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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Heidelberg, 16, 17 e 18 de fevereiro de 2019


Meio da manha, os cafés já estavam cheios. Não resisti
e parei para um expresso, de toca e casaco preto.
Passamos, Ana e eu, estes dois últimos dias em Heidelberg, uma linda cidade que dista apenas uma hora de Frankfurt, de onde hoje retornaremos para casa.
O lugar é absolutamente interessante e sobretudo bonita, muito bonita. Claro que os dias de sol ajudam -  frio quase agradável, temperatura de 3 a 6 graus, que não se faz sentir muito pela pouca umidade do ar e, claro, por um bom casaco.
Uma das famosas fachadas do Palácio
Heidelberg é famosa por seu Castelo. E esta fama se justifica. O Castelo, na verdade ruínas de um, é muito lindo. A vista lá de cima, com a cidade toda a seus pés é, para ficar no lugar comum, de tirar o fôlego. Destaque para o Rio Neckar se exibindo de forma serena, enquanto corta o vale na qual a cidade se desenvolveu,
Pequeno, abaixo, à direita, a fórmula
Nestes dias o que fizemos foi passear. Caminhando todo o tempo. Ou quase todo o tempo, pois por sorte há um ônibus para subir a Castelo. Antes, passamos pela praça principal onde entramos na Igreja do Espírito Santo - Igreja Luterana, que são normalmente mais sóbrias, exibindo menos riquezas, do que as católicas. Nesta há um detalhe especialíssimo. Um dos seus vitrais exibe, de forma quase discreta, a fórmula das fórmulas, e=mc². Demais. Não sei qual o sentido, mas ver ciência e religião no mesmo espaço é sempre interessante. Para mim, também esperançoso.
Desta Igreja caminhamos pela ponte velha e subimos o caminho dos filósofos, assim chamado por que estudantes de filosofia da Universidade de Heidelberg, a mais antiga ainda em funcionamento na Alemanha, achavam inspirador passar por este lugar. Além destes passeios, caminhar pela rua principal da cidade velha, por toda sua extensão que dever ser de uns dois quilômetros, é muito agradável.
Que lugar!!! Dona Ana mandando cartão postal...
Domingo à tarde, sol brilhando, sentamos à uma destas mesas colocadas pelos restaurantes e cafés no meio da praça. Cheio de gente, sentada e passeando. Sol e frio, com cobertores sendo disponibilizados em todas as cadeiras. Nesta atmosfera para lá de agradável, tomamos água e um bom café. Em um local como esse fui obrigado a ficar escrevendo, atualmente meu esporte favorito. O ambiente muito inspirador.
Depois que o sol se foi, ainda tivemos tempo para jantar. Eu comi um joelho de porco. Que ignorância, enorme. Delicioso, mas comi só um terço dele. Acho que foi o último da minha vida, já não tenho mais disposição para tanto. Acompanhado de uma cerveja, que aqui na Alemanha se faz quase obrigatória. Uma curiosidade é que nos cardápios normalmente a cerveja é mais barata que a água ou refrigerante. Ou seja bebe-se não por gosto, mas por questão de economia. 
A farmácia do Castelo. Demais!!!
Não consegui transmitir neste post o quanto gostamos de Heidelberg. Vou deixar mais fotos como forma de compensação. Mas, sem dúvida, recomendo fortemente. Quem tiver a oportunidade deve vir e dormir ao menos uma noite. Entra no hall das minhas cidades favoritas da Alemanha! Fui!  Nem sei qual minha próxima viagem internacional - por enquanto o blog está em recesso.
Uma última coisa: os chineses tomaram conta dos aeroportos e pontos turísticos do mundo! Impressionante!!!

Aspecto do Museu da Farmácia, no Castelo

Ainda o Museu da Farmácia, no Castelo

Outra fachada do Palácio.

Igreja do Espírito Santo


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Nuremberg, 15 de fevereiro de 2019



