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sábado, 8 de setembro de 2018

San Jose da Costa Rica, 03 a 07 de setembro de 2018


Teatro Nacional, centro de San Jose, Costa Rica
Passei esta semana na Costa Rica. Falando assim o que surge na cabeça de quem ouve é sol, praia, ondas. Pois não vi nada disto. Toda a semana entre reuniões e um Seminário intitulado Mercados para Produtos Ecológicos, na Universidade Nacional, campus de Heredia, uma cidade ao lado de San José, a capital do país.
Adorei esta estátua: La Chola, feita em bronze por Manuel
Vargas, pesa 500kg e tem mais de dois metros
Já estive por qui várias vezes e definitivamente não justifica visitá-lo pela sua capital ou pelas outras cidades que a rodeiam. Como normalmente mencionam as propagandas turísticas do país, vir aqui vale a pena, e muito, se for para conhecer suas praias e vulcões. Pois desta vez não rolou.
  De segunda até hoje, sexta-feira, o que fiz foi trabalhar e tomar café. Aliás, o café aqui é invariavelmente bom. Para quem gosta, um deleite à parte. E isto não apenas por condições ambientais favoráveis. Estas ajudam, mas existe um árduo trabalho para se alcançar a excelência, e aí que entra o esforço. Há anos o país tomou a decisão de se fazer conhecer pelos cafés especiais, o que pressupõe uma série de decisões de caráter político. Por exemplo, aqui é proibido plantar café robusta. Vou explicar. O Brasil é o maior produtor de café arábica do mundo. Arábica é o café de melhor qualidade, com mais sabor e aroma. Por suas características,exige certa altitude para produzir plenamente, sendo de 1200 a 1500 metros a ideal. Por isto no Brasil produzimos bom café em regiões serranas, em Minas Gerais, São Paulo ou no Espírito Santo. Para alguns pode ser uma surpresa, mas em serras de alguns estados do Nordeste, como o Ceará, também se produz café de qualidade. O Robusta é outra planta, uma outra espécie, que também é considerada um café. Normal, existem outro exemplos onde diferentes espécies, com seus respectivosnomes científicos recebem o mesma nome comum. Aroz ou feijão, para citar dois exemplos muito comuns, também são denominações para diferentes espécies, como o arroz agulha ou arroz cateto. 
Arábica, maduro.
Bem, o café Robusta é uma planta muito maior, muito mais produtiva e adaptada a regiões mais quentes. Não necessitam desta altitude que mencionei para produzir bem. No Brasil, além do arábica, produzimos grande quantidade de café robusta. Somos os segundo maior produtor do mundo, perdemos apenas para o Vietnã. Assim, a maioria dos cafés que achamos em um mercado no Brasil são uma mistura de arábica, por vezes de baixa qualidade, com robusta. Por isto podemos comprar um café por vinte reais o quilo, às vezes menos. É a alta produtividade do Robusta que permite praticar este preço. Um café 100% arábica, mesmo não tão selecionado, sempre custará mais. Pois bem, voltando ao início deste parágrafo, a Costa Rica proíbe o plantio de Robusta. Para não correr o risco de baixar a qualidade e manter um bom posicionamento no mercado para o seu café. Esta prática não é incomum em dadas situações. O Chile, por exemplo, proíbe o plantio de variedades de uvas que não sejam bem qualificadas para a produção de vinho. 
Visual desde o Café do Teatro Nacional. 
Já que comecei, vou falar mais um pouco do café. Sabe quanto este grãozinho que, conta a história, teve seu uso descoberto na Etiópia, por uma pastor que notou que suas cabras ficavam saltitantes após se alimentar dos frutinhos vermelhos de um arbusto, movimenta por ano em termos econômicos? Duzentos bilhões de dólares. Sim, não exagerei, é isto mesmo. Sacou porque a Nestlé é doida em café? Porque ela elegeu água e café suas prioridades? Cerca de 15% deste mercado mundial de café está nas mãos da Nestlé. E ela quer mais. Recentemente fechou um acordo com a Starbucks, a gigate das cafeterias. Irá distribuir os cafés Starbucks em supermercados. Valor da transação: 7,2 bilhões de dólares. As grandes empresas, Nestlé não é a única, apostam que bebidas à base de café substituirão os refrigerantes, que por motivos óbvios tem seus dias contados. A Coca-Cola ainda não te contou isso? Pois ela sabe, já comprou algumas marcas importantes de café nos EUA.
Café sombreado na Costa Rica. Esta foto tirei em 2010.
Já que meu mundo é da Agricultura Orgânica, vou acrescentar que cerca de dez por cento do café produzido no mundo é certificado como orgânico. Mas existem vários selos que se enquadram nos chamados VSS, sigla em inglês para Normas Voluntárias de Sustentabilidade. No total, mais da metade do café do mundo está certificado por alguma destas normas. O setor do café pretende ser a primeira cadeia de produção a ser toda ela considerada sustentável. Enfim, o café é um mundo à parte, entendê-lo é para profissionais. Tenho amigos que passam a madrugada vendendo ou comprando café, beneficiando-se de determinados horários em função das aberturas das bolsas de mercadorias ao redor do mundo.
Mercado de frutas e verduras no centro de San José
Bom, deixando de falar do café, cou obrigado a registrar aqui neste post que Helena, minha filha que vive no México, veio me visitar. Não sei se ela opina igual, mas estarmos juntos é muito melhor do que ver praia ou vulcão. Ela chegou hoje e fui obrigado a matar o trabalho, na parte da tarde, para passearmos pelo centro de São José. Não é particularmente bonito, mas, como sabemos, o que importa é a companhia. Nos divertimos. Comemos comida catalã e tomamos um bom café, ops, apareceu de novo, na Cafeteria do Teatro Nacional. Belo lugar.
Amanhã saio ao campo antes das seis da manhã. Não sei porque, mas tenho a intuição que minha filha não vai comigo...


