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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Biofach, Nuremberg, 18 de fevereiro de 2017.

Cidade velha de Nuremberg, entardecer.
Hoje foi o último dia da Biofach. Um dia mais de passeio, com menos reuniões de negócio, mas mesmo assim com boas conversas, observações e análises sobre a situação atual da Agricultura Orgânica no mundo.
Maças e tulipas em um estande da Holanda
Vou contar uma destas conversas. Uma das características deste mundo da Agricultura Orgânica é a certificação. Simplificando, posso dizer que a soma do desejo de evitar fraudes com o desejo de receber mais por seu produto leva à esta necessidade. Eu particularmente sempre discordei desta equação, por achar a certificação um trabalho com mais custo do que benefício para o crescimento do setor, como alguns chamam, ou do movimento, como outros, eu inclusive, preferimos chamar. Esta é a razão porque há 25 anos trabalho com certificação participativa, um método que considero mais adequado e que nós mesmos criamos no Sul do Brasil. Bem, tudo isto para lhes contar um dado que me surpreendeu. O número de empresas certificadoras na América do Norte diminuiu no último ano, de 223 para 193. Curioso, porque cresce o número de produtores, o mercado, mas diminui o número de certificadoras. Se esta tendência é mundial, isto pode acabar gerando mais distorções do que já temos hoje, em termos de maior afunilamento no fluxo entre produtores e compradores representado pelas empresas certificadoras. É verdade que nesta diminuição estão incluídas algumas compras e fusões, mas é claro que este modelo de normas restritas, certificações caras e obrigatórias terá que ser repensado.
Estande da Dwersteg
Outra conversa interessante é que a demanda segue maior que a oferta. Ouvi isto de um pesquisador do mercado norte americano e de outros aqui, mas também é o que percebemos no Brasil, mesmo nas pequenas feiras que organizamos. A oferta cresceu muitíssimo nos últimos dez ou vinte anos, mas nunca conseguiu alcançar a demanda.
Uma última coisa sobre a Feira. Na festa, meus amigos Pipo e Maria, argentinos, me apresentaram um casal de alemães, Monika e Ludger Terriete. Hoje de manhã fomos ao estande deles. Fazem gin e licores, os mais diversos e finíssimos, deliciosos (www.dwersteg.de). Um casal super gente boa, hippies dos anos setenta, que mantém seu espírito jovem e todos os anos alugam um moto home para viajar por diferentes países. Conversamos muito, ficamos de nos visitar e conhecer melhor o que cada um faz. Aqui tem disto, surge umas conexões muito interessantes, principalmente entres aqueles que veem na agricultura orgânica não apenas um negócio.
E aqui termino o que foi possível contar desta edição da feira.
Centro histórico (cidade velha) de Nuremberg
No fim da tarde passeamos pela bonita e fria Nuremberg. É uma cidade cheia de história, e é fácil perceber isto caminhando pelo seu centro. Visitamos lojas, andamos pela cidade velha, compramos mostarda local e terminamos entre um Pub Irlandês, onde vou todos os anos, o Finnegan’s, e o Barfuber, um bar restaurante enorme, muito tradicional, que fabrica sua própria cerveja e serve comida local. Estávamos Ângela, Leandro, Ana e eu. Excelente noite de despedida.

Amanhã, domingo, 19 de fevereiro, já é dia de preparar malas e pegar avião de volta. Chega de contar desta viagem, e a próxima nem sei quando ou para onde será.

Mostardas artesanais. hummm...
Barfuber, no centro de Nuremberg.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Biofach, Nuremberg, 17 de fevereiro de 2017.

Parte dos estandes da Itália
Hoje foi outro dia inteiro na Biofach. A maior feira de produtos orgânicos do mundo realizada sempre no mês de fevereiro, em Nuremberg, Sul da Alemanha. Venho todos os anos, creio que esta é a 11ª vez que participo. Tenho a impressão que já foi maior, mas não posso afirmar sem dar uma olhada nos números dos anos passados.
Nos dois últimos posts falei dos números relativos ao mercado e à área cultivada com produtos orgânicos. Agora vamos dar uma olhada na quantidade de produtores certificados como orgânicos no mundo.
Peru também usando o marketing
dos super alimentos!