Mais de mil novos produtos foram apresentados este ano
Terceiro dia de Biofach. A maior feira de produtos orgânicos do mundo. Aqui se reúnem produtores, comercializadores, certificadores e empresas que desejam importar matérias primas ou comprar produtos processados. Também quem trabalha com máquinas, equipamentos ou embalagens de interesse do setor. Consultores, pesquisadores ou membros de ONGs, como eu, são cada vez mais raros. Ao longo dos anos, a feira se fez mais ligada ao negócio, menos ao idealismo que originalmente caracterizou o movimento de Agricultura Orgânica. Para quem ainda acha que este negócio de agricultura orgânica é coisa de poetas e sonhadores, como se o mundo pudesse desses prescindir, vir aqui pode ser uma surpresa. Os poetas e sonhadores perderam espaço, o business as usual se sobrepôs.
Povo local, fazendo sua cerveja e vendendo na
Alemanha - agricultura orgânica roots na Biofach!
Eu, que se tivesse que escolher me colocaria mais ao lado da poesia que do ouro, não creio tanto nesta divisão. Existe um espaço de interseção nestes, mundos que geram iniciativas muito interessantes. Hippies que se fizeram empresários e empresários que começaram a ver seu negócio para além do sucesso financeiro, criaram e seguem criando empreendimentos prósperos e promissores, gerando bem estar para muita gente. Na Biofach existem muitos exemplos. Um prazer conversar com eles e descobrir suas motivações.
O negócio da Agricultura Orgânica cresceu muito. Já falei ontem aqui no blog que no mundo são 70 milhões de hectares reconhecidos como de cultivos orgânicos, números de 2017. Neste mesmo ano o mercado girou em torno de 100 bilhões de dólares.
Presença do Brasil na Biofach
O número de agricultores certificados como orgânicos também cresceu bastante. São quase três milhões em todo o mundo. O país que lidera é a Índia, com 835 mil. Uganda em segundo lugar com pouco mais do que 210 mil, México em terceiro, com 210 mil e em quarto lugar Etiópia, com 204 ml agricultores certificados como orgânicos. Nesta estatística Brasil parece com 15 mil produtores.
Número que considero interessante são os EUA: menos de 15 mil hectares certificados, cerca de 0,5% da sua área agricultável considerada orgânica, mas detém 45% do mercado mundial destes produtos. Ou seja, por um lado os produtores estadunidenses terão que acordar para a expressiva demanda dos seus consumidores, por outro o país seguirá como ativo importador de produtos orgânicos por um bom tempo.
AmazoniaBio, empresa com sede na Europa e que vende
produtos amazônicos
Falando um pouco do Brasil, a presença é a mais tímida que vi desde 2003, primeira vez que estive na feira. O apoio que sempre foi dado para que organizações de agricultores familiares se fizessem presente desapareceu. Algumas empresas vieram por conta própria. Vendendo açúcar, castanha de caju, grãos, mel, baru, matérias primas para cosméticos. Mas, dentro do que vi, os produtos amazônicos se sobressaem. Possuem grande apelo sócio ambiental no mercado europeu, norte-americano ou japonês, além de muitas vezes um reconhecido valor nutricional. Castanha do Pará e, principalmente, açaí. Tanto em polpa quanto em pó. Também cupuaçu, pupunha, guaraná. Empresas como Amazon 100%, com sede em Belém e uma espécie de subsidiária em Liége, na Bélgica, para distribuir com mais facilidade no mercado europeu este produtos originários da Amazônia. 
Amazon 100%, stand do Brasil.
Ou a Petruz, que vende açaí há um tempo e recentemente entrou no mundo dos orgânicos. A Plantus vende óleos essenciais, muitos deles de produtos do Norte do país. Esta ideia de que a economia da Amazônia pode ser pujante com suas árvores de pé é muito interessante e deveria ser melhor avaliada e explorada. Crer na soja como elemento de desenvolvimento para a região Norte do Brasil e seu povo é de um primarismo que eu imaginava já superado. Não. Infelizmente esta visão, que simboliza um modelo que foi mas nunca deveria haver sido, está vigorosa e tem no atual governo e seu mal informado ministro do meio ambiente um defensor. Lástima.
Açaí bombando, esta empresa é de Porto Rico
Bom, me deprimi agora, falando sobre isso. Acho que vou ter que caminhar um pouco mais, comer uns chocolates, uns queijinhos e quem sabe tomar uma taça de vinho. Tudo isto orgânico e de graça... pensa se eu gosto!
Hoje à noite tem uma tradicional janta na própria feira, meio que de despedida. Comilança orgânica para mais de mil pessoas. Amanhã a Biofach funciona à meia pressão, muitos expositores desde cedo se preparando para regressar à casa. Mais uma edição terminou, quem sabe ano que vem retorno. Agora é regressar ao trabalho cotidiano e dar um jeito deste ano ser um bom ano, mesmo com perspectivas pouco alvissareiras.
Castanha do Pará, stand da Bolívia


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Nuremberg, 14 de fevereiro de 2019