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Maputo, Moçambique, 20 a 22 de agosto de 2018

Visitando as machambas, em Maputo
Cheguei em Maputo, capital de Moçambique, ainda no domingo. Estou aqui a convite de Abiodes, ONG local que dede 1996 trabalha com Agricultura Orgânica. É a terceira vez que estou aqui, sempre acompanhando este trabalho que vem sendo denominado de Cadeia das Hortícolas Sustentáveis de Maputo.
Já foram três dias de trabalho. Segunda-feira, reunião para me inteirar das atividades que vêm sendo desenvolvidas, ontem, ida a campo, a melhor parte, e hoje, quarta-feira, uma formação, onde reunimos cerca de 60 pessoas, entre agricultoras, agricultores, técnicos e técnicas de ONGs e governo.
Cinturão verde de Maputo e suas machambas
Estar na África que fala português é uma experiência à parte. Tudo tão longe e tão perto. Moçambique está na costa do índico e é surpreendente ver as similitudes culturais conosco. Surpreende, mas não deveria, basta dar uma olhada na formação da nossa nação e ver a influência negra e portuguesa. Nada mais óbvio que nos ver por aqui, no cafezinho, na padaria com ar Lisboeta, no bolinho de bacalhau, na forma expansiva de se expressar ou no sorriso fácil em meio a dificuldades.
Moçambique é um país economicamente pobre, o que nos exige atenção no desenvolvimento da agricultura orgânica. O modelito europeu, reproduzido na maior parte do mundo, é de uma produção orgânica que deve ter reconhecido seu valor por um preço diferenciado. Se por um lado é justificado este anseio por parte dos agricultores em países como Moçambique, que são obrigados a sobreviver  com preços agrícolas bastante aviltados, por outro não se pode limitar a oferta dos produtos sem veneno a quem pode pagar mais por sua comida. Ter bom conhecimento técnico-agronômico, para fazer que a produção orgânica seja mais barata e menos penosa é um ponto crucial no intento de resolver esta equação. E foi este aspecto que mais trabalhei na minha ida a campo ontem e na capacitação hoje.
No campo, de prosa...
O trabalho aqui é no cinturão verde de Maputo, uma impressionante área agrícola muito perto da cidade. Áreas de hortas pequenas, cerca de 400 a 2000 metros quadrados, o que também impõe procedimentos que muitas vezes não guardam relação com princípios da agricultura orgânica, como produzir seu próprio adubo a partir de dejetos animais. Ou deixar parte da área em pousio ou adubação verde, ficando alguns meses sem cultivo comercial em determinado espaço. Aqui não rola, a pressão por produzir de forma intensa é vigorosa. Enfim, realidades distintas, o que faz meu tutano, que não é muito, e minha experiência na área, um pouco maior, serem submetidas a alta pressão.
As mulheres de Maputo!
De resto, aproveitando o tempo livre para comprar capulanas e comer frutos do mar. Capulanas são os panos utilizados por todas as mulheres daqui, independente da classe social. Uma espécie de acessório obrigatório, é utilizada amarrada na cintura, sobre os ombros, para carregar bebês e inúmeros outros usos, que ultrapassam os limites do corpo e servem de toalhas de mesa, cortinas, mantas e por aí vai. Hoje de manhã, ouvindo um anúncio de utilidade pública na rádio, a locutora recomendava-a para as mães manterem seus bebes aquecidos em dada situação risco. Dizia ela: mãe, não deixe de aquecer seu filho com uma manta ou uma capulana. 
Atividade de formação
Na lida...
Ontem em uma conversa informal me diziam, o que já ouvi de outras vezes, que não é possível desvincular a imagem da mulher moçambicana de uma capulana. Desde pequenas são ensinadas a sempre terem uma na bolsa, para o caso de alguma emergência. Aliás, sigo achando as mulheres agricultoras a melhor parte de Maputo, como já havia percebido nas outras estadas aqui. Tanto a campo quanto em sala, são as mais animadas, com mais clareza sobre a proposta de agricultura orgânica, que não se limitam ao discurso, cantam enquanto trabalham e soltam um farto sorriso sem sequer pensar em pedir licença. 
Amanhã, reunião com a Comissão de Ética, formada por agricultores e consumidores de produtos orgânicos, uma instância que é gestora da Certificação Participativa que funciona, ainda de maneira tímida, por aqui. Mais um dia de trabalho e prazer misturados e em sintonia. Para usar a palavra que uma das minhas turmas mais gosta, gratidão!