No total são 304.603, México com 200.039, Uganda com 190.670 e Filipinas com 166 mil produtores completam os cinco primeiros lugares. São seguidos por Tanzânia (148.610), Peru (96.587), Turquia (69.967), Paraguai (58.258) e Itália (52.609). 
Aspecto do estande da índia, que é um
dos maiores da Feira
Estes dados que apresentei neste parágrafo anterior e nos dois últimos dias ficam mais interessantes quando analisados em conjunto, cruzando-os. Vou dar só um exemplo. Os dois primeiros países do mundo em área de produção orgânica são a Austrália e a Argentina, com pouco mais de 32 e 3 milhões de hectares, respectivamente. Se vemos o número de produtores vamos encontrar a 3.580 na Austrália e 1.074 na Argentina.
Agora cruzamos com os dois países líderes em número de produtores, Índia e Etiópia, com os mencionados acima 585.200 e 304.603. Suas áreas de produção Orgânica são de 1.180.000 ha na Índia e 186.155 ha na Etiópia. Fizeram a conta? Vou facilitar. Dividindo área cultivada pelo número de produtores, encontramos:
Austrália - 6.332 hectares por produtor
Argentina - 2.867 hectares por produtor
Índia - 2,06 hectares por produtor
Etiópia - 0,91 hectares por produtor
Itália - 28,7 hectares por produtor
Acrescentei Itália, país rico com muitos produtores para nos dar outra referência. A Itália tem 1.492.579 hectares orgânicos certificados divididos por 52.609 produtores.
Estande com as cooperativas de agrcultrores
familiares do Brasil
Sacaram como é interessante cruzar os dados? E dá para retirar muitas outras informações com estes números. Vou ver se me animo e escrevo um artigo sobre isto.
E o Brasil? Bom, no Brasil não temos dados precisos. O que está relatado no documento sobre o que tínhamos em 2015?
ü  750 mil hectares, 0,3% da área agricultável
ü  10.323 produtores
ü  Não temos dados sobre a fatia de mercado ocupada pelos produtos orgânicos certificados.
Bom, saindo dos números. Em termos de presença do Brasil na feira, mais um ano fraco. São dois estandes, um ocupado por empreendimentos da Agricultura Familiar e outro por empresários de maior porte. Já vi o Brasil aqui na Feira melhor representado e com mais apoio do Governo.
Voltando a algo que falei ontem. Reforço a tendência a falar em superfoods, produtos antigos ganharam este novo adjetivo.

chocolates!
Mudando de assunto: Uma das coisas legais aqui na Feira é perceber os diferentes mundos. Chocolate e café por exemplo. São oferecidos de maneira cada vez mais Gourmet. Chocolate Vegano ou com leite, com ou sem nozes ou glúten, com diferentes tipos de açúcar, diferentes teores de Cacau, origem ou origens do cacau identificadas na embalagem e mais e mais detalhes. Café também, com sua origem, aromas e gostos, diferentes blends buscando o melhor sabor.
O conceito de terroir, palavra francesa que significa o sabor originário daquela terra aliada ao conhecimento local de um espaço onde determinado alimento foi produzido, passou dos vinhos para estes outros mundos. Além do cacau e do café, aqui também se nota no azeite de oliva.

Falei em vinho? Pois aqui na feira tem uma "vila" com vinhos e vinhos para livre degustação. Ruim né? Vinho orgânico, de alta qualidade, de diferentes países, 0800. E eu adoro um 0800...
Pois foi aí que passamos a última hora da Feira hoje... Leandro, que trabalha conosco, Ângela, uma amiga de muitos anos que encontramos aqui, Ana e eu.

E para terminar ainda fomos para a festa do país homenageado, que este ano foi a própria Alemanha. O bom é que a night termina cedo, e pouco depois das dez já estávamos no quarto quente com três graus de temperatura lá fora!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Biofach, Nuremberg, 16 de fevereiro de 2017.

