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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Guimarães, Barcelos e Porto, 11 a 14 de fevereiro de 2026.

 

Centro Histórico de Guimarães

A chegada em Guimarães não foi das mais animadoras! Fim de tarde, chovendo… O hotel, bem localizado, não nos causou boa impressão à primeira vista. Chama-se Hotel Toural. Fizemos o check-in e saímos para caminhar no centro histórico. Frio e chuva fina; pegamos o lado errado, não achamos muito interessante. Já no final da caminhada começamos a ver os locais que são considerados pontos de interesse e nos animamos um pouco. Paramos em um bar (Coconut), tomamos um vinho e comemos bolinhos de bacalhau e bolinhos de alheira. Nos animamos mais um pouco, mas, às sete e meia, já estávamos no quarto. Hahaha, animação curta, né? Normal, raramente saímos à noite.

Castelo de Guimarães

No outro dia, já em paz com o hotel — na verdade, bem correto —, fomos passear pelo roteiro básico do centro histórico, no que podemos chamar de miolo medieval de Guimarães. Aquele turismo chatgpt, saca? Passamos pelo Largo da Oliveira, pelo Padrão do Salado, vimos por fora a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira e caminhamos pela simpática Rua de Santa Maria em direção ao Castelo, passando pelo Paço dos Duques de Bragança.

Pagamos para entrar no Castelo, cinco euros por cabeça, demos uma volta pelas muralhas e viajamos na paisagem. O Castelo foi fundado em meados do séc. X, curiosamente por uma mulher, a Condessa Mumadona Dias. Ele está associado à formação do que hoje conhecemos como Portugal, sendo uma das razões de Guimarães ser conhecida como o berço do país. Mas o que gostei mesmo foi de participar da Batalha de S. Mamede, travada em 24 de junho de 1128, perto do Castelo. Essa batalha, liderada por Dom Afonso Henriques, permitiu o levantamento do cerco de Guimarães. E eu estava lá! Como eu participei? Através de uns óculos de realidade virtual, fui para o campo de batalha! Paguei seis euros, barato para viver meus oito minutos como um cavaleiro medieval.

Caminhos na Penha

Depois, esgotado pelo meu esforço, pegamos o carro e fomos até o Santuário da Penha. Fica no alto do morro que leva o nome da mesma santa. O que mais gostamos ali foi caminhar entre as muitas e enormes pedras que caracterizam o lugar, já que a paisagem não estava tão descortinada para vislumbrarmos o horizonte. Outra vez, fez-se presente a marca dessa viagem: passeio bacana, mas com certa dose de frustração pela frequência da chuva, do frio e do vento!

Descemos da Penha e procuramos um lugar para comer. 

O magnata na Adega dos Caquinhos!
Achamos: “Adega dos Caquinhos”. Recomendo, fácil! 

Entrada de pão, presunto, queijo e azeitona (natural, não em conserva) e um prato de bacalhau com molho de tomate e batata. Bebemos uma garrafa de vinho local. Não era lá essas coisas, mas estava muito bom… É que nem tudo nessa vida se resume a corpo, retrogosto, notas de chocolate ou taninos maduros! 

Isso é o que vou contar de Guimarães. Achamos a cidade interessante, mas a sensação, possivelmente devido ao clima, foi de dois dias lúgubres, escuros, não tão agradáveis.

Na sexta-feira, dia 13, saímos do hotel em direção a Braga, para devolver o carro e pegar um trem para o Porto. Mas… mudamos a rota. Descobrimos, só no momento da devolução, que poderíamos entregar o carro no Porto. Decidimos então ir conhecer Barcelos. Sim, essa mesma, famosa pelo Galo de Barcelos! Cidade pequena e agradável. Curioso: estava chovendo também, mas não ficamos com a sensação de que Guimarães nos deu; achamos o astral mais claro e fresco.

Barcelos tem galo para todo lado: nas praças, ruas e lojas! Reza a lenda que um peregrino foi injustamente acusado de um crime. Como prova de sua inocência, afirmou que, na hora do seu enforcamento, o galo assado cantaria. E não é que cantou? Pois eu acho que, se o galo assado cantou e salvou o peregrino da morte injusta, mais do que justo que a cidade renda todas as homenagens a esse digníssimo galináceo! Você não acha?

Digno de nota foi o lugar em que almoçamos em Barcelos. Chama-se Escondidinho. Olhamos a cara e era do jeitinho que gostamos: cardápio escrito na parede, pratos do dia, frequentado por locais, nada de menu em inglês ou francês. Golaço! Tomamos sopa e eu pedi alheira, que veio em formato “prato feito”, com batata frita, arroz e ovo. Ana comeu um pouquinho do meu prato; bebemos vinho. Preço? 9,90 euros. A conta foi feita na própria toalha de mesa, de papel, como deve ser. Ah, os pedidos não foram feitos em tablet ou por rádio, mas sim no melhor estilo, gritando: “duas sopas, uma alheira, dois tintos”. Sou um velho, com uma alma antiga; adoro esses ambientes e momentos com cara de antigamente! 