domingo, 27 de maio de 2018

São Tomé e Príncipe, 25 e 26 de maio de 2018


Hospital da Roça Água Izé
Ontem e hoje, meus últimos em São Tomé e Príncipe, passeei muito e trabalhei pouco, ainda que eu tenha constantemente dificuldades em separar um de outro.
Cascata São Nicolau
A ilha é pequena e em um dia é possível recorrer todo o país. Não cheguei a tanto, mas vi muita coisa. Uma delas a Cachoeira de São Nicolau. Bonita, um bom banho, com a força da cachoeira e a água fria lavando a alma e despertando o corpo, mas o que chama mesmo a atenção é a natureza exuberante ao seu redor.
Conheci algumas praias lindas. Talvez a mais bonita a das Sete Ondas, absolutamente deserta, entre duas montanhas verdejantes. Perto dali vi a Boca do Diabo, uma pequena falésia junto ao mar, onde, do alto, mas não distante, vemos as ondas correndo sob uma rocha e eclodindo em determinado ponto onde encontra saída em meio a esta mesma rocha. Belo espetáculo de força da natureza. A praia da lagoa azul também é linda, assim como a privativa do Club Santana, um resort que fica a poucos quilômetros da capital São Tomé, onde por uma taxa é possível desfrutar dos seus aprazíveis e caros serviços. As estradas ladeando o mar também são um espetáculo. Pena que suas condições de conservação e o fato de serem estreitas e sem acostamento exigem atenção redobrada ao dirigir, impedindo o motorista de saborear um pouco mais a bela paisagem.
Boca do Inferno
Mas, em que pese a beleza natural das praias e cachoeiras, não foi isto que eu mais gostei de conhecer aqui em São Tomé. Praias ou cachoeiras bonitas eu já havia visto. O que vi aqui, e só aqui, foram as Roças. 
As Roças são as antigas fazendas de cacau, algumas poucas de café, que tantas riquezas, a seu tempo, geraram para seus proprietários. Com uma estrutura admirável. São algumas dezenas na ilha de São Tomé, algumas poucas na ilha de Príncipe. Originalmente os seus donos eram portugueses e moravam em Lisboa. Alguns deles vinham ver sua propriedade uma vez a cada dois ou três anos. Outros nem isto. A roça era tocada por um administrador de confiança. O trabalho era todo realizado pelos negros que eram trazidos para cá, vindos principalmente de Angola. Inicialmente como escravos, posteriormente como escravos disfarçados de assalariados.
Roça Água Izé
Depois do decreto que acabou com a escravidão nos território portugueses, em 1875, os negros vinham como trabalhadores livres, inclusive com contrato assinado que lhes dariam salário e outros benefícios como escola para os filhos ou cuidados médicos. Papo furado... Uma das Roças que visitei foi a Monte Café. Eles mantém um Museu do Café, onde pude ver estes contratos, alguns assinados com impressão digital, o que demonstra que eles não tinham ideia do que estavam assinando. Pude ver também o livro caixa, onde eram lançados seus salários e as dívidas que contraiam com os serviços que lhes eram prestados, como casa e comida. A comida era de péssima qualidade, muitas vezes farinha e água. Mantinham-se saudáveis e dispostos ao trabalho pela riqueza de frutos que cresciam e crescem na ilha. Uma delas a fruta-pão. 
Fruta - pão
Olha que nome mais lindo: Fruta-pão. A oferta de peixe também é praticamente ilimitada, mas não sei se os negros tinham acesso ou tempo para pescar. As ditas casas eram as senzalas, onde viviam em condições muito para cá de precárias. Vi também fotos da primeira 
e da última hora diária de trabalho, com os escravos todos enfileirados, para serem contados e o feitor ter certeza que nenhum fugiu. Fugir para onde? Estamos em uma ilha de dimensões bem reduzidas. Muitos fugiam para se embrenharem na Floresta Ôbo, tão fechada que os brancos ali não entravam. Reza a lenda que também os negros não saiam de lá. Ou seja, fugir era um ato de absoluto desespero, em direção à solidão de uma floresta tropical úmida e à morte.
Visual da Roça Água Izé. Cheia de gente,
 mas tento tirar foto quando não estão,.
.
A chance de ver uma Roça aqui é voltar no tempo, porque a paisagem nos remete diretamente aos séculos 18, 19, início do 20. Ainda vemos as casas, as senzalas, escolas e hospitais, que hoje servem de moradias. As Roças ainda estão vivas, habitadas, cheirando a passado, impedindo-o de se calar e trazendo-o para o presente. Algumas delas em ruínas, ainda assim habitadas, outras transformadas, ao menos uma parte, em lindos hotéis. 
A Roça Monte Café hoje está com metade de sua área a procura de um investidor e a outra metade, 250 hectares, dividida pelo governo entre os trabalhadores, que se organizaram em torno de uma cooperativa de Café Biológico (orgânico). Comprei uns pacotes... delicioso! Ali pude ver a senzala, habitada, muita gente, todas as idades. As condições ruins não lhes impede o gesto gentil com os que os visitam. As crianças pedem doce insistentemente. Ainda bem que eu não tinha.
Museu do Café, Roça Monte Café
Outra Roça muito  interessante que visitei é a Água Izé. Não sei o que é feito de suas lavouras de cacau. Mas a estrutura, casas, senzala, hospitais e escola, está em ruínas, mas nem por isto pouco habitada. Fiquei de fato impressionado e não sou capaz de descrever o que vi. Realmente não sei se vi pobreza, miséria ou apenas condições diferentes de vida. De todos modos o que considero o conforto mínimo para satisfazer nossas necessidades não estão ali presentes.
E a terceira roça que vi e entrei é a Santo Antônio. Esta foi em parte transformada em hotel, mas ao lado está a senzala e a população local vivendo nas mesmas condições que não descrevi acima, por total falta de capacidade de colocar no papel o observado e sentido.
Na Roça Santo Antônio vi um dos quartos do hotel, localizado na antiga casa do administrador. Estava impecável. Simples e acolhedor. Escolhi que fico ali quando voltar. Quando volto? Acho que nem Deus sabe!