Estande com produtos Biodinâmicos
 e seu selo Demeter
Hoje passei o dia todo na Biofach. Como sempre vendo não só a enorme diversidade e qualidade dos produtos orgânicos ofertados, mas também tentando perceber tendências. Nos últimos anos vi o sem glúten, o sem lactose, o vegano. Neste ano está chamando atenção as superfoods. Ou super comidas. Até onde sei este nome não tem respaldo oficial ou acadêmico, mas tem sido usado para alimentos que são tidos completos por serem altamente nutritivos ou prevenirem enfermidades, mesmo as mais graves. Nunca tinha visto aqui na feira tanta referência às superfoods.
Sem lactose, gluten free, vegan e
agora superfood...
Também ouvi que existe a necessidade de inovar nas embalagens para se livrar do plástico. Parece óbvio, mas a Biofach, feira de produtos orgânicos, é um mar de embalagens plásticas. Isto tem que mudar, e acho que é uma tendência.
Mas quero de novo fazer referência a alguns números sobre a Agricultura Orgânica no mundo.
Os dados coletados sobre 2015 apontam para 50,9 milhões de hectares cultivados desta forma, 6,5 milhões a mais do que em 2014.
Os dez países com maiores áreas são: Austrália (22,69 milhões de hectares), Argentina (3,07), EUA (2,03), Espanha (1,97), China (1,61), Itália (1,49), França (1,38), Uruguai (1,32), Índia (1,18), Alemanha (1,09).
A primeira colocação da Austrália e a segunda da Argentina são também explicadas por grandes áreas de pecuária extensiva. Chama a atenção Espanha e Itália, que não são países tão grandes e possuem áreas expressivas dedicadas à produção orgânica.
Chips: betteraba, batata doce, acelga... tudo
salgadinho e picante. 
Outro dado interessante é a lista dos 11 países que possuem no mínimo 10% de sua área agrícola dedicada à produção orgânica. O primeiro é Liechtenstein, com 30,2%. Quase um terço da área do país com produção orgânica. Claro que é um país bem pequeno. Mas aqui interessa o percentual e a tendência, observada por todo lado. Áustria com 21,3 % e Suécia com 16,9% estão em segundo e terceiro lugares. Estônia com 16,5% e São Tomé e Príncipe com 13,8% completam os top five. Seguem Suíça (13,1), Letônia (12,8), Maldivas (12,5%), Itália (11,9), Rep Checa (11,3%) e Finlândia (10,0%).
No mundo, 1,1 % da área agricultável está certificada como orgânica. Seguramente existem áreas cultivadas organicamente mas não certificadas como tal, portanto fora deste 1,1%.
Em 1999, eram 0,2%, com 11 milhões de hectares. Um crescimento significativo em 16 anos. Mas deve ser considerado que em 1999 foram reportados dados de apenas 77 países e em 2015 179 países foram pesquisados. Claro, países que não tinham o que reportar agora criaram mecanismos de apoio e promoção da Agricultura Orgânica, passando a ter o que contar.
Roupas com fibras orgânicas.
Eu que trabalho com isto há 30 anos costumo dizer que agora somos um dado estatístico, o que não éramos quando começamos. Há outra diferença, não estatística em relação aos últimos trinta anos. Avalio que o constrangimento mudou de lado. Lembro quando era meio constrangedor como agrônomo falar que trabalhava com agricultura orgânica. A produção era absolutamente marginal e a maioria dos profissionais nos ridicularizava. Agora, quem trabalha com agrotóxicos começa a conversa se explicando, constrangido. "É, necessário usar." Ou "infelizmente não há como produzir sem" são frases comumente usadas para justificar o uso de agrotóxicos.
De novo recorro aos meus trinta anos de trabalho para dizer que o uso dos agrotóxicos não é filho da necessidade da sociedade mas do interesse das empresas. Estou seguro que o próximo período de tempo demonstrará isto.
Bom, de resto meu dia foi provar vinhos, queijos, cafés, chocolates e outras delícias orgânicas. E no fim da tarde ainda aproveitar a tradicional festinha que acontece em alguns estandes, com bebidinhas e comidinhas orgânicas livre. Conversando com alguns velhos conhecidos deste mundo. Não me queixo.

Da série coisinhas bunitinhas da biofach.
Carrinho com doces orgânicos

Da série coisinhas bunitinhas da biofach.
Food truck vegano.
Estandes dos produtos Veganos
Mutos sucos, em toda a feira
Mais sucos...

Gostei desta: sopas em garrafas de
 vidro para ir tomando na rua.







quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Biofach, Nuremberg, 15 de fevereiro de 2017.

