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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Viena, 11 e 12 de fevereiro de 2017

Fim da tarde no centro histórico de Viena
Chegamos em Viena ontem no fim da tarde. Viemos para a Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo que ocorre em Nuremberg, Alemanha. Aproveitamos para passar 3 dias aqui antes da Feira.
Schnitzel
Nosso hotel é no centro histórico o que nos permitiu dar uma caminhada ontem à noite, sob um frio de -2⁰C. Óbvio que não dá para ficar na rua em um frio como este e fomos jantar no Oswald e Kolb, uma das dicas da Bárbara, amiga da Ana que mora aqui há dez anos. É um restaurante de comida austríaca e pedi o prato recomendado pela Bárbara: schnitzel. No popular, bife à milanesa. 
Mas bom, muito bom. Ana pediu um ravioli de ricota com espinafre. Muito bom também. Mas reparem que ela já migrou para o Italiano... a Áustria, assim como Alemanha não se notabiliza pela culinária. Claro, exceção honrosa para as tortas. As tortas...
Viena é uma cidade cheia de história, mais um daqueles lugares onde os séculos convivem harmonicamente. É habitada quase que desde sempre, e os Celtas e Romanos tiveram acampamentos por aqui. Viena foi a capital do Império Austríaco e posteriormente do Império Austro-húngaro, quando do tempo da Monarquia de Habsburgo. Chegaram a imperar sobre quase metade da Europa, o que demonstra sua importância. Viena é a capital europeia mais próxima dos países que no tempo da guerra fria ficaram conhecidos como cortina de ferro, o que lhe conferiu especial importância no período pós guerra. Viena é a terra de Beethoven, Mozart, Haydn e Schubert, dentre outros, sendo conhecida como a cidade da música. 
trota de trufa...
Este parágrafo foi para dizer que hoje me senti passeando no meio de tudo isto... uma viagem dentro da viagem, quase sentimos pegar a história e seus tempos com as mãos.
Pela manhã, saímos caminhando com o Michael, marido da Bárbara, até o Café Oberlaa (www.oberlaa-wien.at), onde tomamos um belo café. Bebemos um Melange, um tipo de cappuccino típico de Viena, e torta. Uma de trufa e outra a famosa sacher. Pensa...
No almoço fomos ao Café Leopold Hawelka (www.hawelka.at/cafe/de), fundado em 1939 e ponto encontro de intelectuais e artistas vienenses durante a década de 50 do século XX. Comi goulash soup, uma sopa de carne que tenho a impressão é de origem húngara.
Mulher nua, Picasso
Depois do almoço fomos ao Museu Albertina e nos encantamos com suas exposições, tanto a permanente quanto a temporária. Picasso, Monet, Matisse, Chagall, Modigliane, e vários outros. Gosto de Museu de Arte. Não fico horas, e nem tenho conhecimento para sacar detalhes das obras, mas mesmo assim vou sempre que tenho possibilidade. 
Visitando o Albertina me lembro que aprendi que a arte é o melhor contraponto à tristeza, hoje de maneira permissiva e até leviana chamada de depressão. Para mim funciona. Nos momentos de baixa que já tive na vida, e quem não os teve, sempre fui guiado para fora do túnel pelas mãos da arte. Literatura, música de qualidade, bons filmes, museus. Museus particularmente me fazem muito bem.
Euzinho no Café Hawelka
E ainda teve o jantar. De novo o Michael colaborou e nos levou para conhecer um restaurante um pouco mais afastado chamado Fuhrgassl Huber (http://www.fuhrgassl-huber.at/buschenschank). Que lugar legal. Vendem vinho feito por eles. Ali, aprendi que Viena é a única capital do mundo que produz vinho em quantidades expressivas. Hoje tomamos um Chardornnay que me pareceu muito bom. A comida é pedida em um balcão, sendo escolhida através de um vidro, eles te servem e cobram por quilo. Eu havia jurado que não ia mais a restaurante a quilo, mas hoje abri uma exceção... é que há coisas iguais que são diferentes né?
Excelente dia em Viena. Bom que temos mais dois.


Cafe Hawelka


O famoso Hotel Sacher

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Uruguai, 23 e 24 de janeiro de 2017.