Mulheres lavando roupas

quinta-feira, 24 de maio de 2018

São Tomé e Príncipe, 22, 23 e 24 de maio de 2018


São Tomé, São Tomé  e Príncipe
De terça até hoje, quinta-feira, minha principal atividade foi dando o curso que fui convidado a ministrar neste pequeno país Africano. São Tomé e Príncipe tem apenas 1000 km² e 200 mil habitantes. A ilha de São Tomé, a única que irei conhecer, é bem maior, em área e habitantes, que a ilha de Príncipe. Possui, em termos percentuais, uma superfície significativa de produção orgânica certificada, principalmente cacau, café e pimenta.
Visita a um horticultor, arredores de São Tomé
 A formação foi sobre Sistemas Participativos de Garantia para produtos Biológicos, o adjetivo, em função da influência portuguesa, mais usado na ilha para os produtos que são produzidos sem agrotóxicos, fertilizantes químicos ou sementes transgênicas, também conhecidos como orgânicos ou ecológicos em outros lugares.
Não é fácil pensar em mercados orgânicos em contextos como o de São Tomé e Príncipe. Na verdade acho até que pode ser inconveniente. Cerca de 60 % da população é de baixíssimo poder aquisitivo. 
Visita no campo, mudas de tomate.
O fato de ser uma ilha com poucos recursos, não exime a sociedade do constante apelo por consumo tão característico do mundo contemporâneo. Como diz Galeano, o sistema te convida à uma festa, mas nem sempre te deixa entrar. Podemos acrescentar que o ingresso é caro. 
Com desejo de participar da festa do consumo, mesmo que muito timidamente, em um contexto de recursos escassos, nem sempre sobra dinheiro para se privilegiar o gasto com comida para além da sobrevivência. É verdade que esta falta de priorização do alimento de qualidade se dá também em situações de alta renda, mas, na escassez, é natural que a preocupação com o acesso anteceda a preocupação com a qualidade. 
Mercado municipal de São Tomé
Um olhar, atento, quem sabe mesmo distraído, no mercado municipal de São Tomé e nos seus arredores nos obriga a fazer esta reflexão, ainda mais sendo o meu trabalho aqui falar da agricultura ecológica e de suas vantagens, associadas a criação de um mercado diferenciado. Estou na qualidade de consultor convidado, a música não foi escolhida por mim. Se fosse, colocaria para tocar a agricultura ecológica neste contexto em função de seus méritos agronômicos, por produzir bem preservando os recursos naturais e econômicos, por prescindir de caros e importados insumos químicos. Mercado diferenciado e uma possível certificação para seu acesso até poderia ser colocado na vitrola, mas só do meio do baile para adiante...
Mas, música posta, busquei entrar no ritmo. Terminamos hoje com um desenho de como poderia funcionar um Sistema Participativo de Garanta em São Tomé e Príncipe e quais os passos necessários para que este desenho chegue à realidade. Tarefa cumprida.
Mudando de assunto, tenho me deliciado com a culinária aqui na ilha. Comi peixe absolutamente todos os dias. Peixes frescos e bem temperados, quase sempre feitos na brasa. De acompanhamento inhame, fruta pão, banana e batata doce, servidas assadas ou fritas. Comi também calulu de peixe seco, à base de peixe servido em um molho consistente e feito com ervas, tomate, alho, quiabo, abobrinha e óleo de palma. Acompanhamento à gosto, mas com arroz caiu muito bem. Feijoada de peixe foi outra novidade para mim, me surpreendi com a combinação que estava bem saborosa, no café/restaurante que mais fui, o Camões. Nele comi também Bacalhau à Brás e tomei bons cafés.
Amendoeira em São Tomé.
Assim passei estes três dias. Entre o trabalho, peixes e calor. Quando o sol dá as caras apresenta uma força, como não poderia deixar de ser, equatorial. Aliado à umidade do ar, faz com que uma simples caminhada nos ponha a suar por todos os poros.
A cidade não é bonita, apesar de ser em parte rodeada pelo mar, da exuberância da sua vegetação, mesmo a urbana, e de guardar algumas casas dos tempos coloniais bastante charmosas. 
Até o momento conheci apenas a cidade de São Tomé, com duas idas ao campo em propriedades rurais muito próximas à cidade. Amanhã e sábado, com menos compromissos, espero conhecer algo além, aproveitando que a ilha é pequena e indo ao seu interior ver sua decantada beleza tropical. 