Aspecto da Biofach,estande da Ucrânia.
Hoje saímos cedo de Viena, chegamos em Nuremberg e fomos direto a Biofach. Já escrevi aqui no blog nos últimos anos sobre esta feira, a maior de produtos orgânicos do mundo. São cerca de 25 mil metros quadrados de estandes e uma imensa variedade de produtos orgânicos. Aqui quando se fala de produtos orgânicos estamos falando de produtos sofisticados, de alta qualidade em todos os sentidos. Organoléptica, sabor, apresentação. Chique. 
Estande do Brasil na Feira.
Agricultura Orgânica na Europa é chique. Na América Latina existe um esforço para popularizá-la, mas a influência europeia (semelhante à da América do Norte), também está presente. De tal maneira que estas duas propostas, uma mais elitista, outra mais popular, convivem literalmente mais ou menos harmonicamente em diferentes contextos.
O ponto alto da Feira em seu primeiro dia é uma apresentação sobre os números da Agricultura Orgânica no mundo. Sempre relativo ao ante-passado. Organizada por IFOAM (sigla em inglês para Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica) e Fibl, uma das instituições de pesquisa em agricultura orgânica mais antigas do mundo, com sede na Suíça. 
Antes de falar do que ouvi na apresentações, deixa eu mencionar que conversando rapidamente na feira, ouvi o que já sabemos. O mercado de alimentos anda de lado, mas o de orgânicos cresce significativamente, a cada ano. 
Os palestrantes sobre os números da AO. A segunda
direta para a esquerda, minha amiga
Julia Lernoud Calzada.
Voltando às palestras de hoje, ouvi algo interessante. Sete países ricos concentram 80% do mercado de produtos orgânicos. Os números:
EUA – Os produtos orgânicos movimentam 35,8 bilhões de Euros.
Alemanha – 8,6 bilhões de Euros.
França – 5,5 bilhões de euros.
China – 4,7 bilhões de euros.
Canadá – 2,8 bilhões de euros.
Reino Unido – 2,6 bilhões de euros.
Itália – 2,3 bilhões de euros.
Total: 62,3 bilhões de euros.
O mercado total de produtos orgânicos no mundo é estimado em 75 bilhões de euros. Esta soma do mercado destes setes países, o G7 da AO, representa portanto mais de 80% do mercado mundial de produtos orgânicos.
Mas... não posso deixar de observar que estes são os números, digamos, mais facilmente mensuráveis. Que quero dizer. Todos os sábados faço minha feira de produtos orgânicos em Torres, onde vivo. Porto Alegre tem mais de dez feiras orgânicas só aos sábados. No Sul do Brasil dados pouco seguros apontam para mais de duzentas feiras semanais. 
Detalhes bonitinhos da Biofach. Este trailer é
local de reunião deste estande.
No país como um todo não temos informações precisas, mas tenho certeza que são centenas e centenas de feiras em municípios de diferentes tamanhos pelo país a fora e que não entram nas estatísticas. Me explico? Países ricos que têm mais hábito de contabilizar seus números, acabam aparecendo maisneste tipo de levantamento.
Ainda posso agregar que no ano passado estive em Moçambique, México, Chile e Peru. As famílias produtoras que visitei e seus circuitos curtos de comercialização tampouco estão refletidos nos números que são tidos como mundiais. Acho ótimo o esforço de colocar números na AO a nível mundial. Muito necessário. Só não podemos tomar o aproximado por exato.
Deixa eu dar mais uns números. Os cinco países com maior consumo per capita de produtos orgânicos são: Suíça (262 euros/pessoa), Dinamarca (191€), Suécia (177€), Luxemburgo (170€) e Liechtenstein (142€).
Outro dado interessante é o tamanho do mercado de alimentos orgânicos em relação ao total. Dinamarca (8,4%), Suíça (7,7%), Luxemburgo (7,5%), Suécia (7,3%) e Áustria (6,5%).
Detalha da comida de rua em Nuremberg.
Tudo aqui é chique!!
Tem muito mais informação, mas vou parar por aqui, para podermos ir digerindo. Amanhã falo do número de produtores e das áreas cultivadas em alguns países. Posso adiantar que hoje 1,1% da área cultivada no mundo é com AO. Pode parecer pouco, mas é muito.
De resto foi chegar da feira, assear um pouco pelo início da noite pelo bonito no centro histórico de Nuremberg e vir para o hotel. O hotel tem um bar-restaurante com comida típica da Bohemia e aqui desta região de Nuremberg. Simples, bem local, muito agradável. Aqui ficamos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Viena e Bratislava, 14 de fevereiro de 2017