Pôr do sol em Punta Colorada... sem edição...
Me apaixonei por Punta Colorada. Sei que tenho um coração frágil, destes que se apaixona fácil por paisagens bonitas, mas Punta Colorada é demais. Os breves morros que a rodeiam, a água calma, a areia branca, e principalmente, o pôr do sol. Que pôr do sol. Como sabemos não é comum nas Américas vermos o sol se pondo no Oceano Atlântico. Mas nesta parte do litoral do Uruguai existem várias penínsulas (punta, em espanhol). Para quem não lembra, península é uma porção de terra cercada de mar por quase todos os lados. 
Pôr do sol em Punta Colorada.
E nesta parte do planeta, em determinados ângulos de uma península o Atlântico fica à oeste. Dá para conferir nas fotos que coloquei neste post. Aliás este post é para não deixar de compartilhar estas fotos do pôr do sol. Como mantenho este blog também para manter minha memória, eu não poderia correr o risco de perder esta.
Sobre nosso dia de ontem, segunda-feira, foi entre praia e praia. Com direito à pausa para almoçar na casa que alugamos, porque o sol no início da tarde se colocou meio violento
Muito bom. Gostei muito de lembrar como é agradável alugar uma casinha em um balneário. Bem acompanhado, melhor ainda.
a única foto da nossa bela noite - jogo de
tabuleiros, ao fundo os velhos e a parrilla.
E de noite ainda tive o prazer de ir na casa do meu amigo uruguaio Alberto Gómez, comer uma parrillada com sua família. Nos conhecemos ao redor da agroecologia há 25 anos e nunca tínhamos tido a chance de reunir nossas famílias. Graças às redes sociais descobri que ele estava ali e pudemos nos encontrar.
Hoje de manhã já era dia de retornar. Os mosquitos nos tiraram cedo da cama e antes de pegar a estrada em modo retorno passeamos até Punta del Leste, apenas para dar uma olhada, já que não conhecíamos. Bonita e imponente, quase majestosa, como sempre pude ver pelas fotografias e propagandas. Um pouco ao sul de Punta del Leste, chama a atenção Punta Ballena, um lugar de visual impactante.
Eram onze da manhã quando deixamos Mariane e Gabriel em Rocha, cidade à beira da Ruta 9, para eles seguirem suas aventuras em terras uruguaias. Despedida e choros e Ana, Daniel, Tiago e eu voltarmos para casa.
Punta Ballena
Agora estamos na estrada de volta, deixando o Uruguai. Entreguei a direção à Ana para ver a paisagem e escrever um pouco. Escrever me descansa.
Foi pouco mas foi bom. Me surpreendi com a beleza do litoral Uruguaio e é bem possível que eu volte. Agora, hora de pegar a direção de novo. A idade vai avançando mas sigo gostando de dirigir longas distâncias. Espero chegar em casa ainda hoje!

Pôr do sol em Punta Colorada.

Pôr do sol em Punta Colorada.

Pôr do sol em Punta Colorada.

Pôr do sol em Punta Colorada.

Só alegria...

eu e meus meninos...
Federer x Federer

Aula de parrillada com Alberto Gomez - que luxo!!!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Uruguai, 20, 21 e 22 de janeiro de 2017.