Casario no centro de São Tomé



segunda-feira, 21 de maio de 2018

São Tomé e Príncipe, 19, 20 e 21 de maio de 2018

Casarão envelhecido em /são Tomé, resquício
da época coloni
al

Cheguei na cidade de São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe, no sábado à noite. Fico aqui neste pequeno país Africano, situado no Golfo da Guiné, a leste do Gabão e da Guiné Equatorial, os dois países continentais mais próximos, até sábado. Vim para uma capacitação em Sistemas Participativos de Garantia, à convite de IFOAM, a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica. 
A horta aqui é uma certa amputação
da natureza...
Nestas 48 horas que me encontro nesta ilha vulcânica, dois momentos dignos de nota. Um deles é a ida à zona rural, ontem, domingo, pela manhã. Nos arredores da cidade visitamos três campos contíguos de hortaliças. Vi canteiros de cenoura e alface, tomates e pimentões tanto a campo quanto em estufas. Vi ainda pimenta malagueta, milho, quiabo, inhame e alguns outros pequenos cultivos. Mas não é isto que chamou minha atenção, mas sim a intensidade da natureza. O solo da ilha é presumivelmente rico em minerais, exatamente fruto da sua origem vulcânica e da sua jovialidade em termos geológicos. A presença de minerais, aliada a intensidade de sol e chuva de um trópico úmido, faz o verde vir por todos lados com um vigor que quase assusta.
Meu momento fotógrafo!
Não precisei adentrar em nenhuma mata para imaginar o que passaram os colonizadores desta ilha na tentativa de domá-la, se é que o termo é cabível. A palavra colonização aqui cabe com precisão, porque os navegadores portugueses que chegaram, em 1470, exatamente no dia de São Tomé, encontraram uma ilha desabitada. Alguns anos depois começaram a vir portugueses buscando nela sobreviver como funcionários de fidalgos que haviam sido contemplados com terras em um sistema de capitanias hereditárias, tão conhecido dos brasileiros. Após um período de tentativa frustrada de colonização branca, constantemente vitimados por doenças tropicais, a aposta foi trazer negros capturados de outros lados, principalmente no que posteriormente se denominou Angola e iniciar o cultivo de cana de açúcar, no que foram muito bem sucedidos por algum tempo, antes de ver seu declínio. O ciclo da cana do Brasil foi uma das razões por este cultivo ter entrado em decadência em São Tomé, tendo sido substituído pelo café e pelo cacau, que se destacam até os dias de hoje. São Tomé e Príncipe também sempre foram ponto de apoio na rota comercial para Índiae no tráfico de escravos para o Brasil. 
Visual do Atlântico, São Tomé.