Praça principal em Bratislava
Hoje foi movimentado. Com direito a viagem internacional.
Começamos visitando uma loja do Denns BioMarkt, uma cadeia de supermercados de produtos orgânicos comum na Alemanha e segundo entendi aqui na Áustria também.
Interior do Denns Markt. São vários pela cidade
 Uma enormidade a oferta de produtos orgânicos, infelizmente ainda inexistente no Brasil. E de novo sinto enterrada a famosa pergunta: "mas dá mesmo para produzir sem defensivos?". Só de ouvir se referir a veneno com o eufemismo de defensivo já me tira a paciência. Se acha que precisa usar, usa, mas não muda o nome buscando um alívio para a consciência. Pode soar falso.
Ainda de manhã fomos à Casa de Mozart. Na real uma das treze casas que ele morou em Viena, onde chegou em 1781 com 25 anos, vindo de Salzburg.
Para alguns ele é considerado o maior músico de todos os tempos. Ao menos vai estar sempre na lista dos melhores.
Aspecto da escadaria da Casa deMozart
Virtuoso desde criança, poucos dias depois de se estabelecer em Viena, escreveu, em uma carta à seu pai, que estava no melhor lugar do mundo para sua profissão. De fato, depois de esperar por alguns anos, em Viena ele pode chegar à condição de músico imperial, contratado pela corte e com salário fixo. Me chamou a atenção que ele expressa em uma carta que o que ele buscava era ter honra, sucesso e dinheiro. Ganhou muito dinheiro, o suficiente para ser rico, mas perdeu tudo no jogo. O cara não pode ser gênio em tudo...
A casa que visitamos hoje era conhecida como a Casa de Fígaro, pois foi ali que ele compôs a que é uma das suas obras mais conhecidas, As Bodas de Fígaro, uma ópera sobre uma peça teatral escrita por Caron, que era uma obra satírica dos costumes e hábitos da sociedade aristocrática. Ela foi até meio censurada pelo Imperador Austríaco, que não curtiu se ver criticado. Aqui se juntam plebeus e aristocráticos, ninguém gosta... bom, podemos até não saber nada disto, mas quem nunca cantou Fígaro no banheiro que atire a primeira pedra. Fígaro, fígaro, fiigaaroooo!!!
Estando em sua casa vi como muitas de suas composições são populares, e que as conhecemos, ainda que eu na minha ignorância não ligue o nome à pessoa...
Ainda a praça principal em Bratislava
Mais uma coisa sobre nossa visita à Casa de Mozart. Estando lá vimos algumas crianças com seus pais. Que privilégio crescer com estas oportunidades. Estou aqui escrevendo, ouvindo Mozart e pensando nisto. Quando uma criança como esta for um adulto culto e mais preparado para ter sucesso profissional e mesmo financeiro, vamos ouvir que ele lutou muito para chegar lá. Pode até ser, mas nesta carreira da vida, saiu com algumas cabeças de vantagem.
No final da manhã fomos à estação central e pegamos um trem rumo ao oriente. Mas paramos setenta quilômetros depois em Bratislava, capital da Eslováquia. Lembram da Checoslováquia? Pois então, depois da queda do muro de Berlin, se dividiram. República Tcheca, capital Praga e Eslováquia capital Bratislava. Foi lá que passamos uma belíssima tarde.
Não gosto destas passadas meteóricas por um lugar que vale a pena ficar mais, mas às vezes se justifica. E neste caso se justificou. Basicamente passeamos pelo charmoso centro histórico. Muito, muito legal. Comemos batata frita estilo belga, aquelas que bem em um saquinho e com algum molho. Comemos torta sacher e apfelstrudel. Tomamos cerveja local e café. Caminhamos muito, e apesar do frio de quase zero graus estava muito agradável. Imagino numa primavera-verão como deve ser. Vimos o Rio Danúbio que corta a cidade e estava de fato azul, como no nome da famosa valsa. Vou colocar algumas fotos aqui no fim do post para que vocês vejam que não estou exagerando quando digo que é muito legal.
Quando escureceu pegamos o trem de volta.
Chegamos em Viena e foi tempo de se preparar para amanhã deixar a cidade. Viena entra na minha lista de cidades mais bonitas que visitei. Passar um verão aqui deve ser incrível.

Amanhã cedo viajamos para Nuremberg. De lá conto mais, principalmente sobre a situação da Agricultura Orgânica no mundo.

