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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Bucareste, 26 e 27 de agosto de 2026.

Parlamento de Bucareste. O tamanho realmente impressiona

Chegamos no aeroporto de Bucareste e pegamos um Uber sem maiores dificuldades. Fim do dia, ainda sol, às seis da tarde já tínhamos feito o check-in no Mercure Centro e começamos a caminhar pela cidade. Eu me senti como se tivesse saído de um metrô lotado para uma limusine onde uma leve música clássica tocava. Sim, essa foi a imagem que me veio para essa mudança de Istambul para Bucareste.

Aspecto do Centro Histórico - Old Town
O hotel fica perto do centro histórico e esta foi a direção que tomamos. Ruas tranquilas, locais tomando algo no fim de tarde, silêncio no ar. A sensação que me invadiu foi de enlevo. Realmente, ambientes urbanos assim, menos intensos, são o meu número. Passamos pelo Ateneu Grego, pela Praça da Revolução e seguimos caminhando pela Av. Vitória. Em uns 20 minutos já entramos no Centro Histórico e, para corroborar minha metáfora, uma jovem tocava violino na calçada, aguardando uns trocados. Essa cena, tão comum em cidades europeias, sempre me agrada.

Ficamos andando para lá e para cá no centro histórico, agora já um pouquinho mais ruidoso, porque são muitos bares e restaurantes com aquelas pessoas perguntando se você quer entrar, oferecendo o cardápio ou propondo um drinque.

Escolhemos um onde ninguém nos ofereceu nada. Uma simpática cervejaria, a Beer O’Clock, onde apenas um jovem atende, tirando os chopps e cobrando, mas somos nós que vamos até o balcão pedir, pegar e pagar a cerveja. Como tem que ser, simples e objetivo.

Uma cena curiosa foi a de um senhor que se aproximou e puxou assunto querendo vender livros. Ouviu nosso inglês e nos perguntou de onde éramos. Respondemos e imediatamente ele falou “Paulo Coelho”. Ainda citou, com sotaque próprio, Machado de Assis e Bernardo Guimarães (nomeando A Escrava Isaura). Gostei de 2/3 das referências literárias do livreiro romeno.

Momento para lá de agradável
Depois do chopp fomos comer um sanduíche em um restaurante grego que fica bem próximo à choperia, antes de regressarmos caminhando pelas silenciosas ruas de Bucareste até o hotel.

Hoje pela manhã saímos na nossa missão de conhecer algo da cidade, nesse curtíssimo tempo que passamos aqui. Marcamos alguns pontos no mapa e mais ou menos seguimos o caminho proposto. Visitamos a Igreja de São José, vimos outra vez o Ateneu, lindo prédio, passamos em frente ao Museu Nacional de Arte e entramos em uma igreja ortodoxa romena, muito bonitinha, pequena, a Zlatari, dedicada a Maria. Vale a visita. Outra vez entramos na “Old Town”, parte do roteiro, também querendo entrar em uma livraria que havíamos visto ontem. Compramos um livrinho romeno para a Clara…

Outro lugar que gostamos muito de ver, na própria cidade velha, foi o Mosteiro Stavropoleos, uma Igreja Ortodoxa Romena dedicada aos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel. Foi construída em 1724. Pequena, delicada e cheia de detalhes, é daquelas surpresas que aparecem quando caminhamos sem pressa pela cidade. No fundo da igreja tem um pátio. Percebemos uma mesa posta e nos aproximamos. Uma freira muito simpática nos recebeu e ofereceu coliva, um doce feito à base de trigo, mel, castanhas e especiarias. Ela nos explicou que esse doce é tradicionalmente ligado à memória dos mortos e à ideia de ressurreição. Comparou o dia 27 de agosto com nosso 01/11. Acho que ela fez uma confusão de datas aí, mas ela insistiu e quem sou eu para discutir com uma freira devidamente trajada! Mas ela foi muito simpática, agradável e acolhedora, e a coliva estava deliciosa. Acabou sendo nosso café da manhã!

Do mosteiro, com nosso tempo já terminando, caminhamos até o Parlamento.

Mosteiro Stavropoleos
Essa construção é, segundo li, o maior símbolo do período comunista da Romênia, que durou de 1947 a 1989. De 1965 até o fim do regime, o país foi governado por Nicolae Ceaușescu. Foi ele quem mandou construir este enorme edifício, a partir de 1984. A construção foi controversa. Para abrir espaço para esse suntuoso palácio, bairros inteiros foram demolidos e milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas. A obra consumiu enormes quantidades de recursos, parece que 700 arquitetos trabalharam nela, justamente quando a população enfrentava escassez e dificuldades econômicas. Quando o comunismo caiu, em 1989, o prédio ainda não estava terminado. O que deveria ser um monumento ao poder de Ceaușescu e do regime acabou se transformando na sede do Parlamento de uma Romênia democrática. História interessante e construção impressionante. Mas só vimos por fora. Não havia tempo de entrar e ainda queríamos ver a Igreja de São Nicolau.

Ela é um bom exemplo do que percebo em todas as igrejas ortodoxas que visitei: elas muitas vezes impressionam mais por fora do que pelo tamanho que têm por dentro. O espaço interno é relativamente pequeno, há poucos bancos para sentar e a decoração é feita com pinturas, ícones e a iconóstase. Chama a atenção a ausência de esculturas, tão comuns nas igrejas católicas romanas. Esta igreja foi construída entre 1905 e 1909 com apoio do czar russo Nicolau II.

A iconóstase é aquela parede ou divisória coberta de ícones que você vê dentro das igrejas ortodoxas, separando o espaço onde ficam os fiéis do altar, que fica atrás dela.

Igreja Ortodoxa Romena de São Nicolau
Ela normalmente tem várias fileiras de ícones, geralmente de Cristo, da Virgem Maria, dos santos e de cenas bíblicas. Possui portas no centro, pelas quais o sacerdote passa durante a liturgia.

Aprendi aqui que uma das características que mais diferenciam visualmente uma igreja ortodoxa de uma igreja católica romana é que, em vez de um altar aberto e visível, como no catolicismo, a tradição ortodoxa cria essa separação entre o espaço dos fiéis e o altar por meio da iconóstase. As iconóstases são normalmente um ponto alto da decoração das Igrejas Ortodoxas.

Nosso tempo nessa simpática capital se esgotou. Fomos de Uber ao hotel, para pegar o carro que alugamos e seguir viagem.

E esse foi nosso passeio por Bucareste. Gostamos da cidade, acho que não acharíamos ruim explorar mais das suas ruas e, principalmente, dos bares e restaurantes que nos chamaram a atenção. Fica para outra. Agora vamos rumo à Transilvânia. De lá, conto mais!

A simpática freira repartindo comida.
Livraria Carturesti, old town

Modinha: vale tudo para atrair um cliente

Zlatari - igreja ortodoxa

Rua Victoria


Um dos tantos prédios bonitos na Av. Victoria



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