Pois voltando ao que vi no campo, o verde é de uma avidez por se instalar que, contrariando a canção, mesmo em pedras recentemente mudadas de lugar vi limo crescendo. Existe um dilema agroecológico em contextos como o que estou vendo aqui, não pela primeira vez na minha vida. Cultivar tomates ou alfaces em um ambiente como este é quase uma heresia ambiental. Mas situações bem cotidianas, como hábitos de consumo importados ou a presença de turistas na ilha são parte da razão da demanda e, por consequência, do cultivo destas espécies. Ocorre que quanto maior a distância entre o ecossistema original de uma planta e o ecossistema onde se pretende cultivá-la mais difícil é a sua adaptação. Menos adaptada, uma planta pode se mostrar mais sensível a determinadas enfermidades ou ataques de alguns insetos, as ditas pragas. Pronto, o agrotóxico se sente convidado... a distância que me referi não é geográfica, mas sim na arquitetura dos ecossistemas, que é fruto da intensidade da luz ou da chuva e da presença de nutrientes nos solos. 
Tomate... que saudade dos Andes...
Vou dar o exemplo do próprio tomate. Ele é originário dos Andes, que é um ambiente frio e seco. Aqui é quente e úmido. Adaptação difícil, e mais difícil ainda não artificializar o ambiente para viabilizar sua produção. Estufas ou venenos, que vi ontem no campo, são parte desta artificialização. 
Parece que já comecei o curso de amanhã, o agrônomo começou a fazer discurso... vou então mudar de assunto e falar da segunda coisa que considero digno de nota dentre as que vi nestes dois dias: a fábrica de chocolates do Cláudio Corallo (www.claudiocorallo.com). Impressionante a qualidade do chocolate que este Italiano, radicado no país há mais de 40 anos, faz. Com cacau cultivado por ele mesmo, na Ilha de Príncipe, onde é despolpado e seco. Posteriormente vem para São Tomé, onde é transformado em chocolate. Segundo a explicação que nos foi dada, ele emprega a lógica que aprendeu trabalhando com azeite de oliva na Itália. 
A pequena fábrica de chocolate - explicação
 aos visitantes
Quanto menos processado a oliva, a partir de um fruto de qualidade, mais o azeite irá manter as qualidades de sabor e aroma originais do fruto. Assim, seu cacau é processado o mínimo possível, e seu chocolate tem real sabor a cacau. Com extremos cuidados no plantio, cultivo, despolpa e secagem do cacau este real sabor é realmente muito agradável. O exemplo didático que nos foi dado foi da sangria. Não é tão importante um vinho de qualidade para fazê-la, já que tanta coisa será agregado que não irá fazer tanta diferença o sabor original do vinho. Colocando na fabricação de um chocolate leite, lecitina de soja, açúcar, baunilha e muitas coisas mais, o quanto importa a qualidade do cacau? Pouco... Hoje provei, por exemplo, um chocolate com 80% cacau e 20% de açúcar. Mais o que? Nada, absolutamente nada. Mais uma prova de que o sofisticado mora no coração da simplicidade.
Enfim, fiquei impressionado. Muito. Não sei se já comi chocolate melhor na vida. E com tantas provinhas saí da fábrica ligadíssimo. Afinal o cacau é estimulante. Estou aqui, passado da meia-noite e sem nenhum sono.
Mas vou tentar dormir, amanhã tem uma turma grande esperando pela formação que me trouxe aqui, é bom não decepcioná-los muito. E nem falei da culinária, já comi uns pratos à base de peixes deliciosos por nesta ilha. E nem falei dos mercados... olha aí ao lado... é, acho que não foram apenas duas coisas interessantes entre ontem e hoje em São Tomé.

