castelo Sforzesco

Depois, o programa foi caminhar. Fizemos um trajeto clássico de Milão: Caminhamos da Praça do Arco até a Duomo. Passamos pelo Parque Sempione, até chegar ao Castelo Sforzesco, uma belíssima construção do século XV, uma das visitas obrigatórias para quem vem passear por aqui. Depois do Castelo seguimos pela bela Via Dante. Alias, quem passar por ali não pode deixar de entrar no Starbucks na antiga sede do correio. Eu sei, Starbucks não é o melhor café e o que servem para comer costuma ser mais bonito do que gostoso. Mas o visual dessa loja é simplesmente impressionante. Uma espaço que, ao mesmo tempo que expressa o culto ao café, essa planta tão especial, mostra algo dos esforços feitos para que ele chegue às nossas xícaras. Tudo isso com um senso estético apuradíssimo. Lugar para não perder. Terminamos tomando um sorvete pertinho da Duomo, na Venchi!

No fim do dia, outro daqueles programas que vale muito, eu diria também imperdível: o bar “Camparino”. Milão e Campari, não apenas a bebida, mas a empresa, são quase indissociáveis. Camparino é o bar da Campari em Milão. Onde fica? Ora, na Galeria Vitório Emmanuelle II, ao lado da

Praça, com vista para a Duomo. Helena, minha filha, que trabalha na Campari no Mexico, reservou a mesa e pediu uma atenção especial… além dos 4 drinks que pedimos, nos serviram um drink cortesia de entrada e outro para terminar. As comidinhas que acompanham são deliciosas. Recomendo muito um happy Hour neste lugar. No final, até chaveirinho nos deram. Adoramos a forma como fomos tratado e os drinks são deliciosos. Não à toa está colocado sempre entre os 50 melhores bares do mundo. Depois do Camparino ainda teve tempo, e disposição, para uma pizza. Fomos na pizzaria “Da Zero”. Muito boa!

Lago como, desde Varenna!

Hoje, domingo, fomos conhecer o Lago Como. Pegamos o trem na estação central em direção a Varenna. Custou €7,80 por cabeça. Uma hora depois, chegamos. Cidade bunitinha, à beira do lago. Não fizemos nenhum passeio de barco, muito comum, nem pegamos o ferry em direção à Bellagio, o que permite navegar sobre as cristalinas aguas e conhecer outra das cidades que compõe essa bela paisagem. O que fizemos foi caminhar à beira do lago, apreciar a paisagem e tirar algumas fotos. Os restaurantes estavam lotados, descobri que não fomos os únicos a ter a ideia de, em um domingo de sol, passear na beira do lago! Solução? Compramos dois sanduíches, uma cerveja e um espumante, e comemos na praça. Bem bom! E barato.

Regressamos a Milão, reencontramos nossa turma e, ao entardecer, fomos a outro lugar especial, que é o que não falta nesta cidade: uma enoteca natural, perto do bairro Navigli, outro ponto que vale a pena conhecer. A onda de vinhos naturais vem crescendo por todo o mundo, e adorei quando o Gustavo sugeriu esse lugar. Ambiente descolado, agradável, atendimento simpático e boas dicas de vinho. Passamos (Ana, Carol, Felipe, Gustavo, Rafael e Humberto e eu) um fim de tarde, que nesta época, por aqui, leva horas, muito agradável.

Isso é o que tenho para falar sobre nossos três dias em Milão. Teve mais… mas aqui não cabe tudo!

Amanhã, segunda-feira, vamos, de trem, para Veneza. Será que terei o que contar de lá?

Ana e a Duomo

Carol, ana, Felioe e Eu na Cafezal!



Cena urbana de Milão

Nõs na Camparino!

Em frente à Cafezal!

Meu drink na Camparino: Campari!