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terça-feira, 31 de março de 2026

Xi’an, China, 29 a 31 de março de 2026.

 

Aspecto do Exército de Terracota

Saímos cedo de Pequim. Chegamos com uma hora de antecedência na estação, e tudo correu muito bem. Viajar de trem rápido na China era um desejo nosso para essa viagem, e não nos decepcionamos. Durante a viagem, fiquei lendo e percebendo que estávamos saindo da capital política do país, Pequim, para a cidade que de certa forma significa a sua raiz civilizacional, não por nada conhecida como Cidade Imperial de Xi’an. Você se interessa por história? Então na tua viagem pela China tem que passar por aqui.

Chegamos ao meio-dia. Da estação ao hotel, meia hora de Didi. Maneiro vir para o “interior”: uma cidade pequena — Xi’an tem “apenas” 14 milhões de habitantes! Putz!

Cena urbana em Xi'an
Viajar pela China é a maior viagem.

Nesse breve caminhar por esse país, estamos na segunda de sete cidades que conheceremos, somando ao que já trazia das leituras, é muito perceptível a urbanização: cidades vibrantes, cheias de prédios altos, como vimos também ao longo do trajeto de trem de Pequim a Xi’an. O próprio trem, sobre trilhos que funcionam como um “arranha-céu horizontal”, nos levou a percorrer cerca de 1.100 km em quatro horas, com algumas paradas no caminho, mostrando o vigor da indústria e da infraestrutura deste país.

Mas sei que ainda existem cerca de 500 milhões de pessoas vivendo em áreas rurais — algo como um terço da população. Em poucas décadas, a China saiu de um país majoritariamente agrícola para uma potência urbana, praticamente eliminando a pobreza extrema (anúncio feito pelo governo em 2021). Ainda há algo entre 200 e 250 milhões de pessoas com renda baixa, mas os avanços são inegáveis.

Tudo isso começou com as reformas de Deng Xiaoping, lá atrás — lembro bem desse momento —, quando a economia foi “liberalizada”, permitindo pequenos negócios privados. Concomitantemente, houve a liberação da mão de obra do campo, a criação de empregos nas fábricas, o incentivo à migração para as cidades e um investimento pesado em infraestrutura. Uma potência mundial, que preferiu investir em infraestrutura, não em guerra. O mesmo ferro que faz um canhão faz um trem. 

Primavera: flores para todo lado

O resultado é palpável, quase dá para tocá-lo no trem rápido que corta o país, nas obras, nas multidões e nessa sensação constante de um lugar em movimento. Sei que é atrevimento falar isso com apenas uma semana aqui, mas é a sensação que tenho: o país parece confiante, as pessoas felizes.

Sou da geração que cresceu com a imagem da China campesina e das ruas lotadas de bicicletas. Nas duas cidades pelas quais passamos — Pequim e Xi’an —, o que vi foram muitos e muitos carros, quase todos novos, algumas motos e poucas bicicletas. Imagino que, na China profunda, rural, a dinâmica seja outra. Mas, como comentei, hoje o país é majoritariamente urbano. Veremos se consigo ainda ver algo da China rural para ampliar minhas perspectivas e aguçar minhas percepções.

Chegamos, como disse, no início da tarde e saímos assim que deixamos nossas coisas no hotel. Fomos direto para a região da Torre do Sino, caminhando em busca de um restaurante que a Helena tinha visto como o melhor para comer dumplings: o De Fa Chang. Servem uma enorme variedade de dumplings, bonitos e saborosos. Pedimos também berinjela e vagem salteadas em um delicioso molho picante. Adoramos! 

Vagem e beringela salteados!

Estávamos ao lado do famoso bairro muçulmano, mas optamos por regressar ao hotel para sair novamente à noite. E assim fizemos. No fim da tarde, fomos ao Datang Everbright City, uma enorme avenida repleta de luzes, esculturas e instalações que remetem à dinastia Tang. A maior viagem! Bem a cara do que vejo por aqui: passado e futuro de mãos dadas. Chovia um pouquinho, mas ainda assim curtimos muito.

Voltamos ao lindo hotel depois das dez da noite, bem cansados. A China cansa… a média tem sido de 12 a 13 km por dia! E acho que a quantidade de gente, luzes, sons e cores amplia essa sensação de cansaço.