sábado, 19 de maio de 2018

Lisboa, 17 e 18 de maio de 2018

O Tejo visto do Cais do Sodré
Cheguei ontem a Lisboa, amanhã cedo saio rumo a São Tomé e Príncipe. Está parada aqui foi apenas para respirar um pouco, passear, comer bacalhau e ter uma pequena reunião que ocorreu hoje pela tarde, com o representante da FAO em Portugal e sua assistente, para conversar sobre um possível apoio para o desenvolvimento dos SPGs, Sistemas Participativos de Garantia, nos países lusófonos. Veremos. Junto comigo estava a Flavia, uma amiga que trabalha na IFOAM - Federação Internacional dos Movimenta de Agricultura Orgânica. IFOAM é quem está me convidando para ir a São Tomé e Príncipe. De resto foi passear e comer. Bolinho de bacalhau, bacalhau ao forno, bacalhau ao Brás! E vários pastéis de nata, um dos doces mais famosos da rica culinária portuguesa. Dureza...
Visual do Museu Fundação
Calouste Gulbenkian
Por uma feliz coincidência, hoje foi o dia do Museu em Lisboa, o que significa que todos estavam de portas abertas, for free. Eu, que adoro museu e não resisto a um 0800, juntei um e outro e aproveitei para visitar alguns. Às dez da manhã já estava na porta do mais bem avaliado de Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian. Uma impressionante coleção particular, com obras as mais variadas, não apenas pictóricas. Interessante pensar no indivíduo que passa a vida inteira colecionando obras de arte. Como seria o olhar dele sobre o mundo, que mirada estética ele colocava sobre o que via, como identificava o que lhe interessava e quais fatores incidiam na tomada de decisão de uma compra. Posso imaginar que algumas delas caríssimas. Peças de diversas culturas, tapetes orientais enormes de 3, 4, 5 séculos de existência, vasos chineses também antiquíssimos, quadros de Degas, Millet, Tuner, Monet. Esculturas de Rodin
Willian Tuner, no Calouste Gulbenkian
Enfim, um Museu lindíssimo. É uma viagem pensar que todas as obras eram de um só colecionador. Completa o cenário uma bela cafeteria, lounge para apresentações, um parque muito bem cuidado, exposições temporárias convidadas. De fato um lugar para passar horas. Mas eu não tinha tantas horas, e antes do meio dia já estava indo para minha parada obrigatória em Lisboa, a casa de Fernando Pessoa.
Casa de Fernando Pessoa
Além de ser meu poeta preferido, sempre que leio algo dele, ou sobre ele, descubro uma novidade. Hoje, por exemplo, soube que seu famoso baú ainda guarda cerca de três mil documentos a serem decifrados. Este baú foi encontrado na sua casa, quando da sua morte, repleto de papéis. Os escritos vem se tornando públicos pouco a pouco ao longo de décadas. Ele escreveu freneticamente durante sua vida. No seu quarto, nesta casa que visitei, está, além da sua cama, a escrivaninha famosa onde surgiu o seu heterônimo mais importante: Alberto Caeiro. Vou reproduzir aqui o que ele escreveu a um amigo, Adolfo Monteiro, em 13 de Janeiro de 1935, numa carta bastante conhecida entre admiradores e estudiosos de sua obra:
A cômoda do nascimento de Alberto Caeiro
... Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 — acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre...
Réplica do baú de Pessoa.
O original está com um privado
Entender Pessoa não é fácil. Eu desisti há muito tempo. Só leio e aproveito as sensações que advém da leitura.
Para completar meu passeio por museus fui à casa de Amália Rodrigues, a fadista portuguesa que levou o nome do seu país ao mundo. Não acho que no Brasil tenhamos uma ou um artista que significa para o país o que Amália significa para Portugal.
Sua casa é linda, na maior parte mantida tal e qual era quando ela vivia ali e percorrer seus cômodos é conhecer mais de sua vida e caminhar sobre lembranças. Minha mãe gostava muito de Amália, assim como toda uma geração de brasileiros que a viu gravar e se apresentar em nosso país por décadas, dos anos 1940 até os anos 1970. 
Lisboa visto desde a Alfama!
E entre tudo isto ainda pude caminhar muito. Ontem, quinta-feira, ao entardecer, pelo Rossio, passando pelo Arco da Augusta, Tejo a partir do Terreiro do Paço e caminhando pela sua margem até o Cais do Sodré. Fui também ao Chiado, parando no café A Brasileira para ler um pouco no mesmo local que Fernando Pessoa frequentava.
Hoje caminhei pela linda e nostálgica Alfama. Aliás, terminei o dia neste bairro, comendo bacalhau e ouvindo Fado em um pequeno restaurante, em uma construção de mais de 400 anos. Segundo o Pedro, dono desta casa de Fado que fui, o Fado nasceu nas caravelas, na época das grandes navegações, quando, ao escurecer, para espantar o medo da noite e o temor do desconhecido, os marinheiros começavam a declamar os versos de Camões, o universal poeta de língua portuguesa. 
Arco da Augusta
Da declamação saudosa à música, da música ao Fado, que, portanto, é filho da saudade. Pedro, fã de Camões, tem também sua verve de poeta e a poesia navega fácil entre suas palavras... ele ainda completa: era o Fado, saudade musicada, que trazia os marinheiros de volta...
Adoro o lirismo poético da alma lusitana.
Valeu minha parada em Lisboa. Amanhã viajo para São Tomé e Príncipe. Conto de lá!




Pedro e seu restaurante A Viela do Fado

Rua Augusta, coração de Lisboa

Achei esta rua... Minha Santa de devoção...