Biofach bombando. Bioland é uma importante associação alemã
de produtores orgânicos
Segundo dia de Biofach, uma feira mundial de produtos orgânicos. Sua edição principal ocorre sempre nos meses de fevereiro em Nuremberg, mas existem edições menores e regionalizadas no Brasil, EUA, India e China. Visitá-la é um pouco ver a Disneylândia da agricultura orgânica: tudo bonito, bem organizado, qualidade acima da média e apostas seguras no futuro do setor.
Área específica para veganos na feira. 
Uma das notícias que temos sempre na Biofach são os números atualizados do desenvolvimento da Agricultura Orgânica ao redor do mundo. Ontem comentei que o mercado em 2017, última referência que temos, foi de 97 bilhões de dólares. Um aumento da ordem de dez por cento comparado a 2016. Já o crescimento da área cultivada com produtos orgânicos foi mais significativo: 20%. Saltou de 58 para 70 milhões de hectares.
Muitos cogumelos nas feira.
Austrália segue sendo disparado o país com a maior área certificado como orgânica, impressionantes 36 milhões. Seguida da Argentina, com 3,4 milhões, China com 3,02 e Espanha com 2,08. EUA está em quinto lugar, com 2.06 hectares reportados como orgânicos. 
Quem acompanha o setor sabe que no caso da Austrália são grandes fazendas pecuárias, enormes extensões e baixíssima produtividade. No caso da Argentina não é tão diferente. Se quisermos ser duros podemos falar que certificam desertos de avião e chegam a estes números. Na Austrália, 9% de sua área considerada agrícola é certificada como orgânica. Para termos uma referência, nos EUA, que tem metade do mercado mundial de produtos orgânicos, apenas 0,6% da sua área é certificada como orgânica. Relativo ao Brasil, este estudo afirma que 0,4%, da área agricultável é orgânica. Pode ser, mas não me arrisco a garantir isto, baseado na pouca informação que temos. Creio que este número está um pouco subestimado. 

Cerveja aromatizada com maconha.
Galera quer aproveitar a onda...
Números de um determinado setor para revelarem algo devem ser cruzados, sempre. Não é meu objetivo neste blog exaurir o assunto. Mas vou contar que Liechtenstein é o país com maior percentual de área orgânica no mundo: 38%. Mas é uma país muito pequeno, com apenas três mil hectares de áreas cultiváveis. Assim, me diz mais que Itália tenha pouco mais de 15% certificado como orgânicos, estando em sétimo lugar no mundo neste quesito. Os italianos já tem quase dois milhões de hectares cultivados organicamente, o que coloca-os em sexto lugar na lista dos países com áreas certificada como orgânicas. E isto é algo que se vê aqui na feira, produtos italianos são quase maioria, perdendo apenas, obviamente, para os alemães.
Voltando à lista dos países com maior percentual de área orgânicas, em segundo lugar está Samoa, com 37,6%, seguido de Áustria com 24%, Estônia com 20,5%, Suécia com 18,8%. Em sexto lugar o pequeno e charmoso país São Tomé e Príncipe, com seu café e cacau de alta qualidade. Dezoito por cento da área agricultável destas ilhas que ficam no continente africano são orgânicas. Aliás, hoje comi um chocolate 75% cacau, de uma fábrica alemã, Kakao, matéria prima de São Tomé e Príncipe, delicioso. Aqui cada vez mais os chocolates identificam a origem da matéria prima.
Cadeia que aposta nos produtos orgânicos sem
embalagens plásticas: www.ekoplaza.nl/
Amanhã falo um pouco sobre número de agricultores considerados orgânicos ao redor do mundo. Mas vou adiantar algo, mais uma vez para demonstrar como números devem ser cuidadosamente analisados para dizerem algo que seja mais conforme à realidade. Na Austrália são dois mil produtores. Ou seja, 18 mil hectares em média, por produtor. Na Índia são 835 mil produtores. Sua área de produção orgânica é de 1.780.00 hectares. Pouco mais de dois hectares por produtor. Vou repetir: cada produtor orgânico Australiano tem em média 18 mil hectares. O indiano, 2. Também este número tem que ser analisado, não é por isto que um está nove mil vezes mais rico o que o outro, mas nos fala algo sobre o mundo!
Faltam só 1680 produtos, de 5000,
para ser um mercado livre de plásticos
Algo interessante que vi hoje na feira foi o stand de um mercado holandês, que pretende ser plastic free, ou seja, livre de plásticos. Sempre bom ouvir isto... a cada dia eles avançam nesta proposta, e colocam um grande painel na frente da loja e na página web falando dos seus avanços. Comercializam cinco mil itens e agora só faltam 1680 para atingirem seu objetivo. Eles apoiam também os fornecedores para que estes possam trocar suas embalagens no sentido de se libertarem do plástico.  Legal né? O mundo agradece.
No fim do dia, como sempre ocorre nas quintas-feiras, alguns estandes oferecem comidinhas e bebidinhas a amigos e clientes. Orgânicas, claro. Hoje inclusive a festa do FIbl foi turbinada, exatamente para comemorar vinte anos de trabalho nestas estatísticas da agricultura orgânica. Eles merecem festejar, sorte minha estar na hora e local certo.
Amanhã conto mais!
Linda banca espanhola de verduras

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Nuremberg, 13 de fevereiro de 2019