Essa viagem é cheia de pontos altos. Ontem, segunda de manhã, foi um deles: fomos visitar os famosos Guerreiros de Terracota. Realmente impressionante. Totalmente justificada a opinião de quem diz que esse sítio arqueológico poderia ser considerado a oitava maravilha do mundo.

Compramos ingressos no site oficial e fomos de Didi — cerca de 50 minutos. Gostamos de pegar um trecho de estrada.

Vale contar que, em 1974, durante uma grande seca na região, alguns agricultores resolveram cavar um poço. Um deles encontrou uma cabeça aqui, uma mão ali, todas de argila. Achou que não era nada demais, mas, ao encontrar mais fragmentos, decidiu chamar as autoridades. Começaram as escavações e… bingo! Era um exército com mais de 8 mil soldados, além de centenas de cavalos e carruagens, todos em tamanho real. Ainda em 1974 o local foi aberto para visitação e, desde então, tornou-se extremamente popular. Ontem, em plena segunda-feira, havia uma verdadeira multidão — a imensa maioria de visitantes chineses.

Essas esculturas foram feitas há mais de 2.200 anos para acompanhar o imperador Qin Shi Huang na vida após a morte. Tudo faz parte do seu complexo funerário. O mausoléu propriamente dito — onde está o imperador — ainda não foi escavado. O trabalho é feito com extremo cuidado, devido ao risco de danificar essas preciosidades.

Aspecto do bairro muçulmano
Voltamos de Didi e fomos direto ao bairro muçulmano, passeio considerado obrigatório aqui — e acho que é mesmo. Olha que viagem: li que ele surgiu com comerciantes da Rota da Seda, aliás, a famosa rota da seda começou em Xi’an. A população majoritária neste bairro é de muçulmanos chineses, e é curioso ver a cultura islâmica integrada ao cotidiano chinês. São inúmeras barraquinhas e lojas com comida de rua, com espetinhos de cordeiro, “hambúrguer chinês”, noodles e doces, muitos deles com gergelim e nozes. Detalhe: diferente de outros lugares na China, a carne de porco marca pouca presença neste bairro. Também vimos muitas lojas de roupas, uma enorme que vende prata, lembranças, cafés, e sei lá mais o quê. De novo: muita gente, muitas cores, cheiros e ruídos. Aqui tudo é muito intenso. Achamos muito legal a caminhada de duas horas que demos por esse lugar. Pena que não fomos conhecer a Mesquita que, ouvi dizer, é linda.

Já era quase cinco da tarde quando seguimos até a muralha da cidade, outro ponto de interesse sempre citado. Pagamos o ingresso e subimos. Andar pela muralha deve ser agradável — e é recomendado ver o pôr do sol dali. Eu achei médio, porque, nesta época não sei se por ser primavera ou por outro motivo, a muralha está tomada por uma decoração intensa, com animais mitológicos, enfeites, lanternas etc., que chamam atenção pelo excesso de cores. Acho que eu preferiria a muralha mais limpa, apenas com seus belos postos de observação, na arquitetura característica da época imperial deste lado do mundo. 

Muralhas de Xi'an - posto de oibservação

Da muralha fomos para o happy hour no hotel e não saímos mais. O ambiente do Sofitel Legend é muito agradável, e eu não resisto a um 0800…

Hoje de manhã fomos visitar um templo budista (Da Ci’en Temple), que abriga a Grande Pagoda do Ganso Selvagem. Não fomos nesta última, uma enorme estrutura de sete andares, construída no século VII, com várias estátuas de Buda, mas adoramos visitar o templo, seus jardins e suas salas de oração. Lindíssimo.

Agora são 4 da tarde de terça-feira, dia 31 de março. Estamos no trem, indo de Xi’an para Chengdu, a mais de 300 km/h. Saindo meio que do centro do país para o sudoeste. Vou ter que voltar, dois dias não deu nem para o cheiro. Mas nosso roteiro agora é ver os pandas. De lá, conto mais!


 Da Ci’en Temple - Guanyin, a bodisatva 

da compaixão – na China,é 

representada com traços femininos


China à noite - Datang Everbright City

China à nooite - Datang Everbright City
Lula Grelhada - comidinha de rua na China
Exército de Terracota

Exército de Terracota

Imagem do Buda (Sidarta Gautama)

Da Ci’en Temple









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