Chiado

Monet

sábado, 24 de março de 2018

Peru, 18 a 24 de março de 2018

Foto obrigatória do Pacífico, à partir do Larcomar
Passei esta semana no Peru. Cheguei no domingo dia 18, dormi em Lima e na segunda, 19, fui para Piura, um Estado que fica ao norte, em direção ao Equador. Sua capital, de mesmo nome, é a quinta cidade em população do país, chegando a quinhentos mil habitantes. É a terceira vez que fui a Piura. Lá passei toda semana, regressando hoje a Lima, de onde saio amanhã cedo de regresso a casa. 
Aspecto do IV Foro
O que me trouxe ao país foi o IV Foro Latino-americano de Sistemas Participativos de Garantia. Aqui no blog contei sobre meus dias em La Paz, Bolivia, em novembro de 2011 e em Quito, em dezembro de 2015, respectivamente no II e III Foro. Também já tive a oportunidade de explicar que os SPGs são um método de conferir reconhecimento da qualidade da produção agropecuária sem uso de agrotóxicos ou organismos modificados geneticamente, usualmente denominadas de Ecológica ou Orgânica. 
Passei toda a semana trabalhando, com a responsabilidade de facilitação da reunião, o que me impediu de escrever diariamente como costumo fazer. Ou talvez esta seja só uma desculpa para a preguiça de escrever o blog. O fato é que pela primeira vez em sete anos não relatei o que andei fazendo em uma viagem internacional. Estará o blog em risco? Veremos nas próximas viagens. 
Praça / Igreja de Catacaos
Também é verdade que a semana em Piura transcorreu de maneira muito uniforme. Trabalho intenso, saindo do hotel apenas para dois passeios rápidos. No fim da tarde de terça feira alguns saímos para Catacaos, cidade vizinha a Piura e conhecido ponto de vendas de artesanato. Destaque para os trabalhos em ouro e prata e para as cerâmicas de Chulucanas. Estas cerâmicas são muito reconhecidas no país e no exterior. A maioria é produzida em uma pequena cidade chamada La Encantada, que tive a oportunidade de visitar há uns dez anos. São feitas com uma técnica especial, um desenho característico e uso de tintas naturais, segundo entendi principalmente a partir de folhas de manga, torradas para conferir a cor negra característica destas cerâmicas. Quem já passou pelo aeroporto de Lima seguramente teve a atenção despertada por estas peças, vendidas ali a peso de ouro. 
Artesões em Catacaos
A outra saída foi ainda mais rápida, ontem, sexta-feira, após o término do evento, apenas para passear no início da noite pela praça principal da cidade, ver sua Catedral e caminhar à toa para descansar. Piura não é uma cidade particularmente bonita. 
Voltando a Catacaos, eu a havia visitado em 2007. Desta vez a vi menos pujante na venda de artesanatos. Me explicaram que a cidade ainda está se recuperando de uma trágica inundação que a abateu em março do ano passado, atribuída ao fenômeno La Niña. Já disse várias vezes aqui no blog que não há lugar que eu viaje e não me depare com problemas que são, obviamente, fruto das mudanças climáticas que derivam do aquecimento global, ainda que alguns insistam em espalhar suas convenientes dúvidas. Convenientes para quem deseja seguir com o mesmo desenho de sociedade que nos trouxe a esta situação, baseado na produção e consumo sem limites.
Atum selado com majado de mandioca
Votando a falar de flores, Piura se notabiliza por sua culinária, especialmente peixes. Infelizmente a comida do hotel que fiquei, El Angolo, não correspondeu à fama da cidade, mas minhas três incursões por restaurantes foram compensadoras, com deliciosos tiraditos tricolor (ceviche servido com três diferentes molhos), côngrio rosa grelhado e atum selado com um majado de mandioca. Majado é uma refogado com temperos e mandioca ou banana verde, que são cozidos juntos e formam uma massa quase homogênea, muito típicos de Piura. Delicia!
Falo de comida porque o Peru tem no turismo gastronômico uma fonte de renda importante. E não à toa, sua culinária realmente é especialíssima. 
Galera bailando na Praça Kennedy
E hoje tive tempo apenas de passear um pouco por Lima. Caminhei por Miraflores, seu bairro mais charmoso e vi a terceira idade dançando na Praça Kennedy. /no Onpez comi um delicioso raviole recheado de ricota e espinafre com molho de camarão apimentado, ao ponto! Depois tomei chicha morada (refresco à base de milho roxo), café e Pisco Sour, um drink a base de pisco, limão, açúcar, clara de ovo e angustura. Pisco é um destilado obtido a partir da uva. Tomei este pisco sour no bar “Popular”, em um centro comercial chamado Larcomar, que fica junto ao Pacífico. Isto ao entardecer, com uma paisagem de fisionomia agradável e relaxante.
Larcomar, ao anoitecer
E esta foi minha semana. Irei fazer outro post com a Carta de Piura, elaborada pelos participantes do Foro e que resume os principais pontos de discussão destes dias. Na verdade foi uma excelente semana de trabalho, e as emoções ficaram todas concentradas por aí. De todos modos não é pouco. Nem sempre é possível conciliar trabalho e passeio. Desta vez não foi, na próxima será.