vendo o por do sol...
         E passamos um belo fim de semana em (quase toda) família pelo Uruguai. Viajamos sexta feira o dia todo, saindo de Torres antes das cinco da manhã e chegando à bela Montevidéu sete da noite. Ana, Daniel, Tiago e eu. Gabriel e Mari estavam acampando pelas praias daqui e foram à capital nos encontrar.
Montevideo de fato é uma cidade especial.
Reserva ecologia do Taim. 
      O ponto alto da viagem foi a estrada entre Rio Grande e o Chuí, que passa pela Reserva Ecológica do Taim. Local ermo e exuberante, pleno de vida. Um espetáculo.
     Ontem, sábado, passamos um longo dia flanando por Montevideo. Eu, que sou o mais jovem da delegação, acordei às cinco porque queria caminhar vendo o sol nascer na lindíssima rambla, a avenida de mais de vinte quilômetros que costeia o Rio da Plata. Um cartão postal. 
     Depois de um agradável café da manhã, com aquela prosa boa e relaxada, saímos caminhando do centro da cidade até a cidade velha. Passamos pela Av. 18 de Julio, compramos cuia no mercado dos artesões, e fomos numa feira de artesanatos e antiguidades na Plaza Matriz. Com direito a um café na livraria Mas Puro Verso. Com um nome deste vale um tempo nesta livrara né? 
Más puro verso...
         Caminhamos lentamente por 4 horas e chegamos ao Mercado del Puerto, um local que reúne dezenas de restaurantes, quase todos tendo como carro chefe uma típica parrillada. Comemos carne a la parrilla e os vegetarianos foram de legumes salteados, queijo também a la parrilla e batatas fritas. Acompanhado de uma garrafa de medio medio, uma bebida uruguaia que mescla vinho branco e espumante. Segundo entendo típica de almoço de sábado do Mercado del Puerto
Almoço no Mercado del Puerto.
        Sabe aquelas coisas típicas que não podem deixar de serem feitas? Pois almoçar sábado no Mercado del Puerto é uma delas. Como também ver o pôr do sol na rambla, onde no ângulo certo vemos o Sol mergulhar no Rio, o que nos levou quase duas horas entre boa conversa, risos comuns e suave contemplação.
      Hoje, domingo, outra vez desfrutamos o café da manhã do hotel e saímos para o Parque Rodo, onde queríamos ver a Feira de Produtos Orgânicos realizada pela Red de Agroecologia daqui, organização com quem sempre tive contato. A feira no verão diminui um pouco de movimento, mas gostei de revê-la. Da feira orgânica fomos ao Mercado Agrícola Municipal, que de agrícola mesmo tem pouco, mas têm várias bancas e lojas com comidinhas chiques. Também restaurantes, café e fast foods com uma carinha mais local. Muito agradável.
Gabriel e Tiago na Feira de produtos
orgânicos do Parque Rodo
Eram três da tarde quando saímos rumo ao litoral, direção de Punta del leste. Mas paramos em Punta Colorado. Chegamos ao entardecer, alugamos um casinha muito perto da praia, e enquanto as crianças foram ao supermercado Ana e eu fomos caminhar na charmosa praia e ver o sol se por. Que lindo lugar, fiquei encantado.
Agora estamos aqui, uma cozinhando, outros conversando e um escrevendo.
Eu estou vendo meus filhos conversando e pensando. Bom, pensar é meu hobby... 
Mercado Agrícola de Montevidéu.
       Estou pensando que nunca falei uma frase do tipo “minha família é tudo para mim”. Uma frase assim não expressa o que eu penso. Porque gosto pouco da minha família? Não, claro que não. Nunca falei porque acho que família é família e tudo é tudo... me explico? Minha família não é tudo, tudo é mais que isto. Mas fico muito contente pela vida ter me proporcionado um casamento de trinta anos e quatro filhos. Aliás, olhando para traz acho que se tenho algo que me arrependo na vida é não ter tido mais filhos. Quatro é pouco... Ter filho é muito legal. Mas tudo? Não, a vida em sua eterna e intensa generosidade nos presenteia com várias coisas, não apenas com a nossa família. Gosto de pensar assim e tentar ter olhos para ver este tudo. Muita coisa pode nos faltar na vida, mas nunca pode nos faltar tudo. Bom, vou sair desta viagem e voltar a esta minha viagem... Recomendo fácil um passeio por Montevidéu e por Punta Colorada
conversa na casa de praia...
Este ar praiano ao sul do mundo é muito interessante, talvez pela paisagem ampla e os dias longos. Amanhã teremos o dia todo de praia, terça já temos que voltar. Amanhã conto mais. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Santiago do Chile, 10 e 11 de dezembro de 2016


Visual desde a propriedade orgênica de
Andrea Tuckek e filhas, Catemu.
 