Bratislava e suas estátuas. Esta é a do homem trabalhando,

Ana em uma lojinha de souvenirs

O gatão aqui à beira do Danúbio!

Mais um prédio do centro histórico de Bratislava

Mais um prédio do centro histórico de Bratislava

Mais um ...

outro... coisa linda!!!

Olha esta: banco com placa solar e ponto USB
para carregar o que seja. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Viena, 13 de fevereiro de 2017

Musikverein
Vou começar o relato do dia pelo fim do dia, onde estamos agora. No Wein Co. (Companhia do vinho), um mercado especializado em vinhos. Vinhos de todos os lugares do mundo. O legal é que se pode comprar, pagar uma pequena taxa e tomá-lo no próprio local, em um ambiente bastante agradável, descolado. 
Wein Co.
E com algo para comer, se você quiser companhia para o vinho. Estamos aqui, Ana e eu, de boa, entre conversas, leituras e escritos. São dez da noite e acabamos de assistir um concerto de música clássica. Estamos na capital da música clássica, não podíamos perder a oportunidade. Numa das principais salas de música de Viena, da Musikverein. Quatro violinos, um violoncelo e no segundo ato um piano. Acústica perfeita, obviamente nada de microfones ou caixa de som. De fato a música clássica nos leva a outra dimensão. 
Este concerto foi outra escolha da Bárbara, a amiga da Ana que ontem mencionei que vive aqui há dez anos. Ela é musicista profissional e claro que escolheu um concerto de primeira para irmos. Venho de um país onde quem está fazendo sucesso é Wesley Safadão e que tem como boa as canções do Luan Santana. Claro que temos ótima musica também, mas pouca tradição em musica clássica, ao menos até onde sei. E segundo meus filhos, meu gosto musical é duvidoso... Assim, preciso de uma dica profissional para saber o que é boa música.
Casa da Ópera
Falando em arte, Ana hoje me trouxe uma reflexão interessante. Ontem fomos ao Museu. Hoje a um concerto. Ao ver um quadro de Monet, ou uma escultura de Rodin, tomamos contato direto com o artista. Com o que ele tentou nos dizer, ainda que será nossa interpretação que irá definir a obra. No caso da música, o gênio de Mozart, por exemplo, precisa de um intérprete para que eu o acesse. O que isto significa? Talvez que o artista plástico tenha uma conversa mais direta com seu público do que o gênio da música? Realmente não sei, deve ter gente que já refletiu longamente sobre isto. Mas posso dizer que, mesmo reconhecendo  minha ignorância musical, os intérpretes de hoje estavam excelentes.
Igreja de São Estevão
E durante o dia fomos conhecer alguns dos pontos que não se pode deixar de ver por aqui. O primeiro foi a Igreja de São Estêvão. Para quem não se lembra, ele é cultuado como o primeiro mártir do Cristianismo. Foi condenado à morte por apedrejamento por Saulo de Tarso, o São Paulo da Igreja Católica. Esta história está retratada de maneira inesquecível no livro Paulo e Estêvão, de Chico Xavier. Impossível não se impressionar com sua vida e com o caráter de Estevão e, em função deste livro, e de a partir da sua leitura ter me tornado fã de Estêvão, gostei muito de conhecer esta Igreja. Acho que nunca tinha entrado em uma Igreja dedicada a ele. Bom, fora o fato de ser uma das Igrejas mais famosas da Europa e de ser belíssima, por dentro e por fora. Li que é uma das primeiras Igrejas em estilo Gótico da Europa.
E teve mais hoje. Fomos ao mercado de rua mais conhecido de Viena. O Naschmarkt. Obviamente um luxo, muito produto legal, de diferentes lugares do mundo. Do Naschmarkt passamos pela praça Carlos (Karlsplatz), onde tem a Igreja de São Carlos. Não conheço este santo e ele, ou algum dos seus prepostos, estava cobrando oito euros a entrada, então não entrei na sua Igreja. Simples.
Hundertwasserhaus
Muito legal foi caminhar pelos bairros ao redor do centro histórico, que são lindíssimos, com prédios sóbrios e imponentes. Numa breve olhada, achei Viena mais bonita fora do seu centro histórico.  Nesta caminhada passamos pela casa de Hundertwasser, uns prédios do multi-artista vienense Friedensreich Hundertwasser, na fase que ele se dedicou à arquitetura.
E para fechar o relato do dia, começamos com um farto café da manhã no hotel, cheio de comidinha boa.
Amanhã pode ser que optemos por conhecer Bratislava, que está a uma hora daqui. Se formos, conto aqui.