Visual do stand com produtos da África, ao fundo, 
stand da região de Piemonte
Outra vez estou na Biofach, a feira de produtos orgânicos mais importante do mundo. Ocorre todos os anos, em Nuremberg, Alemanha. Venho sempre para ver as tendências novas, conversar e analisar como anda o movimento de agricultura orgânica ao redor do mundo.
Veganos na Biofach
Para começar, vou repetir que esta feira, de cara, com seus 30 mil metros quadrados de área, serve para demonstrar o quão equivocada é a pergunta se é possível produzir este ou aquele produto, nesta ou naquela quantidade, com boa produtividade e sucesso econômico, usando as técnicas da agricultura orgânica. Vindo aqui pode-se ter a dimensão da pujança deste setor, que em 2019, deverá movimentar cerca de 120 bilhões de dólares. Quase todos os países do mundo estão aqui representados, e a diversidade, quantidade e qualidade dos produtos comercializados impressiona qualquer um.
Sei que falar que uma pergunta é equivocada guarda uma dose de arrogância. Mas conheço minha área de atuação profissional e sei que muitos que fazem este questionamento escondem seus reais interesses, isto é, duvidar da viabilidade técnica da agricultura orgânica e manter seu lucrativo mercado de produção e comercialização de venenos agrícolas.
A onda desta banca é beterraba - promovem seu consumo,
de diferentes formas
Neste primeiro dia de feira, que tem quatro de duração, caminhei muito buscando o que meus olhos sempre buscam neste momento: novas tendências. Confesso que não achei. Em outros anos vi esta feira adiantar a onda do sem glúten, do vegano ou dos “superfoods”. Hoje vejo tudo isto aqui consolidado e, assim, não sinto que pode ser chamado exatamente de novo.
Como sempre, no primeiro dia, Ifoam - Organics Internacional , organização com membros em mais de cem países e Fibl, importante instituto de pesquisa Suíço, lançam os dados sobre agricultura orgânica no mundo. Assim, hoje tivemos acesso aos números de 2017. Acompanhar estas informações é muito oportuno para irmos analisando onde estamos, a evolução do setor e refletir sobre caminhos a serem seguidos.
Julia Lernould apresentando os dados da agricultura
orgânica no mundo
Começando pelo número mais importante, o mercado mundial de produtos orgânicos foi estimado em 97 bilhões de dólares em 2017. Um aumento de dez por cento em relação ao ano anterior. Para uma referência histórica, em 2003 o número global era de 25 bilhões de dólares, em 2008, 50,9 bilhões e, em 2013, 72 bilhões de dólares.
Voltando a falar dos números hoje apresentados, 2017, o que mudou pouco é a presença da América do Norte no mercado mundial de produtos orgânicos, principalmente EUA, que concentra 50% deste valor. Europa tem 42% do total, e todos os outros países do mundo somados detêm 8% do mercado de produtos orgânicos. O primeiro entre os europeus é a Alemanha, que movimentou 11,3 bilhões de dólares em vendas de produtos orgânicos seguido da França, com um mercado de 9 bilhões de dólares. O fato é que este é o setor que mais cresce dentre os alimentícios, com impressionantes oito a dez por cento ao ano.
Amanhã falo mais de números.
Bolsinha sendo distribuída!
Mudando de assunto, nesta feira sempre ouço coisas interessantes. Hoje, em uma reunião com Flávia, da Ifoam, soube que ela foi convidada a participar em uma reunião em Londres, para discutir sobre “Fair Trade options for Cannabis”, ou “ Opções de Comércio Justo para Cannabis” e os organizadores queriam saber mais sobre os Sistemas Participativos de Garantia como instrumento de avaliação da conformidade destes produtos, buscando que o comércio ilegal possa transitar para caminhos legais que permitam a venda de um cultivo que é importante fonte de renda para produtores em muitas regiões do mundo. O detalhe é que, como o uso da legal da cannabis é prioritariamente medicinal, a produção orgânica destes produtos é um requisito. Este mundo é cheio de histórias...
Fora tudo isto, provar chocolates, queijos, biscoitinhos e dezenas de outras guloseimas mais. A curiosidade do dia ficou para uma geleia de azeite de olivas. Boa, doce, com gosto de azeitona ao fundo. Espanhol é assim, vê olivas por onde anda.
Tá bom por hoje, amanhã conto mais. Adianto que a área com produção orgânica cresce 20% de um ano ao outro, atingindo agora 70 milhões de hectares.
Restaurante do meu hotel, onde jantei, super local, um espetáculo!!!
Seis da tarde, fim da feira. Hora de sair dos pavilhões. Lá fora noite estrelada e temperatura de dois graus. Vamos comer no hotel mesmo, que é muito simples, mas tem um belo restaurante, frequentado por pessoas locais, com comidas tipicas da Bavária, da Franconia e Austríaca. Bom demais! 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Barcelona, 09 a 12 de fevereiro de 2019