Sábado é dia de feira e o nosso começou pela Ecoferia La Reina, uma feira de produtos orgânicos que ocorre em um parque municipal chamado Aldea del Encuentro.
Ecoferia La Reina
Visitamos a feira calmamente, conversando com os produtores e participando de um bate papo com consumidores. Comprei amêndoas, nozes, maçã seca e tomei café. E assim foi até a uma da tarde, quando deixamos a feira para almoçar na cooperativa La Canasta, uma iniciativa de consumidores que se organizam para terem acesso a produtos de qualidade com preços mais acessíveis. Passamos algumas horas entre empanadas, suco de maçã e conversando sobre possíveis caminhos para o desenvolvimento da agricultura ecológica e da certificação participativa no Chile. Chegamos ao hotel já no fim da tarde.
Uma das frases nas paredes do
The Clinic
O hotel está perto do bairro Bella Vista, lugar que reúne inúmeros bares e restaurantes. Começamos a night passeando pelo interessante Pátio Bella Vista, um centro comercial com uma variedade de lojas com artesanatos e locais para comer ou beber. Mas acabamos optando pela comida chilena do tradicional Galindo. Tradicional nem sempre significa qualidade. Este foi um exemplo. Como a opção de comida não foi boa, fomos tomar algo no The Clinic. Este sim, muito legal. The Clinic é o nome de uma revista semanal chilena, que mistura sátira e humor em suas notícias, comentários e análises políticas. O nome é inspirado na clínica na qual o ditador Augusto Pinochet ficou quando foi preso em Londres, no fim do século passado. Possivelmente em função de seu sucesso e boa imagem, se aventuraram em uma cadeia de bares, que tem como tema o mesmo tom satírico da revista, acompanhado de bom gosto na decoração e no mobiliário. Com um bom e divertido cardápio. Ótimas frases espalhadas pelas paredes. Tão legal que o papo aí se esticou até as três da manhã.
Foto ofical do dia!!!
E hoje, domingo, fomos para a propriedade de Andrea Tuczek, uma das pioneiras da agricultura orgânica aqui no Chile e a quem conheço há 20 anos. Fica em Catemu, na região de Val Paraíso, no famoso Vale do Aconcagua. Visitamos toda sua produção, acompanhando uma visita de verificação feita por um outro agricultor da associação Tierra Viva. Além dos cinco estrangeiros que estamos juntos toda a semana (Vanessa do México, Jose, Bolíviano, Matilde, Argentina e Rafael e eu, brasileiros), alguns sócios de Tierra Viva também estavam presentes. A propriedade é muito bonita, envolta em uma linda cadeia de montanhas. Plantam uma incrível diversidade de coisas, como folhosas, batata, tomate, feijões, batata doce, morango, marmelo, ameixa e muito mais. Processam algumas frutas em geleias e sucos. Pela primeira vez na vida comi damasco fresco. Delicioso.
Almoço luxuoso...
Almoçamos um cordeiro magallanico, acompanhado de saladas frescas e verduras assadas em forno de barro. Toda a preparação capitaneada pelas duas filhas e genros da Andrea, um deles chef, que sabia perfeitamente o que estava fazendo. O almoço foi acompanhado de suco de morango, que são produzidos por eles, e um bom vinho biodinâmico, chamado Emiliana. De sobremesa leche asado, que os próprios anfitriões definiram como um pudim que deu errado. Muito bom. Para fechar, cola de mono, uma bebida muito típica aqui, consumida principalmente nas festas de fim de ano, à base de leite, açúcar, aguardente, baunilha, cravo, canela e café. Tudo isto à sombra de uma árvore.  Maxim's ou Fasano que me deem licença, mas isto sim é luxuoso!
Com toda esta verdadeira festa de babette, começamos a comer às três da tarde e terminamos às sete... claro, tudo entremeado por boas conversas, com seus momentos mais e menos sérios. Chave de damasco fresco orgânico para uma proveitosa e agradável semana de trabalho no Chile. Ficamos todos com a sensação de nos ter faltado uns dias mais. Outra vez será.
cordero magallanico

Verduras ao fogão de lenha

Leche Asado
deixando o registro...