A conta no  "Escondidinho"!

De Barcelos, seguimos para o Porto. Devolvemos o carro e, no fim da tarde, já estávamos hospedados no mesmo Mercure Porto Aliados dos primeiros dias. Bem bom!

Nesse fim de tarde de sexta-feira, fomos outra vez ao Mercado do Bolhão. Voltamos devagar para o hotel, passando pela Rua de Fernandes Tomás, onde vimos várias lojas antigas, com vinhos, presuntos, queijos, doces e outras iguarias portuguesas. Para quem é do Rio de Janeiro, do estilo da “O Lidador”. Em uma delas, “A Favorita do Bolhão”, pedi ao rapaz para me vender um vinho do Porto de 10/12 euros. Foi muito bom ouvi-lo explicando a razão de me indicar o que me indicou. A adega chama-se Vieira de Sousa, e a sugestão dele foi um Tawny. Depois conto a vocês se é bom! Na loja havia algumas garrafas cujo preço passava bem dos mil euros.

No jantar, optamos por voltar ao restaurante ao lado do hotel, “A Lagareira”, para comer outra vez a francesinha deles. Original, feita da mesma forma há mais de 70 anos. Já disse aqui e repito: uma delícia!

AGarrafeira

Sábado fomos agraciados com um tempo mais firme! Fazia frio, mas tinha sol, e passear no sol é sempre mais agradável. Andamos muito, mais de 15 km no total. Saímos do hotel, passamos pela Estação São Bento e subimos até o Largo da Batalha para ver uma pequena feira. De lá, seguimos pela Rua Santa Catarina, a mais famosa do centro do Porto. Passeio lindo; a cidade é toda agradável, com destaque para os detalhes da arquitetura portuguesa.

Chamou nossa atenção o Grande Hotel do Porto e uma placa que dizia ter D. Pedro II se hospedado ali em dezembro de 1889. Logo depois da Proclamação da República, possivelmente veio fugido, já destituído da função de imperador. Fomos cruzando ruas até chegar à Rua da Conceição, que me chamou a atenção por ter uma famosa rua do mesmo nome no centro de Niterói. Nela, achamos a loja mais legal de vinho de todas as que entramos: AGarrafeira. Muita onda! Grafa-se assim mesmo, tudo junto. No Rio de Janeiro tem uma, A Garrafeira, mas a coincidência está só no nome. Trocamos uma ideia com o proprietário, Manuel Vicente, que tem a loja há quarenta anos. Que estoque… Outra vez pedi um vinho, desta vez um tinto, de dez euros. Ele percorreu o olhar, pensou e me ofereceu um tinto da região do Douro, da Quinta do Estanho, por 8,50 euros. Só lamentei não ter lugar na mala para uma caixa.

Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau -
nela, achamos Pessoa e um altar com a 
primeira edição de "Mensagem"!
Esse trajeto tinha como objetivo outra feira, chamada Mercado Porto Belo. Fica perto da Igreja do Carmo, que vimos também só por fora, com sua famosa lateral toda azulejada. Do outro lado da rua, a Universidade do Porto. Caminhamos até a Torre dos Clérigos, onde Ana matou a vontade de comer um bolinho de bacalhau com vinho do Porto. 

Descemos outra vez em direção ao hotel, pois eu queria ir a um restaurante que apareceu para mim no Instagram como muito característico. Chama-se “O Buraco”. Gostamos da cara dele, entramos e comemos um bacalhau à moda da casa, uma posta alta, frita, acompanhada de batatas chips, cebola e muito azeite. Curtimos!

A vontade de aproveitar o sol era grande; por isso seguimos caminhando até a Ribeira, sem dúvida o local mais icônico da cidade. Fomos pela Rua das Flores, passamos pela beira-rio, tomamos uma cerveja em uma mesa virada para o rio, em um sábado à tarde com muita gente passeando. Foi bom ficar vendo o movimento, mas quase não dava para curtir o Douro, encoberto pela multidão que andava para lá e para cá.

O sol se foi, esfriou. Regressamos pela Av. Mouzinho, devagarinho, outra vez admirando a cidade e sua belíssima arquitetura. Pronto, viagem encerrada. Ou quase… Ainda tivemos tempo de jantar um belo sorvete na sorveteria em frente ao hotel e uma taça de vinho tinto. Combina? Eu até acho que sim…

Era isso sobre essa breve e molhada estada em Portugal. Amanhã regressamos: saímos de madrugada do hotel, viajamos o dia todo e chegamos de madrugada em casa. Que assim seja!

Ribeira - no fundo, o Douro!

Início da Rua das Flores.


Achei cadeira e sol no Mercado Porto Belo

Entrada na Adega dos Caquinhos

Adega dos Caquinhos, Guimarães


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