Casa Batló, Barcelona

Passamos os últimos três dias em Barcelona. Uma parada em direção à Nuremberg, onde pela 13 vez participarei da Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo.
Barcelona é de fato uma cidade muito interessante. Dentre tantos encantos, se me pedissem para escolher um, optaria pela arquitetura. Edifícios sólidos, não muito altos, sacadas charmosas com grades de ferro em quase todas as janelas. O detalhe das esquinas não serem em noventa graus, mas sextavadas, é muito interessante, deixando os prédios com três fachadas de frente ao invés de duas. Cores pastéis por vezes salpicadas de azulejos coloridos ajudam a dar vida às fachadas. Vasos com flores e folhas nas pequenas varandas cumprem o mesmo papel. No bairro de Ravel, o qual gostei muito, roupas dependuradas também dizem algo de quem vive por trás das janelas e, de certa forma, dão um toque napolitano ao ambiente. 
Passeio de Gracie, uma das mais lindas avenidas
Andar pelas avenidas, como o Passeio de Gracie, e ruas menores, como a Carrer del Hospital, é muito prazeroso. Pessoas de muitas nacionalidades andam lado a lado, reafirmando o que já se sabe, a cidade é de fato muito cosmopolita. E muitos turistas, principalmente orientais, como chineses, coreanos e, em muito menor número, japoneses. Esta geopolítica do turismo mudou. Tenho idade suficiente para dizer que chineses não viajavam ao ocidente e traços orientais eram imediatamente associados a japoneses. Não é mais assim e a presença de chineses, normalmente em grandes grupos, tirando muitas fotos e conversando alto é uma constante nos pontos turísticos ao redor do mundo.
Interior da Sagrada Família
Quando viajo, sempre fico na dúvida entre fazer o que todos os turistas fazem ou buscar pontos que são mais frequentados pelos moradores locais. Já aprendi que uma mescla é uma boa solução para este pouco importante impasse. Sentir um pouco como o povo local vive é muito agradável. Mas os pontos turísticos intensamente visitados o são porquê de fato são muito interessantes. O Templo Expiatório da Sagrada Família não foge à regra. Imperdível é a palavra que me ocorre.
O tal do Gaudí é um louco. No melhor sentido do termo. Totalmente fora dos padrões, um profanador do estabelecido. Nestes dias em Barcelona me atrevi a escrever um conto no qual Gaudí é tratado como Mestre e o personagem está convencido que veio de outro planeta para nos ensinar as formas do futuro. Escrevi pela boca do personagem o que eu acho: Gaudí não é deste planeta.
Exterior da Sagrada Família
Como nota negativa vou comentar sobre as entradas para os principais pontos turísticos. São caras e difíceis. Temos que comprar pela internet e marcar hora para entrar, com tolerância de apenas trinta minutos, o que gera um compromisso que pouco combina com o relaxamento requerido em uns dias de férias. E muitos custam 25, podendo chegar até 50 euros, dependendo do local e da presença ou não de guias. Multiplica por duas pessoas e três lugares, pode-se gastar mil reais em um dia só em ingressos. Meio muito, está parte não achei bonitinha.
Bom passeio, e gratuito, é a Rambla, a avenida mais movimentada da cidade. Bares, restaurantes, lojas e bancas de souvenirs, sorveterias e, de novo, muitos turistas. 
La Boqueriía - Jamon e jamon, é uma instituição na espanha
Em certo instante chega-se a o mercado la boquería, à direita de quem está descendo. O estômago, ou o bolso, não nos permite provar todos os convites feitos pela beleza sedutora dos alimentos oferecidos e avidamente aceitos pelos olhos. São dezenas de bancas com comidas prontas para levar ou comer no local, além de frutas, verduras, carnes e dezenas de ingredientes para comidas específicas, com destaque para a paella. Aliás, cometi a heresia de vir à Barcelona e não comer uma paella. Ana sim, fez até um curso rápido de como preparar uma. Eu não fiz e acabei mais seduzido pelas tablas de jamons y quesos, o que não é incomum no meu caso. Só não provei o mais caro de todos, o jamon de belota, vendido à 24 euros cada cem gramas. Algo como 1100 reais um quilo de presunto. Que onda né?
Banca só de pimentas - La Boquería.
Ainda falando em comida, nossa melhor refeição foi no restaurante Viana, no bairro Gótico, em um lugar pequeno mas agradável. E com uma comida estonteante. Comemos um prato à base de polvo e outro de burrata, mas preparados de uma maneira toda especial. Voltaria para provar o bacalhau ao molho de laranja, ficou o desejo.
Era isso sobre Barcelona, vou ficar por aqui. Ainda poderia falar do Parque Guell, do movimentado porto, da feirinha orgânica que achamos no sábado de manhã ou dos deliciosos torrones de chocolate. Mas quando voltar, se é que volto, conto mais detalhes. 

domingo, 16 de dezembro de 2018

Riobamba, 14, 15 e 16 de dezembro de 2018

Neve no Equador - cinco mil metros de altura, no Chimborazo

Saí hoje de Riobamba, capital da província de Chimborazo, na região da serra central do Equador. Foram quatro dias de trabalho e um belo sábado de passeio. Ontem, fazendo jus ao lugar que estou, fui ao Chimborazo, a montanha mais alta do mundo, se medida a partir do centro da terra. Ontem cheguei a 5.100 dos seus 6247 metros sobre o nível do mar. O que posso dizer, com licença ao trocadilho quase infame, é que é de tirar o fôlego.