Almoço no La Canasta

sábado, 10 de dezembro de 2016

Santiago do Chile, 08 e 09 de dezembro de 2016

Visual desde La Almendra
Ontem saímos de Santiago em direção ao Sul. Menos de uma hora e estávamos na parcela (o nome que os chilenos usam para sítio, propriedade, granja, finca) de Mônica, uma amiga chilena produtora de morango, arándano, aspargos, abacate, hortaliças, amêndoas e outras coisinhas mais. Sua parcela fica na comunidade de Paina, na região metropolitana de Santiago
Depois de uma pequena reunião com alguns sócios de Tierra Viva, a associação de produtores orgânicos que estaremos visitando esta semana no Chile, fomos olhar seus cultivos.
Estufa com hortliças, na parcela da Monica
Mónica entrou para Tierra Viva em 2010, pouco tempo depois de definir produzir de forma orgânica e viver nas terras de sua família. Tierra Viva surgiu em 1992, com um grupo de 30 pessoas, entre produtores e apoiadores. É a mais antiga agremiação de Produtores Orgânicos do país. Nestes quase 25 anos, muitos saíram, outros entraram, e hoje contam com o mesmo número, 30, de produtores certificados.
Casa de Hugo e Marcela
Nesta reunião, Ramón, um dos técnicos que se envolve com Tierra Viva, mencionou que seu trabalho de manejo do solo se baseia nos 3M - Matéria orgânica, Microrganismos e Minerais. Gostei disto.
Conversando, um outro sócio de Tierra Viva, Francisco, nos contou que a produtividade de morango aqui no Chile nos últimos 40 anos passou de 10 para 100 toneladas por hectare. Como? Tecnologia. Estou seguro que uma mescla de tecnologias mais e menos limpas. Não sei dizer quanto os adubos químicos e os consequentes agrotóxicos representam neste aumento. Eu diria que uma menor parte. Em outras palavras, acredito que com a agricultura orgânica se pode/poderia obter um incremento de produtividade, se não igual, ao menos semelhante. 
Detalhes estéticos: casca das amêndoas
servindo de caminho.
Depois de visitar Mônica e acompanhar o processo de certificação participativa feito realizado pelo Francisco, fomos visitar o casal Hugo e Marcela, donos da empresa El Almendro, que como nos indica o nome se dedica à produção de amêndoas orgânicas. Deliciosas. Aí almoçamos, conversamos e outra vez participamos de uma visita de avaliação da qualidade orgânica de sua proodução, desta vez feita por Mônica, responsabilizada por Tierra Viva para esta tarefa.
O lugar é lindíssimo, e o bom gosto de Hugo e Marcela se nota no cuidado com cada canto da propriedade e da casa, toda feita com grossas paredes de barro e uma arquitetura que privilegia a paisagem que a circunda.
Reunião com os representantes sdo SAG - Serviço
Agrícola e Gandeiro
Hoje amanheceu lindo, cinzento e com uma chuva fina. Quase frio. Este tempo permaneceu por todo o dia. Pela manhã usamos o organizado metro de Santiago para irmos a uma reunião no Ministério da Agricultura. Lá ouvimos uma apresentação e ficamos sabendo da situação da agricultura orgânica por aqui. Segundo Cláudio, o responsável na estrutura de governo por este assunto, tanto a oferta quanto a demanda vêm crescendo nos últimos anos. Hoje são 130 mil hectares certificados como orgânicos, sendo quase 90'% oriundo da coleta silvestre, de frutos como maqui (aristotelia chilensis). Maqui é uma frutinha original do sul do país, consumida ancestralmente pela etnia Mapuche, que também reconhecia as múltiplas propriedades medicinais de suas folhas.
Uma boa parte desta produção orgânica no Chile é exportada, principalmente frutas frescas e vinhos.
Conversa com Reinaldo, em sua casa  comércio.
Ainda antes do almoço fomos ao pequeno comércio de um conhecido de muitos anos, Reinaldo, que nos contou de sua trajetória de promotor da agroecologia no Chile e das razões pelas quais optou por se tornar um comerciante de produtos ecológicos.
O almoço foi em um restaurante na calle Holanda, chamado La Fraternal e aí ficamos, até as seis da tarde, conversando com representantes de organizações de produção ecológica sobre a realidade chilena na produção e a comparando com outros países latino-americanos.
E ainda tivemos força para jantar no Liguria, um bar – restaurante que fica perto do nosso hotel, o Íbis Providência. Gostei muito do lugar, além da boa comida e do bom atendimento, uma decoração carregada, buscando reproduzir o kitchie marcante de uma casa de pueblo chilena. E aí ficamos, entre comidas e bebidas até as duas da manhã. Minha carruagem virou abóbora e eu nem percebi...

Um dos ambientes na El Almendro

Nosso almoço no campo



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Santiago, 07 de dezembro de 2016.