Hundertwasserhaus

Naschmarkt

Igreja de São Carlos

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Viena, 11 e 12 de fevereiro de 2017

Fim da tarde no centro histórico de Viena
 Chegamos em Viena ontem no fim da tarde. Viemos para a Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo que ocorre em Nuremberg, Alemanha. Aproveitamos para passar 3 dias aqui antes da Feira.
Schnitzel
Nosso hotel é no centro histórico o que nos permitiu dar uma caminhada ontem à noite, sob um frio de -2⁰C. Óbvio que não dá para ficar na rua em um frio como este e fomos jantar no Oswald e Kolb, uma das dicas da Bárbara, amiga da Ana que mora aqui há dez anos. É um restaurante de comida austríaca e pedi o prato recomendado pela Bárbara: schnitzel. No popular, bife à milanesa. 
Mas bom, muito bom. Ana pediu um ravioli de ricota com espinafre. Muito bom também. Mas reparem que ela já migrou para o Italiano... a Áustria, assim como Alemanha não se notabiliza pela culinária. Claro, exceção honrosa para as tortas. As tortas...
Viena é uma cidade cheia de história, mais um daqueles lugares onde os séculos convivem harmonicamente. É habitada quase que desde sempre, e os Celtas e Romanos tiveram acampamentos por aqui. Viena foi a capital do Império Austríaco e posteriormente do Império Austro-húngaro, quando do tempo da Monarquia de Habsburgo. Chegaram a imperar sobre quase metade da Europa, o que demonstra sua importância. Viena é a capital europeia mais próxima dos países que no tempo da guerra fria ficaram conhecidos como cortina de ferro, o que lhe conferiu especial importância no período pós guerra. Viena é a terra de Beethoven, Mozart, Haydn e Schubert, dentre outros, sendo conhecida como a cidade da música. 
trota de trufa...
Este parágrafo foi para dizer que hoje me senti passeando no meio de tudo isto... uma viagem dentro da viagem, quase sentimos pegar a história e seus tempos com as mãos.
Pela manhã o saímos caminhando com o Michael, marido da Bárbara, até o Café Oberlaa (www.oberlaa-wien.at), onde tomamos um belo café. Bebemos um Melange, um tipo de cappuccino típico de Viena, e torta. Uma de trufa e outra a famosa sacher. Pensa...
No almoço fomos ao Café Leopold Hawelka (www.hawelka.at/cafe/de), fundado em 1939 e ponto encontro de intelectuais e artistas vienenses durante a década de 50 do século XX. Comi goulash soup, uma sopa de carne que tenho a impressão é de origem húngara.
Mulher nua, Picasso
Depois do almoço fomos ao Museu Albertina e nos encantamos com suas exposições, tanto a permanente quanto a temporária. Picasso, Monet, Matisse, Chagall, Modigliane, e vários outros. Gosto de Museu de Arte. Não fico horas, e nem tenho conhecimento para sacar detalhes das obras, mas mesmo assim vou sempre que tenho possibilidade. 
Visitando o Albertina me lembro que aprendi que a arte é o melhor contraponto à tristeza, hoje de maneira permissiva e até leviana chamada de depressão. Para mim funciona. Nos momentos de baixa que já tive na vida, e quem não os teve, sempre fui guiado para fora do túnel pelas mãos da arte. Literatura, música de qualidade, bons filmes, museus. Museus particularmente me fazem muito bem.
Euzinho no Café Hawelka
E ainda teve o jantar. De novo o Michael colaborou e nos levou para conhecer um restaurante um pouco mais afastado chamado Fuhrgassl Huber (http://www.fuhrgassl-huber.at/buschenschank). Que lugar legal. Vendem vinho feito por eles. Aliá aprendi por aqui que Viena é a única capital do mundo que produz vinho em quantidades expressivas. Hoje tomamos um Chardornnay que me pareceu muito bom. A comida é pedida em um balcão, sendo escolhida através de um vidro, eles te servem e cobram por quilo. Eu havia jurado que não ia mais a restaurante a quilo, mas hoje abri uma exceção... é que há coisas iguais que são diferentes né?
Excelente dia em Viena. Bom que temos mais dois.


Cafe Hawelka


O famoso Hotel Sacher