Chimborazo visto da entrada do Parque.
Fui levado por um casal amigo que vive aqui, Vicente e Priscila. Excelentes guias. Já no caminho a paisagem é deslumbrante, pois saímos de Riobamba, a 2800 de altitude e chegamos, de carro, ao parque que abriga o Vulcão, a 4800 metros. No caminho, montanhas altas que são alcançadas, ultrapassadas e se fazem encostas de vales profundos, muitas delas cultivadas por favas, batatas, ervilhas, alfafas para os cuys, as preás tão apreciadas da culinária andina. Pastos e vacas também compõe a paisagem, o que é uma certa lástima, o ecossistema é muito frágil para abrigar animais deste porte. Falando em animais, destaques para as Vicunhas pastando nos montes, estas primas da lhamas, guanacos e alpacas, camelídeos que habitam o mais alto dos andes.
Visual da estrada 
Quando saímos do carro, a esta altura que me referi de 4.800 msnm, já sentimos a diferença da temperatura e, principalmente, o ar rarefeito. A subida até o segundo refúgio leva cerca de 45 minutos, para caminhar 800 metros. Isto mesmo. É íngreme, mas não tanto, um trecho que, se não fosse o ar carente de oxigênio, seria cumprido em cinco, seis minutos, que passariam desapercebidos. Mas, nesta altura... meus guias pacientemente faziam passo com meus passos, breves e lentos. E entremeados de sucessivas paradas para procurar o ar. No segundo refúgio paramos no pequeno bar que dá guarida aos que se atrevem e tomamos chocolate quente, uma receita com cacau, açúcar mascavo e água, trazida de casa pelo Vicente e pela Priscila. Bebida perfeita para dar energia mas não pesar o estômago. Balinhas de cana de açúcar também ajudam a manter a glicose e evitar dores de cabeça ou enjoos de estômago.
Lago a 5100 msnm. O gato aí sou eu.
Pois do segundo refúgio ainda havia mais cem metros a percorrer, em um caminho cercado de neve, até chegar a uma lagoa que muitas vezes se congela nesta época do ano, mas não tive esta sorte de vê-la congelada. Foram mais 15 minutos. Sim, quinze minutos para cem metros. Dali para frente se trata mesmo de esporte para profissionais, que se aventuram a chegar ao cume. No caminho, passamos por um cemitério, onde placas de mármore homenageiam a memória de muitos que deixaram a vida na tentativa de chegar ao topo. Como disse meu guia e amigo, os alpinistas experientes gostam de dizer que o topo mesmo é chegar são e salvo, de volta, em casa.
Eu havia visitado o Chimborazo, mas só até o primeiro refúgio. A experiência de ontem foi inesquecível. 
Reunião em Guamote
Na sexta, ainda dia de trabalho, fomos, na parte da manhã, participar de duas reuniões em Guamote, cidadezinha de dois mil habitantes, há uns 50 quilômetros de Riobamba, famosa por ser habitada quase que exclusivamente por indígenas e por sua feira que ocorre sempre nas quintas e que todos dizem valer muito a pena visitar. Esta perdi, mas pude ver a charmosa localidade, cortada por uma linha férrea, e ir a uma comunidade indígena, há 3600 metros de altura, onde nos esperavam com uma grande mobilização para fazerem suas reivindicações ao representante do Ministério da Agricultura do Estado de Chimborazo, meu amigo Roberto Goirtare, quem me convidou para estar aqui durante estes dias. Sexta de tarde tivemos mais um momento de capacitação em agroecologia para a equipe de oitenta técnicos do Ministério.
Casa tradicional, ao lado da casa nova. Guamote

O interesse que vi na agroecologia por aqui reforça minha percepção que vivemos um momento de crescimento exponencial desta forma de ver e fazer agricultura. Minha tese é que o principal impulso a este crescimento da agroecologia é a crescente vinculação que os consumidores tem feito entre alimentação e saúde.
E assim terminam meus dias em Riobamba e minhas viagens internacionais este ano. Foram sete, sendo apenas uma a um país que eu não conhecia. Tá de bom tamanho, ainda dou minha volta ao mundo.

Reunião em Guamote

Reunião em Guamote


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Riobamba, Equador, 11, 12 e 13 de dezembro de 2018.

Cerimônia Quechua, de louvor à Pachamama (mãe terra),
no início do evento.