La Chacona
Meu dia foi quase todo passeando por Santiago. É uma capital bonita, entrecortada por morros e ladeada pelos Andes. Por onde andei, ruas bem cuidadas e arborizadas. Vários parques colocam ainda mais verde na paisagem urbana. 
Rua no Bella Vista
Saí do meu hotel, no bairro Providencia, e fui direto à casa de Neruda, que fica em Bella Vista. Antigamente Bella Vista seria chamado de bairro boêmio, mas hoje deve ser cool, hipster, descolado, milênio - sei lá. Minha filha sempre tenta me explicar as diferenças mas eu não entendo. Vou ficar com legal. Bella Vista é um bairro muito legal. E é lá que está La Chacona, uma das três casas onde morou o poeta Pablo Neruda, um dos maiores escritores do século XX, e que hoje funcionam como museus. As outras são La Sebastiana em Val Paraíso e Isla Negra, que fica nesta ilha decantada por ele em seus versos. Chacona é um nome quéchua que significa descabelada, apelido pelo qual Neruda chamava a Matilde Urrutia, sua amante que se converteu na última das três esposas que ele teve e com quem ficou até sua morte, em 1973. 
Rivera retrato a Matilde de perfil e frente
no mesmo quadro. De quebra,colocou
um perfil de Neruda em seu cabelo
Sempre acho inebriante estes espaços, onde podemos entrar em algo da atmosfera e na vida destes personagens tão marcantes. Seu espírito irrequieto, seu senso estético e sua cultura se fazem notar em cada espaço da casa. Além de suas notáveis amizades, como com Diego Rivera, grande artista mexicano. Na parede de um dos cômodos da casa vemos um quadro pintado por ele com um retrato bastante original de Matilde.
Passei o dia com uma dose de emoção tilintando em mim, por esta visita a Neruda. Não é dos poetas que mais li, mas sua vida e obra emocionam. Ele no "O carteiro e o poeta", ensinando o carteiro a fazer verso. Ou nos deixando algo como: "Amo o amor dos marinheiros, que beijam e se vão / em cada porto uma mulher os espera / os marinheiros beijam e se vão / um dia, deitam-se com a morte no leito do mar". Ou "porque em noite como estas eu a tive entre meus braços / ... / é tão curto o amor e tão longo o esquecimento". Ou militando com Diego Rivera e García Lorca por um mundo mais justo. Sim, não é à toa que me emocionei.
Visual do Mercado La Vega
Acompanhado de uma gostosa nostalgia, saí de La Chacona e fui andando pela rua Antônia Lopez de Bella, passando por uma zona de intenso comércio popular e cheguei ao Mercado La Vega. Um dos maiores que já vi, acho que porque mistura atacado e varejo de frutas, hortaliças, nozes, castanhas, frutas secas. Mas vende tudo, carne, peixe, cereais, comidas para cachorro, roupas, e por aí vai. Para quem gosta de ambientes organizados e cheirosos, não recomendo. Mas bem oportuno para ver e sentir algo local, seus produtos e dinâmica de negociação. Eu gostei muito de conhecer.
Segui caminhando, passei pelo Mercado Municipal, agora transformado quase todo em um espaço para restaurantes mais turísticos. Este sim, mais tranquilo e organizado. e com algumas lindas bancas de peixes e frutos do mar, frescos.
Mercado Municipal de Santiago
Do Mercado Municipal segui pelo Paseo Puente, um dos calçadões no centro da cidade, até a Plaza Mayor. Muita gente, limpa e organizada, rodeada por seus palácios políticos e religiosos. Segui caminhando pelo centro, com paradas para almoço e cafés. Ainda com a atmosfera que Neruda me deixou, resolvi ir ao Museu de Belas Artes de Santiago. Por alguma razão acho que melancolia e arte combinam. 
Bonito o Museu, tanto o prédio como suas coleções. Destaque para José Pedro Godoy e sua exposição intitulada "História Violenta e Luminosa".
Godoy, História Violenta e Luminosa.
Fim do dia encontrei aqueles que me acompanharão esta semana aqui no Chile. José, boliviano, Rafael, brasileiro, Matilde, argentina. Na madrugada chega Vanessa, mexicana. 
Estamos aqui para mais uma etapa do intercâmbio entre Sistemas Participativos de Garantia para a produção ecológica, que o Centro Ecológico, organização que trabalho, está apoiando. Quinta e última etapa, depois de Bolívia, Brasil, México e Peru.

Cheguei um dia antes exatamente para rever um pouco da cidade, já que a última vez que estive aqui foi em 2007. Quase tinha me esquecido como Santiago é um ótimo lugar para se estar. Amanhã vamos visitar propriedades orgânicas. Pouco bom!

Azeitonas, no La Vega

Peixes, no Mercado Municipal de Santiago