Estou em Riobamba, capital da província de Chimborazo, na região da serra central do Equador. Vim para uma semana de trabalho, no marco da V Jornada de Agroecologia. Uma semana de palestras e cursos sobre este assunto que move minha vida há mais de trinta anos. Sempre um prazer.
Ruas e casas de Riobamba
Riobamba é uma cidade que merece o adjetivo de simpática. Um centro comercial muito agradável, onde podemos passar entre restaurantes, cafés, sorveterias, praças e pequenos comércios. Está a quase três mil metros de altura, o que já nos provoca alterações fisiológicas, como cansaço, algum mal estar e dor de cabeça. Compensados totalmente pela bela paisagem dos páramos andinos que circundam a cidade. E, como guardião da paisagem, e dos seres que a habitam, o Chimborazo, um vulcão inativo, que no alto dos seus mais de seis mil metros de altura domina, com absoluta elegância, o ambiente. Visitei-o uma vez e me prometeram um reencontro para sábado próximo, meu dia livre por aqui. Espero que se confirme. Prometo fotos.
Casa colonial
Cheguei na segunda dia 10, tarde da noite, e passei terça, quarta e quinta fechado em salas e auditórios. O pouco tempo que tive aproveitei para ver um pouco das suas praças, são muitas, e entre uma e outra caminhar por ruas com sua vistosa arquitetura colonial, que consiste em casas construídas pelos colonizadores espanhóis, que por sua vez remontam aos árabes, senhores de boa parte da atual Espanha por quase cinco séculos. Entrei em duas destas casas, uma abriga hoje um museu, outra um restaurante. Portas em arco, pé direito alto, dois andares, um lindo pátio interno normalmente florido e cercado por refrescante varanda. Afinal, faz calor lá pelos lados das arábias... No lado externo, varandas, no segundo andar, ornadas de vasos floridos.
 Mas, como eu dizia, nestes três dias trabalhei muito e conheci pouco. Aqui no Equador, como em todas partes, se nota um interesse crescente pela agroecologia, ou Agricultura Ecológica. Vou contar aqui três coisas que falei nas minhas palestras. Para os agricultores contei que Agricultura Ecológica é um ato de amor. 
Auditório principal da Universidade de
Chimborazo, local do evento terça e quarta.
Expliquei que muitas vezes não usamos esta palavra, mas tratar o solo com carinho e respeito, fornecendo a ele, e consequentemente às plantas, sua alimentação preferida, a matéria orgânica, é um ato de amor. Contei que muitos dos ditos cientistas têm chegado à conclusão que a vida no planeta se impôs através de atos amorosos, como a simbiose, onde dois seres vivos se juntam para se beneficiarem mutuamente, e não pela competição. Adoro falar isto, explico com calma, e curto muito a receptividade desta prosa com eles.
No segundo dia, mais para os técnicos, falei da fotossíntese como o elemento mais importante para uma boa prática na agricultura. Fotossíntese é um fenômeno, capitaneado, de produção de massa verde, flores e frutos a partir da energia do sol e de elementos inorgânicos da água e do ar. A vida no planeta só existe por causa deste milagre da natureza. Em tom de semi-piada, chamei a fotossíntese de milagre original, lhes disse que a fotossíntese pode ser vista como a mãe de todos os milagres!
Evento com estudantes, na faculdade de
agronomia
Para os estudantes, com quem trabalhei hoje, contei, entre outras coisas, sobre a compra, ano passado, da Whole Foods pela Amazon. Expliquei que a Amazon é uma das gigantes de informação do mundo. Que, assim como o Facebook e o Google,  sabe sobre nós o que nós mesmos não sabemos. E que a Whole Foods é a maior cadeia de supermercados de produtos orgânicos do mundo, com presença forte na América do Norte. Perguntei porque uma empresa que é uma gigante da informação, que sabe tudo sobre nossos gostos e interesses, faz sua maior inserção no mundo físico, 13,7 bilhão de dólares, para comprar uma cadeia de comidas orgânicas. Será que ela sabe que os millennials querem se alimentar de uma maneira diferente do que os seus pais?
Enfim, como não tenho muito do que falar de Riobamba, porque ainda a vi pouco, deixo por hoje apenas estas reflexões que compartilhei nestes dias de trabalho. Quem me acompanha sabe que curto muito fazer o que faço, estes dias aqui não tem sido diferente. Agora, em um momento relax, acabo de escrever este post em um bom café, o Café Express, na esquina da praça da estação. Sábado, se me inspiro, escrevo sobre minha ida ao interior da província e ao Chimborazo!

sábado, 8 de setembro de 2018

San Jose da Costa Rica, 03 a 07 de setembro de 2018


Teatro Nacional, centro de San Jose, Costa Rica
Passei esta semana na Costa Rica. Falando assim o que surge na cabeça de quem ouve é sol, praia, ondas. Pois não vi nada disto. Toda a semana entre reuniões e um Seminário intitulado Mercados para Produtos Ecológicos, na Universidade Nacional, campus de Heredia, uma cidade ao lado de San José, a capital do país.
Adorei esta estátua: La Chola, feita em bronze por Manuel
Vargas, pesa 500kg e tem mais de dois metros
Já estive por qui várias vezes e definitivamente não justifica visitá-lo pela sua capital ou pelas outras cidades que a rodeiam. Como normalmente mencionam as propagandas turísticas do país, vir aqui vale a pena, e muito, se for para conhecer suas praias e vulcões. Pois desta vez não rolou.
  De segunda até hoje, sexta-feira, o que fiz foi trabalhar e tomar café. Aliás, o café aqui é invariavelmente bom. Para quem gosta, um deleite à parte. E isto não apenas por condições ambientais favoráveis. Estas ajudam, mas existe um árduo trabalho para se alcançar a excelência, e aí que entra o esforço. Há anos o país tomou a decisão de se fazer conhecer pelos cafés especiais, o que pressupõe uma série de decisões de caráter político. Por exemplo, aqui é proibido plantar café robusta. Vou explicar. O Brasil é o maior produtor de café arábica do mundo. Arábica é o café de melhor qualidade, com mais sabor e aroma. Por suas características,exige certa altitude para produzir plenamente, sendo de 1200 a 1500 metros a ideal. Por isto no Brasil produzimos bom café em regiões serranas, em Minas Gerais, São Paulo ou no Espírito Santo. Para alguns pode ser uma surpresa, mas em serras de alguns estados do Nordeste, como o Ceará, também se produz café de qualidade. O Robusta é outra planta, uma outra espécie, que também é considerada um café. Normal, existem outro exemplos onde diferentes espécies, com seus respectivosnomes científicos recebem o mesma nome comum. Aroz ou feijão, para citar dois exemplos muito comuns, também são denominações para diferentes espécies, como o arroz agulha ou arroz cateto. 
Arábica, maduro.
Bem, o café Robusta é uma planta muito maior, muito mais produtiva e adaptada a regiões mais quentes. Não necessitam desta altitude que mencionei para produzir bem. No Brasil, além do arábica, produzimos grande quantidade de café robusta. Somos os segundo maior produtor do mundo, perdemos apenas para o Vietnã. Assim, a maioria dos cafés que achamos em um mercado no Brasil são uma mistura de arábica, por vezes de baixa qualidade, com robusta. Por isto podemos comprar um café por vinte reais o quilo, às vezes menos. É a alta produtividade do Robusta que permite praticar este preço. Um café 100% arábica, mesmo não tão selecionado, sempre custará mais. Pois bem, voltando ao início deste parágrafo, a Costa Rica proíbe o plantio de Robusta. Para não correr o risco de baixar a qualidade e manter um bom posicionamento no mercado para o seu café. Esta prática não é incomum em dadas situações. O Chile, por exemplo, proíbe o plantio de variedades de uvas que não sejam bem qualificadas para a produção de vinho. 
Visual desde o Café do Teatro Nacional. 
Já que comecei, vou falar mais um pouco do café. Sabe quanto este grãozinho que, conta a história, teve seu uso descoberto na Etiópia, por uma pastor que notou que suas cabras ficavam saltitantes após se alimentar dos frutinhos vermelhos de um arbusto, movimenta por ano em termos econômicos? Duzentos bilhões de dólares. Sim, não exagerei, é isto mesmo. Sacou porque a Nestlé é doida em café? Porque ela elegeu água e café suas prioridades? Cerca de 15% deste mercado mundial de café está nas mãos da Nestlé. E ela quer mais. Recentemente fechou um acordo com a Starbucks, a gigate das cafeterias. Irá distribuir os cafés Starbucks em supermercados. Valor da transação: 7,2 bilhões de dólares. As grandes empresas, Nestlé não é a única, apostam que bebidas à base de café substituirão os refrigerantes, que por motivos óbvios tem seus dias contados. A Coca-Cola ainda não te contou isso? Pois ela sabe, já comprou algumas marcas importantes de café nos EUA.
Café sombreado na Costa Rica. Esta foto tirei em 2010.
Já que meu mundo é da Agricultura Orgânica, vou acrescentar que cerca de dez por cento do café produzido no mundo é certificado como orgânico. Mas existem vários selos que se enquadram nos chamados VSS, sigla em inglês para Normas Voluntárias de Sustentabilidade. No total, mais da metade do café do mundo está certificado por alguma destas normas. O setor do café pretende ser a primeira cadeia de produção a ser toda ela considerada sustentável. Enfim, o café é um mundo à parte, entendê-lo é para profissionais. Tenho amigos que passam a madrugada vendendo ou comprando café, beneficiando-se de determinados horários em função das aberturas das bolsas de mercadorias ao redor do mundo.
Mercado de frutas e verduras no centro de San José
Bom, deixando de falar do café, cou obrigado a registrar aqui neste post que Helena, minha filha que vive no México, veio me visitar. Não sei se ela opina igual, mas estarmos juntos é muito melhor do que ver praia ou vulcão. Ela chegou hoje e fui obrigado a matar o trabalho, na parte da tarde, para passearmos pelo centro de São José. Não é particularmente bonito, mas, como sabemos, o que importa é a companhia. Nos divertimos. Comemos comida catalã e tomamos um bom café, ops, apareceu de novo, na Cafeteria do Teatro Nacional. Belo lugar.
Amanhã saio ao campo antes das seis da manhã. Não sei porque, mas tenho a intuição que minha filha não vai comigo...